Bring it on, Gaspar! Hoje o roubo que me vais fazer não vai custar tanto: finalmente inscrevi-me numas aulinhas de inglês, para me ajudarem a preparar a fuga.
Um deserto de ideias, mantido por um cérebro composto apenas por alguns grãos de areia.
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03 outubro, 2012
24 julho, 2012
Filho meu não vai andar na má vida dos estudos
Obrigada governo, por me fazeres perceber, aos 25 anos, uma história que o meu pai me contava em criança.
Dizia ele - e ainda diz às vezes, com orgulho, coitado - que, quando ia à reunião de pais na minha escola primária, o meu professor lhe dizia: "A Sara vai longe". E o meu pai, que tem a 4ª classe, ficava de peito inchado, a achar que a inteligência da catraia ia dar em alguma coisa boa. Aposto que até já sonhava em viver acima das suas possibilidades, com direito a férias em Tenerife e a conduzir um carro com menos de 10 anos, com direcção assistida e tudo. Luxos.
No entanto, há duas coisas que se perderam pelo caminho desde os anos 90. A primeira foi a minha inteligência (possivelmente apanhada pelo Relvas, o meio-fundista das licenciaturas). A segunda foi aquela teoria de que o estudo conduz a melhores condições de vida pessoais e ao enriquecimento do país.
Ora, nunca Portugal teve gente tão qualificada... E veja-se o nosso estado miserável. A conclusão é simples: há que voltar a deseducar esta gente letrada chata que reivindica direitos e mais umas mariquices como justiça, equidade e distribuição justa de sacrifícios. É por causa destes malandros que cada vez estamos piores.
Felizmente, o governo já começou a tratar disso, e Nuno Crato continua a trabalhar no encerramento de escolas. Desta vez encerrou 239 escolas primárias.
Assim como assim (sempre quis usar esta expressão), até o IEFP já nos mostra que, actualmente, profissões que exigem menos formação são mais bem pagas do que os quadros qualificados. Ahhh, bendito "programa estímulo", que estimula, por exemplo, arquitectos com mestrado, carta e viatura própria e que sabem falar duas línguas estrangeiras a trabalhar das 09h30 às 19h30 por 500€ mensais!
Agora percebo aquela história de eu ir longe. O Professor Manuel, o melhor professor que uma criança pôde ter, era um visionário em 1994. O meu pai é que não deve ter percebido. Pensou que o ir longe era no sentido de ter uma vida promissora, melhor que a dele e que a dos meus avós. A evolução natural em qualquer país evoluído.
Mas não. Ele queria referir-se à emigração. "A Sara vai longe", que é como quem diz, vai para Angola, para o Canadá ou para o Brasil procurar trabalho a ver se tem dinheiro para comer e pagar a renda. Vai para bem longe da família e dos amigos. "A Sara vai longe" porque, com uma licenciatura na área das letras, só vai ter dinheiro para morar nos subúrbios das grandes cidades onde vai mendigar trabalho. E portanto tem de ir para bem longe do centro e apanhar dois autocarros mais o comboio suburbano.
"A Sara vai longe". Vai muito longe do caminho que os pais pensaram para ela, apesar de ela até ter feito tudo quanto lhe foi pedido. Esbarrou agora na tese do mestrado.
Dizia ele - e ainda diz às vezes, com orgulho, coitado - que, quando ia à reunião de pais na minha escola primária, o meu professor lhe dizia: "A Sara vai longe". E o meu pai, que tem a 4ª classe, ficava de peito inchado, a achar que a inteligência da catraia ia dar em alguma coisa boa. Aposto que até já sonhava em viver acima das suas possibilidades, com direito a férias em Tenerife e a conduzir um carro com menos de 10 anos, com direcção assistida e tudo. Luxos.
No entanto, há duas coisas que se perderam pelo caminho desde os anos 90. A primeira foi a minha inteligência (possivelmente apanhada pelo Relvas, o meio-fundista das licenciaturas). A segunda foi aquela teoria de que o estudo conduz a melhores condições de vida pessoais e ao enriquecimento do país.
Ora, nunca Portugal teve gente tão qualificada... E veja-se o nosso estado miserável. A conclusão é simples: há que voltar a deseducar esta gente letrada chata que reivindica direitos e mais umas mariquices como justiça, equidade e distribuição justa de sacrifícios. É por causa destes malandros que cada vez estamos piores.
Felizmente, o governo já começou a tratar disso, e Nuno Crato continua a trabalhar no encerramento de escolas. Desta vez encerrou 239 escolas primárias.
Assim como assim (sempre quis usar esta expressão), até o IEFP já nos mostra que, actualmente, profissões que exigem menos formação são mais bem pagas do que os quadros qualificados. Ahhh, bendito "programa estímulo", que estimula, por exemplo, arquitectos com mestrado, carta e viatura própria e que sabem falar duas línguas estrangeiras a trabalhar das 09h30 às 19h30 por 500€ mensais!
Incentivo generoso promovido pelo programa estimulol. Perdão, programa estímulo.
Agora percebo aquela história de eu ir longe. O Professor Manuel, o melhor professor que uma criança pôde ter, era um visionário em 1994. O meu pai é que não deve ter percebido. Pensou que o ir longe era no sentido de ter uma vida promissora, melhor que a dele e que a dos meus avós. A evolução natural em qualquer país evoluído.
Mas não. Ele queria referir-se à emigração. "A Sara vai longe", que é como quem diz, vai para Angola, para o Canadá ou para o Brasil procurar trabalho a ver se tem dinheiro para comer e pagar a renda. Vai para bem longe da família e dos amigos. "A Sara vai longe" porque, com uma licenciatura na área das letras, só vai ter dinheiro para morar nos subúrbios das grandes cidades onde vai mendigar trabalho. E portanto tem de ir para bem longe do centro e apanhar dois autocarros mais o comboio suburbano.
"A Sara vai longe". Vai muito longe do caminho que os pais pensaram para ela, apesar de ela até ter feito tudo quanto lhe foi pedido. Esbarrou agora na tese do mestrado.
Valerá a pena?
04 janeiro, 2012
O prometido é devido
... Já cantava o Rui Veloso. É por isso que eu há anos que não caio na esparrela de fazer promessas de ano novo. É dia 4 e eu ainda não parei de me entupir de comida má, nem comecei a trabalhar na tese. Já viram se eu tivesse prometido que ia passar a comer melhor em 2012 ou - pior! - estudar mais?
Não meus amigos. Eu podia prometer o que quer que fosse que não ia cumprir. Mas estou aqui para vos apoiar nas vossas resoluções de ano novo. Força nisso, ok? Há que ter força de vontade, que o esforço há-de compensar, etc.
Agora vou só comer ali uns restos de Aletria e ler mais uns blogues. Olha, estudo amanhã. Amanhã é que vai ser.
Não meus amigos. Eu podia prometer o que quer que fosse que não ia cumprir. Mas estou aqui para vos apoiar nas vossas resoluções de ano novo. Força nisso, ok? Há que ter força de vontade, que o esforço há-de compensar, etc.
Agora vou só comer ali uns restos de Aletria e ler mais uns blogues. Olha, estudo amanhã. Amanhã é que vai ser.
17 dezembro, 2011
O calcanhar da Sara
E de repente já gastei 8 meses dos 12 que tenho para escrever uma dissertação de mestrado. Nem dei por eles... O tempo passa... "Não somos nada!"...
A maior barreira que tenho de ultrapassar se quero fazer uma tese (e outras coisas no geral) é: aprender a conciliar o facto de eu ser, por um lado, perfeccionista, e por outro, uma preguiçosa e procrastinadora de primeira.
Se alguém tiver uma solução milagrosa (atenção, eu disse milagrosa, não me venham com tretas do tipo "trabalha, mandriona!"), eu fico muito agradecida.
A maior barreira que tenho de ultrapassar se quero fazer uma tese (e outras coisas no geral) é: aprender a conciliar o facto de eu ser, por um lado, perfeccionista, e por outro, uma preguiçosa e procrastinadora de primeira.
Se alguém tiver uma solução milagrosa (atenção, eu disse milagrosa, não me venham com tretas do tipo "trabalha, mandriona!"), eu fico muito agradecida.
07 dezembro, 2011
A montanha pariu... nada.
9 meses. Passados 9 meses de ausência, voltei ao ISCSP. É que hoje não arranjei mesmo nenhuma desculpa plausível (nem sequer estava céu nublado) e finalmente fui à biblioteca.
A biblioteca do ISCSP será uma das piores bibliotecas do universo de faculdades públicas daquela dimensão (não, não estou a falar da dimensão da presunção, estou a falar do tamanho real). Por isso, foi com agrado que li no site da biblioteca um texto bonito escrito por um rosto novo. "Queres ver que finalmente arranjaram uma bibliotecária a sério?", questionei-me mentalmente, num tom (mental) esperançoso. Embora tenha reparado que há várias prateleiras que continuam vazias e que os computadores são o maior atraso de vida possível.
Fui, então, procurar no motor de busca dois livros recomendados, há 9 meses (que vergonha, meu deus, sou uma fraude preguiçosa), pelo meu orientador. E reparei que os livros se evaporaram dali. Simplesmente não existiam na base de dados. E fiquei arreliadinha, como fico sempre que tenho de ir ao ISCSP.
À saída, travei mais ou menos este diálogo com uma das senhoras que lá trabalha:
Sara: Retiraram livros aqui da biblioteca? É que há uns tempos requisitei uns livros e agora não aparecem na base de dados...
Senhora: Não, estamos apenas a etiquetá-los novamente. Os que ainda não receberam etiquetação nova estão sem número e portanto estão fora da base de dados.
Sara: Mas vão demorar muito a etiquetar os que faltam?
Senhora: Sim.
Sara: ...
Quanto? É que preciso dos livros para a tese...
Senhora: Não sei...
Sara: ...
Então e não há outra maneira de os requisitar?
Senhora: Só se me der o código antigo...
Sara: Não sei os códigos dos vossos livros, só sei os títulos e os autores!
Senhora: Então diga-me o título, para eu procurar aqui na base de dados da biblioteca
Sara: Mas foi o que lhe disse no início, os livros desapareceram da base de dados!
Senhora: Pois, então não sei...
...
Tenho vontade de só voltar ao ISCSP daqui por outros 9 meses... Mas consta que tenho uma tese para entregar antes disso... Vou tentar ir à biblioteca da FCSH ou do ISCTE. Será que adoptam uma pobre aluna do ISCSP?
A biblioteca do ISCSP será uma das piores bibliotecas do universo de faculdades públicas daquela dimensão (não, não estou a falar da dimensão da presunção, estou a falar do tamanho real). Por isso, foi com agrado que li no site da biblioteca um texto bonito escrito por um rosto novo. "Queres ver que finalmente arranjaram uma bibliotecária a sério?", questionei-me mentalmente, num tom (mental) esperançoso. Embora tenha reparado que há várias prateleiras que continuam vazias e que os computadores são o maior atraso de vida possível.
Fui, então, procurar no motor de busca dois livros recomendados, há 9 meses (que vergonha, meu deus, sou uma fraude preguiçosa), pelo meu orientador. E reparei que os livros se evaporaram dali. Simplesmente não existiam na base de dados. E fiquei arreliadinha, como fico sempre que tenho de ir ao ISCSP.
À saída, travei mais ou menos este diálogo com uma das senhoras que lá trabalha:
Sara: Retiraram livros aqui da biblioteca? É que há uns tempos requisitei uns livros e agora não aparecem na base de dados...
Senhora: Não, estamos apenas a etiquetá-los novamente. Os que ainda não receberam etiquetação nova estão sem número e portanto estão fora da base de dados.
Sara: Mas vão demorar muito a etiquetar os que faltam?
Senhora: Sim.
Sara: ...
Quanto? É que preciso dos livros para a tese...
Senhora: Não sei...
Sara: ...
Então e não há outra maneira de os requisitar?
Senhora: Só se me der o código antigo...
Sara: Não sei os códigos dos vossos livros, só sei os títulos e os autores!
Senhora: Então diga-me o título, para eu procurar aqui na base de dados da biblioteca
Sara: Mas foi o que lhe disse no início, os livros desapareceram da base de dados!
Senhora: Pois, então não sei...
...
Tenho vontade de só voltar ao ISCSP daqui por outros 9 meses... Mas consta que tenho uma tese para entregar antes disso... Vou tentar ir à biblioteca da FCSH ou do ISCTE. Será que adoptam uma pobre aluna do ISCSP?
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01 novembro, 2011
shiny respectful people
Dois meses de residência nova já me dão a segurança suficiente para poder escrever aqui coisas bonitas sem me arrepender no dia seguinte.
Afinal há mais gente como eu. Gente que não gosta de viver numa pocilga, que não rouba comida aos outros e que não faz barulho de madrugada porque sabe que vai incomodar as outras pessoas. É uma cena brutal, isto de contactar com garotada que respeita e gosta de ser respeitada. Posso até dizer que, nesta casa de 13 raparigas, eu sou uma rebelde, pois nem sempre arrumo a minha louça e desafiei as regras ao querer usar o secador na casa de banho a horas impróprias da manhã para fazer barulho (9h!).
Passei do 80 para o 8, mas com tanta gente numa casa só o 8 funciona. Depois de ano e meio de uma experiência horrível, de viver no caos, nesta residência posso quase dizer que sou feliz. Só não digo que sou mesmo feliz porque tenho de partilhar o quarto e porque há formigas em todo o lado. E porque também só há uma banheira para 13 gajas, o que me impede de demorar os meus 45 minutos na casa de banho. Que saudades.
Note-se que isto tem contribuído para que eu tenha deixado de verbalizar tantas vezes a minha frase predilecta "odeio pessoas". Agora uso-a mais no metro, ou para comentar as notícias diárias do mundo da política e da economia portuguesas.
(Tinha de terminar o posto com uma referência a cair para o negativismo. Não quero que se pense que estou a afrouxar, aqui a demonstrar simpatia pelas minhas colegas de casa e a falar em civismo e felicidade).
Afinal há mais gente como eu. Gente que não gosta de viver numa pocilga, que não rouba comida aos outros e que não faz barulho de madrugada porque sabe que vai incomodar as outras pessoas. É uma cena brutal, isto de contactar com garotada que respeita e gosta de ser respeitada. Posso até dizer que, nesta casa de 13 raparigas, eu sou uma rebelde, pois nem sempre arrumo a minha louça e desafiei as regras ao querer usar o secador na casa de banho a horas impróprias da manhã para fazer barulho (9h!).
Passei do 80 para o 8, mas com tanta gente numa casa só o 8 funciona. Depois de ano e meio de uma experiência horrível, de viver no caos, nesta residência posso quase dizer que sou feliz. Só não digo que sou mesmo feliz porque tenho de partilhar o quarto e porque há formigas em todo o lado. E porque também só há uma banheira para 13 gajas, o que me impede de demorar os meus 45 minutos na casa de banho. Que saudades.
Note-se que isto tem contribuído para que eu tenha deixado de verbalizar tantas vezes a minha frase predilecta "odeio pessoas". Agora uso-a mais no metro, ou para comentar as notícias diárias do mundo da política e da economia portuguesas.
(Tinha de terminar o posto com uma referência a cair para o negativismo. Não quero que se pense que estou a afrouxar, aqui a demonstrar simpatia pelas minhas colegas de casa e a falar em civismo e felicidade).
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31 agosto, 2011
Picoense de gema
Faz hoje exactamente um mês sobre o dia em que eu pensei que os tormentos da residência universitária iam terminar.
Uma breve visita aos SASUTL, no início de Agosto, fez-me mudar de ideia. Garantiram-me que tinham a residência universitária ideal para mim, longe do pandemónio que é a FMH. Além disso, fica a 10 minutos a pé do meu trabalho. E lá vou eu, de armas e bagagens, mudar-me para uma nova residência, bem mais pequena. Um apartamento para 13 raparigas (com uma só casa de banho com banheira - medo), quartos a dividir, apertadinho que dói, mas mais sossegado, garantiram-me. Vou inaugurá-lo exactamente hoje.
Estou há menos de dois anos em Lisboa. É a sexta vez que ando com as tralhas às costas. Ah! E é a 1ª vez na vida que vou deixar de ser suburbana. Vamos ver quanto tempo aguento.
Olá Picoas!
Uma breve visita aos SASUTL, no início de Agosto, fez-me mudar de ideia. Garantiram-me que tinham a residência universitária ideal para mim, longe do pandemónio que é a FMH. Além disso, fica a 10 minutos a pé do meu trabalho. E lá vou eu, de armas e bagagens, mudar-me para uma nova residência, bem mais pequena. Um apartamento para 13 raparigas (com uma só casa de banho com banheira - medo), quartos a dividir, apertadinho que dói, mas mais sossegado, garantiram-me. Vou inaugurá-lo exactamente hoje.
Estou há menos de dois anos em Lisboa. É a sexta vez que ando com as tralhas às costas. Ah! E é a 1ª vez na vida que vou deixar de ser suburbana. Vamos ver quanto tempo aguento.
Olá Picoas!
14 março, 2011
Hoje
-Fui pagar a residência aos SASUTL. Cobraram-me um preço mais baixo, o de bolseira, e eu, na minha santa inocência, digo: "esse valor está errado, eu já não sou bolseira, perdi a bolsa".
Só sei que, minutos mais tarde, eu afinal já era bolseira outra vez. E ainda dizem que os serviços públicos são lentos...
Ao que parece, o governo fez aprovar um despacho em que concede, a alguns bolseiros em transição (eufemismo para denominar aquela catrefada de gente que, como eu, perdeu a bolsa este ano), uma bolsa mínima, que cobre o valor das propinas. Ou seja, 900 e muitos euros, o que já é muito bom! No meu caso é apenas metade daquilo que tenho de pagar porque o governo não dá o mesmo apoio aos mestrandos, porque não considera um mestrado essencial. Vai daí, a bolsa máxima que pagam em qualquer caso é a propina da licenciatura. E pronto, tenho de pagar na mesma o alojamento, e mil euros de propinas, mas podia ser bem pior...
Mas não estou aqui para me queixar hoje, embora tenha tido uma discussão muito feia e triste com a minha mãe, que me enublou o dia apesar de todas as boas notícias.
Ao fim da tarde fui ao ISCSP para conhecer o meu futuro potencial orientador da tese de mestrado. Tese essa que é brilhante, inédita, avassaladora e que mudará para todo o sempre os destinos da Humanidade! muahahahaha! Bom, não será bem assim. Só sei que sou um bocado viciada no facebook e consegui enfiá-lo na minha tese. Vai tudo correr bem e que Zuckerberg me proteja.
O potencial orientador foi na cantiga e tornou-se no meu orientador. Onde já se viu... Uma parola como eu prestes a iniciar uma tese de mestrado toda bonita, cheia de investigação (um ano dela, é o que se espera). O mundo está mesmo perdido.
Portanto, o saldo do dia é: 1000 euros + um orientador de tese de mestrado + dores de cabeça familiares e sentimentos ainda mais pisados. Podia ter sido um belo dia, mas parece que ultimamente tenho sempre uma nuvem em cima da cabeça.
Só sei que, minutos mais tarde, eu afinal já era bolseira outra vez. E ainda dizem que os serviços públicos são lentos...
Ao que parece, o governo fez aprovar um despacho em que concede, a alguns bolseiros em transição (eufemismo para denominar aquela catrefada de gente que, como eu, perdeu a bolsa este ano), uma bolsa mínima, que cobre o valor das propinas. Ou seja, 900 e muitos euros, o que já é muito bom! No meu caso é apenas metade daquilo que tenho de pagar porque o governo não dá o mesmo apoio aos mestrandos, porque não considera um mestrado essencial. Vai daí, a bolsa máxima que pagam em qualquer caso é a propina da licenciatura. E pronto, tenho de pagar na mesma o alojamento, e mil euros de propinas, mas podia ser bem pior...
Mas não estou aqui para me queixar hoje, embora tenha tido uma discussão muito feia e triste com a minha mãe, que me enublou o dia apesar de todas as boas notícias.
Ao fim da tarde fui ao ISCSP para conhecer o meu futuro potencial orientador da tese de mestrado. Tese essa que é brilhante, inédita, avassaladora e que mudará para todo o sempre os destinos da Humanidade! muahahahaha! Bom, não será bem assim. Só sei que sou um bocado viciada no facebook e consegui enfiá-lo na minha tese. Vai tudo correr bem e que Zuckerberg me proteja.
O potencial orientador foi na cantiga e tornou-se no meu orientador. Onde já se viu... Uma parola como eu prestes a iniciar uma tese de mestrado toda bonita, cheia de investigação (um ano dela, é o que se espera). O mundo está mesmo perdido.
Portanto, o saldo do dia é: 1000 euros + um orientador de tese de mestrado + dores de cabeça familiares e sentimentos ainda mais pisados. Podia ter sido um belo dia, mas parece que ultimamente tenho sempre uma nuvem em cima da cabeça.
13 fevereiro, 2011
Jukebox
Amanhã entrego o meu último trabalho do mestrado. E estou completamente saturada.
Depois, siga para a tese.
28 janeiro, 2011
Governo (diz) que vai rever. Se governo diz que vai rever, não vai rever porra nenhuma
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) está aberto a rever as normas técnicas de atribuição das bolsas de estudo aos estudantes das universidades portuguesas. O ministro Mariano Gago assegura que o impacto social das regras que entraram em vigor neste ano lectivo vai ser tido em conta e o regulamento pode sofrer correcções.
"A revisão das normas técnicas, após uma avaliação da sua aplicação e do seu impacto, já estava prevista. Não deixaremos de avaliar o impacto social do actual sistema de apoios sociais", assegurou ontem ao PÚBLICO o ministro Mariano Gago, garantindo que serão feitas as correcções ao regulamento de atribuição de bolsas que se revelarem necessárias. (...)
[Sim, com certeza. Quando arranjar 2 mil euros para pagar a propina invisto-os numa aposta: Em como isto não vai acontecer].
Os dados já disponíveis revelam que um quarto dos estudantes bolseiros ficou sem apoio em face das novas regras.(...)
"A situação viola as legítimas expectativas dos estudantes e contraria o critério de confiança sobre o qual firmaram a sua relação com a instituição universitária e com o Estado", consideram os membros do órgão máximo da UM, em comunicado.
Este é um um problema grave. Eu escolhi o meu curso contando com o apoio que existia. Se me tivessem negado a bolsa, eu tinha ido embora para Ermesinde e por lá ficava. Agora: cortarem-me a bolsa no segundo ano, numa altura em que já fiz as cadeiras do 1º semestre do 2º ano?! No ano em que tenho a maior despesa de sempre com o curso?
Isto é desonesto.
27 janeiro, 2011
E acabo de ver que não tive bolsa de estudo este ano. Ao 5º ano de Universidade, é a primeira vez que não tenho bolsa. Logo no pior ano. No ano em que as propinas são o dobro de sempre, e no ano em que estou deslocada.
Resta-me arranjar 2 mil euros para pagar a propina e o resto para pagar alojamento.
Acho que é a primeira vez que a *crise* me afecta.
Foda-se.
Resta-me arranjar 2 mil euros para pagar a propina e o resto para pagar alojamento.
Acho que é a primeira vez que a *crise* me afecta.
Foda-se.
30 março, 2010
Férias da Páscoa
Lembro-me de quando a denominação "férias da Páscoa" fazia sentido. Nesses tempos, podia ocupar as minhas férias com coisas do tipo ir acampar 9 dias para a frente do pavilhão Atlântico para ficar perto dos Tokyo Hotel (na altura talvez o fizesse pelos Backstreet Boys);
podia passar os dias a ir ao shopping aqui da terra, que era relativamente novo; eu e a Marta combinávamos ir dormir uma a casa da outra quase dia sim dia não. Talvez houvesse uns trabalhos de casa para fazer, mas as férias davam realmente para descansar.
Para esta semana de férias da Páscoa tenho: 3 livros e um artigo para ler e tenho de definir 6 temas para 6 trabalhos sobre matérias de que não percebo rigorosamente nada, porque só agora é que comecei a ter aulas a estas cadeiras. O que faz todo o sentido.
Portanto, se alguém tiver ideias para trabalhos relacionados com Relações Internacionais para as cadeiras de:
E agora se me dão licença, vou ao meu merecido descanso (ler a Construção de Estados do Francis Fukuyama).
Viva as férias da Páscoa!
podia passar os dias a ir ao shopping aqui da terra, que era relativamente novo; eu e a Marta combinávamos ir dormir uma a casa da outra quase dia sim dia não. Talvez houvesse uns trabalhos de casa para fazer, mas as férias davam realmente para descansar.
Para esta semana de férias da Páscoa tenho: 3 livros e um artigo para ler e tenho de definir 6 temas para 6 trabalhos sobre matérias de que não percebo rigorosamente nada, porque só agora é que comecei a ter aulas a estas cadeiras. O que faz todo o sentido.
Portanto, se alguém tiver ideias para trabalhos relacionados com Relações Internacionais para as cadeiras de:
- Regime Jurídico Internacional
- África
- China
- Pacífico
- Cooperação Internacional
- Economia Política Internacional
E agora se me dão licença, vou ao meu merecido descanso (ler a Construção de Estados do Francis Fukuyama).
Viva as férias da Páscoa!
22 fevereiro, 2010
ISCSP: Mestrado em confusão? É lá.
Hoje vou dar uma coisa ao meu prezado leitor. Um conselho. Bom e grátis. É aproveitar, que eles são raros e eu sou forreta...
Se querem um mestrado muito mas mesmo muito bom em Relações Internacionais, mas estão indecisos, cá vai uma ajuda:
NÃO VÃO PARA O ISCSP!!!!!
A sério, não vão. A não ser que queiram:
-Ter 6 cadeiras onde vos pedem 273353728 trabalhos e frequências e tudo o mais, sem que vos seja dada qualquer aula (aula que se aproveite). Diria que do primeiro semestre aproveitei 20% das aulas? E em que 15% serão todas do mesmo professor, o único que deu a sua cadeira como deve ser. Os restantes docentes faltaram; mandaram alguém vir dar a aula por eles mas essas não serviram na maior parte dos casos para nada; faltaram; falaram sobre coisa nenhuma; faltaram.
Desengane-se quem pensa que isto é giro. No ensino secundário era uma festa, mas quando se está a pagar 3000€ por um mestrado e se quer realmente aprender, é uma chatice. Chatice que se agrava ainda mais porque temos de fazer os trabalhos e exames à mesma e temos basicamente que ser autodidactas. E eu não gosto de pagar para ter de aprender sozinha (até porque me sinto desorientada)
-Tentar resolver as coisas, fazendo queixa a quem de direito, mas nenhum dos professores se rever nas críticas e, portanto, tudo ficar como antes. Rezo a todos os santos académicos para que no 2º semestre a lição seja aprendida, até porque alguns dos professores manter-se-ão.
-Não saber se se passa a uma cadeira com 10 ou com 12. Descobrir hoje que afinal é com 14, ou seja, o contrário do que os professores disseram. Ter então de surpresa de ir a uma oral 15 minutos a seguir a saber que afinal aquele 13 não serve para passar. Mais de metade dos colegas não sabia e portanto não fez a cadeira. Faz para o ano e é se quer.
MAS DESDE QUANDO É QUE COM UM 10,11,12 ou 13 A CADEIRA NÃO FICA FEITA?!?!? Pois parece que o ISCSP ainda não aprendeu como se lida com Bolonha e fica assim. Quem não sabia disso que se f***, faz a cadeira para o ano, que ali não se dá explicações e muito menos se respeita os alunos (nem se dá aulas, não sei se já tinha dito).
Portanto, paciente leitor, já sabe o que tem a fazer. Acima de tudo, não mude de cidade a pensar que vai para o melhor e mais prestigiado mestrado do país na área das RI. Poupe o seu tempo e o seu dinheiro. Faça à porta de casa. Estou certa que na Universidade Moderna o curso estaria mais bem organizado... o que, penso, diz muito acerca da opinião que tenho actualmente sobre o dito cujo...
Se querem um mestrado muito mas mesmo muito bom em Relações Internacionais, mas estão indecisos, cá vai uma ajuda:
NÃO VÃO PARA O ISCSP!!!!!
A sério, não vão. A não ser que queiram:
-Ter 6 cadeiras onde vos pedem 273353728 trabalhos e frequências e tudo o mais, sem que vos seja dada qualquer aula (aula que se aproveite). Diria que do primeiro semestre aproveitei 20% das aulas? E em que 15% serão todas do mesmo professor, o único que deu a sua cadeira como deve ser. Os restantes docentes faltaram; mandaram alguém vir dar a aula por eles mas essas não serviram na maior parte dos casos para nada; faltaram; falaram sobre coisa nenhuma; faltaram.
Desengane-se quem pensa que isto é giro. No ensino secundário era uma festa, mas quando se está a pagar 3000€ por um mestrado e se quer realmente aprender, é uma chatice. Chatice que se agrava ainda mais porque temos de fazer os trabalhos e exames à mesma e temos basicamente que ser autodidactas. E eu não gosto de pagar para ter de aprender sozinha (até porque me sinto desorientada)
-Tentar resolver as coisas, fazendo queixa a quem de direito, mas nenhum dos professores se rever nas críticas e, portanto, tudo ficar como antes. Rezo a todos os santos académicos para que no 2º semestre a lição seja aprendida, até porque alguns dos professores manter-se-ão.
-Não saber se se passa a uma cadeira com 10 ou com 12. Descobrir hoje que afinal é com 14, ou seja, o contrário do que os professores disseram. Ter então de surpresa de ir a uma oral 15 minutos a seguir a saber que afinal aquele 13 não serve para passar. Mais de metade dos colegas não sabia e portanto não fez a cadeira. Faz para o ano e é se quer.
MAS DESDE QUANDO É QUE COM UM 10,11,12 ou 13 A CADEIRA NÃO FICA FEITA?!?!? Pois parece que o ISCSP ainda não aprendeu como se lida com Bolonha e fica assim. Quem não sabia disso que se f***, faz a cadeira para o ano, que ali não se dá explicações e muito menos se respeita os alunos (nem se dá aulas, não sei se já tinha dito).
Portanto, paciente leitor, já sabe o que tem a fazer. Acima de tudo, não mude de cidade a pensar que vai para o melhor e mais prestigiado mestrado do país na área das RI. Poupe o seu tempo e o seu dinheiro. Faça à porta de casa. Estou certa que na Universidade Moderna o curso estaria mais bem organizado... o que, penso, diz muito acerca da opinião que tenho actualmente sobre o dito cujo...
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26 janeiro, 2010
..."Este contexto torna problemática a avaliação do potencial actual ou força real dos actores, principalmente quando se trata de comparar, em termos de potenciais relativos, poderes em confronto, ou quando se pretende, numa dimensão prospectiva ou de previsão, equacionar os resultados potenciais de comportamentos cooperativos e conflituais através da selecção de indicadores aos quais são atribuídos valores numa escala comum, contextualmente determinada pela percepção cognitiva do ambiente relacional."
Quem acha que é possível estudar 162 páginas de frases como esta para uma frequência? Eu confesso que não. Não fui talhada para comer palha e vomitá-la numa folha de exame. Eu nunca escreveria uma sebenta inteira assim, sem sequer dar exemplos que expliquem o que quer dizer aquele português de Cascais a pessoas que estão a aprender.
Se calhar é por isso que ainda nem sequer cheguei a meio da matéria e, da que estudei, sei quase nada.
Vou comer mais um bocado de palha...
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Quem acha que é possível estudar 162 páginas de frases como esta para uma frequência? Eu confesso que não. Não fui talhada para comer palha e vomitá-la numa folha de exame. Eu nunca escreveria uma sebenta inteira assim, sem sequer dar exemplos que expliquem o que quer dizer aquele português de Cascais a pessoas que estão a aprender.
Se calhar é por isso que ainda nem sequer cheguei a meio da matéria e, da que estudei, sei quase nada.
Vou comer mais um bocado de palha...
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eu reclamo de carago,
voltei à escola
19 janeiro, 2010
Dúvida existencial
Mas por alma de quem é que um trabalho académico tem de vir escrito na primeira pessoa do plural?
Sou só eu que acho que ler um estudo onde diz "analisámos" e "concluímos", mas que foi feito só por uma pessoa, fica um bocado esquizofrénico?
Se eu fizer uma tese de mestrado sozinha, porque é que tenho de dividir os meus louros com os meus ajudantes imaginários?!
Esta regra é estúpida.
Sou só eu que acho que ler um estudo onde diz "analisámos" e "concluímos", mas que foi feito só por uma pessoa, fica um bocado esquizofrénico?
Se eu fizer uma tese de mestrado sozinha, porque é que tenho de dividir os meus louros com os meus ajudantes imaginários?!
Esta regra é estúpida.
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14 novembro, 2009
querido diário
No espaço de uma semana já tenho quarto em Lisboa e trabalho para o pagar!! E agora que finalmente tenho uma morada em Lisboa, a Carris já admite que eu existo e vai-me deixar tirar o passe universitário na segunda-feira! Depois de há coisa de duas semanas ter finalmente conseguido tirar a carta, parece que já esgotei os desejos até 2020. A continuar este ritmo surpreendente de conquistas, qualquer dia deixo de me sentir completamente estúpida nas aulas de mestrado!
Ok, agora fui demasiado ambiciosa.
Despeço-me com a frase da semana:
"Eu era todo sensivelzinho, até um pouco amaricado"
José Carlos Malato, sobre a sua infância.
Eu posso não perceber patavina de Relações Internacionais, mas pelo menos sei conjugar os verbos nos tempos correctos. Já é qualquer coisa.
Ok, agora fui demasiado ambiciosa.
Despeço-me com a frase da semana:
"Eu era todo sensivelzinho, até um pouco amaricado"
José Carlos Malato, sobre a sua infância.
Eu posso não perceber patavina de Relações Internacionais, mas pelo menos sei conjugar os verbos nos tempos correctos. Já é qualquer coisa.
24 outubro, 2009
Como misturar os CTT com tampões num post
É fácil: divide-se o post em dois! Sim, o título é sensacionalista e foi feito meramente para atrair a vossa atenção, o que não aconteceria se o título fosse só "cenas estúpidas".
Peço desculpa por vos ter enganado, mas se quero entrar para o mundo dos media um dia, tenho de começar a treinar estas maldades, que isto com seriedade já vi que não vou a lado nenhum.
Cá vai:
Cena estúpida I:
Fui aos correios enviar uma carta. Eu tinha o selo, por isso pedi à funcionária, depois de ela me pesar a carta, para me dar só um envelope.
-"Envelopes?!? Isso é com as papelarias, não é connosco! Aqui só vendemos envelopes franqueados!"
Até me senti mal. Que audácia a minha, incomodar a funcionária dos correios com trivialidades do tipo querer um envelope simples, porque eu já tinha o selo. Ali lidam-se com coisas importantes e eu senti que abusei da boa vontade dos CTT. E lá tive de comprar um envelope de correio azul...
Enquanto preenchia o envelope, a funcionária tentou recuperar o tempo perdido comigo atendendo outro cliente.
-"Muito bem, já está. É só? Não quer comprar uma lotaria de S. Martinho?
-"Err... Não, não, muito obrigado, não costumo ter sorte com essas coisas ..."
-"De certeza? Olhe que as sortes mudam! Não quer mesmo levar?"
- ...
Portanto, os CTT vendem coisas como livros, CDs, bilhetes de concertos, trens de cozinha e bilhetes de lotarias, mas ENVELOPES É COM AS PAPELARIAS?!? Não sei que insulto proferir aos CTT, a lista é demasiada extensa e tenho outra cena estúpida para dizer.
Cena estúpida II
Na minha faculdade nova, para quem não sabe o ISCSP, há, nas casas de banho, recipientes para deitar fora tampões e pensos e tal. Mas não se trata de um recipiente qualquer... Estas verdadeiras máquinas abrem-se automaticamente graças a um sensor, bastando passar a mão a 5 cm do mesmo, e ele abre-se, pronto a engolir o desperdício higiénico!
Após 2 experiências universitárias, posso finalmente dizer com orgulho: finalmente uma Universidade a sério!
Peço desculpa por vos ter enganado, mas se quero entrar para o mundo dos media um dia, tenho de começar a treinar estas maldades, que isto com seriedade já vi que não vou a lado nenhum.
Cá vai:
Cena estúpida I:
Fui aos correios enviar uma carta. Eu tinha o selo, por isso pedi à funcionária, depois de ela me pesar a carta, para me dar só um envelope.
-"Envelopes?!? Isso é com as papelarias, não é connosco! Aqui só vendemos envelopes franqueados!"
Até me senti mal. Que audácia a minha, incomodar a funcionária dos correios com trivialidades do tipo querer um envelope simples, porque eu já tinha o selo. Ali lidam-se com coisas importantes e eu senti que abusei da boa vontade dos CTT. E lá tive de comprar um envelope de correio azul...
Enquanto preenchia o envelope, a funcionária tentou recuperar o tempo perdido comigo atendendo outro cliente.
-"Muito bem, já está. É só? Não quer comprar uma lotaria de S. Martinho?
-"Err... Não, não, muito obrigado, não costumo ter sorte com essas coisas ..."
-"De certeza? Olhe que as sortes mudam! Não quer mesmo levar?"
- ...
Portanto, os CTT vendem coisas como livros, CDs, bilhetes de concertos, trens de cozinha e bilhetes de lotarias, mas ENVELOPES É COM AS PAPELARIAS?!? Não sei que insulto proferir aos CTT, a lista é demasiada extensa e tenho outra cena estúpida para dizer.
Cena estúpida II
Na minha faculdade nova, para quem não sabe o ISCSP, há, nas casas de banho, recipientes para deitar fora tampões e pensos e tal. Mas não se trata de um recipiente qualquer... Estas verdadeiras máquinas abrem-se automaticamente graças a um sensor, bastando passar a mão a 5 cm do mesmo, e ele abre-se, pronto a engolir o desperdício higiénico!
Após 2 experiências universitárias, posso finalmente dizer com orgulho: finalmente uma Universidade a sério!
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22 outubro, 2009
Era um Xanax, faz favor
Ontem, na aula de Análise de Política Externa, uma colega brasileira questionou o professor mais ou menos sobre isto:
Onde é que Portugal se perdeu? Como é que fez tantas coisas grandiosas pelo mundo, era tão poderoso e hoje em dia o sentimento que reina na população é o de inferioridade, de incapacidade, de pequenez? Mesmo em relação à União Europeia, porque nos posicionamos um pouco à margem?
O professor destacou a importância da pergunta vinda de quem vem, de uma pessoa estrangeira. Acho que nós, portugueses, lá no fundo convivemos diariamente com este sentimento, mas cada um tem a sua resposta. Nunca iriamos questionar o professor sobre aquilo, apesar de merecer um belo debate.
Quando a pergunta foi feita vieram-me logo à cabeça explicações como a má gestão da riqueza vinda das colónias, a gradual perda de poder e a facada no orgulho que foi o ultimato inglês ao nosso mapa cor-de-rosa. Quanto à explicação do professor, podia ter sido mais objectiva. Com tanta divagação não tirei muito sumo dali, mas o problema está em mim, que não percebo metade do que é dito nas aulas.
Há uma coisa muito gira que se chama consciência internacional, onde a política externa e a diplomacia têm um papel muito importante. Por exemplo, quando um político vai lá fora e dá a imagem de um país pequeno, o mundo ouve-o e acredita-o. Eventualmente isto também chega cá dentro. E nós ouvimo-lo e acreditamos.
Todos os dias nos dizem que somos pequenos, que somos maus, que estamos no último ranking disto e daquilo. Há uma notícia má? A imprensa noticia. Há uma notícia boa? Humm, se calhar até se noticia, em 300 caractéres entre uma notícia de poda de macieiras e regulamentos das finanças. Mas culpar a imprensa é fácil. Foi a imprensa que criou esta depressão ou ela é um produto da própria depressão?
Afinal a culpa é de quem? E afinal como é que se sai disto? É que para além de desmotivante, acreditar que somos todos uns incapazes acaba por ser a desculpa perfeita para o mau profissionalismo. Somos maus e somos, eu sou mais um, e isto para o que é serve.
Temos coisas boas, temos coisas más. As más têm de ser melhoradas. Mais do que saber de quem é a culpa pelo triste estado de espírito português em relação a si próprio, não era importante começar já hoje a corrigir o que está mal, em vez de nos querermos apenas livrar de tudo?
Caramba, a nossa auto-estima foi toda ali para Espanha? Como é que isto aconteceu? Aceitam-se sugestões...
Onde é que Portugal se perdeu? Como é que fez tantas coisas grandiosas pelo mundo, era tão poderoso e hoje em dia o sentimento que reina na população é o de inferioridade, de incapacidade, de pequenez? Mesmo em relação à União Europeia, porque nos posicionamos um pouco à margem?
O professor destacou a importância da pergunta vinda de quem vem, de uma pessoa estrangeira. Acho que nós, portugueses, lá no fundo convivemos diariamente com este sentimento, mas cada um tem a sua resposta. Nunca iriamos questionar o professor sobre aquilo, apesar de merecer um belo debate.
Quando a pergunta foi feita vieram-me logo à cabeça explicações como a má gestão da riqueza vinda das colónias, a gradual perda de poder e a facada no orgulho que foi o ultimato inglês ao nosso mapa cor-de-rosa. Quanto à explicação do professor, podia ter sido mais objectiva. Com tanta divagação não tirei muito sumo dali, mas o problema está em mim, que não percebo metade do que é dito nas aulas.
Há uma coisa muito gira que se chama consciência internacional, onde a política externa e a diplomacia têm um papel muito importante. Por exemplo, quando um político vai lá fora e dá a imagem de um país pequeno, o mundo ouve-o e acredita-o. Eventualmente isto também chega cá dentro. E nós ouvimo-lo e acreditamos.
Todos os dias nos dizem que somos pequenos, que somos maus, que estamos no último ranking disto e daquilo. Há uma notícia má? A imprensa noticia. Há uma notícia boa? Humm, se calhar até se noticia, em 300 caractéres entre uma notícia de poda de macieiras e regulamentos das finanças. Mas culpar a imprensa é fácil. Foi a imprensa que criou esta depressão ou ela é um produto da própria depressão?
Afinal a culpa é de quem? E afinal como é que se sai disto? É que para além de desmotivante, acreditar que somos todos uns incapazes acaba por ser a desculpa perfeita para o mau profissionalismo. Somos maus e somos, eu sou mais um, e isto para o que é serve.
Temos coisas boas, temos coisas más. As más têm de ser melhoradas. Mais do que saber de quem é a culpa pelo triste estado de espírito português em relação a si próprio, não era importante começar já hoje a corrigir o que está mal, em vez de nos querermos apenas livrar de tudo?
Caramba, a nossa auto-estima foi toda ali para Espanha? Como é que isto aconteceu? Aceitam-se sugestões...
07 outubro, 2009
Precisa-se tecto
Sinto-me uma sem abrigo. Para além de sem dinheiro, é claro.
Diz que as minhas aulas começaram ontem e eu ainda cá estou na minha invicta. Diz que, se quero candidatar-me a um alojamento temporário da Universidade Técnica de Lisboa, tenho de lá ir pessoalmente preencher papeis. Sim, eu candidato-me a bolsa porque não sou rica, mas tenho de ir gastar 35€ num bilhete de comnboio para me candidatar a ter um tecto. Já ouviram falar nas novas tecnologias, senhores? Sabem que eu posso mandar o comprovativo em como estou inscrita na vossa mui nobre instituição por fax ou e-mail? Até pelo correio, vejam lá!
E agora, quem é que aluga um tecto por um ou dois meses a esta pobre desalojada à espera dos resultados da bolsa? Alguém? Caso você - sim, você! - seja o meu salvador (a), saiba que sou muito arrumadinha e uma verdadeira fada do lar!
Diz que as minhas aulas começaram ontem e eu ainda cá estou na minha invicta. Diz que, se quero candidatar-me a um alojamento temporário da Universidade Técnica de Lisboa, tenho de lá ir pessoalmente preencher papeis. Sim, eu candidato-me a bolsa porque não sou rica, mas tenho de ir gastar 35€ num bilhete de comnboio para me candidatar a ter um tecto. Já ouviram falar nas novas tecnologias, senhores? Sabem que eu posso mandar o comprovativo em como estou inscrita na vossa mui nobre instituição por fax ou e-mail? Até pelo correio, vejam lá!
E agora, quem é que aluga um tecto por um ou dois meses a esta pobre desalojada à espera dos resultados da bolsa? Alguém? Caso você - sim, você! - seja o meu salvador (a), saiba que sou muito arrumadinha e uma verdadeira fada do lar!
23 setembro, 2009
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