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24 agosto, 2013

It's not enough.
I need more.
Nothing seems to satisfy.
I don't want it.
I just need it.
To feel, to breathe, to know I'm alive. 

Finger deep within the borderline.
Show me that you love me and that we belong together.
Relax, turn around and take my hand.

20 fevereiro, 2013

New things get old

 
New things get old


New things get old


New things get old


New things get old  

28 agosto, 2012

Coisas boas que vêm com a idade

Parece que afinal isto de envelhecer tem um bónus, para atenuar a lista de coisas más com que o avançar da idade nos brinda. Uma delas é o total desprezo que passei a dar a comentários que me tentam diminuir por causa de determinado gosto que eu tenha.

Até porque - convenhamos - seu eu gosto é porque é mesmo tremendamente fixe. É uma batalha perdida.

24 agosto, 2012

Drama das 02h01

Estou a ouvir Bon Iver, tenho de acordar daqui a 6 horas para ir trabalhar, mas há algo que me apoquenta mais do que estas duas coisas juntas (já de si altamente deprimentes):

Para o ano vou-me fartar de ouvir a magnífica expressão moura "dois mil e treuze". E não há nada a fazer. Vai ser um ano inteiro disto. Já estou a ver a minha passagem de ano estragadinha:

-Então feliz doismiletreuze!
-...

Não vejo aqui nada para celebrar. Até porque para o ano planeio continuar a viver em Lisboa e a visitar Cascais com frequência (área da mouraria onde a concentração de pessoas que dizem dois mil e treuze é ameaçadora), ou seja, vou ouvir muito disto. Não só na rua, mas também nos telejornais - esses locais sem sotaque, mas onde se diz "encarnado" e "dois mil e treuze" sem qualquer problema, embora trocar v's por b's seja motivo de chacota.

Mas há boas notícias. Depois de 2013 posso descansar 4 anos.
A ameaça regressa em 2018. Dois mil e dezÓito, como se diz por cá. Mas uma chatice de cada vez. Até porque em 2018 a minha geração está toda em Angola e Moçambique. Como é que se pronunciará 2018 por lá?
O melhor é ir reflectir sobre este tema para a cama.

31 maio, 2012

Bodas de prata

Comemoram-se hoje as bodas de prata de Sara.

Parecendo que não, 25 anos de Sara é muito ano a aturar-me a mim própria. Mas já sabia que, quando assumi este compromisso, era para os bons e os maus momentos, para a saúde e a doença, para o mau e o péssimo feitio. O que o útero une não mais poderá ser separado, e eu levo a coisa à regra.

Ainda ontem estava a pôr no fotolog a música "Twenty Years" dos Placebo, e hoje já estou a pensar que no dia 9 de Junho, quando ouvir a "24-25" dos Kings of Convenience, no festival Primavera Sound, já me enquadro na segunda metade. Oh deus, porquê, porquê?!

Dizem que até aos 30 é num instante, mas eu sinto que ainda tenho 15. Só não me comecem a perguntar quando é que vêm os filhos, ok? Que uma criança a criar outra é sempre má ideia.

22 fevereiro, 2012

Melhor amigo não correspondido. Um drama social

Ter amores trocados é do mais comum que pode haver na vida. E do mais doloroso também. Apaixonamo-nos por aquele rapaz tão engraçado, que nos faz rir e que tem tanto a ver connosco. Ele é tão perfeito... Não fosse o facto de gostar de outra galdéria qualquer. Sempre muito mais feia e antipática do que nós claro. Pelo menos a última parte.
Já me aconteceu o rapaz por quem me apaixonei gostar de outra rapariga com o mesmo nome e sobrenome que eu. Se houvesse um totoloto para falhados, eu tinha acertado no primeiro prémio dessa vez.

Tudo isto para introduzir um tema que me apoquenta. Melhores amigos trocados. Isto não é normal pois não? Não deve ser e eu carrego um certo sentimento de culpa. Eu tenho um amigo que me considera a sua melhor amiga. Sempre que me apresenta a alguém, é assim que ele me descreve. Desabafa comigo sempre que está mal, pede-me para eu o avisar quando estiver no Porto, telefona-me. Aquelas coisas normais que os melhores amigos fazem. A coisa só não é tão normal porque eu ainda agora não lhe atendi o telefone. E inventei uma desculpa.

Ora, se fôssemos melhores amigos eu dizia-lhe a verdade: odeio falar ao telefone e já conheço o desgosto de amor dele de trás para a frente, e tenho o jantar e uma mala pra fazer, e ainda ler um artigo (ou 15) para a tese.

Não. Se fôssemos melhores amigos, aquilo que eu fazia era atender-lhe o telefone sempre que ele me telefonasse e ouviria a mesma história outra vez, porque os melhores amigos são para isso.

Aqui reside o problema: eu nunca o vi como meu melhor amigo. E, como se acabou de ver através deste exemplo, também não me comporto como uma melhor amiga. Dou-lhe atenção via SMS, repito pela 1000ª vez que o tempo cura tudo e que foi melhor assim (até que deixo de responder porque tenho mil coisas por dia pra fazer e eu sei não parar ficamos naquilo o dia todo).

Eu sei a que soa isto que acabei de escrever: que gaja tão fria, nem um poste da EDP a queria como amiga, muito menos como *a melhor* amiga. Pobre rapaz! Mas a verdade é que eu também nunca recorro a ele para desabafar. Nem lhe telefono quando vou ao Porto para irmos sair, porque o tempo nunca dá para metade de tudo o que gostava de fazer. Ele não é o meu melhor amigo. Neste momento, o único melhor amigo gajo que eu tenho é o meu namorado, e isso, por mais maravilhoso que seja (é bom que o nosso namorado seja um amigo) entristece-me, porque eu sempre me dei melhor com rapazes e precisava de ter um bom amigo rapaz. Que não é o descrito neste texto. Aqui está um melhor amigo não correspondido. Algo de que eu nunca tinha ouvido falar: uma 'melhor amizade' não correspondida. E é tramado para ambas as partes.

E depois eu lembro-me de um grande amigo que tive há 5 anos e que de um momento para o outro desapareceu da minha vida, literalmente. Deixou de me atender, de me responder, de aparecer. Fiquei sem notícias dele durante meses. Aquele estava a tornar-se no meu melhor amigo (o que não é fácil, porque eu demoro a dar de mim). E de um momento para o outro, deixou-me, por razões nunca esclarecidas por ele. Está a fazer 4 anos agora.
Entretanto já nos voltamos a falar, apenas socialmente. Vemo-nos 2 ou 3 vezes por ano. Já foi há 4 anos e eu continuo a ter este desgosto cá dentro, porque sinto falta de um melhor amigo e podia ser ele, mesmo a 300km de distância. Mas ele também não me quis, e o karma é uma bitch porque agora aqui estou eu a falar de uma melhor amizade não recíproca. Embora os contornos sejam diferentes, também há linhas trocadas na amizade. Pelo menos na minha vida, porque acho que no mundo normal das pessoas normais isto não há-de acontecer. Melhores amizades não correspondidas... pff, que piegas. Ridículo!
Não é?

10 dezembro, 2011

São 4h45 da manhã. Acabo de estar com gente que não via há anos, outros que não via há meses. Nas ruas do Porto, sobretudo na noite, encontro sempre aquela pessoa com quem não falava há imenso tempo. Encontro gente com quem não vou falar mas cuja cara é conhecida porque partilhamos cidade ou escola; encontro grandes amigos que posso estar sem ver durante meses e com quem falo e rio como se tempo nenhum se tivesse passado.

Vir ao Porto é sempre maravilhoso. Sempre. Já não me lembro se quando morava cá era assim tão maravilhoso. Lembro-me de sonhar com o sair de cá e ir para Londres, ou voltar para Roma. Agora, regressar a casa é sempre incrível. É sempre bom. É bom estar em casa, é bom estar com a família, é bom estar com os diferentes amigos, e é bom ter a consciência do quão bom tudo isto é.

Saberia apreciar tudo isto quando estava cá a tempo inteiro? Creio que não. E pode-se ser feliz a tempo inteiro? Também acho que não. Lisboa é fria, Lisboa é uma cidade difícil, Lisboa é uma cidade por vezes com pessoas diferentes que não abrem a porta e nos convidam a entrar. O Porto também tinha defeitos, mas agora não tenho tempo para os ver.

Lisboa é fria. Ficam as pessoas de cá. E fica o desejo de cá voltar sempre, porque é aqui a minha casa. A frieza de Lisboa faz-me saborear o Porto como se fosse chocolate quente. Não adianta virem todos os lisboetas do mundo dizer-me como a cidade é fantástica e como o Porto é velho e cinzento. Cada pessoa tem a sua Lisboa, cada pessoa tem o seu Porto. Temo que o meu continue a ser apenas destino de fim-de-semana. Resta-me tentar fazer de Lisboa uma cidade melhor para mim.

25 novembro, 2011

Greve à companhia

Padeço do extremo oposto da solidão: estou sempre acompanhada.

Nunca tenho um único momento para mim. Eu, filha única de uma mãe divorciada que trabalhava de manhã à noite, nunca me importei com uma casa sozinha. Pelo contrário, sempre apreciei muito esse espaço (porque o contrabalançava com uma vida social normal, equilibrada). Ter de estar, desde há dois anos, 24 horas sobre 24 horas acompanhada por várias pessoas diferentes, até no meu quarto, é como estar numa prisão. E numa privação de silêncio. Desgasta-me. Molda-me. Vivo contrariada e isto há-de deixar alguma marca (acho que já deixou). Já nem este espaço é anónimo, já nem aqui estou sozinha, até na blogosfera tenho de medir assuntos e palavras.

Acho que a total ausência de solidão não aflige tanto (ênfase no tanto) quanto a própria solidão. Afinal de contas, somos bichos sociais.
Uns mais do que outros.


Faz este mês dois anos desde que me mudei para Lisboa.

15 setembro, 2011

Afinal a expressão tem algum sentido

Desde que moro numa residência universitária (ainda só lá vai mais de ano e meio, mas pareceram-me 15 anos) que percebo o significado da expressão "deves ser filha única". Não que alguma vez a tenha ouvido, mas num sentido de auto-crítica que decidi partilhar com os leitores que não me conhecem de lado nenhum. É que se me vou auto-criticar, que seja perante pessoas que nunca me vão poder atirar isso à cara numa discussão (sou filha única mas sou esperta).

É ao ter de partilhar o meu quarto e restante espaço exíguo da casa com mais um monte de gente que mais sinto falta do meu espaço, da minha privacidade.
Prefiro a gaveta protegida do frigorífico do que partilhar uma prateleira aberta sem divisórias. Sim, sou territorial;
Quando chego, estou sempre a torcer para que não esteja ninguém no quarto, ou em casa, para poder apreciar o silêncio e poder cantarolar pela casa e falar sozinha, como sempre fiz, uma vez que nunca houve no meu historial uma irmãzinha ou um pirralho a quem infernizar a vida. Com a minha mãe sempre no trabalho, cresci um bocado por minha conta. Ter de passar agora pelo inverso e ter sempre a casa cheia de gente faz-me confusão;
Não consigo entrar naquele esquema de "hoje cozinho eu, amanhã cozinhas tu, fazemos compras a meias": gosto de ter as minhas coisas e de fazer as minhas contas;
Entro mais facilmente na sala quando não está lá ninguém. Quando as miúdas estão lá, prefiro estar no quarto. Problema: o quarto não tem TV. Corrigindo: entro mais facilmente na sala quando não está ninguém e/ou está a dar algo na TV que me interessa. Nunca entro para simplesmente conviver, perguntar como foi a escola, como vai a família ou se o bobi já faz truques. Não que não meta conversa com a pequenada, atenção. Mas faço-o em andamento, por exemplo quando estou a fazer o jantar. É preciso rentabilizar o tempo! Para depois o vir gastar em posts idiotas neste blogue, claro.

E é basicamente por isto que percebo que me enquadro no estereótipo. Se em certos aspectos nunca fez sentido na minha cabeça a expressão "deves ser filha única", porque não recebi mais mimo por ser filha única, nem tive tudo o que quis (aliás, ao analisar bem a coisa, poderia dizer que os meus pais tiveram para aí 10 filhos), no sector "espaço" sou provavelmente uma peste de filha única.

Ao reler o texto tenho a sensação que isto dá uma imagem bem pior do que aquilo que sou na realidade. Ou isso ou eu é que tenho uma má noção de mim mesma. Duas auto-críticas num só post? Quando eu for famosa as revistas terão aqui material de qualidade...

17 agosto, 2011


Tenho noção. Na verdade, é das poucas noções que tenho. O rapaz é perfeito. 
Tirando aquele pequeno pormenor de eu ter de mudar toda a minha vida para 300km mais a sul. Isso mata-me um bocadinho.

16 julho, 2011

Ode ao regresso à adolescência

Estou com uma paixoneta musical pelos Fleet Foxes no geral e por Robin Pecknold em particular. O homem que escreve as letras dos Fleet Foxes e o dono daquela voz [inserir adjectivos bonitos]. Já não passava por estas infantilidades desde que era, lá está, infantil. Desde que tinha 12 anos e descobri que existia no mundo uma banda chamada Pearl Jam (mas que raio se passa comigo e com bandas de Seattle?).

Nessa altura andava com a voz do Eddie Vedder constantemente na minha cabeça. As músicas que conhecia eram repetidas até à exaustão. Quando tive acesso à net comecei a ir ao WinMX sacar comprar tudo o que contivesse as palavrinhas "Pearl Jam" e "Eddie Vedder". Agora basta-me ir ao google, e sim, também já o fiz (e descobri um EP muito fofo do Pecknold).

Se já andava viciada antes do concerto do dia 6 de Julho no Optimus Alive, agora estou mesmo vidrada. O que ouvimos num álbum de estúdio pode facilmente ser fantástico com recurso a computadores e coisas várias. Claro que também já tinha ido ao youtube ver se aquelas harmonias vocais à capella tinham truque ou se eram mesmo fruto de talento. As notícias foram boas. Mas ver aquilo ao vivo arrebatou-me por completo. É tão bom ter ídolos que não se sentem como tal. 6 gajos que parecem uns hippies alienados no mundo citadino, que cantam sobre maçãs, oceanos e montanhas, com uma simplicidade que me faz querer largar tudo e ser como o protagonista do Into The Wild (sem a parte final, e já agora acompanhada pelo Robin).

Voltei a ter aquele sabor agridoce: ouvir repetidamente músicas que me dão tanto prazer, sempre com o medo de me poder cansar delas. Faço diariamente um esforço para ouvir outras coisas - e o último de Deerhunter, que está tão giro? - mas sempre com aquela vontade de ir ouvir mais uma vez a The Shrines. Ou de ser eu a menina com Sim Sala Bim.

Só peço um favor à restante comunidade: que não haja muitas mais como eu. Porque demasiada histeria pode toldar a criatividade daqueles 6 gajos tão simples. Gostava que eles não se deixassem afectar por este ambiente. Porque eles vão ser (são?) grandes, com tudo o que isso acarreta.


(artigo de Tiago Pereira no Jornal i: http://www.ionline.pt/mobile/135299-fleet-foxes-todos-os-querem )


Já não vou escrever Fleet Foxes nas mesas da escola, nem vou fazer uma tatuagem com símbolos bucólicos. O amor a uma banda é diferente com o passar da idade. É importante, sim, que ele ainda exista. Duvidei.
É também por causa dessa descoberta que me sinto mais encantada.

09 abril, 2011

Podia-me dar para pior

Tenho andado a pensar na morte, e acho que ela já me chateou mais. Às vezes vou no autocarro e penso na eventualidade de aquilo se desmanchar tudo e capotar (não tenho jeito para descrições trágicas, mas tentem imaginar um cenário dantesco com mortes à mistura e demais parafernália) e já não fico com medo de morrer. Só penso que gostava de morrer de forma rápida e o mais indolor possível.

Antes não. Punha-me a pensar na tristeza de todo o processo. Que já não ia poder ver mais as pessoas de quem gosto, nem fazer todas aquelas coisas que gostaria, e tanto mundo que ficou por conhecer, e tanto chocolate bom que ficou por provar. Não. Agora penso sobretudo que gostava que fosse rápido. Assim como assim, quem se chateia mais é quem fica cá.
Ok, isto foi mesmo muito egoísta de se escrever. Mas também penso algumas vezes nessa perspectiva, ou seja, o que seria se alguém muito próximo de mim, mais do que morrer, tivesse um acidente grave e ficasse gravemente incapacitado para toda a vida. Mais alguém tem este tipo de pensamentos idiotas aos 23 anos?

Calma, não sou nenhuma suicída, nem estou deprimida (acho eu), não precisam de me dar já o número da linha de apoio ao suicída (isto existe?). Eu gosto muito de andar por cá... A vida, apesar dos seus apesares, é muito gira. Já fui mais feliz do que sou agora, mas ainda assim considero-me uma pessoa feliz.
Acho que isto é só uma forma de perceber que amadureci mais um bocadinho. Sendo que o ponto máximo de crescimento é aquilo que os nossos avós nos dizem: "morte? oh filha, eu já vivi uma vida longa, qual medo da morte qual carapuça".

Termino este bloco inútil de texto com um pedido. É aproveitar, já que a internet é eterna e a porcaria que escrevemos fica aqui a deambular pelo web-mundo: se eu morrer, quero doar os meus órgãos a quem peecisar deles. E aquelas partes que ninguém quiser para nada (tipo o cérebro), gostava de doar à ciência. Não há nada mais divertido do que imaginar um estudante de medicina a fazer troça dos meus órgãos falecidos. Talvez haja, mas não estou a ver nada assim de momento.

14 março, 2011

Hoje

-Fui pagar a residência aos SASUTL. Cobraram-me um  preço mais baixo, o de bolseira, e eu, na minha santa inocência, digo: "esse valor está errado, eu já não sou bolseira, perdi a bolsa".
Só sei que, minutos mais tarde, eu afinal já era bolseira outra vez. E ainda dizem que os serviços públicos são lentos...
Ao que parece, o governo fez aprovar um despacho em que concede, a alguns bolseiros em transição (eufemismo para denominar aquela catrefada de gente que, como eu, perdeu a bolsa este ano), uma bolsa mínima, que cobre o valor das propinas. Ou seja, 900 e muitos euros, o que já é muito bom! No meu caso é apenas metade daquilo que tenho de pagar porque o governo não dá o mesmo apoio aos mestrandos, porque não considera um mestrado essencial. Vai daí, a bolsa máxima que pagam em qualquer caso é a propina da licenciatura. E pronto, tenho de pagar na mesma o alojamento, e mil euros de propinas, mas podia ser bem pior...

Mas não estou aqui para me queixar hoje, embora tenha tido uma discussão muito feia e triste com a minha mãe, que me enublou o dia apesar de todas as boas notícias.
Ao fim da tarde fui ao ISCSP para conhecer o meu futuro potencial orientador da tese de mestrado. Tese essa que é brilhante, inédita, avassaladora e que mudará para todo o sempre os destinos da Humanidade! muahahahaha! Bom, não será bem assim. Só sei que sou um bocado viciada no facebook e consegui enfiá-lo na minha tese. Vai tudo correr bem e que Zuckerberg me proteja.
O potencial orientador foi na cantiga e tornou-se no meu orientador. Onde já se viu... Uma parola como eu prestes a iniciar uma tese de mestrado toda bonita, cheia de investigação (um ano dela, é o que se espera). O mundo está mesmo perdido.

Portanto, o saldo do dia é: 1000 euros + um orientador de tese de mestrado + dores de cabeça familiares e sentimentos ainda mais pisados. Podia ter sido um belo dia, mas parece que ultimamente tenho sempre uma nuvem em cima da cabeça.

30 janeiro, 2011

No matter how cold the winter... o tanas

Não podemos saltar já para 2012 ou assim? Já estou farta deste ano. É sempre chato quando nos dão um ano novo e passados 30 dias ele já está todo estragado. Será chinês?

06 dezembro, 2010

as memórias ouvem-se

Às vezes ouço uma música e ela atira-me imediatamente para uma situação. Vi agora alguém a pôr a "Rain Song", dos Led Zeppelin, no Facebook, e fui imediatamente transportada para o ano lectivo de 2005/2006. Estava no meu primeiro ano de faculdade e era a primeira vez que me tornava frequentadora assídua do comboio suburbano Ermesinde - Porto S. Bento - e do próprio Porto, para falar a verdade. A "Rain Song" transporta-me para horas impróprias da manhã, a caminho das aulas e com direito a viagem com vista para o rio Douro. Não dá para esquecer, apesar de esta não ser uma situação minimamente memorável. Mas por causa de algumas músicas, é-o à força.

O Yann Tiersen e os Yo La Tengo (e algumas da Patti Smith e dos The Smiths) lembram-me Roma. Foi lá que comecei a ouvi-los com mais frequência. Foi por lá que me comecei a apaixonar pelos dois. Eu naquela altura apaixonava-me facilmente. Odeio os The Kooks, mas sempre que os ouço lembro-me do Ricardo no quarto ao lado, e só por isso vale a pena (literalmente pena) ouvi-los às vezes.
A "Just Like Heaven", dos The Cure, lembra-me a Rita e quantas vezes não cantávamos aquela música. Vai lembrar sempre, mesmo que nunca mais a volte a ver. É claro que Zero 7 é sinónimo de Ana, da minha Ana, que me levava à loucura sempre a ouvir as mesmas músicas. Roma é muita coisa, e também é memórias com banda sonora.

Há uma dos Aerosmith que me leva para uma viagem de carro junto com o Manel, a Joana e a Xana, a caminho dessa bela localidade que é Castelões de Cepeda. Todos aos gritos, em pleno auge da amizade. O auge da amizade já passou, eles um dia se calhar também vão passar, mas haverá sempre pelo menos uma música que me vai levar até eles. E este é outro dos poderes da música, e é por isso também que há-de ser sempre a minha forma preferida de arte.

O Rod Stewart lembra-me aquele que foi um dos meus amigos mais queridos mas que decidiu um dia que, se calhar, eu não era merecedora da amizade dele. Mas enquanto ele achou que era, um dia comprou de propósito um cd desse senhor só pela piada da coisa. E hoje, junto dos meus queridos CDs, tenho um do Rod Stewart a manchar-me a credibilidade. A "Luka", da Suzanne Vega, leva-me de imediato ao 8º ano e à letra alternativa que eu, o Fernando e o Luís inventamos para essa música. Já lá vão 10 anos e quando nos encontrámos vai de relembrar a parvoíce.

Claro que também há esta e aquela música que me lembram paixões antigas (e uma ou outra que me lembram a vontade que tinha em esquece-las, como a "Dá-me a tua melhor faca") mas essas prefiro não as imortalizar na internet. Pode ser que entretanto se apaguem da memória também.

E tantas, tantas outras de que não me lembro agora sem a respectiva música para me reactivar a memória. Muita gente diz que gostava que a vida tivesse banda sonora... A minha tem. Tem estas, tem muitas outras e tem uma em específico e a rodar permanentemente. Falo, claro, dos Pearl Jam. Desde os 13 anos, o que é muita coisa. É uma espécie de documentário.

Gostava de pensar que alguém em algum sítio do mundo ouve uma música e se lembra de mim.

18 setembro, 2010

É só mais um dia...

Eu sei
Que a tua vida foi
Marcada pela dor de não saber aonde dói



Mas vê bem
Não houve à luz do dia
Quem não tenha provado
O travo amargo da melancolia

09 junho, 2010

À atenção da indústria farmacêutica

...que eu odeio, diga-se desde já. Por isso veja-se o meu desespero: só a indústria farmacêutica me poderá salvar.

De quê?

Algo gravíssimo!!!!!!! Um mal que só me faz ficar mal. Não, não é flatulência. Flatulência mental, talvez. Doutor, preciso de ajuda!!!!!!!!

Pronto, eu digo. Não sei falar em público!




Já está. Se falar em público fosse tão fácil como verborrear (acho que acabo de inventar um verbo), eu era rainha. Mas no que toca a fazer coisas tão exigeeeeeeeentes, difíííííceis, de vida ou de mooooooorte, tais como apresentar um trabalho da escola perante uma dúzia de colegas ensonados, eu sou uma nulidade.
Eu sou uma fraude!

Eu chego ao ponto de, mal me levanto para ir para a frente da turma, deixar de saber como se põe uma pen num computador. Lá estava eu há cerca de duas horas de pen na mão a olhar para o computador e a pensar "hummmmmmm ar dvia tr aki auhmn sitiu p mter ah pppppp isto". Sim, o meu pensamento bloqueia e traduzido para um post é mais ou menos aquilo.

Eu fiz um trabalho sobre Hong Kong. Um trabalho de mestrado. E disse na apresentação que Hong Kong e MACAU passaram para a soberania britânica. MACAU! E devo tê-lo dito mais do que uma vez. E quando o prof me interrompe eu não percebi à primeira... Hum... o que tem? AH M€RD@ MACAU!!!!!!!!!! Portugal!!! O meu país!!!!!!! (Entretanto já um colega me tinha dito que a entrada USB para a pen era atrás do computador. Como sempre foi...).

Sabendo eu que estou a ser avaliada e que tenho de falar em público, ou que simplesmente tenho mais do que 5 pessoas a ouvir aquilo que tenho para dizer, panico. eu panico. Isto é uma das minhas grandes frustrações... no primeiro semestre estava um senhor qualquer a dar uma conferência (na verdade, vários, em várias conferências, o efeito é sempre o mesmo), e eu estive até à última para fazer uma pergunta... preparo-a mentalmente ou por escrito com muito cuidado!! Estou uma boa meia hora a treinar uma pergunta, e quando chega a minha vez de fazer UMA PORCARIA DE UMA PERGUNTA NUM DEBATE OU CONFERÊNCIA, fico a tremer. Isto tem de ser uma patologia qualquer.

O certo é que isto me prejudica. Sempre prejudicou... Na licenciatura uma vez estava com o meu grupo a fazer uma apresentação perante umas dezenas de almas (coleguinhas!) e tive uma quebra de tensão. Alguém me interne.

Daí que a minha única esperança é que os senhores farmacêuticos inventem um drunfo qualquer para eu enfiar goela abaixo e falar como uma pessoa normal perante um aglomerado de gente.

Por favor... isto é ridículo... há pessoas com problemas sérios na vida e estou eu a gastar espaço na internet com lamurias do tipo "Ai que eu quero ser jornalista mas tenho pânico de falar em público".


Socorro!! mãezinha? :(

31 maio, 2010

23

Eu tenho a mania de dizer que não gosto de fazer anos. Sempre me fez confusão festejar mais um passo a caminho da cova. É a questão do copo meio cheio ou meio vazio: podia olhar para o aniversário como o festejar o facto de estar viva, mas eu gosto tanto, mas tanto de estar viva e de ser jovem que fazer anos me deprime, precisamente porque marca um caminho que já se sabe onde vai acabar.

Depois desta introdução deprimente, se calhar ninguém diria que eu neste momento sou uma pessoa muito feliz. Muito plena. Hoje parei para pensar e, verdadeiramente, não me falta nada. Ai que me falta um carro, ai que ainda não se pode dizer que tenho um trabalho porque estou só a estagiar, ai que tenho mais saudades da minha família do que posts estúpidos neste blog (...). Falo de coisas basilares: tenho carta, tenho família, tenho a hipótese de daqui a 2 meses vir a ter trabalho, e isso sim é o importante. Isto para dizer que neste momento nada do que é verdadeiramente importante na vida de uma pessoa me falta.

Há dois meses eu nunca diria isto, porque não conseguir um trabalho em jornalismo era das coisas que mais me doía. Não arranjar trabalho frustrou-me muito e causou-me muitos dissabores que não vale a pena estar a recordar hoje. É incrível a importância que um emprego pode ter. Noto isso ainda mais desde que comecei a estagiar... Noto que estou muito mais feliz, muito menos rezingona. Deixei de me sentir frustrada, esta é a verdade.

Arre que hoje pareço o meu pai, perco-me em divagações! O que eu queria com este post era dizer que, quando se tem à nossa volta pessoas como as que eu tenho, fazer anos é delicioso. De uma delícia capaz de me fazer esquecer que já tenho 23, e que qualquer dia já tenho 30, e que qualquer outro dia já estou a fazer um testamento.
O meu namorado foi passar o fim-de-semana ao Porto. A minha mãe entupiu-me com doces (eu já lhe disse que quando a empresa dela falir que ela tem de abrir um negócio de doçaria). Ganhei presentes! Pus a minha avó a 'tocar' guitarra e tirei-lhe fotos. A minha prima veio de Matosinhos à meia-noite com um bolo acabadinho de fazer e com um CD do senhor que eu curiosamente postei no post anterior, e autografadíssimo! Pouco depois da meia-noite liguei a TV e estava a dar o Amélie. Se me dessem a escolher um filme para o meu aniversário, não me ocorreria melhor filme e melhor banda sonora. Recebi montes de mensagens de parabéns no tlmv, no facebook, no fórum dos Pearl Jam. Esteve sol. Estive em Minha casa. Matei as saudades e agora que já estou em Lisboa elas já me esmagaram outra vez.

Os 22 foram amargos. Algo me diz que os 23 me vão compensar.

27 abril, 2010

Como é bela a inocência!

Hoje, 8h e qualquer coisa da manhã, uma hora demasiado pornográfica à qual eu nunca deveria ter de assistir, oiço no 76 uma miúda declarar à mãe:

-Quem me dera já ser crescida, assim não tinha de te ouvir os sermões!

Pobre criança. Eu não lhe quis dar uma facada na inocência e consegui que da minha boa não saíssem palavras soltas como "A partir daí é sempre a piorar. Queres trocar? Eu fico com os sermões!"
Ainda por cima a minha mãe já não se importa que eu não me sente no autocarro. Se cair, olha, azar o meu. Na verdade a minha mãe já não me leva de autocarro a lado nenhum... e se pensar muito bem, de carro também não.

Acho que a única razão pela qual eu não quereria trocar com ela seria porque tinha de levar outra vez com Estudo do Meio, passados uns anos no secundário ia ter de levar com a Matemática, a Físico-Química e com rapazes insuportáveis na idade do armário. Também nunca tive jeito para manejar um compasso nem para aturar as rapariguices do preparatório.

Pensando bem, que se lixe, deixo-me estar aqui com os meus quase 23 como se eu tivesse alguma opção...
Se eu tivesse 8 anos outra vez ninguém me ligava hoje depois de uma entrevista a dizer que me querem para estágio.

Jornalismo, não sei se ainda te lembras de mim. Tenho pensado em ti todos os dias, apesar de me dares sempre para trás. Obrigada por, passado um ano, finalmente me dares uma chance durante 3 meses. Prometo tratar-te bem <3

15 fevereiro, 2010

soundless jukebox

A música só ia estragar este poema do António Variações...


Não consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P'ra não chegar tarde 

Não sei de que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão 

Vou continuar a procurar
A quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só:
Quero quem quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi 

Esta insatisfação
Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder 

Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P'ra outro lugar 

Vou continuar a procurar
A minha forma
O meu lugar
Porque até aqui eu só:
Estou bem aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
...