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26 fevereiro, 2012

Been there. Done That. Miss it everyday


Check.



Faz hoje 4 anos desde que disse adeus a Roma.
Nunca mais foi noite de mergulhar na Piazza Navona, nem em mais piazza nenhuma. Nunca mais nada foi igual, mas também não era suposto ser.
Foi-se Roma, mas ficaram os companheiros de mergulho. Um bacio para vocês, que me entendem :)

12 fevereiro, 2012

Vacanze Romane


Reporter: Which of the cities visited did Your Highness enjoy the most?

Princess Ann: Each, in its own way, was unforgettable. It would be difficult to... Rome! By all means, Rome. I will cherish my visit here in memory as long as I live.

05 fevereiro, 2012

Branca de Neve e as sete colinas

Poderia Roma ficar ainda mais bella?

A resposta é positiva e chegou este fim-de-semana.





Fotos: roubadinhas da net


(Não podia ter nevado em Fevereiro de 2008, pois não, S.Pietro?!...)

09 dezembro, 2010

05 novembro, 2010

Smells like spirit

Está neste preciso momento a cheirar-me a Roma. Juro, cheira-me a Roma. À minha Roma, não do meu regresso de há três semanas, mas à Roma de há três anos. E nem sequer me cheira a uma parte de Roma qualquer. Cheira-me à cozinha da casa onde vivia com a Ana.

Não sei que cheiro é este, não sei de onde veio. Não é comida, não são deveres (estou no trabalho, nem sei a que cheiram os deveres, ainda bem que o meu nariz é selectivo). Só gostava de saber para poder guardá-lo num frasquinho e cheirá-lo sempre que quisesse fazer uma imersão num passado feliz (o de Roma, não o do trabalho, entenda-se).

O bom disto é que, neste momento, neste exacto momento, eu estou na minha cozinha da Via Pietro Colletta. Ainda sei onde estão guardadas as bolachas, as responsáveis por alguns dos kg da minha engorda romana. E os tortellini, invariavelmente a ocupar a minha parte do frigorífico. Faltava-nos tantos utensílios de cozinha, mas tínhamos tantas outras coisas tão maiores. Todas essas coisas já foram de outras pessoas durante estes três anos. Estão a ser, neste preciso momento. Gostava de saber quem são os portugueses que estão a cheirar neste momento aquilo que me foi emprestado durante seis meses. Gostava de lhes dizer para que cheirem tudo como se nunca mais o fossem voltar a cheirar porque, eventualmente, é mesmo isso que acaba por acontecer.

E eu cheirei (quem começar a ler o texto por aqui, vai pensar coisas erradas). Ah, se cheirei. Às vezes gostava de não ter cheirado tanto, para deixar de carregar este aroma entranhado na memória. Gostava de ter tido alguma sinusite. Mas agora é fácil falar, na altura eu queria lá saber. E se fosse hoje voltava a cheirar tudo com a mesma intensidade, porque só assim é que vale a pena.

E o cheiro à minha cozinha já acabou. Roma também já se me acabou, por duas vezes, aliás. Queria recuperá-los aos dois. Quem sabe se as coisas não acontecem... Também não estava à espera de cheirar um cheiro que pensava já estar esquecido.

11 outubro, 2010

A Fontana di Trevi não engana

Passados mais de dois anos e meio, vou voltar à cidade mais bonita de sempre de toda a história e de todo o mundo. Sabendo vocês que eu não deixei o Porto assim há tanto tempo, é lógico que estou a falar de Roma! Pois que aqui não há democracia: Roma é a cidade mais bonita do mundo e ponto final.
Sim, sou parcial, passei lá alguns dos melhores dias da minha vida, passava todos os dias pelo Coliseu como quem passa ali na rotunda da Areosa, passear nas ruas de Roma é tropeçar em pedaços de história, viver lá então é meraviglioso. A sério, toda a gente devia experimentar viver em Roma uma vez na vida. O tuga não há-de estranhar a confusão e a condução assassina.

E se lá forem e quiserem garantir o regresso, atirem uma moeda de costas para a Fontana di Trevi. Eu devo ter atirado umas 5 ou 6 vezes e o primeiro regresso é já daqui a umas horas. Há lendas em que vale a pena confiar (a viagem foi-me oferecida e foi uma das prendas mais bonitas da minha vida).

A presto

27 fevereiro, 2010

26-02-2008

Era a sua última noite na cidade do sonho. Talvez devesse ir festejar com os seus companheiros, como havia feito diariamente nos últimos 6 meses. Mas não… a última noite era demasiado especial, tristemente especial. Decidiu então sair num encontro a dois. Não, não convidou a sua colega (e amiga) de casa. Apesar de algum remorso, não lhe disse nada e foi ter com quem mais queria estar. Só ela e a sua Roma.
Desta vez não levou o mapa, não tinha medo de se perder porque não havia destino. Vagueou pelos locais mais bonitos, caminhou pela rua das lojas até chegar ao jardim mais belo daquele paraíso! Passeou, fotografando constantemente os mesmos locais que já havia fotografado, desta vez mais com a memória do que com a máquina fotográfica. E caminhou, e caminhou… pelo caminho, lembrou-se: porque não ir ao cinema ver um filme sobre alguém que se sentia exactamente em comunhão com um lugar como ela? Ainda por cima com uma banda sonora tão bonita… Está decidido. Lembrou-se que havia uns cinemas junto ao rio e perguntou aos romanos onde havia uma sala com versões que não fossem dobradas. Coisa rara! Só havia três. Só um tinha o filme… caminhou, perdeu-se alegremente, e chegou ao destino. Nunca tinha ido ao cinema sozinha… Naquela noite não trocava a sua solidão por companhia nenhuma do mundo. A sala era pequena. As pessoas ao lado sabiam a banda sonora quase tão de cor como ela. Chorou. Não sabe bem se pelo filme, se por saber que ia embora. Chorou quando o protagonista morreu… Nunca gostou de fins e no dia seguinte tinha um à sua espera. Chorou, num filme que fala sobre a fuga da rotina, sobre um jovem que tinha tudo e tudo largou para ir viver sozinho no Alasca em comunhão com a natureza. Ao contrário do que as pessoas disseram depois do filme, que tinham vontade de largar tudo e partir também, ela sentiu o contrário… Já era altura de voltar para a sua cidade natal, para a sua família.
Saiu do cinema.
Voltou para a sua ainda casa.
Despediu-se de quem ainda ficava por mais uns dias; arrumou as malas;
Fora a sua última noite na cidade do sonho.

09 junho, 2009

Dói

...dar de caras com uma qualquer foto de Roma na TV, num livro, num qualquer facebook e ter automática e involuntariamente mil memórias a correr no meu imaginário, para depois constatar que nada pode ser recuperado. Dói muito... É normal?



Queria voltar a ter esta vista à distância de uns minutos de autocarro
Queria voltar a sentir-me uma turista com estadia de 6 meses em vez de 6 dias

Queria poder dobrar uma esquina qualquer e tropeçar num pedaço de História

Queria voltar a poder ter o tempo e o espaço para saborear... Uma livraria, uma rua, uma igreja, uma música no lugar certo, uma saída com pessoas iguais a mim, uma simples viagem de metro que tem prazo de validade.


Acho que dói tanto porque, desde o início, tudo tinha um prazo de validade... E foi essa realidade corrosiva que me fez ter consciência de que cada segundo tinha de ser absorvido.

A dor pode ser uma coisa boa...



    Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar nota a nota o canto das sereias...
    Lembrar cada lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para ficar...
    E se inventássemos o mar de volta?
    E se inventássemos partir, para regressar?

27 fevereiro, 2009

C'era una volta...



Imaginem que estavam na faculdade e que de repente vos era dada a oportunidade de, durante seis meses, continuar o vosso curso numa cidade europeia à escolha, de entre um vasto leque de opções. Para que os custos extra não pusessem ninguém de fora, era-vos oferecida uma bolsa para poderem suportar as despesas de uma cidade mais cara e da renda de uma casa.

É claro que uma oferta destas tem de ter contrapartidas... E o que este gesto de inquantificável generosidade vos pede em troca é que estudem como se estivessem cá (mas menos, só que eles não dizem isso porque parece mal :P), e que se divirtam muito. Que conheçam uma nova cultura de perto, que aprendam uma nova língua, que durante seis meses sejam cidadãos de um outro país, que viagem, que se cultivem, que façam amizades internacionais, enfim, aquilo que não está previsto no programa do curso da faculdade para o qual entraram. Parece-me uma contrapartida justa.

E eu aceitei aquilo que, à primeira vista, é impossível recusar! Surpreendentemente, num universo de bem mais do que uma centena de alunos, só 6 ou 7 pessoas é que também embarcaram na aventura....

Fui para Roma. Fui conferir se aquilo tudo que falam sobre Erasmus é verdade. Às vezes as pessoas gostam de exagerar e eu não gosto cá de ser comida por lorpa. E constatei que, de facto, as coisas não são bem assim...

São infinitamente melhores.

São uma fuga do dia a dia, são o viver de uma nova vida com um timeline delimitado à partida e que nos permite viver ao máximo e aproveitar cada dia. É bom sabermos que estamos a ter uma oportunidade única na vida e saber aproveitá-la... é tão bom! Responsabilidades a roçar o zero, viagens e visitas a e de amigos/conhecidos/amigos de conhecidos que também estão "poisados" um pouco por toda a Europa, a inevitabilidade de me apaixonar por Itália e por toda a sua riqueza cultural, arquitectónica, paisagística e gastronómica :P (e com isso ganhar imensos kg e mesmo assim pensar "logo penso nisso").

São seis meses que valem por um curso inteiro feito ali ao lado de casa...

Só há uma pequena coisinha, que dura um dia, mas que é o suficiente para nos atormentar com saudades e nostalgia, e que nos faz desejar voltar atrás no tempo: o regresso a casa. É uma viagem que de certa forma atormenta...

Quando vimos a casa no Natal, sabe bem! Matar as saudades da família e dos amigos, contar as novidades, voltar a dormir na nossa cama, não ir às compras e carregar os sacos todos a pé :P andar de carro!! Comida da mamã e mimos da mamã!


Mas quando regressamos definitivamente, dói. Aquela realidade, ao contrário daquela que vivemos toda a nossa vida, não vai ficar à espera que a retomemos... e eu não me importava de trocar um bocadinho. Trocar a rotina de sempre, os lugares de sempre, as obrigações de sempre por mais uns valentes meses romanos...

Podemos sempre voltar à cidade que nos acolheu enquanto erasmus, mas nunca será a mesma coisa. Os amigos que fizemos não estão lá, já não temos a nossa casa. Deixa de ser um bocadinho a nossa cidade para ser a cidade dos novos estudantes que desfazem as malas para viver tudo aquilo que eu vivi... E a minha Roma esquece-me, para se entregar a novas caras.

Faz hoje um ano.

27 janeiro, 2009

Dear Rome
(acredita que em português não fica tão bonito)

Como estás? há exactamente 11 meses que não te vejo! Deves estar mudada! Pronto, as ruínas e tal não mudam há uns quantos séculos, mas tens sempre tanto para mostrar, tanto para contar!
Por aqui, o mesmo de sempre. Acabei aquilo que me levou a abandonar-te 6 meses mais cedo. Acho que não compensou (a nível profissional porque a outro nível tive a sorte de uma vida), visto que perdi o ano na mesma e agora não tenho perspectivas de trabalho, mas se tivesse simplesmente desistido não te ía aproveitar de consciência tranquila. Além disso o nosso grupinho não seria o mesmo nesses 6 meses de bónus, mas estavas lá tu. E tu és única! Tu serás sempre tu.
Ah como tenho saudades tuas... esse sentimento tão português e tão particularmente meu... Quando me dá, fico assim, gratuitamente lamechas e deprimida, a pensar no quanto dava para estar contigo agora... Tenho saudades do ambiente em casa, de sair com a Ana, das visitas estúpidas do Francisco, das noites de "estudo" com a Ana e a Rita mais o leite-creme da praxe, das sessões de cinema e de poker com o Hugo, das cantorias do Luís, da festa diária no 87, de tropeçar a cada esquina num pedaço de História, de conhecer algum lugar ou alguma pessoa todos os dias, até da porcaria das discotecas da moda eu tenho saudades, caramba!
Tenho saudades da liberdade total e da quase ausência de rotina. Quando a rotina é tão maravilhosa e tem um tempo de vida delimitado, até custa chamar-lhe rotina. Rotina é o que eu tenho aqui... triste e aborrecida... só é quebrada quando saio à noite ou me mando pra Lisboa, o resto é um pesaroso sobreviver diário.
Ah, minha eterna amiga, companheira e amante... sei que já me esqueceste. Fui apenas mais uma e não deixei marcas. Como eu, chegam aí aos milhares e, invariavelmente, apaixonam-se por ti. Ma come no? E apesar de eu não ser ninguém para ti, tu serás para sempre o meu eterno amor e eu vou recordar para toda a vida cada momento que passei contigo.
Um dia eu volto.

Sempre tua,

S.