Mostrar mensagens com a etiqueta memórias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta memórias. Mostrar todas as mensagens

03 novembro, 2012

Deixa Morrer

E aparece assim
Acendeu-se a luz
Estão vivos outra vez! 

...

Quando conheci Ornatos Violeta já eles estavam parados há quatro anos. O meu b.i. marcava 19 e tinha acabado de fazer um novo grupo de amigos, com quem pude descobrir não só os Ornatos, mas outras bandas. A "Chaga" e o "Dia Mau" eram alguns dos pontos altos de cada madrugada de quarta-feira (e depois sábado) passada no Contagiarte. All Star a escorregar no chão molhado de cerveja, uma camisola de uma banda qualquer, desgosto de amor recente, uma estúpida canção que só eu ouvi.

Estavam criadas as condições para mergulhar no mundo dos Ornatos.

O Manel era diferente, cantava com o meu sotaque. "E não foi assim que a razão nos amou" não acaba num 'amô' lisboeta. Os r de "Foi como entrar, Foi como arder" são enrolados como os meus, sem vergonha ou esforço de os tornar iguais aos r de todos os outros.

O Monstro Precisa de Amigos arrebatou-me. Desde a melodia de "Para Nunca mais Mentir" à melancolia de "Notícias do Fundo". As letras. Os jogos entre antónimos. "Estranha forma de acordar, Que é estar pronto para dormir /  Meu mal é ver que eu vou bem". As palavras certeiras: "Sentir não é mostrar, E dar não é sentir, É morrer em paz". Não é mesmo? E que adolescente não se revê num paternal "Eu sei a tua vida foi, marcada pela dor de não saber aonde dói"?

E depois, o inevitável:

A cidade esta deserta
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte
Nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas
Em todo o lado essa palavra
Repetida ao expoente da loucura
Ora amarga, ora doce!
Para nos lembrar que o amor é uma doença
Quando nele julgamos ver a nossa cura
.


Às vezes comentávamos como seria ver um concerto de Ornatos agora, que são maiores do que aquilo que eram quando terminaram. O Pedro já os tinha visto em 2000, tinha eu 13 anos (gostava de ter nascido 10 anos mais cedo, estou musicalmente fora de época), mas o suspiro entre nós era mais do que legítimo. Afinal de contas, os 5 Ornatos moravam na nossa cidade e estavam na flor dos 30's. Havia sempre pedidos. "Quando é que se juntam?". Nunca os deixaram parar em paz.

Até que as comemorações dos 20 anos falaram mais alto e, em 2012, com 25 anos, pude assistir ao meu primeiro concerto de Ornatos Violeta. Fui ao primeiro no Coliseu de Lisboa, a 25 de Outubro, e aquelas quase 3 horas arrebataram-me, o que não é fácil quando a expectativa já por si é alta. Estavam melhores do que nunca. Passei o dia seguinte a cantar aquelas músicas de sempre e a recordar pormenores - aquela parte em que cantou diferente do CD, aquilo que disse antes daquela música, o olhar maravilhado com que olhavam para o Coliseu esgotado, os abraços no final das músicas. No dia seguinte fui ver Bon Iver ao Campo Pequeno e foi quase como se não tivesse acontecido: no final de Bon Iver eu já estava a pensar no que estariam os Ornatos a tocar na sua segunda noite de Coliseu esgotado.

Já não havia bilhetes, nem para o terceiro em Lisboa, nem para nenhum dos três no Coliseu do Porto, mas eu consegui um bilhete para o último no Porto. O primeiro no Coliseu dos Recreios tinha sido fantástico, mas o último na nossa cidade era imperdível.

E foi. Noites como a de ontem não se esquecem. Ironicamente, o último concerto da banda aconteceu a 1 de Novembro, feriado dedicado a visitar e recordar os falecidos. Agora sim, os Ornatos Violeta podem morrer de vez.


...
Se é tão bom de ouvir
Vivo para ti
Até o nosso amor morrer

Mas deixa o nosso amor morrer




24 setembro, 2012

Adeus, Professor


No vocabulário do professor os jornalistas são "cervejeiros"; o pai de George W Bush é "Bush papá" e combater é "dar porrada"." Tudo isto fica na cabeça dos seus alunos. 

Eram mesmo assim as aulas do Professor Milan Rados no Curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto. Nascido em território bósnio, o conflito na Jugoslávia foi a matéria mais completa que demos nas aulas de História do Mundo Contemporâneo. Tenho pena de não ter estudado nada para o exame, porque foi provavelmente a minha cadeira preferida naquele ano.

Das aulas já pouco me lembro - da matéria idem. Sempre tive uma memória muito fraca. Mas a forma original e cativante como o professor contava a história, os termos que usava e a sua forma de falar nos "cervejerros" - era assim que se referia aos jornalistas - ficaram mesmo para sempre.

Há pouco tempo deliciei-me a relembrar aqueles tempos, na entrevista que o Expresso publicou sobre este bósnio radicado no Porto. Foi com muita tristeza que acabei de saber que o Professor morreu hoje. Pelo número de partilhas de ex-alunos no facebook e pelas palavras que lhe dedicam, fico contente por saber que marcou muitos mais.

Até sempre.

24 julho, 2012

Filho meu não vai andar na má vida dos estudos

Obrigada governo, por me fazeres perceber, aos 25 anos, uma história que o meu pai me contava em criança.

Dizia ele - e ainda diz às vezes, com orgulho, coitado - que, quando ia à reunião de pais na minha escola primária, o meu professor lhe dizia: "A Sara vai longe". E o meu pai, que tem a 4ª classe, ficava de peito inchado, a achar que a inteligência da catraia ia dar em alguma coisa boa. Aposto que até já sonhava em viver acima das suas possibilidades, com direito a férias em Tenerife e a conduzir um carro com menos de 10 anos, com direcção assistida e tudo. Luxos.

No entanto, há duas coisas que se perderam pelo caminho desde os anos 90. A primeira foi a minha inteligência (possivelmente apanhada pelo Relvas, o meio-fundista das licenciaturas). A segunda foi aquela teoria de que o estudo conduz a melhores condições de vida pessoais e ao enriquecimento do país.

Ora, nunca Portugal teve gente tão qualificada... E veja-se o nosso estado miserável. A conclusão é simples: há que voltar a deseducar esta gente letrada chata que reivindica direitos e mais umas mariquices como justiça, equidade e distribuição justa de sacrifícios. É por causa destes malandros que cada vez estamos piores.
Felizmente, o governo já começou a tratar disso, e Nuno Crato continua a trabalhar no encerramento de escolas. Desta vez encerrou 239 escolas primárias.

Assim como assim (sempre quis usar esta expressão), até o IEFP já nos mostra que, actualmente, profissões que exigem menos formação são mais bem pagas do que os quadros qualificados. Ahhh, bendito "programa estímulo", que estimula, por exemplo, arquitectos com mestrado, carta e viatura própria e que sabem falar duas línguas estrangeiras a trabalhar das 09h30 às 19h30 por 500€ mensais!


Incentivo generoso promovido pelo programa estimulol. Perdão, programa estímulo.

Agora percebo aquela história de eu ir longe. O Professor Manuel, o melhor professor que uma criança pôde ter, era um visionário em 1994. O meu pai é que não deve ter percebido. Pensou que o ir longe era no sentido de ter uma vida promissora, melhor que a dele e que a dos meus avós. A evolução natural em qualquer país evoluído. 

Mas não. Ele queria referir-se à emigração. "A Sara vai longe", que é como quem diz, vai para Angola, para o Canadá ou para o Brasil procurar trabalho a ver se tem dinheiro para comer e pagar a renda. Vai para bem longe da família e dos amigos. "A Sara vai longe" porque, com uma licenciatura na área das letras, só vai ter dinheiro para morar nos subúrbios das grandes cidades onde vai mendigar trabalho. E portanto tem de ir para bem longe do centro e apanhar dois autocarros mais o comboio suburbano.
"A Sara vai longe". Vai muito longe do caminho que os pais pensaram para ela, apesar de ela até ter feito tudo quanto lhe foi pedido. Esbarrou agora na tese do mestrado. 
Valerá a pena?

26 fevereiro, 2012

Been there. Done That. Miss it everyday


Check.



Faz hoje 4 anos desde que disse adeus a Roma.
Nunca mais foi noite de mergulhar na Piazza Navona, nem em mais piazza nenhuma. Nunca mais nada foi igual, mas também não era suposto ser.
Foi-se Roma, mas ficaram os companheiros de mergulho. Um bacio para vocês, que me entendem :)

05 outubro, 2011


Adeus, Pretinha.

21 março, 2011

They don't compare

Tanto para dizer, tanta falta de vontade para escrever. O que fazer nestes casos? Colocar uma musiquinha, é claro.

E, olha! Alguém que gosta tanto da sociedade quanto eu.
(e porquê este vídeo quando existem outros melhores pelo youtube? Porque eu não estive nos outros. Estive neste, e na primeira fila):



They don't eat, don't sleep
They don't feed, they don't seethe
Bare their gums when they moan and squeak
Lick the dirt off a larger one's feet
They don't push, don't crowd
Congregate until they're much too loud
Fuck to procreate till they are dead
Drink the blood of their so called best friend

They don't scurry when something bigger comes their way
Don't pack themselves together and run as one
Don't shit where they're not supposed to
Don't take what's not theirs, they don't compare

They don't scam, don't fight
Don't oppress an equals given rights
Starve the poor so they can be well fed
Line their holes with the dead ones bread

They don't scurry when something bigger comes their way
Don't pack themselves together and run as one
Don't shit where they're not supposed to
Don't take what's not theirs, they don't compare...

They don't scurry when something bigger comes their way
Don't pack themselves together and run as one
Don't shit where they're not supposed to
Don't take what's not theirs... they don't compare...
Rats...they don't compare
Rats...they don't compare

Ben, the two of us need look no more...

06 dezembro, 2010

as memórias ouvem-se

Às vezes ouço uma música e ela atira-me imediatamente para uma situação. Vi agora alguém a pôr a "Rain Song", dos Led Zeppelin, no Facebook, e fui imediatamente transportada para o ano lectivo de 2005/2006. Estava no meu primeiro ano de faculdade e era a primeira vez que me tornava frequentadora assídua do comboio suburbano Ermesinde - Porto S. Bento - e do próprio Porto, para falar a verdade. A "Rain Song" transporta-me para horas impróprias da manhã, a caminho das aulas e com direito a viagem com vista para o rio Douro. Não dá para esquecer, apesar de esta não ser uma situação minimamente memorável. Mas por causa de algumas músicas, é-o à força.

O Yann Tiersen e os Yo La Tengo (e algumas da Patti Smith e dos The Smiths) lembram-me Roma. Foi lá que comecei a ouvi-los com mais frequência. Foi por lá que me comecei a apaixonar pelos dois. Eu naquela altura apaixonava-me facilmente. Odeio os The Kooks, mas sempre que os ouço lembro-me do Ricardo no quarto ao lado, e só por isso vale a pena (literalmente pena) ouvi-los às vezes.
A "Just Like Heaven", dos The Cure, lembra-me a Rita e quantas vezes não cantávamos aquela música. Vai lembrar sempre, mesmo que nunca mais a volte a ver. É claro que Zero 7 é sinónimo de Ana, da minha Ana, que me levava à loucura sempre a ouvir as mesmas músicas. Roma é muita coisa, e também é memórias com banda sonora.

Há uma dos Aerosmith que me leva para uma viagem de carro junto com o Manel, a Joana e a Xana, a caminho dessa bela localidade que é Castelões de Cepeda. Todos aos gritos, em pleno auge da amizade. O auge da amizade já passou, eles um dia se calhar também vão passar, mas haverá sempre pelo menos uma música que me vai levar até eles. E este é outro dos poderes da música, e é por isso também que há-de ser sempre a minha forma preferida de arte.

O Rod Stewart lembra-me aquele que foi um dos meus amigos mais queridos mas que decidiu um dia que, se calhar, eu não era merecedora da amizade dele. Mas enquanto ele achou que era, um dia comprou de propósito um cd desse senhor só pela piada da coisa. E hoje, junto dos meus queridos CDs, tenho um do Rod Stewart a manchar-me a credibilidade. A "Luka", da Suzanne Vega, leva-me de imediato ao 8º ano e à letra alternativa que eu, o Fernando e o Luís inventamos para essa música. Já lá vão 10 anos e quando nos encontrámos vai de relembrar a parvoíce.

Claro que também há esta e aquela música que me lembram paixões antigas (e uma ou outra que me lembram a vontade que tinha em esquece-las, como a "Dá-me a tua melhor faca") mas essas prefiro não as imortalizar na internet. Pode ser que entretanto se apaguem da memória também.

E tantas, tantas outras de que não me lembro agora sem a respectiva música para me reactivar a memória. Muita gente diz que gostava que a vida tivesse banda sonora... A minha tem. Tem estas, tem muitas outras e tem uma em específico e a rodar permanentemente. Falo, claro, dos Pearl Jam. Desde os 13 anos, o que é muita coisa. É uma espécie de documentário.

Gostava de pensar que alguém em algum sítio do mundo ouve uma música e se lembra de mim.

05 novembro, 2010

Smells like spirit

Está neste preciso momento a cheirar-me a Roma. Juro, cheira-me a Roma. À minha Roma, não do meu regresso de há três semanas, mas à Roma de há três anos. E nem sequer me cheira a uma parte de Roma qualquer. Cheira-me à cozinha da casa onde vivia com a Ana.

Não sei que cheiro é este, não sei de onde veio. Não é comida, não são deveres (estou no trabalho, nem sei a que cheiram os deveres, ainda bem que o meu nariz é selectivo). Só gostava de saber para poder guardá-lo num frasquinho e cheirá-lo sempre que quisesse fazer uma imersão num passado feliz (o de Roma, não o do trabalho, entenda-se).

O bom disto é que, neste momento, neste exacto momento, eu estou na minha cozinha da Via Pietro Colletta. Ainda sei onde estão guardadas as bolachas, as responsáveis por alguns dos kg da minha engorda romana. E os tortellini, invariavelmente a ocupar a minha parte do frigorífico. Faltava-nos tantos utensílios de cozinha, mas tínhamos tantas outras coisas tão maiores. Todas essas coisas já foram de outras pessoas durante estes três anos. Estão a ser, neste preciso momento. Gostava de saber quem são os portugueses que estão a cheirar neste momento aquilo que me foi emprestado durante seis meses. Gostava de lhes dizer para que cheirem tudo como se nunca mais o fossem voltar a cheirar porque, eventualmente, é mesmo isso que acaba por acontecer.

E eu cheirei (quem começar a ler o texto por aqui, vai pensar coisas erradas). Ah, se cheirei. Às vezes gostava de não ter cheirado tanto, para deixar de carregar este aroma entranhado na memória. Gostava de ter tido alguma sinusite. Mas agora é fácil falar, na altura eu queria lá saber. E se fosse hoje voltava a cheirar tudo com a mesma intensidade, porque só assim é que vale a pena.

E o cheiro à minha cozinha já acabou. Roma também já se me acabou, por duas vezes, aliás. Queria recuperá-los aos dois. Quem sabe se as coisas não acontecem... Também não estava à espera de cheirar um cheiro que pensava já estar esquecido.

22 setembro, 2010

Uma década de Jornalismo na Universidade do Porto

A minha licenciatura preferida (mesmo que não fosse a única, continuava a ser a preferida na mesma, juro), comemora, este ano lectivo, 10 anos!

10 anos de JCC, agora CC-JAM (bem mais rock). Desses 10, passei lá 3 belos anos. 3 anos a mandar vir com várias coisas, que é o que eu sei fazer melhor. Quando soube que tinha entrado em jornalismo, fui com a minha mãe ver as instalações que, ao contrário do que eu pensei, não ficavam na Faculdade de Letras, mas sim num edifício à parte. Seguindo as indicações, fomos dar a um edifício velho, de portão ferrugento, povoado por ervas daninhas. Primeiro pensamento: "Enganamo-nos, este edifício está claramente fechado há cem anos". Segundo pensamento, depois de termos feito umas perguntas e concluído que era mesmo ali que eu ia passar os próximos (quatro, na altura) anos: "F()%@=$€!!!!".

Curiosamente, nunca me indignei com as instalações. Nunca fui muito exigente. Já no secundário não percebia o porquê de tanto alarido só porque tínhamos aulas em contentores. E daí? Nunca choveu lá dentro e até havia aquecedores. Sim, eu resmungo muito, mas quando tenho razão. Não tenho culpa de ter razão tantas vezes :@

Ora, tal como eu, todo o caloiro que se preze pensa isso quando lhe é apresentado o magnífico edifício. Mas isso mudou! Este ano foi quase tudo remodelado. Até as redacções do Público, Agência Lusa e Rádio Nova funcionam lá!

Fiquei magoada quando, no fim do segundo ano, me dizem simplesmente que eu acabava de passar para o 3º e último ano, porque o 4º acabava simplesmente de ser suprimido por Bolonha (mas como é que eu não me hei-de indignar?!). Roubaram-me um ano de JCC, eu que já ia passar o primeiro semestre em Roma e o segundo a estagiar. Soube a pouco. O ambiente familiar que ali se vivia tinha vantagens e desvantagens, agora olhando à distância, com vantagem para as vantagens. Tínhamos o sr. Coelho, tínhamos maior proximidade com os professores, conhecíamos toda a gente que passava nos corredores, tínhamos as salas de rádio ali sempre disponíveis, tínhamos (e CC-JAM continua a ter, o enorme JPN e JPR) os nossos próprios meios de comunicação, onde podíamos participar desde o primeiro ano. Tivemos um curso muito prático, muito variado e que fazia de nós os estagiários mais bem preparados do Porto e quiçá mais além.

Por isso, parabéns JCC, CC-JAM ou IJHYGTFLIUHÇIUGIUG. Nunca te hei-de esquecer!

http://jpn.icicom.up.pt/2010/09/22/ciencias_da_comunicacao_da_up_uma_decada_a_comunicar.html

19 julho, 2010

Uma história para contar aos netos

Se clicaram à espera de uma história mirabolante e bem engraçada, vieram, não só ao post errado, como ao blogue errado, que aqui não há disso. A história de que falava é curta, mas é, lá está, história. E reza assim:

Eu vi Prince ao vivo!
 

Era só isto, obrigada e uma boa semana, cheia de sol e sem Purple Rain.

Kiss!

11 julho, 2010

Miss you already, Miss you always

Há bandas que dão concertos iguais. Que pegam nas mesmas músicas, às vezes nem sequer mudam a ordem pela qual são tocadas, ou que variam três ou quatro por concerto. E depois há os Pearl Jam, que vão buscar todas as músicas de 20 anos de carreira e fazem uma setlist para cada concerto. E é por isso que eu ontem assisti ao meu 10º concerto de Pearl Jam e todos os concertos ouvi três músicas pela primeira vez, uma delas inédita e dedicada aos fãs portugueses. Isso exige muito trabalho - nem todas as bandas estão para isso - e mostra respeito pelos fãs.
No caso dos festivais a coisa não costuma mudar muito, porque a maioria das pessoas quer ouvir os hits. Mas ontem o alinhamento que eles prepararam para o Optimus Alive era diferente daquele tocado nos festivais dos dias anteriores. A abertura com a Release denunciava, à partida, que aquele seria um concerto especial.

Há bandas que quase não falam, ou que dizem meia dúzia de banalidades. "we love you", "gracias", "are you there?". Funciona em tudo o que é sítio e o pessoal bate palmas e esquece no minuto seguinte. E depois há os Pearl Jam, que pedem quase sempre (caso gostem do sitio, do público, etc.) antes do concerto para se traduzirem umas palavras para a língua local. Em Portugal isso aconteceu sempre e, claro, aconteceu ontem. Mais do que isso, e quem já viu 10 concertos, 6 dos quais fora de Portugal pode dizer isto com algum à vontade, ouvir do Eddie Vedder que nós somos o melhor público em termos de acompanhar a banda a cantar, tem significado. Que não é por acaso que eles escolhem sempre abrir ou fechar os concertos em Portugal. Portugal, Portugal Portugal. Sim, somos o único país que tem uma música dedicada. E eles são uma banda única, irrepetível, inigualável.

Set List:  
Release, Small Town, Animal, Given To Fly, In Hiding, Unthought Known, Nothingman, Daughter/Blitzkrieg Bop (Ramones), Even Flow, Just Breathe, Wishlist, Black, Glorified G, Why Go

1st encore:  

The End, Improv (Portugal, Portugal), Public Image (Public Image Limited), The Fixer, Wasted Reprise, Better Man

2nd encore: 

Smile, Once, Alive, Yellow Ledbetter 



Um amigo que também foi ao concerto escreveu-me isto:
Agora percebo. Que sensação incrível, revisitar tudo o que senti com cada uma destas músicas. I'd even fucking tattoo myself too! PJ for life :)


Espero que aquele "the last show for some time" não dure muito, que eu já estou cheia de saudades.
Miss them already. Miss them always.


27 fevereiro, 2010

26-02-2008

Era a sua última noite na cidade do sonho. Talvez devesse ir festejar com os seus companheiros, como havia feito diariamente nos últimos 6 meses. Mas não… a última noite era demasiado especial, tristemente especial. Decidiu então sair num encontro a dois. Não, não convidou a sua colega (e amiga) de casa. Apesar de algum remorso, não lhe disse nada e foi ter com quem mais queria estar. Só ela e a sua Roma.
Desta vez não levou o mapa, não tinha medo de se perder porque não havia destino. Vagueou pelos locais mais bonitos, caminhou pela rua das lojas até chegar ao jardim mais belo daquele paraíso! Passeou, fotografando constantemente os mesmos locais que já havia fotografado, desta vez mais com a memória do que com a máquina fotográfica. E caminhou, e caminhou… pelo caminho, lembrou-se: porque não ir ao cinema ver um filme sobre alguém que se sentia exactamente em comunhão com um lugar como ela? Ainda por cima com uma banda sonora tão bonita… Está decidido. Lembrou-se que havia uns cinemas junto ao rio e perguntou aos romanos onde havia uma sala com versões que não fossem dobradas. Coisa rara! Só havia três. Só um tinha o filme… caminhou, perdeu-se alegremente, e chegou ao destino. Nunca tinha ido ao cinema sozinha… Naquela noite não trocava a sua solidão por companhia nenhuma do mundo. A sala era pequena. As pessoas ao lado sabiam a banda sonora quase tão de cor como ela. Chorou. Não sabe bem se pelo filme, se por saber que ia embora. Chorou quando o protagonista morreu… Nunca gostou de fins e no dia seguinte tinha um à sua espera. Chorou, num filme que fala sobre a fuga da rotina, sobre um jovem que tinha tudo e tudo largou para ir viver sozinho no Alasca em comunhão com a natureza. Ao contrário do que as pessoas disseram depois do filme, que tinham vontade de largar tudo e partir também, ela sentiu o contrário… Já era altura de voltar para a sua cidade natal, para a sua família.
Saiu do cinema.
Voltou para a sua ainda casa.
Despediu-se de quem ainda ficava por mais uns dias; arrumou as malas;
Fora a sua última noite na cidade do sonho.

01 setembro, 2009

1 de Setembro de há 70 anos


Há cerca de 70 anos, um baixote de bigode ridículo achou que devia começar a invadir territórios. Esta é a imagem que retrata o início de um conflito que já parecia muito provável... E que durou 6 tenebrosos anos, dizimando os milhões que já se sabe.

É a minha parte preferida de toda a História. Se calhar porque mói a consciência, pensar que todas aquelas barbaridades que foram sendo cometidas ainda conseguem ser contadas por alguns dos seus protagonistas.

Sempre desejei um dia poder ter a oportunidade de falar com um soldado que tivesse estado nos campos de batalha da II Guerra Mundial, de preferência alemão. Perguntar-lhe-ia mil coisas!!

A oportunidade de uma vida deu-se há duas semanas, em Berlim, num parque com bancos de madeira, árvores alinhadas e um palácio como vista de fundo. Um simpático idoso ofereceu-se para tirar uma foto a mim e ao meu namorado. Como nós não falamos alemão e o senhor não falava inglês, a conversa deu-se em italiano.
Hum... 'mas como é que o senhor arranha tão bem o italiano', pensei eu, sem ter tempo de conter as palavras dentro da boca.

O simpático idoso falou-me das férias passadas em Itália, sempre que pode. Que Itália é o país "del mio cuore". E timidamente encaixou na conversa que a Grande Guerra dele foi passada em Itália (pelo menos inicialmente).

A conversa não se desenvolveu mais por aí. Contive-me até às unhas dos pés para não o bombardear (se calhar esta não é a palavra mais adequada para o momento...) com perguntas, que iam sair disparadas (raios!) a velocidade muito inconveniente. Nem era preciso o senhor ter ficado com algumas lágrimas nos olhos por ter abordado ao de leve o assunto... Eu não tinha coragem de o obrigar a mexer em memórias tão bem guardadas.

Mas fico a remoer nisso. Na oportunidade única que tive de falar com um soldado alemão da II Guerra Mundial, que vive feliz aos 80 e muitos anos com a mulher numa zona lindíssima de Berlim, junto a um parque onde só se ouvem os pássaros.

25 agosto, 2009

I got memories

Mais uma tour, desta vez longe de Portugal. E se Maomé não vai à montanha, vai a Sara ver Pearl Jam a Berlim, Manchester e Londres. Ou melhor, foi! Foi. E foi incrível...




E custou mas foi... foi ao 9º concerto que ouvi a minha música preferida. A música perfeita para se começar. Algo.
O choro soluçante vem junto. Que raio de felicidade é esta que deriva de uns acordes?... Anos, muitos anos de espera que se consomem em 5 minutos. Só uma banda tão especial arrasta as pessoas do seu país, suga-lhes as economias, tira-lhes o sono em filas e faz com que tudo valha a pena em meia dúzia de segundos.
Para mim, essa banda são os Pearl Jam.

Porque os Pearl Jam são a melhor banda do mundo!