Um deserto de ideias, mantido por um cérebro composto apenas por alguns grãos de areia.
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17 janeiro, 2014
vergonha na cara?
O primeiro jotinha para adopção pode ser este meu ex-colega de escola, hoje advogado (what else?) de profissão, que acaba de postar isto na sua página de Facebook.
Boa, Nélson. A questão fundamental do dia de hoje é mesmo essa: o que é que a JSD e o PSD podem ganhar com o referendo à co-adopção? E - oh meu deus! - o mundo aguarda impaciente para que decidas sobre a vida de um casal homossexual!
Gostava que houvesse um high school reunion (prometo levar cianeto)
Adopte um jota
Tanto jovem a emigrar, e a JSD teima em ficar aqui. O mundo é de facto injusto.
Graças a gente da minha geração, ajudada por um partido do governo que acha que deve impor aos deputados do seu partido a disciplina de voto numa questão como a co-adopção e a adopção por casais do mesmo sexo, eu vou decidir se acho que um casal homossexual pode adoptar uma criança. Eu, a minha mãe e a minha avó vamos poder decidir sobre vidas alheias, baseadas apenas em senso comum ou até em preconceitos pessoais.
Durante dois anos, o governo pediu estudos sobre a questão. Mas os jotinhas, que não são grandes amigos da educação e da ciência, despacharam um direito fundamental com um: nah, todos os portugueses devem ter uma opinião sobre isto.
16 dos 108 deputados do partido mostraram-se a favor da co-adopção aquando da aprovação da proposta de lei, em 2013: Teresa Leal Coelho, Pedro Pinto, Nuno Encarnação, Luís Menezes, Francisco Almeida, Cristóvão Norte, Mónica Ferro, Ana Oliveira, Conceição Caldeira, Ângela Guerra, Paula Cardoso, Maria José Castelo Branco, Joana Barata Lopes, Sérgio Azevedo, Odete Silva e Gabriel Goucha.
Apenas Teresa Leal Coelho, vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, teve coragem para não participar na votação e demitir-se.
Se o referendo foi justificado pela JSD como um passo para a construção de uma melhor sociedade, tomei a liberdade de criar uma petição pelo direito (dever cívico?) de referendar a adopção de membros da JSD. Como cidadã, custa-me ver tanto atrofio cerebral, o que pode causar danos irreparáveis ao país (ver Passos Coelho como Primeiro-Ministro). A educação destes jovens não deve ser descurada. Pelo direito à adopção e reeducação dos jotas laranjas JÁ! http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT72126
Graças a gente da minha geração, ajudada por um partido do governo que acha que deve impor aos deputados do seu partido a disciplina de voto numa questão como a co-adopção e a adopção por casais do mesmo sexo, eu vou decidir se acho que um casal homossexual pode adoptar uma criança. Eu, a minha mãe e a minha avó vamos poder decidir sobre vidas alheias, baseadas apenas em senso comum ou até em preconceitos pessoais.
Durante dois anos, o governo pediu estudos sobre a questão. Mas os jotinhas, que não são grandes amigos da educação e da ciência, despacharam um direito fundamental com um: nah, todos os portugueses devem ter uma opinião sobre isto.
16 dos 108 deputados do partido mostraram-se a favor da co-adopção aquando da aprovação da proposta de lei, em 2013: Teresa Leal Coelho, Pedro Pinto, Nuno Encarnação, Luís Menezes, Francisco Almeida, Cristóvão Norte, Mónica Ferro, Ana Oliveira, Conceição Caldeira, Ângela Guerra, Paula Cardoso, Maria José Castelo Branco, Joana Barata Lopes, Sérgio Azevedo, Odete Silva e Gabriel Goucha.
Apenas Teresa Leal Coelho, vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, teve coragem para não participar na votação e demitir-se.
Se o referendo foi justificado pela JSD como um passo para a construção de uma melhor sociedade, tomei a liberdade de criar uma petição pelo direito (dever cívico?) de referendar a adopção de membros da JSD. Como cidadã, custa-me ver tanto atrofio cerebral, o que pode causar danos irreparáveis ao país (ver Passos Coelho como Primeiro-Ministro). A educação destes jovens não deve ser descurada. Pelo direito à adopção e reeducação dos jotas laranjas JÁ! http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT72126
24 outubro, 2013
Um governo de competência historicamente pequena
Corria o longínquo ano de 2011. Um sedento Pedro Passos Coelho prometia "apresentar um Governo com uma dimensão historicamente pequena", um governo "com menos membros em ministros e secretários de Estado de que há memória em Portugal".
Dois anos, muitos escândalos e incompetências depois, eis-nos a nós, portugueses, em 2013, enterrados na merda. Mas não o governo. Por ali tudo corre bem. Os indicadores são todos óptimos, estamos no bom caminho. Talvez seja por isso que, depois de impôr tanta austeridade a milhões de almas, o orçamento de Estado para 2014 pareça pensado para a Alemanha.
De acordo com o Diário de Notícias de ontem, a despesa com pessoal, entre ministros, secretários de Estado, etc, vai crescer 10% de 2013 para 2014. O orçamento de Estado para 2014 contempla mais 3,4 milhões de euros.
Por exemplo, há mais 77% de orçamento (mais 116.000€!) para limpeza e higiene porque "há mais gabinetes para limpar e cresceram os gastos com a limpeza". Considero aceitável. Já que só fazem merda no país, a única maneira de verem alguma limpeza é no próprio gabinete.
Destaco também um crescimento de 100.000€ para comunicações móveis (será o roaming para os papás europeus e para pedir desculpas a Angola?), mais 220.000€ em viagens e mais 800.000€ em bens e serviços (em quê? porquê? não sabemos, porque os gabinetes do governo não responderam ao DN).
Só para lembrar: no sábado há manifestação contra isto e muito mais.
Dois anos, muitos escândalos e incompetências depois, eis-nos a nós, portugueses, em 2013, enterrados na merda. Mas não o governo. Por ali tudo corre bem. Os indicadores são todos óptimos, estamos no bom caminho. Talvez seja por isso que, depois de impôr tanta austeridade a milhões de almas, o orçamento de Estado para 2014 pareça pensado para a Alemanha.
De acordo com o Diário de Notícias de ontem, a despesa com pessoal, entre ministros, secretários de Estado, etc, vai crescer 10% de 2013 para 2014. O orçamento de Estado para 2014 contempla mais 3,4 milhões de euros.
Por exemplo, há mais 77% de orçamento (mais 116.000€!) para limpeza e higiene porque "há mais gabinetes para limpar e cresceram os gastos com a limpeza". Considero aceitável. Já que só fazem merda no país, a única maneira de verem alguma limpeza é no próprio gabinete.
Destaco também um crescimento de 100.000€ para comunicações móveis (será o roaming para os papás europeus e para pedir desculpas a Angola?), mais 220.000€ em viagens e mais 800.000€ em bens e serviços (em quê? porquê? não sabemos, porque os gabinetes do governo não responderam ao DN).
Só para lembrar: no sábado há manifestação contra isto e muito mais.
14 agosto, 2013
Silly Season jornalística
Com tantos swaps, com tantas remodelações, com tantos dados de recuperação, desemprego e taxas de juros, Agosto está parco em silly season. Os tempos que se vivem não deixam descansar a cabeça com as habituais peças jornalísticas sobre o calor, a praia, e o calor, a praia, ou animais que falam.
Até que hoje o Correio da Manhã perdeu a cabeça e desceu tão baixo que, certamente, irá manter a sua posição de jornal mais lido deste país.
Era uma vez um grupo de Facebook "reservado" a jornalistas. Debatem-se casos de bom e mau jornalismo, comenta-se, sobretudo, quem é o culpado da crise dos media e de como os jornalistas sem carteira profissional são como uma praga que rouba o lugar a jornalistas com carteira que estão no desemprego. Ou seja, é um grupo com mais de 5000 membros que tinha tudo para dar certo, mas perde-se em "picuinhices".
Na segunda-feira, Fernanda Câncio colocou uma foto de Judite de Sousa em biquini para criticar uma tabuleta de uma concessionária que se via ao fundo. 640 comentários depois, já tudo tinha sido debatido, desde as peles de Judite, à sua fraca noção de separação entre jornalismo, protagonismo e publicidade.
Hoje, quem passar por uma banca de jornais e olhar para a capa (a capa!) do Correio da Manhã pode ver a chamada: "'Ex' de José Sócrates contra Judite de Sousa". Mais: diz o jornal que este é um "Exclusivo" do Correio da Manhã. Um post num grupo com 5000 jornalistas chegou a capa de jornal e ainda se declara um exclusivo, coisa que, no termo jornalístico da coisa, é ridículo. Resta ao Correio da Manhã a garantia de que é um exclusivo porque nenhum jornalista com cérebro iria sequer considerar pegar nisto.
A "jornalista" Sofia Martins Santos pegou. Houve um editor no Correio da Manhã que achou que sim senhora, que aquilo era matéria para capa. Sobretudo se reduzir o nome da jornalista Fernanda Câncio a 'Ex' de Sócrates.
Sofia Martins Santos, o Google não é amigo de jornalistas que fazem merda. E os males do voyeurismo chegam a todos.
Podia terminar o post a dizer "que te sirva de lição". Mas, do que conheço do Correio da Manhã, a continuar com esta baixeza é muito provável que a Sofia Martins Santos chegue a editora. Tudo depende do quão baixo estiver disposta a descer.
Até que hoje o Correio da Manhã perdeu a cabeça e desceu tão baixo que, certamente, irá manter a sua posição de jornal mais lido deste país.
Era uma vez um grupo de Facebook "reservado" a jornalistas. Debatem-se casos de bom e mau jornalismo, comenta-se, sobretudo, quem é o culpado da crise dos media e de como os jornalistas sem carteira profissional são como uma praga que rouba o lugar a jornalistas com carteira que estão no desemprego. Ou seja, é um grupo com mais de 5000 membros que tinha tudo para dar certo, mas perde-se em "picuinhices".
Na segunda-feira, Fernanda Câncio colocou uma foto de Judite de Sousa em biquini para criticar uma tabuleta de uma concessionária que se via ao fundo. 640 comentários depois, já tudo tinha sido debatido, desde as peles de Judite, à sua fraca noção de separação entre jornalismo, protagonismo e publicidade.
Hoje, quem passar por uma banca de jornais e olhar para a capa (a capa!) do Correio da Manhã pode ver a chamada: "'Ex' de José Sócrates contra Judite de Sousa". Mais: diz o jornal que este é um "Exclusivo" do Correio da Manhã. Um post num grupo com 5000 jornalistas chegou a capa de jornal e ainda se declara um exclusivo, coisa que, no termo jornalístico da coisa, é ridículo. Resta ao Correio da Manhã a garantia de que é um exclusivo porque nenhum jornalista com cérebro iria sequer considerar pegar nisto.
A "jornalista" Sofia Martins Santos pegou. Houve um editor no Correio da Manhã que achou que sim senhora, que aquilo era matéria para capa. Sobretudo se reduzir o nome da jornalista Fernanda Câncio a 'Ex' de Sócrates.
Sofia Martins Santos, o Google não é amigo de jornalistas que fazem merda. E os males do voyeurismo chegam a todos.
Podia terminar o post a dizer "que te sirva de lição". Mas, do que conheço do Correio da Manhã, a continuar com esta baixeza é muito provável que a Sofia Martins Santos chegue a editora. Tudo depende do quão baixo estiver disposta a descer.
26 julho, 2013
O masoquista
O governo continua a cortar as "gorduras do Estado" como se não houvesse amanhã e já anunciou a contratação de mais uma catrefada de secretários de Estado. Tudo gente muito capaz, claro, com um currículo cheio de máquina partidária, para fazer o país andar para a frente, até cair de vez no abismo.
Um deles chama-se Bruno Maçães. É o novo secretário de Estado dos Assuntos Europeus e já deu várias provas de ser um masoquista que adora dar cambalhotas de amor com a austeridade.
"Dificuldades e desconfiança dos mercados têm um efeito disciplinador", dizia Bruno Maçães a 4 de Abril.
Sendo secretário de Estado dos Assuntos Europeus, é a escolha ideal para dar muita graxa quando tiver de ir a Bruxelas e assim. Mais tarde, quando a União Europeia perceber de uma vez por todas que isto da austeridade não é o caminho e mudar o seu discurso, o Bruno terá a maçada de ser despedido ou de reaprender um novo discurso, virado para o crescimento e para o investimento.
Mas é na boa. Brinquem à vontade. Afinal, a única coisa que têm nas vossas mãos é o futuro de um país e de toda a sua população. Aquela que fica aqui a pagar a conta uma vida inteira, enquanto os senhores são promovidos para empresas e reformas douradas.
Um deles chama-se Bruno Maçães. É o novo secretário de Estado dos Assuntos Europeus e já deu várias provas de ser um masoquista que adora dar cambalhotas de amor com a austeridade.
"Dificuldades e desconfiança dos mercados têm um efeito disciplinador", dizia Bruno Maçães a 4 de Abril.
Sendo secretário de Estado dos Assuntos Europeus, é a escolha ideal para dar muita graxa quando tiver de ir a Bruxelas e assim. Mais tarde, quando a União Europeia perceber de uma vez por todas que isto da austeridade não é o caminho e mudar o seu discurso, o Bruno terá a maçada de ser despedido ou de reaprender um novo discurso, virado para o crescimento e para o investimento.
Mas é na boa. Brinquem à vontade. Afinal, a única coisa que têm nas vossas mãos é o futuro de um país e de toda a sua população. Aquela que fica aqui a pagar a conta uma vida inteira, enquanto os senhores são promovidos para empresas e reformas douradas.
09 abril, 2013
It's not fairy
"Há 20 anos que Fairy faz parte do dia-a-dia das portuguesas", diz-me o Fairy na minha caixa de e-mail, entrando sem pedir licença. Na imagem, podemos ver que o Fairy evoluiu muito em termos estéticos, mas em termos de mentalidade ainda vive em 1950, sob o lema "Deus, Pátria e Família", e onde as mulheres ficam em casa a tratar da cozinha e da roupa enquanto o chefe da casa não chega do emprego.
Caro departamento criativo Fairy: em 2013, os homens também vão ao supermercado comprar detergentes e afins (dou-vos tempo para recuperarem do choque, porque o que vem a seguir pode desabar todo o vosso mundo).
Em 2013, os homens entram na cozinha para fazer mais do que comer e pedir uma cerveja à mulher. Em 2013, eles interessam-se por cozinhar e dividem tarefas (estou a falar de homens normais, atenção, e não de atrasados mentais, como o Henrique Raposo).
No século XXI, os homens já sabem pôr uma máquina a lavar e não têm vergonha de o dizer. Por isso, senhores do Fairy, tenham um pouquinho de vergonha e deixem de dirigir a vossa comunicação exclusivamente ao público feminino. Há aqui uma evolução de mentalidades que nós, portuguesas, consumidoras, gostaríamos de não ver perdida. O país já anda a perder coisas demais...
04 março, 2013
Causas de um Portugal em crise II
A nossa democracia precisa de partidos para funcionar. Problema:
os principais partidos e suas juventudes partidárias andam há anos a funcionar
com os objectivos errados. Em vez de trabalharem para o sucesso do país
trabalham para a perpetuação da máquina partidária. São corporativistas e só
deixam subir quem pode ser útil na teia de favores, ou quem pode ser
controlável. Existem para a sua própria existência. Estão corrompidos e elevam
a cargos de poder gente tremendamente incapaz. Infelizmente, a fraqueza das
instituições contribui muito para a fraqueza de um país. E mesmo com a crise (a
vários níveis), não dão sinais de querer mudar.
Isto a propósito de mais um texto de João Lemos Esteves (olá
João, no caso se ter googlado e ter vindo parar a este pasquim). Trata-se de um
membro da JSD, que frequentou (frequenta?) a Faculdade de Direito da
Universidade de Lisboa – what else? – e cujo livro favorito era, aos 18 anos, “A
Revolução e o Nascimento do PPD”.
Apesar de ser da JSD, João não tem mostrado entusiasmo com o
actual governo. Porquê? No seu espaço de opinião no Expresso, podemos perceber
o que aflige o jovem laranjinha. Mas antes de lá chegarmos, temos de comer com
3 blocos de texto de cassete, que incluem, por exemplo: “Não há outro partido que conheça tão bem o povo português como o PSD -e os portugueses sabem que não há outro partido com gente tão talentosa, tãomeritória, tão capaz como são os quadros locais e nacionais do PSD. Também porisso se afirma que o PSD "é o partido mais português de Portugal". Palavra
da salvação.
O que preocupa o jovem João é que, com tamanha
impopularidade, o PSD vai perder as autárquicas, o seu prestígio, o carinho dos
portugueses.
“Bom, que Passos Coelho se
suicide politicamente, tudo bem: não é um assunto que me preocupa muito, até
porque - confesso! - entendo que o Primeiro-Ministro atingiu um estado de
fanatismo ideológico tal que se encontra na fase de negação: erra, falha, mas
insiste, insiste, insiste no erro! O que me preocupa é o mal que Passos Coelho
está a fazer ao PSD (para além do mal que causa aos portugueses)”.
Parece-me que esta última frase entre parêntesis foi acrescentada a posteriori para não parecer que o
jovem militante partidário só se preocupa só com o partido.
“Passos Coelho já
desistiu das autárquicas: julgo, aliás, que o objectivo do Primeiro-ministro é
mesmo perder as próximas eleições para poder afirmar que não governa ao sabor
dos ciclos eleitorais”, escreve João sem um “LOL” a acompanhar esta epifania.
E continua:
“Com esta estratégia,
um conjunto de pessoas muito capazes, cheias de talento e vontade para
trabalhar em prol das suas comunidades, vai ser prejudicada. Entregar de
bandeja municípios e freguesias ao PS é outro "desastre político
nacional" que será cometido por Passos Coelho, com reflexos negativos para
os portugueses que serão sentidos a médio prazo”.
Tive uma overdose de partidarismo e não consegui continuar a
leitura. Mas perdi tempo a analisar esta cartilha porque são vários os João
Lemos Esteves que aguardam a sua vez na máquina partidária e que um dia podem
chegar a Primeiro-Ministro, porque é disto que são feitas as grandes jotas
deste país. Textos para consumo interno, onde se debatem estratégias
partidárias e onde a preocupação maior é saber que consequências as acções
terão para o partido e para a sua perpetuação no poder. No país pensa-se no tempo que sobrar. Pelo estado das coisas, não tem sobrado muito.
Ou os partidos se renovam e esta mentalidade muda, ou vamos
continuar na merda enquanto país. Basta ler mais livros que não “A Revolução e
o Nascimento do PPD” para saber isto.
09 fevereiro, 2013
A reforma do Estado
Depois de ver o último episódio da Grande (enorme!) reportagem da SIC sobre o BPN, da autoria do jornalista Pedro Coelho, fico a digerir a revolta.
A TV fica ligada. Segue-se um anúncio do Banco BIC (o tal banco angolano que comprou a parte porreira do BPN a preço de saldo e deixou o lixo para eu pagar), com o seguinte slogan: "Crescemos juntos". Não, não crescemos. Pagámos juntos, apenas isso. Eu paguei o BPN, vocês compraram-no pronto a gerar lucro, vocês crescem e eu, como os restantes contribuintes, afundamo-nos numa dívida que não geramos.
E fico a digerir a revolta.
Começa o notíciário da SIC Notícias. A primeira peça é sobre o corte (mais um corte) de 4 mil milhões de euros que precisamos fazer no Estado para "dividir o rácio da dívida pública". Prosseguem os cortes da educação, na saúde, nos nossos direitos, e mesmo assim a totalidade desses cortes não chega ao valor do buraco deixado pelo BPN. Ainda tenho de ouvir o Carlos Moedas dizer que temos de trabalhar para conseguirmos "preparar para a 7ª avaliação um número de medidas e opções para poupar, para sermos mais eficientes".
Sermos mais eficientes. Temos de ser mais eficientes, eu e os contribuintes. Temos de aguentar. Se os sem-abrigo aguentam, porque não nós?
E fico a digerir a revolta.
Sem dúvida que o Estado precisa de uma reforma. Precisa de gente melhor no governo. Precisa de gente com carácter. Precisa de uma melhor justiça a defendê-lo. É essa a "Reforma do Estado" que deveria ser debatida no próximo Conselho de Estado. Mas por gente de tão baixa laia, sabemos que isso não irá acontecer.
E nós deixamos. Sem revolta. Até quando?
A TV fica ligada. Segue-se um anúncio do Banco BIC (o tal banco angolano que comprou a parte porreira do BPN a preço de saldo e deixou o lixo para eu pagar), com o seguinte slogan: "Crescemos juntos". Não, não crescemos. Pagámos juntos, apenas isso. Eu paguei o BPN, vocês compraram-no pronto a gerar lucro, vocês crescem e eu, como os restantes contribuintes, afundamo-nos numa dívida que não geramos.
E fico a digerir a revolta.
Começa o notíciário da SIC Notícias. A primeira peça é sobre o corte (mais um corte) de 4 mil milhões de euros que precisamos fazer no Estado para "dividir o rácio da dívida pública". Prosseguem os cortes da educação, na saúde, nos nossos direitos, e mesmo assim a totalidade desses cortes não chega ao valor do buraco deixado pelo BPN. Ainda tenho de ouvir o Carlos Moedas dizer que temos de trabalhar para conseguirmos "preparar para a 7ª avaliação um número de medidas e opções para poupar, para sermos mais eficientes".
Sermos mais eficientes. Temos de ser mais eficientes, eu e os contribuintes. Temos de aguentar. Se os sem-abrigo aguentam, porque não nós?
E fico a digerir a revolta.
Sem dúvida que o Estado precisa de uma reforma. Precisa de gente melhor no governo. Precisa de gente com carácter. Precisa de uma melhor justiça a defendê-lo. É essa a "Reforma do Estado" que deveria ser debatida no próximo Conselho de Estado. Mas por gente de tão baixa laia, sabemos que isso não irá acontecer.
E nós deixamos. Sem revolta. Até quando?
09 janeiro, 2013
Fundo Maníaco Irracional
Em português do Porto, o FMI está tolo não está?
Tenho andado muito caladinha. O Relvas faz das suas e eu caladinha. O Passos e o Cavaco falam no Natal e eu caladinha. A minha empresa ainda não sabe como me vai pagar em Janeiro - o mês em que estamos - por causa do estúpido do governo e dos seus duodécimos - e eu caladinha.
Mas hoje o FMI entregou um documento, feito em colaboração com dez ministros e cinco secretários de Estado, que nos mostra a nós, pobres gastadores irresponsáveis, como podemos poupar 4000 milhões de euros.
E então de que modo é que o tuga prevaricou, merecendo agora lições de gestão de fora? Contratou professores para ensinarem em escolas públicas. Toca a cortar. Até porque já não vão ser necessários, uma vez que o FMI também nos informa que "o Estado consegue poupar cerca de 400 euros por aluno numa escola privada com contrato de associação". Adorava conhecer estes cálculos, a sério. Que pena que nunca saem cá para fora.
As taxas moderadoras também têm que subir, porque andamos a matar-nos com tabaco e açúcar só para afundar o sistema nacional de saúde. Talvez agora que o ministro alertou para este facto as pessoas comecem a olhar mais por si (não porque querem viver mais, mas porque querem que o SNS viva mais, que o altruísmo é coisa que pulula na sociedade actual).
E as propinas? Têm de subir, obviamente. Chega de ensino gratuito que custa mais de 1000€ por ano só em propinas (fora transportes, alimentação, residência e material escolar como livros e fotocópias)! Mas faz sentido que suba. Para que é que o Estado há-de ajudar a financiar licenciados que depois são aproveitados por outros países? Se calhar, em vez de pedirmos aos estudantes que paguem mais - impossibilitando muitos de entrarem na universidade - porque não se pede uma contribuição à Alemanha, Bélgica, Reino Unido, Brasil, Angola?...
O subsídio de desemprego, claro, "continua demasiado longo e elevado”. Num país com 16% de desemprego e onde arranjar novo emprego pode demorar bastante tempo, o subsídio para o qual o trabalhador descontou dura demasiado tempo. Eu, por exemplo, teria direito a 9 meses de subsídio. Pessoas com mais de 40 anos têm direito a pelo menos 1 ano e depois dos 45 já se consegue pelos menos 2 anos até um máximo de 3 anos e tal. Mas para se conseguir 720 dias de subsídio de desemprego é preciso que a pessoa tenha trabalhado pelo menos 72 meses. São mais de 150.000 dias. Parece-me extremamente injusto. Decerto que são todos uns mandriões a chular o Estado.
Pronto, posso concordar neste ponto: "A progressividade dos salários do Estado deve passar a ser feita em função do desempenho e não da antiguidade, como forma de “atrair profissionais mais motivados e qualificados". Uma lapalissada. Escusávamos de ter que ouvir uma coisa tão óbvia, que já devia estar mais do que implementada. Mas atrair profissionais para onde, se caminhamos para a destruição da coisa pública? Vai sobrar o quê?!
Coisas que não vêm no documento que nos ensina a poupar: evitar injectar dinheiros públicos em bancos como o BPN ou o BANIF. Por exemplo. Mas é natural. Trata-se de prioridades. E entre a sobrevivência das pessoas e a dos bancos, a escolha tem sido sempre a que sabemos.
Tenho andado muito caladinha. O Relvas faz das suas e eu caladinha. O Passos e o Cavaco falam no Natal e eu caladinha. A minha empresa ainda não sabe como me vai pagar em Janeiro - o mês em que estamos - por causa do estúpido do governo e dos seus duodécimos - e eu caladinha.
Mas hoje o FMI entregou um documento, feito em colaboração com dez ministros e cinco secretários de Estado, que nos mostra a nós, pobres gastadores irresponsáveis, como podemos poupar 4000 milhões de euros.
E então de que modo é que o tuga prevaricou, merecendo agora lições de gestão de fora? Contratou professores para ensinarem em escolas públicas. Toca a cortar. Até porque já não vão ser necessários, uma vez que o FMI também nos informa que "o Estado consegue poupar cerca de 400 euros por aluno numa escola privada com contrato de associação". Adorava conhecer estes cálculos, a sério. Que pena que nunca saem cá para fora.
As taxas moderadoras também têm que subir, porque andamos a matar-nos com tabaco e açúcar só para afundar o sistema nacional de saúde. Talvez agora que o ministro alertou para este facto as pessoas comecem a olhar mais por si (não porque querem viver mais, mas porque querem que o SNS viva mais, que o altruísmo é coisa que pulula na sociedade actual).
E as propinas? Têm de subir, obviamente. Chega de ensino gratuito que custa mais de 1000€ por ano só em propinas (fora transportes, alimentação, residência e material escolar como livros e fotocópias)! Mas faz sentido que suba. Para que é que o Estado há-de ajudar a financiar licenciados que depois são aproveitados por outros países? Se calhar, em vez de pedirmos aos estudantes que paguem mais - impossibilitando muitos de entrarem na universidade - porque não se pede uma contribuição à Alemanha, Bélgica, Reino Unido, Brasil, Angola?...
O subsídio de desemprego, claro, "continua demasiado longo e elevado”. Num país com 16% de desemprego e onde arranjar novo emprego pode demorar bastante tempo, o subsídio para o qual o trabalhador descontou dura demasiado tempo. Eu, por exemplo, teria direito a 9 meses de subsídio. Pessoas com mais de 40 anos têm direito a pelo menos 1 ano e depois dos 45 já se consegue pelos menos 2 anos até um máximo de 3 anos e tal. Mas para se conseguir 720 dias de subsídio de desemprego é preciso que a pessoa tenha trabalhado pelo menos 72 meses. São mais de 150.000 dias. Parece-me extremamente injusto. Decerto que são todos uns mandriões a chular o Estado.
Condições para a atribuição do subsídio de desemprego
Pronto, posso concordar neste ponto: "A progressividade dos salários do Estado deve passar a ser feita em função do desempenho e não da antiguidade, como forma de “atrair profissionais mais motivados e qualificados". Uma lapalissada. Escusávamos de ter que ouvir uma coisa tão óbvia, que já devia estar mais do que implementada. Mas atrair profissionais para onde, se caminhamos para a destruição da coisa pública? Vai sobrar o quê?!
Coisas que não vêm no documento que nos ensina a poupar: evitar injectar dinheiros públicos em bancos como o BPN ou o BANIF. Por exemplo. Mas é natural. Trata-se de prioridades. E entre a sobrevivência das pessoas e a dos bancos, a escolha tem sido sempre a que sabemos.
17 dezembro, 2012
Os 3 estarolas
José Manuel Fernandes a adorar, no seu Facebook, um texto de Vasco Pulido Valente onde este defende, de forma básica e com argumentos de caca, uma xoné bafienta que debita clichés sobre empobrecimento, caridade e catolicismo. Poupam-me o trabalho de fazer um post individual a dizer que odeio estes três patetas.
29 novembro, 2012
Se eu ganhasse um euro de cada vez que o jornalista da Time Out Luís Filipe Rodrigues desse 5 estrelas a um álbum da Cafetra, destacasse como evento da semana um concerto da Cafetra e escrevesse que as Pega Monstro são "incríveis", já podia andar aí a viver acima das minhas possibilidades como se não houvesse amanhã.
30 outubro, 2012
O BPI aguenta-se com menos clientes? Ai aguenta, aguenta...
Olha-me que porra, um banqueiro a dizer-me que eu tenho de aguentar mais austeridade. Tenho? Porquê?
Será porque andei a lavar dinheiro no BPN? Porque arranjei tachos aos meus amigos todos? Porque desperdicei fundos europeus? Porque fui incompetente? Porque fiz contratos desvantajosos para o Estado para beneficiar uma empresa para onde um dia irei depois de deixar um cargo público? Porque me aproveitei de um cargo público onde deveria servir o país para me servir a mim mesma?
Se eu não fiz nada disto, mas há quem tenha feito e ainda continue em altos cargos, porque é que, enquanto pobre coitada que não tenho como fugir aos impostos, como uns e outros, tenho de aguentar mais seja o que for? Porque é que tenho de servir de cobaia de um modelo idiota que só tem falhado desde que começou a existir nos anos 80?
Mas porque é que estes porcos não ficam caladinhos e usufruem em silêncio da sua riqueza? Porque é que não têm sensibilidade para evitar dizer a quem já pouco tem que o país aguenta mais austeridade porque "tem de ser, não há alternativa?" Mas se não há alternativa para que é que existe democracia? Se o mundo tivesse dado ouvidos a estes porcos privilegiados que adoram dizer-nos que não há alternativa, ainda havia hoje escravatura, trabalho infantil, trabalhadores sem direitos e uma porrada de merdas que, certamente, não foram abolidas graças aos Fernandos Ulrich desta vida.
Já agora, eu também tenho bitaites para mandar ao mundo: Quem acha que já não aguenta mais austeridade, que tal tirar o dinheiro do BPI e colocá-lo noutro banco? Tenho a certeza que o BPI aguenta isto e muito mais.
Será porque andei a lavar dinheiro no BPN? Porque arranjei tachos aos meus amigos todos? Porque desperdicei fundos europeus? Porque fui incompetente? Porque fiz contratos desvantajosos para o Estado para beneficiar uma empresa para onde um dia irei depois de deixar um cargo público? Porque me aproveitei de um cargo público onde deveria servir o país para me servir a mim mesma?
Se eu não fiz nada disto, mas há quem tenha feito e ainda continue em altos cargos, porque é que, enquanto pobre coitada que não tenho como fugir aos impostos, como uns e outros, tenho de aguentar mais seja o que for? Porque é que tenho de servir de cobaia de um modelo idiota que só tem falhado desde que começou a existir nos anos 80?
Mas porque é que estes porcos não ficam caladinhos e usufruem em silêncio da sua riqueza? Porque é que não têm sensibilidade para evitar dizer a quem já pouco tem que o país aguenta mais austeridade porque "tem de ser, não há alternativa?" Mas se não há alternativa para que é que existe democracia? Se o mundo tivesse dado ouvidos a estes porcos privilegiados que adoram dizer-nos que não há alternativa, ainda havia hoje escravatura, trabalho infantil, trabalhadores sem direitos e uma porrada de merdas que, certamente, não foram abolidas graças aos Fernandos Ulrich desta vida.
Já agora, eu também tenho bitaites para mandar ao mundo: Quem acha que já não aguenta mais austeridade, que tal tirar o dinheiro do BPI e colocá-lo noutro banco? Tenho a certeza que o BPI aguenta isto e muito mais.
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parvónia
04 outubro, 2012
Gostava de poder retribuir o elogio, mas...
Vítor Gaspar acaba de dizer que o povo português "revelou-se o melhor povo do mundo e o melhor activo de Portugal"
Este homem ou é senil, ou é bipolar, ou então é só uma fraude. Não sei o que acham, mas eu inclino-me para a terceira.
É preciso ter lata. Ainda ontem apareceu na TV para anunciar que me vai voltar a roubar e hoje está-me a dar graxa.
O Vítor Gaspar parece aquele namorado que quer acabar com a namorada gorda e feia e a quem dá porrada com um "não és tu, sou eu, mereces muito melhor".
Eu não sei, mas ouvi dizer que quando se tem o melhor povo do mundo deve-se tentar conservá-lo, e não matá-lo de fome ou empurrá-lo para a emigração. Mas isso sou eu.
Este homem ou é senil, ou é bipolar, ou então é só uma fraude. Não sei o que acham, mas eu inclino-me para a terceira.
É preciso ter lata. Ainda ontem apareceu na TV para anunciar que me vai voltar a roubar e hoje está-me a dar graxa.
O Vítor Gaspar parece aquele namorado que quer acabar com a namorada gorda e feia e a quem dá porrada com um "não és tu, sou eu, mereces muito melhor".
Eu não sei, mas ouvi dizer que quando se tem o melhor povo do mundo deve-se tentar conservá-lo, e não matá-lo de fome ou empurrá-lo para a emigração. Mas isso sou eu.
Hello markets, this is Poortugal speaking
A partir de hoje, deixo de desejar "boa sorte" aos amigos e conhecidos que emigram. Boa sorte deviam eles desejar aos que ficam em Poortugal.
25 setembro, 2012
Só o PSD não se afunda de vez
O governo já divulgou em Diário da República as fundações
que pretende extinguir, as que vão sofrer cortes, e as que se vão manter.
Estava preocupada mas, felizmente, as notícias são boas. Vão perder o apoio
total fundações como a do Oriente. O governo propõe ainda a extinção de
fundações como a da pintora Paula Rego, que ainda no fim-de-semana passado
ofereceu à população de todas as idades um fim-de-semana inteiro de actividades
culturais.
O importante é que a Fundação Social Democrata da Madeira não perde qualquer
apoio, portanto podemos todos respirar de alívio. Poderemos continuar a
assistir às acções altruístas da fundação presidida por Alberto João Jardim, e
cuja última acção benevolente foi adquirir a casa onde Alberto João Jardim viveu até aos 30 anos para transformá-la em museu. É bom saber que o critério aplicado nestas decisões foi justo. Podemos todos dormir melhor
agora.
Mais sobre a extinção, perdas e manutenções de fundos no artigo do Público: http://www.publico.pt/sociedade/fundacao-cidade-de-guimaraes-vai-ser-extinta-casa-de-braganca-oriente-e-comunicacoes-moveis-perdem-todos-os-apoios-1564491?all=1
23 setembro, 2012
Estará a falar do governo?
Pertenço a um país onde há, neste momento, uma corrida louca por emprego, porque há cerca de 15% de desempregados que se sujeitam a condições cada vez mais baixas de trabalho por culpa da normal lei da oferta e da procura (e mesmo assim há muitos que não têm qualquer hipótese de ainda vir a arranjar um).
Pertenço a um país onde todos os dias trabalham milhares de estagiários licenciados sem ganhar um tostão.
Pertenço a uma geração que está a emigrar em peso em busca de melhores condições de trabalho, de vida.
Pertenço a um país que a OCDE classifica como aquele onde se trabalham mais horas na Europa.
Pertenço a um país onde a maioria, apesar de trabalhar acima da média, ganha bem abaixo da média europeia. Pertenço a um país onde o salário mínimo é de 485 euros. É quanto custa alugar um t1. O preço mínimo de um infantário é de 300€. Ir ao supermercado em Portugal custa tanto como ir ao supermercado em quase qualquer país europeu. Repito: pertenço a um país onde mais de meio milhão de portugueses ganha 485 euros brutos por mês, e aos quais este governo quis, recentemente, diminuir esse valor para uns excêntricos 397 euros mensais (tentando depois amenizar a medida face aos protestos).
Pertenço a um país que pensa que mais produtividade se resolve com mais horas de trabalho, ainda por cima por menos dinheiro. Pertenço a um país onde os patrões e os decisores podiam ter aproveitado muito dinheiro europeu para modernizações necessárias ao aumento da produtividade, mas que preferiram ser mais criativos com esses montantes.
Feito o retrato do meu país, eu gostava de saber a que país se refere o ministro Miguel Macedo quando hoje disse que "não podemos ser um país de muitas cigarras e poucas formigas". Recomendo-vos que ouçam aqui as palavras que a TSF gravou, para que depois não venham os chorosos falar em descontextualização e manipulação. Ouçam, que tem mais impacto.
Por fim, pertenço a um país governado pelo maior grupo de imbecis frios e ignorantes sobre a sua própria realidade de que há memória. Pertenço a um país onde os governantes ganham muito acima da média e têm todos os subsídios e mordomias imagináveis, independentemente dos resultados que obtêm com a sua governação, e que em pleno clima de contestação social e austeridade dura, nos vêm dar lições de moral chamando a maioria dos portugueses de cigarras preguiçosas.
A frase dele faria todo o sentido se em vez de falar em "muitas cigarras", tivesse falado em poucas cigarras, a minoria das cigarras poderosas que destrói a vida das muitas formigas. A minoria das cigarras que quis e quer "gastar mais e durante muito tempo do que aquilo que temos para gastar. E depois, por via disso, sermos todos obrigados a pagar uma factura que subiu muito além do que podia ser razoável".
No fundo, fico contente. É mais uma machadada na paciência dos portugueses. É mais um motivo que leva a população a chamar todos os políticos de gatunos e mentecaptos. É mais uma razão para nos questionarmos seriamente sobre que rumo dar à democracia, um sistema cada vez mais viciado e com mais defeitos, mas que temos de saber melhorar urgentemente enquanto não surge um melhor, que nos permita poder eleger gente capaz e honesta, ao invés de andarmos há anos a votar "no menos mau" e a levar com esta corja de idiotas.
Chega!
Pertenço a um país onde todos os dias trabalham milhares de estagiários licenciados sem ganhar um tostão.
Pertenço a uma geração que está a emigrar em peso em busca de melhores condições de trabalho, de vida.
Pertenço a um país que a OCDE classifica como aquele onde se trabalham mais horas na Europa.
Pertenço a um país onde a maioria, apesar de trabalhar acima da média, ganha bem abaixo da média europeia. Pertenço a um país onde o salário mínimo é de 485 euros. É quanto custa alugar um t1. O preço mínimo de um infantário é de 300€. Ir ao supermercado em Portugal custa tanto como ir ao supermercado em quase qualquer país europeu. Repito: pertenço a um país onde mais de meio milhão de portugueses ganha 485 euros brutos por mês, e aos quais este governo quis, recentemente, diminuir esse valor para uns excêntricos 397 euros mensais (tentando depois amenizar a medida face aos protestos).
Pertenço a um país que pensa que mais produtividade se resolve com mais horas de trabalho, ainda por cima por menos dinheiro. Pertenço a um país onde os patrões e os decisores podiam ter aproveitado muito dinheiro europeu para modernizações necessárias ao aumento da produtividade, mas que preferiram ser mais criativos com esses montantes.
Feito o retrato do meu país, eu gostava de saber a que país se refere o ministro Miguel Macedo quando hoje disse que "não podemos ser um país de muitas cigarras e poucas formigas". Recomendo-vos que ouçam aqui as palavras que a TSF gravou, para que depois não venham os chorosos falar em descontextualização e manipulação. Ouçam, que tem mais impacto.
Por fim, pertenço a um país governado pelo maior grupo de imbecis frios e ignorantes sobre a sua própria realidade de que há memória. Pertenço a um país onde os governantes ganham muito acima da média e têm todos os subsídios e mordomias imagináveis, independentemente dos resultados que obtêm com a sua governação, e que em pleno clima de contestação social e austeridade dura, nos vêm dar lições de moral chamando a maioria dos portugueses de cigarras preguiçosas.
A frase dele faria todo o sentido se em vez de falar em "muitas cigarras", tivesse falado em poucas cigarras, a minoria das cigarras poderosas que destrói a vida das muitas formigas. A minoria das cigarras que quis e quer "gastar mais e durante muito tempo do que aquilo que temos para gastar. E depois, por via disso, sermos todos obrigados a pagar uma factura que subiu muito além do que podia ser razoável".
No fundo, fico contente. É mais uma machadada na paciência dos portugueses. É mais um motivo que leva a população a chamar todos os políticos de gatunos e mentecaptos. É mais uma razão para nos questionarmos seriamente sobre que rumo dar à democracia, um sistema cada vez mais viciado e com mais defeitos, mas que temos de saber melhorar urgentemente enquanto não surge um melhor, que nos permita poder eleger gente capaz e honesta, ao invés de andarmos há anos a votar "no menos mau" e a levar com esta corja de idiotas.
Chega!
20 setembro, 2012
Vulgo "terapia de casal"
O nosso governo vai criar um "Conselho de Coordenação da Coligação". Que bonito.
Não se entendem quanto à questão do aumento de impostos e o que vão fazer? Esquecer a proposta? Apresentar alternativas?
Não. Alguém falou publicamente ao país sobre coisas que não estavam no guião que o PSD criou e a coligação reúne-se para fazer terapia de casal. Seria cómico se não fosse trágico.
Ponto positivo: isto poderá gerar emprego dentro da máquina partidária. Já se sabe que a crise toca a todos e uns trocados extra dão sempre jeito. Aguardo ansiosamente para saber quem integrará o CCC.
Até lá, amanhã planto-me em frente ao Palácio de Belém às 18h00, onde se discutem coisas menores para o país, tais como se a medida que rouba ainda mais os trabalhadores e contribui para afundar ainda mais este país governado por asnos vai para a frente ou não. Pormenores.
Não se entendem quanto à questão do aumento de impostos e o que vão fazer? Esquecer a proposta? Apresentar alternativas?
Não. Alguém falou publicamente ao país sobre coisas que não estavam no guião que o PSD criou e a coligação reúne-se para fazer terapia de casal. Seria cómico se não fosse trágico.
Ponto positivo: isto poderá gerar emprego dentro da máquina partidária. Já se sabe que a crise toca a todos e uns trocados extra dão sempre jeito. Aguardo ansiosamente para saber quem integrará o CCC.
Até lá, amanhã planto-me em frente ao Palácio de Belém às 18h00, onde se discutem coisas menores para o país, tais como se a medida que rouba ainda mais os trabalhadores e contribui para afundar ainda mais este país governado por asnos vai para a frente ou não. Pormenores.
07 setembro, 2012
E no cu, não vai nada?
Parece que o (assim, sem respeito) Passos Coelho vai continuar a governar como sabe
e, às 19h15 – antes do jogo da selecção! – anuncia novas medidas de
austeridade. O que é óptimo, tendo em conta que, desde que começaram a ser
implementadas as primeiras medidas de austeridade, Portugal tem crescido a
olhos vistos. Todos os dias há aqui mais riqueza, por isso nada mais lógico do
que continuar a apostar numa estratégia vencedora. Percebe-se porque é que só conseguiu acabar o curso aos 37 anos.
Uma estratégia, aliás, que qualquer cão zarolho pode
delinear. Por volta dos 12 anos de idade, qualquer um de nós já estaria preparado para ser
um primeiro-ministro como Passos Coelho, fazendo contas básicas de “se preciso
de dinheiro, aumento impostos. Se quero ganhar mais dinheirinho no IVA,
aumento-o porque de certeza que as pessoas nem vão notar que empobreceram e vão
continuar a consumir à bruta todos aqueles luxos, tipo comida".
Caro jotinha, se precisares de mais ideias para austeridade,
eu tenho aqui muitas quentes e boas.Ora essa, adoro poder continuar a contribuir para a morte do meu país.
31 agosto, 2012
É sexta-feira, f0*@-$€
A competição entre supermercados está renhida, mas quem acha que muita concorrência só beneficia o consumidor não deve ver televisão nacional.
Os participantes no concurso sobre quem tem o anúncio televisivo mais irritante são vários, mas penso que é unânime escolher, desde já, os candidatos mais fortes: Pingo Doce e Continente.
Há que reconhecer o mérito precoce em termos de mau gosto do supermercado da SONAE. Capazes de me fazer pedir clemência, a 9 de Novembro de 2009, a todos os santos da publicidade. A razão de tanta raiva dava pelo nome de Popota.
E mal sonhava eu que, dois anos depois, ia ter de gramar com a Popota a cantar a Lambada. Como se em 2011 Portugal já não tivesse problemas suficientes para enfrentar.
Consciente do seu crescimento no mercado, a Jerónimo Martins decidiu também estrear-se na corrida pelo anúncio mais irritante e entrou a matar tímpanos por este Portugal fora. VENHA AO PINDO DOCE DE JANEIRO A JANEIRO, TUDO AQUI É BEM MELHOR, TUDO AQUI É MAIS FRESQUINHO "#$%&/()?=(&.
Quando tive de promover um produto no Pingo Doce durante todo um fim-de-semana ia tendo um AVC.
Nunca percebi esta mania dos supermercados passarem repetidamente o seu próprio jingle a quem já está dentro do supermercado a fazer compras. Têm medo que o cliente se lembre no corredor dos enlatados que afinal quer ir ao Lidl? Lavagem cerebral? Eu digo-vos o que era boa publicidade, amigos Belmiro de Azevedo e Francisco Manuel dos Santos. Pagar os impostos todinhos no vosso país, como fazem os vossos consumidores.
Analisado o percurso passado destes dois candidatos, eu apostaria num empate técnico.
Até que...
Vitória para o Continente.
Morte cerebral lenta e dolorosa para quem tem o azar de se 'cruzar' com este aborto publicitário. E eu que costumava gostar de sextas-feiras...
Os participantes no concurso sobre quem tem o anúncio televisivo mais irritante são vários, mas penso que é unânime escolher, desde já, os candidatos mais fortes: Pingo Doce e Continente.
Há que reconhecer o mérito precoce em termos de mau gosto do supermercado da SONAE. Capazes de me fazer pedir clemência, a 9 de Novembro de 2009, a todos os santos da publicidade. A razão de tanta raiva dava pelo nome de Popota.
E mal sonhava eu que, dois anos depois, ia ter de gramar com a Popota a cantar a Lambada. Como se em 2011 Portugal já não tivesse problemas suficientes para enfrentar.
Consciente do seu crescimento no mercado, a Jerónimo Martins decidiu também estrear-se na corrida pelo anúncio mais irritante e entrou a matar tímpanos por este Portugal fora. VENHA AO PINDO DOCE DE JANEIRO A JANEIRO, TUDO AQUI É BEM MELHOR, TUDO AQUI É MAIS FRESQUINHO "#$%&/()?=(&.
Quando tive de promover um produto no Pingo Doce durante todo um fim-de-semana ia tendo um AVC.
Nunca percebi esta mania dos supermercados passarem repetidamente o seu próprio jingle a quem já está dentro do supermercado a fazer compras. Têm medo que o cliente se lembre no corredor dos enlatados que afinal quer ir ao Lidl? Lavagem cerebral? Eu digo-vos o que era boa publicidade, amigos Belmiro de Azevedo e Francisco Manuel dos Santos. Pagar os impostos todinhos no vosso país, como fazem os vossos consumidores.
Analisado o percurso passado destes dois candidatos, eu apostaria num empate técnico.
Até que...
Vitória para o Continente.
Morte cerebral lenta e dolorosa para quem tem o azar de se 'cruzar' com este aborto publicitário. E eu que costumava gostar de sextas-feiras...
01 agosto, 2012
Produtividade levada ao extremo
Já dizia aquele cromo de Braga que é preciso bater punho se queremos melhorar de vida. Temos todos de ser empreendedores. Só está na merda quem quer.
Ora, que nunca mais ninguém venha dizer que os gestores são demasiado bem remunerados, ao nível dos mais bem pagos da Europa, ao mesmo tempo que grande parte da população ganha uma miséria. Se a população está na miséria é porque não acumula 73 empregos, com fazem alguns gestores, revela a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.
De acordo com o estudo, "Os administradores executivos das empresas cotadas na bolsa de Lisboa em 2010 acumulavam, em média, o cargo com funções executivas em oito empresas de dentro ou de fora do grupo".
Mas isto é uma média, e os super gestores acabam por ficar prejudicados na média por culpa de uns quantos gestores preguiçosos que só gerem 3 ou 4 empresas. Meus amigos, há "dezenas de responsáveis que acumulavam lugares de administração (com ou sem funções executivas) em 30 ou mais empresas". Provavelmente trabalham 30 horas por dia e a população ainda se queixa por causa da meia horita diária a mais que o governo quer instituir.
O nosso medalha de ouro é um administrador que pertence ao órgão de administração de 73 empresas. Como é que não hão-de existir 15% de desempregados neste país se um só homem carrega às costas o peso de ter de fazer lobbying e demais pressões em nome de 73 empresas?
As remunerações médias atribuídas aos executivos (449,3 mil euros, contra 513 mil em 2009). Vinte e um receberam mais de um milhão de euros, “tendo o valor máximo sido de 1,42 milhões de euros”.
É preciso reflectir sobre este flagelo. Imaginemos que o gestor que ganhou 1,42 milhões de euros é aquele que tem sob a sua alçada 73 empresas. Dividindo a remuneração por empresa, é fácil concluir que este super gestor anda a ser explorado: cada empresa paga-lhe 19500€ anuais. Dividindo por 14 meses, são 1400€ por mês. Mas onde é que vamos parar se um gestor só ganha 1400€ mensais? Mas que país de 5º mundo é este, onde um gestor quase passa fome?!?
E que nunca mais nenhuma mulher abuse do argumento de que os homens não têm capacidade de "multitasking". Dos 440 cargos existentes nas sociedades cotadas, 414 eram ocupados por homens. Apenas 6% são mulheres, e aposto que são as que gerem menos empresas, as malandronas.
Pudera, nem sequer sabem gerir o seu tempo, quanto mais gerir uma empresa, estas mulheres calonas que perdem tempo no Facebook em vez de irem fazer a sopa como lhes compete por natureza.
Ora, que nunca mais ninguém venha dizer que os gestores são demasiado bem remunerados, ao nível dos mais bem pagos da Europa, ao mesmo tempo que grande parte da população ganha uma miséria. Se a população está na miséria é porque não acumula 73 empregos, com fazem alguns gestores, revela a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.
De acordo com o estudo, "Os administradores executivos das empresas cotadas na bolsa de Lisboa em 2010 acumulavam, em média, o cargo com funções executivas em oito empresas de dentro ou de fora do grupo".
Mas isto é uma média, e os super gestores acabam por ficar prejudicados na média por culpa de uns quantos gestores preguiçosos que só gerem 3 ou 4 empresas. Meus amigos, há "dezenas de responsáveis que acumulavam lugares de administração (com ou sem funções executivas) em 30 ou mais empresas". Provavelmente trabalham 30 horas por dia e a população ainda se queixa por causa da meia horita diária a mais que o governo quer instituir.
O nosso medalha de ouro é um administrador que pertence ao órgão de administração de 73 empresas. Como é que não hão-de existir 15% de desempregados neste país se um só homem carrega às costas o peso de ter de fazer lobbying e demais pressões em nome de 73 empresas?
As remunerações médias atribuídas aos executivos (449,3 mil euros, contra 513 mil em 2009). Vinte e um receberam mais de um milhão de euros, “tendo o valor máximo sido de 1,42 milhões de euros”.
É preciso reflectir sobre este flagelo. Imaginemos que o gestor que ganhou 1,42 milhões de euros é aquele que tem sob a sua alçada 73 empresas. Dividindo a remuneração por empresa, é fácil concluir que este super gestor anda a ser explorado: cada empresa paga-lhe 19500€ anuais. Dividindo por 14 meses, são 1400€ por mês. Mas onde é que vamos parar se um gestor só ganha 1400€ mensais? Mas que país de 5º mundo é este, onde um gestor quase passa fome?!?
E que nunca mais nenhuma mulher abuse do argumento de que os homens não têm capacidade de "multitasking". Dos 440 cargos existentes nas sociedades cotadas, 414 eram ocupados por homens. Apenas 6% são mulheres, e aposto que são as que gerem menos empresas, as malandronas.
Pudera, nem sequer sabem gerir o seu tempo, quanto mais gerir uma empresa, estas mulheres calonas que perdem tempo no Facebook em vez de irem fazer a sopa como lhes compete por natureza.
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