Duas semanas de férias que se acabam hoje. É triste porque já gastei 50% das minhas férias anuais, ao mesmo tempo que é óptimo sentir que as aproveitei muito bem.
O balanço: uma passeggiata por Milão, com direito a concertaço de Soundgarden e bónus de Afghan Whigs; Festas de aniversário (oh, as vantagens de ter pais separados!); caipirinha na praia de Matosinhos com o meu lisboeta (é preciso trazê-lo a ver as maravilhas do Porto e tentar convencê-lo a trocar a capital pela Imbicta),;3 dias de Primavera Sound e concertos de Yo La Tengo, Kings Of Convenience, The XX, Beach House ou Lee Ranaldo (os preferidos entre dezenas que vi).
Duas semanas de férias sempre a mexer e tenho um comboio para apanhar daqui a 6 horas em Campanhã, para o duro regresso à rotina. Vou começar a semana mais cansada do que o habitual. Mas o cansaço bom cansa menos.
Um deserto de ideias, mantido por um cérebro composto apenas por alguns grãos de areia.
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11 junho, 2012
29 dezembro, 2011
Nightmare after Christmas
Quando vou passar o fim-de-semana ao Porto e venho para Lisboa na segunda-feira no Intercidades das 06h52, há 3 coisas que eu rezo para que não aconteçam:
1- Que o comboio não apareça ou que pare pelo caminho
2- Que perto de mim viaje alguém com um bebé
3- Que nos lugares próximos do meu se sentem dois compinchas idosos.
Um casal pode ser. Dois amigos não. Deus do céu, não.
O ponto nº1 é mais ou menos óbvio. Para ficar mais uma noite na minha cama, faço a viagem Ermesinde - Lisboa à segunda-feira e aterro directamente no trabalho. Confio que a CP me leve ao destino, e tem corrido sempre tudo bem, mas nunca se sabe.
Os pontos 2 e 3 poderiam ser só um, mas acho que uma lista tem de ter no mínimo 3 alíneas para ter alguma credibilidade.
Tem tudo uma razão de ser. São 06h52. Não interessa se tenho de acordar às 5h da manhã, eu vou sempre deitar-me tarde na noite anterior, confiando que terei 3 horas para dormir no comboio. Tudo aquilo que eu não quero é um bebé que, em 3 horas de uma viagem enfadonha, vai chorar de certeza. Vai berrar. E vai-me impedir de dormir / acordar-me. Eventualmente também irá brincar, dormir, mamar e ser fofo, mas não caiam na armadilha! Trata-se de uma bomba-relógio, meus amigos. Quando menos esperarem, vai berrar e vocês vão acordar. Não é que haja alguma coisa a fazer, visto que os lugares são marcados. Se houvesse, eu não me limitava a rezar para que não me calhasse um bebé num raio de 10 metros.
Ora, foi precisamente o 3º ponto que me calhou na viagem pós Natal. Eu já tinha passado por uma experiência semelhante. Por isso, quando vi os dois seniores (entre 75 e 1000 anos) a entrarem na minha carruagem, vi logo que a coisa ia correr mal.
Eu sei que 2 compadres idosos podem parecer inofensivos. Não se iludam! Podem ser tão ou mais perigosos do que um bebé. Atentem:
À minha frente estavam 2 lugares vazios, mas os idosos entraram no comboio a gritar pelos seus números do lugar (14 e 16) e a olhar para a atmosfera, esperando talvez que os lugares lhes caíssem no colo. Já na outra ponta, alguém lhes disse que tinham de regressar para o início da carruagem. Eles voltaram e um sentou-se ao meu lado. O outro sentou-se noutro lugar qualquer. Nenhum se sentou nem no 14 nem no 16. Mas que raio! Tive de dizer ao senhor que o seu lugar nao era ao meu lado, mas à frente (onde diz 14 e 16... quem diria que esses lugares existiam mesmo, ãh? Há coisas fascinantes).
E pronto, a partir daí não me adiantou pôr Kyuss, Soundgarden nem Tool no meu mp3. Eu já só ouvia os idosos.
Calma. Eu gosto de idosos. Dou sempre conversa a idosos (excepto quando são 06h52 da manhã). Mas dois amigos idosos num comboio são sinónimo de conversa permanente, aborrecida e ALTA, MUITO ALTA, PORQUE OS SENHORES OUVEM MAL, PORRA.
Um casal de idosos pode ser. Já se aturam há décadas, querem é descansar um do outro.
Dois amigos idosos é o descalabro. Falam, falam, falam, 3 horas de conversa, blá blá blá, que emoção fazer a viagem de comboio consigo, compadre, vamos pôr a conversa em dia enquanto toda uma carruagem quer dormir. ARGH. Já é a segunda vez que passo 3 horas em claro porque tenho o azar de me calharem amigos idosos à frente ou atrás.
Isto é o karma, e o karma é um bitch vingativo, como se sabe. Há cerca de um mês encontrei uma colega no comboio e fomos a viagem toda a tagarelar, mesmo depois de termos reparado que no banco à frente ia um coitado de um estudante de medicina a devorar um livro e a suspirar por ter de levar connosco.
Mas pelo menos nós falámos baixo.
1- Que o comboio não apareça ou que pare pelo caminho
2- Que perto de mim viaje alguém com um bebé
3- Que nos lugares próximos do meu se sentem dois compinchas idosos.
Um casal pode ser. Dois amigos não. Deus do céu, não.
O ponto nº1 é mais ou menos óbvio. Para ficar mais uma noite na minha cama, faço a viagem Ermesinde - Lisboa à segunda-feira e aterro directamente no trabalho. Confio que a CP me leve ao destino, e tem corrido sempre tudo bem, mas nunca se sabe.
Os pontos 2 e 3 poderiam ser só um, mas acho que uma lista tem de ter no mínimo 3 alíneas para ter alguma credibilidade.
Tem tudo uma razão de ser. São 06h52. Não interessa se tenho de acordar às 5h da manhã, eu vou sempre deitar-me tarde na noite anterior, confiando que terei 3 horas para dormir no comboio. Tudo aquilo que eu não quero é um bebé que, em 3 horas de uma viagem enfadonha, vai chorar de certeza. Vai berrar. E vai-me impedir de dormir / acordar-me. Eventualmente também irá brincar, dormir, mamar e ser fofo, mas não caiam na armadilha! Trata-se de uma bomba-relógio, meus amigos. Quando menos esperarem, vai berrar e vocês vão acordar. Não é que haja alguma coisa a fazer, visto que os lugares são marcados. Se houvesse, eu não me limitava a rezar para que não me calhasse um bebé num raio de 10 metros.
Ora, foi precisamente o 3º ponto que me calhou na viagem pós Natal. Eu já tinha passado por uma experiência semelhante. Por isso, quando vi os dois seniores (entre 75 e 1000 anos) a entrarem na minha carruagem, vi logo que a coisa ia correr mal.
Eu sei que 2 compadres idosos podem parecer inofensivos. Não se iludam! Podem ser tão ou mais perigosos do que um bebé. Atentem:
À minha frente estavam 2 lugares vazios, mas os idosos entraram no comboio a gritar pelos seus números do lugar (14 e 16) e a olhar para a atmosfera, esperando talvez que os lugares lhes caíssem no colo. Já na outra ponta, alguém lhes disse que tinham de regressar para o início da carruagem. Eles voltaram e um sentou-se ao meu lado. O outro sentou-se noutro lugar qualquer. Nenhum se sentou nem no 14 nem no 16. Mas que raio! Tive de dizer ao senhor que o seu lugar nao era ao meu lado, mas à frente (onde diz 14 e 16... quem diria que esses lugares existiam mesmo, ãh? Há coisas fascinantes).
E pronto, a partir daí não me adiantou pôr Kyuss, Soundgarden nem Tool no meu mp3. Eu já só ouvia os idosos.
Calma. Eu gosto de idosos. Dou sempre conversa a idosos (excepto quando são 06h52 da manhã). Mas dois amigos idosos num comboio são sinónimo de conversa permanente, aborrecida e ALTA, MUITO ALTA, PORQUE OS SENHORES OUVEM MAL, PORRA.
Um casal de idosos pode ser. Já se aturam há décadas, querem é descansar um do outro.
Dois amigos idosos é o descalabro. Falam, falam, falam, 3 horas de conversa, blá blá blá, que emoção fazer a viagem de comboio consigo, compadre, vamos pôr a conversa em dia enquanto toda uma carruagem quer dormir. ARGH. Já é a segunda vez que passo 3 horas em claro porque tenho o azar de me calharem amigos idosos à frente ou atrás.
Isto é o karma, e o karma é um bitch vingativo, como se sabe. Há cerca de um mês encontrei uma colega no comboio e fomos a viagem toda a tagarelar, mesmo depois de termos reparado que no banco à frente ia um coitado de um estudante de medicina a devorar um livro e a suspirar por ter de levar connosco.
Mas pelo menos nós falámos baixo.
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eu reclamo de carago,
Viagens na minha terra
25 setembro, 2010
Balanço de mais uma viagem no intercidades da CP: 20 minutos de atraso + um vidro todo estilhaçado, com a simples passagem de outro comboio em sentido contrário. Acho que ainda ouço o barulho no meu pobre ouvido direito.
No fim da viagem ainda quis comunicar o sucedido, mas não encontrei nenhum dos 218373632737610 superiores que a empresa tem. Que falta de oportunidade.
[o mórbido é que, uma hora antes do vidro se ter estilhaçado todo, eu ia a ler a reportagem do Público sobre o desastre ferroviário de Alcafache. Chiça...]
No fim da viagem ainda quis comunicar o sucedido, mas não encontrei nenhum dos 218373632737610 superiores que a empresa tem. Que falta de oportunidade.
[o mórbido é que, uma hora antes do vidro se ter estilhaçado todo, eu ia a ler a reportagem do Público sobre o desastre ferroviário de Alcafache. Chiça...]
15 agosto, 2010
Et voilà...
Buenos diajz! Olhójabioensláatraj.. Bom dia Ermesinde! Tá munto calor e tudo. Um belo dia para continuar as férias e não para fazer uma viagem de mais de 300km até Lisboa, de regresso às obrigações.
E por falar em regressos, quero aqui dedicar uma música aos nossos emigrantes françogueses, que enriquecem os nossos dias de Agosto com frases como "Vamos à la voiture" e que entram com o carro para zonas pedonais só para deixar a família à porta do restaurante. Um grande bien-haja.
E por falar em regressos, quero aqui dedicar uma música aos nossos emigrantes françogueses, que enriquecem os nossos dias de Agosto com frases como "Vamos à la voiture" e que entram com o carro para zonas pedonais só para deixar a família à porta do restaurante. Um grande bien-haja.
27 fevereiro, 2010
Ascenção à nobreza
Hoje fui convidada a viajar para o Porto em primeira classe, no intercidades. O gentil convite partiu do funcionário da bilheteira, que me disse:
-Já só há lugar em primeira classe. Aliás, este já é o último bilhete. Vai em primeira ou espera 2 horas pelo próximo.
Ora, seria deselegante recusar um convite destes, pelo que estendi o meu magro cartão multibanco pela ranhura. Incrível como ainda faltava meia hora para o comboio partir, as filas estavam longas, e a CP não tem mais carruagens para acrescentar ao comboio.
Mas lá fui! Parti decidida. Estava prestes a fazer parte da nata dos intercidades durante 3 horas.
A primeira diferença está logo na denominação do espaço. "Salão". Assim, sim! Já estava farta de viajar em carruagens, decerto que num salão a viagem iria ser bem melhor. E porque paguei eu mais? Descobri assim que me sentei: mais 10 centímetros de largura no banco e mais 10 centímetros de comprimento para acomodar as pernas. Agora percebo... vale bem o investimento! Para quem tem metro e meio de altura como eu, dei logo o dinheiro por bem empregue. Aliás, a partir de agora as plebeias carruagens não apanham mais o meu cu... perdão, traseiro, naquele pardieiro.
Por falar em traseiro, as casas de banho também são iguais. Não há papel higiénico da Scottex nem sais de cheiro. A parte dos sais de cheiro não precisei de olhar para sabe-lo.
A primeira classe também não tem tomadas para quem quer ligar o portátil. As cortinas são igualmente verdes e, imagine-se, a paisagem lá fora é a mesma.
Para cúmulo voltei a chegar atrasada ao Porto. Parece que o salão da primeira classe chega ao mesmo tempo do que as outras simples carruagens: tarde, invariavelmente tarde. Tal como a CP já habituou a sua clientela.
Saí do salão.
Para a próxima se calhar espero as duas horas.
-Já só há lugar em primeira classe. Aliás, este já é o último bilhete. Vai em primeira ou espera 2 horas pelo próximo.
Ora, seria deselegante recusar um convite destes, pelo que estendi o meu magro cartão multibanco pela ranhura. Incrível como ainda faltava meia hora para o comboio partir, as filas estavam longas, e a CP não tem mais carruagens para acrescentar ao comboio.
Mas lá fui! Parti decidida. Estava prestes a fazer parte da nata dos intercidades durante 3 horas.
A primeira diferença está logo na denominação do espaço. "Salão". Assim, sim! Já estava farta de viajar em carruagens, decerto que num salão a viagem iria ser bem melhor. E porque paguei eu mais? Descobri assim que me sentei: mais 10 centímetros de largura no banco e mais 10 centímetros de comprimento para acomodar as pernas. Agora percebo... vale bem o investimento! Para quem tem metro e meio de altura como eu, dei logo o dinheiro por bem empregue. Aliás, a partir de agora as plebeias carruagens não apanham mais o meu cu... perdão, traseiro, naquele pardieiro.
Por falar em traseiro, as casas de banho também são iguais. Não há papel higiénico da Scottex nem sais de cheiro. A parte dos sais de cheiro não precisei de olhar para sabe-lo.
A primeira classe também não tem tomadas para quem quer ligar o portátil. As cortinas são igualmente verdes e, imagine-se, a paisagem lá fora é a mesma.
Para cúmulo voltei a chegar atrasada ao Porto. Parece que o salão da primeira classe chega ao mesmo tempo do que as outras simples carruagens: tarde, invariavelmente tarde. Tal como a CP já habituou a sua clientela.
Saí do salão.
Para a próxima se calhar espero as duas horas.
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Viagens na minha terra
30 novembro, 2009
He's an ermesindense in the war
Sim caríssimos conterrâneos e demais pessoas (peço desculpa mas ando muito saudosa da minha terra e por isso as restantes pessoas não merecem nenhuma distinção especial), o título é uma afirmação verdadeira, e não mais uma balela qualquer que eu venho para aqui 'bitaitar'. Primeiramente gostaria de dizer que se já existe no nosso léxico a palavra twittar, porque não tem o mesmo direito a palavra bitaitar, que é tão mais bonita e nacional?
Adiante.
Queria só contar-vos algo que eu soube na quinta-feira.
Guerra civil em Angola? Houve um ermesindense que esteve no campo de batalha durante uns dias, literalmente sob fogo da UNITA; o único branco presente, e a quem os coronéis do MPLA baptizaram de brigadeiro. Foi lá para nos relatar os acontecimentos. Voltou vivo e continuou. Golpe de Estado na Guiné, Guerras em Timor-Leste, Afeganistão, Iraque, preso pelos americanos e obrigado a sair do Iraque porque se recusou a deixar o seu trabalho de jornalista ser controlado por eles. Voltou para acabar o seu trabalho, sempre a fugir dos ianques. Voltou à Guiné apesar de o seu nome na altura estar na lista negra por causa de uma reportagem. Continua a ir com frequência ao Iraque e ao Afeganistão. Sabe-se lá por onde irá andar mais. He's an ermesindense, não em New York, mas a ver a guerra de perto, a arriscar a vida. A ser um verdadeiro jornalista.
Chama-se Luís Castro, e não vale a pena apresentá-lo porque o seu blogue fala por si. http://cheiroapolvora.blogs.sapo.pt , procurem nas etiquetas os temas que mais vos interessam, e percam-se em leituras. Ou comprem o livro "Repórter de Guerra", da sua autoria.
É o que eu costumo dizer em jeito de brincadeira, mas agora tenho provas:
primeiro Ermesinde, depois o mundo! :-)
Adiante.
Queria só contar-vos algo que eu soube na quinta-feira.
Guerra civil em Angola? Houve um ermesindense que esteve no campo de batalha durante uns dias, literalmente sob fogo da UNITA; o único branco presente, e a quem os coronéis do MPLA baptizaram de brigadeiro. Foi lá para nos relatar os acontecimentos. Voltou vivo e continuou. Golpe de Estado na Guiné, Guerras em Timor-Leste, Afeganistão, Iraque, preso pelos americanos e obrigado a sair do Iraque porque se recusou a deixar o seu trabalho de jornalista ser controlado por eles. Voltou para acabar o seu trabalho, sempre a fugir dos ianques. Voltou à Guiné apesar de o seu nome na altura estar na lista negra por causa de uma reportagem. Continua a ir com frequência ao Iraque e ao Afeganistão. Sabe-se lá por onde irá andar mais. He's an ermesindense, não em New York, mas a ver a guerra de perto, a arriscar a vida. A ser um verdadeiro jornalista.
Chama-se Luís Castro, e não vale a pena apresentá-lo porque o seu blogue fala por si. http://cheiroapolvora.blogs.sapo.pt , procurem nas etiquetas os temas que mais vos interessam, e percam-se em leituras. Ou comprem o livro "Repórter de Guerra", da sua autoria.
É o que eu costumo dizer em jeito de brincadeira, mas agora tenho provas:
primeiro Ermesinde, depois o mundo! :-)
12 outubro, 2009
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