Tanto jovem a emigrar, e a JSD teima em ficar aqui. O mundo é de facto injusto.
Graças a gente da minha geração, ajudada por um partido do governo que acha que deve impor aos deputados do seu partido a disciplina de voto numa questão como a co-adopção e a adopção por casais do mesmo sexo, eu vou decidir se acho que um casal homossexual pode adoptar uma criança. Eu, a minha mãe e a minha avó vamos poder decidir sobre vidas alheias, baseadas apenas em senso comum ou até em preconceitos pessoais.
Durante dois anos, o governo pediu estudos sobre a questão. Mas os jotinhas, que não são grandes amigos da educação e da ciência, despacharam um direito fundamental com um: nah, todos os portugueses devem ter uma opinião sobre isto.
16 dos 108 deputados do partido mostraram-se a favor da co-adopção aquando da aprovação da proposta de lei, em 2013: Teresa Leal Coelho, Pedro Pinto, Nuno Encarnação, Luís Menezes, Francisco Almeida, Cristóvão Norte, Mónica Ferro, Ana Oliveira, Conceição Caldeira, Ângela Guerra, Paula Cardoso, Maria José Castelo Branco, Joana Barata Lopes, Sérgio Azevedo, Odete Silva e Gabriel Goucha.
Apenas Teresa Leal Coelho, vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, teve coragem para não participar na votação e demitir-se.
Se o referendo foi justificado pela JSD como um passo para a construção de uma melhor sociedade, tomei a liberdade de criar uma petição pelo direito (dever cívico?) de referendar a adopção de membros da JSD. Como cidadã, custa-me ver tanto atrofio cerebral, o que pode causar danos irreparáveis ao país (ver Passos Coelho como Primeiro-Ministro). A educação destes jovens não deve ser descurada. Pelo direito à adopção e reeducação dos jotas laranjas JÁ! http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT72126
Um deserto de ideias, mantido por um cérebro composto apenas por alguns grãos de areia.
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17 janeiro, 2014
24 outubro, 2013
Um governo de competência historicamente pequena
Corria o longínquo ano de 2011. Um sedento Pedro Passos Coelho prometia "apresentar um Governo com uma dimensão historicamente pequena", um governo "com menos membros em ministros e secretários de Estado de que há memória em Portugal".
Dois anos, muitos escândalos e incompetências depois, eis-nos a nós, portugueses, em 2013, enterrados na merda. Mas não o governo. Por ali tudo corre bem. Os indicadores são todos óptimos, estamos no bom caminho. Talvez seja por isso que, depois de impôr tanta austeridade a milhões de almas, o orçamento de Estado para 2014 pareça pensado para a Alemanha.
De acordo com o Diário de Notícias de ontem, a despesa com pessoal, entre ministros, secretários de Estado, etc, vai crescer 10% de 2013 para 2014. O orçamento de Estado para 2014 contempla mais 3,4 milhões de euros.
Por exemplo, há mais 77% de orçamento (mais 116.000€!) para limpeza e higiene porque "há mais gabinetes para limpar e cresceram os gastos com a limpeza". Considero aceitável. Já que só fazem merda no país, a única maneira de verem alguma limpeza é no próprio gabinete.
Destaco também um crescimento de 100.000€ para comunicações móveis (será o roaming para os papás europeus e para pedir desculpas a Angola?), mais 220.000€ em viagens e mais 800.000€ em bens e serviços (em quê? porquê? não sabemos, porque os gabinetes do governo não responderam ao DN).
Só para lembrar: no sábado há manifestação contra isto e muito mais.
Dois anos, muitos escândalos e incompetências depois, eis-nos a nós, portugueses, em 2013, enterrados na merda. Mas não o governo. Por ali tudo corre bem. Os indicadores são todos óptimos, estamos no bom caminho. Talvez seja por isso que, depois de impôr tanta austeridade a milhões de almas, o orçamento de Estado para 2014 pareça pensado para a Alemanha.
De acordo com o Diário de Notícias de ontem, a despesa com pessoal, entre ministros, secretários de Estado, etc, vai crescer 10% de 2013 para 2014. O orçamento de Estado para 2014 contempla mais 3,4 milhões de euros.
Por exemplo, há mais 77% de orçamento (mais 116.000€!) para limpeza e higiene porque "há mais gabinetes para limpar e cresceram os gastos com a limpeza". Considero aceitável. Já que só fazem merda no país, a única maneira de verem alguma limpeza é no próprio gabinete.
Destaco também um crescimento de 100.000€ para comunicações móveis (será o roaming para os papás europeus e para pedir desculpas a Angola?), mais 220.000€ em viagens e mais 800.000€ em bens e serviços (em quê? porquê? não sabemos, porque os gabinetes do governo não responderam ao DN).
Só para lembrar: no sábado há manifestação contra isto e muito mais.
14 agosto, 2013
Silly Season jornalística
Com tantos swaps, com tantas remodelações, com tantos dados de recuperação, desemprego e taxas de juros, Agosto está parco em silly season. Os tempos que se vivem não deixam descansar a cabeça com as habituais peças jornalísticas sobre o calor, a praia, e o calor, a praia, ou animais que falam.
Até que hoje o Correio da Manhã perdeu a cabeça e desceu tão baixo que, certamente, irá manter a sua posição de jornal mais lido deste país.
Era uma vez um grupo de Facebook "reservado" a jornalistas. Debatem-se casos de bom e mau jornalismo, comenta-se, sobretudo, quem é o culpado da crise dos media e de como os jornalistas sem carteira profissional são como uma praga que rouba o lugar a jornalistas com carteira que estão no desemprego. Ou seja, é um grupo com mais de 5000 membros que tinha tudo para dar certo, mas perde-se em "picuinhices".
Na segunda-feira, Fernanda Câncio colocou uma foto de Judite de Sousa em biquini para criticar uma tabuleta de uma concessionária que se via ao fundo. 640 comentários depois, já tudo tinha sido debatido, desde as peles de Judite, à sua fraca noção de separação entre jornalismo, protagonismo e publicidade.
Hoje, quem passar por uma banca de jornais e olhar para a capa (a capa!) do Correio da Manhã pode ver a chamada: "'Ex' de José Sócrates contra Judite de Sousa". Mais: diz o jornal que este é um "Exclusivo" do Correio da Manhã. Um post num grupo com 5000 jornalistas chegou a capa de jornal e ainda se declara um exclusivo, coisa que, no termo jornalístico da coisa, é ridículo. Resta ao Correio da Manhã a garantia de que é um exclusivo porque nenhum jornalista com cérebro iria sequer considerar pegar nisto.
A "jornalista" Sofia Martins Santos pegou. Houve um editor no Correio da Manhã que achou que sim senhora, que aquilo era matéria para capa. Sobretudo se reduzir o nome da jornalista Fernanda Câncio a 'Ex' de Sócrates.
Sofia Martins Santos, o Google não é amigo de jornalistas que fazem merda. E os males do voyeurismo chegam a todos.
Podia terminar o post a dizer "que te sirva de lição". Mas, do que conheço do Correio da Manhã, a continuar com esta baixeza é muito provável que a Sofia Martins Santos chegue a editora. Tudo depende do quão baixo estiver disposta a descer.
Até que hoje o Correio da Manhã perdeu a cabeça e desceu tão baixo que, certamente, irá manter a sua posição de jornal mais lido deste país.
Era uma vez um grupo de Facebook "reservado" a jornalistas. Debatem-se casos de bom e mau jornalismo, comenta-se, sobretudo, quem é o culpado da crise dos media e de como os jornalistas sem carteira profissional são como uma praga que rouba o lugar a jornalistas com carteira que estão no desemprego. Ou seja, é um grupo com mais de 5000 membros que tinha tudo para dar certo, mas perde-se em "picuinhices".
Na segunda-feira, Fernanda Câncio colocou uma foto de Judite de Sousa em biquini para criticar uma tabuleta de uma concessionária que se via ao fundo. 640 comentários depois, já tudo tinha sido debatido, desde as peles de Judite, à sua fraca noção de separação entre jornalismo, protagonismo e publicidade.
Hoje, quem passar por uma banca de jornais e olhar para a capa (a capa!) do Correio da Manhã pode ver a chamada: "'Ex' de José Sócrates contra Judite de Sousa". Mais: diz o jornal que este é um "Exclusivo" do Correio da Manhã. Um post num grupo com 5000 jornalistas chegou a capa de jornal e ainda se declara um exclusivo, coisa que, no termo jornalístico da coisa, é ridículo. Resta ao Correio da Manhã a garantia de que é um exclusivo porque nenhum jornalista com cérebro iria sequer considerar pegar nisto.
A "jornalista" Sofia Martins Santos pegou. Houve um editor no Correio da Manhã que achou que sim senhora, que aquilo era matéria para capa. Sobretudo se reduzir o nome da jornalista Fernanda Câncio a 'Ex' de Sócrates.
Sofia Martins Santos, o Google não é amigo de jornalistas que fazem merda. E os males do voyeurismo chegam a todos.
Podia terminar o post a dizer "que te sirva de lição". Mas, do que conheço do Correio da Manhã, a continuar com esta baixeza é muito provável que a Sofia Martins Santos chegue a editora. Tudo depende do quão baixo estiver disposta a descer.
26 julho, 2013
O masoquista
O governo continua a cortar as "gorduras do Estado" como se não houvesse amanhã e já anunciou a contratação de mais uma catrefada de secretários de Estado. Tudo gente muito capaz, claro, com um currículo cheio de máquina partidária, para fazer o país andar para a frente, até cair de vez no abismo.
Um deles chama-se Bruno Maçães. É o novo secretário de Estado dos Assuntos Europeus e já deu várias provas de ser um masoquista que adora dar cambalhotas de amor com a austeridade.
"Dificuldades e desconfiança dos mercados têm um efeito disciplinador", dizia Bruno Maçães a 4 de Abril.
Sendo secretário de Estado dos Assuntos Europeus, é a escolha ideal para dar muita graxa quando tiver de ir a Bruxelas e assim. Mais tarde, quando a União Europeia perceber de uma vez por todas que isto da austeridade não é o caminho e mudar o seu discurso, o Bruno terá a maçada de ser despedido ou de reaprender um novo discurso, virado para o crescimento e para o investimento.
Mas é na boa. Brinquem à vontade. Afinal, a única coisa que têm nas vossas mãos é o futuro de um país e de toda a sua população. Aquela que fica aqui a pagar a conta uma vida inteira, enquanto os senhores são promovidos para empresas e reformas douradas.
Um deles chama-se Bruno Maçães. É o novo secretário de Estado dos Assuntos Europeus e já deu várias provas de ser um masoquista que adora dar cambalhotas de amor com a austeridade.
"Dificuldades e desconfiança dos mercados têm um efeito disciplinador", dizia Bruno Maçães a 4 de Abril.
Sendo secretário de Estado dos Assuntos Europeus, é a escolha ideal para dar muita graxa quando tiver de ir a Bruxelas e assim. Mais tarde, quando a União Europeia perceber de uma vez por todas que isto da austeridade não é o caminho e mudar o seu discurso, o Bruno terá a maçada de ser despedido ou de reaprender um novo discurso, virado para o crescimento e para o investimento.
Mas é na boa. Brinquem à vontade. Afinal, a única coisa que têm nas vossas mãos é o futuro de um país e de toda a sua população. Aquela que fica aqui a pagar a conta uma vida inteira, enquanto os senhores são promovidos para empresas e reformas douradas.
03 julho, 2013
3 de Julho de 2013
Novo capítulo da série infantil "Vamos brincar aos países".
- E ao 3º dia, Pedro Lomba descansou.
De acordo com a Agência Lusa, os briefings diários do governo com jornalistas foram suspensos até à existência de uma clarificação da situação política, anunciou o executivo, em comunicado.
Um dos objectivos destes briefings, que começaram esta segunda-feira, era que os jornalistas passassem a ter acesso a "informação correta e explicada" e combater um "sentimento anti-política", explicou o secretário de Estado Pedro Lomba. "A bem do país, é nossa obrigação ajudar os nossos cidadãos a perceber e a desmistificar essas duas linhas de discurso".
Claramente, com a demissão de dois ministros e a promoção de uma coisa chamada Maria Luís Albuquerque a ministra das Finanças, todos aqueles objectivos que levaram à criação dos briefings deixaram de fazer sentido na cabeça do governo. Ou talvez tenham suspenso os encontros para não dar mais azar. 2 briefings = 2 ministros que se demitiram. Coincidência? Se calhar o governo acha que não e hoje vai usar aquele tempo para ir à bruxa.
- Marido de Maria Luís Albuquerque contratado pela EDP
O ex-jornalista António Albuquerque, dispensado do Diário Económico há cerca de dois meses, acaba de assumir funções de consultor na empresa que a mulher privatizou. Ainda dizem que os jornalistas têm dificuldade em encontrar emprego! Quando se é mesmo bom o trabalho aparece, como saberá qualquer empreendedor que conheça a cartilha de Miguel Gonçalves. E António Albuquerque é excepcional, pois conta no currículo com um casamento com Maria Luís Albuquerque. Ainda agora foi promovida a ministra e já está a lutar contra o desemprego. Que casal impressionante, é disto que o país precisa para dar o passo em frente em direcção ao precipício.
São agora 10h49. O texto estará em actualização até ao final do dia, pois a autora tem fé (nos mercados) e acredita que o país tem potencial para mais 3 ou 4 escândalos até à meia-noite de hoje.
- E ao 3º dia, Pedro Lomba descansou.
De acordo com a Agência Lusa, os briefings diários do governo com jornalistas foram suspensos até à existência de uma clarificação da situação política, anunciou o executivo, em comunicado.
Um dos objectivos destes briefings, que começaram esta segunda-feira, era que os jornalistas passassem a ter acesso a "informação correta e explicada" e combater um "sentimento anti-política", explicou o secretário de Estado Pedro Lomba. "A bem do país, é nossa obrigação ajudar os nossos cidadãos a perceber e a desmistificar essas duas linhas de discurso".
Claramente, com a demissão de dois ministros e a promoção de uma coisa chamada Maria Luís Albuquerque a ministra das Finanças, todos aqueles objectivos que levaram à criação dos briefings deixaram de fazer sentido na cabeça do governo. Ou talvez tenham suspenso os encontros para não dar mais azar. 2 briefings = 2 ministros que se demitiram. Coincidência? Se calhar o governo acha que não e hoje vai usar aquele tempo para ir à bruxa.
- Marido de Maria Luís Albuquerque contratado pela EDP
O ex-jornalista António Albuquerque, dispensado do Diário Económico há cerca de dois meses, acaba de assumir funções de consultor na empresa que a mulher privatizou. Ainda dizem que os jornalistas têm dificuldade em encontrar emprego! Quando se é mesmo bom o trabalho aparece, como saberá qualquer empreendedor que conheça a cartilha de Miguel Gonçalves. E António Albuquerque é excepcional, pois conta no currículo com um casamento com Maria Luís Albuquerque. Ainda agora foi promovida a ministra e já está a lutar contra o desemprego. Que casal impressionante, é disto que o país precisa para dar o passo em frente em direcção ao precipício.
São agora 10h49. O texto estará em actualização até ao final do dia, pois a autora tem fé (nos mercados) e acredita que o país tem potencial para mais 3 ou 4 escândalos até à meia-noite de hoje.
02 julho, 2013
Batalha Naval
O Paulo Portas não dá lá muita sorte aos governos pois não?
Mas o que eu vinha cá dizer era que isto está tão mau, mas tão mau, mas tão mau, que nem com a demissão de bestas como o Relvas, Gaspar ou Paulo Portas uma pessoa se sente mais confortável a viver em Portugal.
Logo para começar, sabemos que vamos continuar na merda. Sabemos que os mercados nos vão penalizar, ai, ui, os mercados vão ficar nervosos, vamos pagar mais juros, vamos precisar de um novo resgate, possivelmente vamos a eleições para meter no governo mais uma cambada de bestas intelectualmente limitadas, cobardes e dispostas a perpetuar os seus interesses pessoais e partidários.
Espero que saibas onde te estás a meter, Croácia.
Mas o que eu vinha cá dizer era que isto está tão mau, mas tão mau, mas tão mau, que nem com a demissão de bestas como o Relvas, Gaspar ou Paulo Portas uma pessoa se sente mais confortável a viver em Portugal.
Logo para começar, sabemos que vamos continuar na merda. Sabemos que os mercados nos vão penalizar, ai, ui, os mercados vão ficar nervosos, vamos pagar mais juros, vamos precisar de um novo resgate, possivelmente vamos a eleições para meter no governo mais uma cambada de bestas intelectualmente limitadas, cobardes e dispostas a perpetuar os seus interesses pessoais e partidários.
Espero que saibas onde te estás a meter, Croácia.
João Abreu Miranda / LUSA
07 abril, 2013
O sumo do discurso de Passos Coelho:
O sumo do discurso de Passos Coelho:
-Estávamos a ir super bem, tínhamos credibilidade e juras de amor dos mercados, o governo estava a fazer um trabalho notável mas ninguém dá ouvidos à Manuela Ferreira Leite e suspende a democracia, a bem da Nação.
-Como o Tribunal não nos deixa continuar o nosso notável trabalho, porque interpretaram as leis à maneira deles, claro que a partir de agora os portugueses vão todos levar na tromba. O país vai sofrer represálias dos mercados, a TROIKA vai ter um ataque de caspa. Podemos ter de pedir um 2º resgate só porque o Tribunal chumbou 1300 milhões. Lembrem-se que a culpa é toda do Tribunal, estava tudo a correr bem, mas aqueles 1300 milhões de euros deitaram 2 anos de trabalho a perder. A culpa não é nossa, nós não somos uma cambada de atrasados mentais incompetentes, não! A culpa é do Tribunal.
-Entre os mercados e a Constituição, Portugal precisa escolher os mercados. O cumprir das leis é para maricas.
-Apesar desta traição do Tribunal Constitucional, não temeis!! O governo não vai aumentar os impostos, há limites para o esforço dos portugueses, por isso o governo vai é cortar (ainda mais) na despesa. Se tiverem de ir ao hospital preparem-se para pagar forte e feio. Bolsas? LOL. Mas não se preocupem, os portugueses não vão pagar mais impostos. Isso é que não. Ai de quem se atrever a ir ao bolso dos portugueses, como queriam os chulos dos membros do Tribunal.
-Eu, Passos Coelho, devia emigrar para a Libéria e nunca mais voltar. O Gaspar devia ir dar aulas para a cadeira de Introdução ao Pensamento Contemporâneo da Lusófona.
Ok, este último ponto fui eu que acrescentei, mas o resto é tudo verdade, embora tenha sido dito com palavras mais caras.
-Estávamos a ir super bem, tínhamos credibilidade e juras de amor dos mercados, o governo estava a fazer um trabalho notável mas ninguém dá ouvidos à Manuela Ferreira Leite e suspende a democracia, a bem da Nação.
-Como o Tribunal não nos deixa continuar o nosso notável trabalho, porque interpretaram as leis à maneira deles, claro que a partir de agora os portugueses vão todos levar na tromba. O país vai sofrer represálias dos mercados, a TROIKA vai ter um ataque de caspa. Podemos ter de pedir um 2º resgate só porque o Tribunal chumbou 1300 milhões. Lembrem-se que a culpa é toda do Tribunal, estava tudo a correr bem, mas aqueles 1300 milhões de euros deitaram 2 anos de trabalho a perder. A culpa não é nossa, nós não somos uma cambada de atrasados mentais incompetentes, não! A culpa é do Tribunal.
-Entre os mercados e a Constituição, Portugal precisa escolher os mercados. O cumprir das leis é para maricas.
-Apesar desta traição do Tribunal Constitucional, não temeis!! O governo não vai aumentar os impostos, há limites para o esforço dos portugueses, por isso o governo vai é cortar (ainda mais) na despesa. Se tiverem de ir ao hospital preparem-se para pagar forte e feio. Bolsas? LOL. Mas não se preocupem, os portugueses não vão pagar mais impostos. Isso é que não. Ai de quem se atrever a ir ao bolso dos portugueses, como queriam os chulos dos membros do Tribunal.
-Eu, Passos Coelho, devia emigrar para a Libéria e nunca mais voltar. O Gaspar devia ir dar aulas para a cadeira de Introdução ao Pensamento Contemporâneo da Lusófona.
Ok, este último ponto fui eu que acrescentei, mas o resto é tudo verdade, embora tenha sido dito com palavras mais caras.
08 março, 2013
Como ser um político popular em Portugal
António José Seguro é o político mais popular em Portugal, segundo os dados da Sondagem Expresso/SIC relativa ao mês de março.
Os números do desemprego cada vez aumentam mais e para cada emprego há um exército de reserva pronto a aceitar as condições miseráveis que cada vez mais se oferecem, graças à lei da oferta e da procura que dita a sobrevivência humana no século XXI.
Os números do desemprego cada vez aumentam mais e para cada emprego há um exército de reserva pronto a aceitar as condições miseráveis que cada vez mais se oferecem, graças à lei da oferta e da procura que dita a sobrevivência humana no século XXI.
Curiosamente, o lugar de primeiro-ministro - que em breve ficará vago - parece exigir muito pouco de qualquer candidato.
Após uma exaustiva pesquisa, reuni todos os requisitos necessários para se ser eleito político mais popular em Portugal e, consequentemente, aguardar que o cargo de primeiro-ministro caia no colo:
1- Ser líder do maior partido da oposição quando o governo em exercício é medíocre ou já lá está há dois mandatos.
2- estar vivo.
01 março, 2013
Causas de um Portugal em crise
Dois homens conhecidos pelas análises que fazem à crise, duas visões antagónicas, duas cabeças com capacidades cognitivas muito diferentes.
Camilo Lourenço, o comentador omnipresente, defende, entre outras pérolas, que os licenciados em história e os professores não servem para nada se não podem ser aproveitados para a economia. "Que avisa que "se houver eleições, emigro", Que defende que a Troika devia continuar em Portugal e incentiva Merkel: "Dá-lhes Angela, dá-lhes. Com força!!!". Que defende que os zés ninguéns desta vida, como eu, andaram a "viver acima das suas possibilidades" e que naturalmente merecem tudo o que está a acontecer.
Do outro lado temos Pedro Santos Guerreiro, director do Jornal de Negócios, capaz de análises aprofundadas e que acaba de partilhar a visão de um professor de História da Universidade de Columbia, mostrando que a história é do mais importante que podemos ter na sociedade.
"Those preaching austerity probably do not see themselves as contributing to a crisis of democracy, but they are. The Italian elections should remind Eurozone leaders to pay attention to their voters. Economic fixes have failed to staunch a political crisis that has the capacity to harm not only EU integration, but the legitimacy of the continent’s democratic order itself."
Mark Mazower, in Financial Times,1 de Março de 2013.
Ora... Pedro Santos Guerreiro tem 4727 seguidores no Facebook. Camilo Lourenço tem 58 886 e um livro no top dos mais vendidos em Portugal.
Sinceramente: não havemos de estar na merda enquanto país?!
Camilo Lourenço, o comentador omnipresente, defende, entre outras pérolas, que os licenciados em história e os professores não servem para nada se não podem ser aproveitados para a economia. "Que avisa que "se houver eleições, emigro", Que defende que a Troika devia continuar em Portugal e incentiva Merkel: "Dá-lhes Angela, dá-lhes. Com força!!!". Que defende que os zés ninguéns desta vida, como eu, andaram a "viver acima das suas possibilidades" e que naturalmente merecem tudo o que está a acontecer.
Do outro lado temos Pedro Santos Guerreiro, director do Jornal de Negócios, capaz de análises aprofundadas e que acaba de partilhar a visão de um professor de História da Universidade de Columbia, mostrando que a história é do mais importante que podemos ter na sociedade.
"Those preaching austerity probably do not see themselves as contributing to a crisis of democracy, but they are. The Italian elections should remind Eurozone leaders to pay attention to their voters. Economic fixes have failed to staunch a political crisis that has the capacity to harm not only EU integration, but the legitimacy of the continent’s democratic order itself."
Mark Mazower, in Financial Times,1 de Março de 2013.
Ora... Pedro Santos Guerreiro tem 4727 seguidores no Facebook. Camilo Lourenço tem 58 886 e um livro no top dos mais vendidos em Portugal.
Sinceramente: não havemos de estar na merda enquanto país?!
21 fevereiro, 2013
15 fevereiro, 2013
15 de Fevereiro de 2013
Um dia como os outros em Portugal.
Nas redes sociais vive-se a revolta virtual. Recordam-se as declarações do gabinete de Passos Coelho em Agosto.
"O Diário de Notícias cometeu a ousadia de perguntar ao gabinete de Pedro Passos Coelho se o senhor primeiro-ministro se dera ao cuidado de pedir factura do aluguer da sua casa no Algarve. Visto que o aluguer sazonal de habitações de Verão é uma das formas habituais de fuga ao fisco, o DN achou a pergunta pertinente. Mas Pedro Passos Coelho considerou-a uma evidente violação do “foro privado”, porque “não estão em causa dinheiros públicos”.
Da próxima vez que um inspector das finanças lhe perguntar se negociou as obras de casa ou o arranjo do carro sem factura e sem IVA, já sabe o que deve responder."
Partilha-se até à exaustão, na semana em que o governo decidiu que os consumidores que não pedirem uma factura num café podem ser multados, e já pôs fiscais a correr pela caça à multa.
Por seu lado, a RTP foi para o Parlamento perguntar aos deputados que fazem as leis se pediram factura lá no bar. O bar onde um café custa 35 cêntimos e tudo é baratíssimo. Honório Novo, do PCP, achou que a melhor resposta a dar ao jornalista era isto:
"Ouça, eu suponho que o senhor não tem nenhuma ligação à administração tributária, senão pedia-lhe identificação da administração tributária. Como não me mostra, não vou responder à sua pergunta".
Alguém que apresente o jornalismo ao senhor deputado Honório Novo, por favor.
Igualmente questionado, o deputado Manuel Pizarro nem sequer sabe se é possível pedir factura no bar da Assembleia. Porque é que seria possível pedir factura no bar do parlamento, se os deputados vivem protegidos da realidade por uma espécie de bolha Actimel? O senhor deputado nem sequer sabe se a lei já está em vigor. É normal. Afinal, ele apenas é pago para estar no parlamento e acompanhar a elaboração de leis e actualidade do país que lhe paga o salário. Como é que ele podia saber se a lei já foi aprovada ou não?
Na área da cultura, destaque para o fotógrafo português Daniel Rodrigues, que acaba de vencer o prestigiado concurso World Press Photo, na categoria "Daily Life". Está desempregado e foi obrigado a vender o seu material fotográfico para sobreviver.
E assim foi mais um dia no Portugal de 2013. Amanhã há mais.
Nas redes sociais vive-se a revolta virtual. Recordam-se as declarações do gabinete de Passos Coelho em Agosto.
"O Diário de Notícias cometeu a ousadia de perguntar ao gabinete de Pedro Passos Coelho se o senhor primeiro-ministro se dera ao cuidado de pedir factura do aluguer da sua casa no Algarve. Visto que o aluguer sazonal de habitações de Verão é uma das formas habituais de fuga ao fisco, o DN achou a pergunta pertinente. Mas Pedro Passos Coelho considerou-a uma evidente violação do “foro privado”, porque “não estão em causa dinheiros públicos”.
Da próxima vez que um inspector das finanças lhe perguntar se negociou as obras de casa ou o arranjo do carro sem factura e sem IVA, já sabe o que deve responder."
Partilha-se até à exaustão, na semana em que o governo decidiu que os consumidores que não pedirem uma factura num café podem ser multados, e já pôs fiscais a correr pela caça à multa.
Por seu lado, a RTP foi para o Parlamento perguntar aos deputados que fazem as leis se pediram factura lá no bar. O bar onde um café custa 35 cêntimos e tudo é baratíssimo. Honório Novo, do PCP, achou que a melhor resposta a dar ao jornalista era isto:
"Ouça, eu suponho que o senhor não tem nenhuma ligação à administração tributária, senão pedia-lhe identificação da administração tributária. Como não me mostra, não vou responder à sua pergunta".
Alguém que apresente o jornalismo ao senhor deputado Honório Novo, por favor.
Igualmente questionado, o deputado Manuel Pizarro nem sequer sabe se é possível pedir factura no bar da Assembleia. Porque é que seria possível pedir factura no bar do parlamento, se os deputados vivem protegidos da realidade por uma espécie de bolha Actimel? O senhor deputado nem sequer sabe se a lei já está em vigor. É normal. Afinal, ele apenas é pago para estar no parlamento e acompanhar a elaboração de leis e actualidade do país que lhe paga o salário. Como é que ele podia saber se a lei já foi aprovada ou não?
Na área da cultura, destaque para o fotógrafo português Daniel Rodrigues, que acaba de vencer o prestigiado concurso World Press Photo, na categoria "Daily Life". Está desempregado e foi obrigado a vender o seu material fotográfico para sobreviver.
E assim foi mais um dia no Portugal de 2013. Amanhã há mais.
09 fevereiro, 2013
A reforma do Estado
Depois de ver o último episódio da Grande (enorme!) reportagem da SIC sobre o BPN, da autoria do jornalista Pedro Coelho, fico a digerir a revolta.
A TV fica ligada. Segue-se um anúncio do Banco BIC (o tal banco angolano que comprou a parte porreira do BPN a preço de saldo e deixou o lixo para eu pagar), com o seguinte slogan: "Crescemos juntos". Não, não crescemos. Pagámos juntos, apenas isso. Eu paguei o BPN, vocês compraram-no pronto a gerar lucro, vocês crescem e eu, como os restantes contribuintes, afundamo-nos numa dívida que não geramos.
E fico a digerir a revolta.
Começa o notíciário da SIC Notícias. A primeira peça é sobre o corte (mais um corte) de 4 mil milhões de euros que precisamos fazer no Estado para "dividir o rácio da dívida pública". Prosseguem os cortes da educação, na saúde, nos nossos direitos, e mesmo assim a totalidade desses cortes não chega ao valor do buraco deixado pelo BPN. Ainda tenho de ouvir o Carlos Moedas dizer que temos de trabalhar para conseguirmos "preparar para a 7ª avaliação um número de medidas e opções para poupar, para sermos mais eficientes".
Sermos mais eficientes. Temos de ser mais eficientes, eu e os contribuintes. Temos de aguentar. Se os sem-abrigo aguentam, porque não nós?
E fico a digerir a revolta.
Sem dúvida que o Estado precisa de uma reforma. Precisa de gente melhor no governo. Precisa de gente com carácter. Precisa de uma melhor justiça a defendê-lo. É essa a "Reforma do Estado" que deveria ser debatida no próximo Conselho de Estado. Mas por gente de tão baixa laia, sabemos que isso não irá acontecer.
E nós deixamos. Sem revolta. Até quando?
A TV fica ligada. Segue-se um anúncio do Banco BIC (o tal banco angolano que comprou a parte porreira do BPN a preço de saldo e deixou o lixo para eu pagar), com o seguinte slogan: "Crescemos juntos". Não, não crescemos. Pagámos juntos, apenas isso. Eu paguei o BPN, vocês compraram-no pronto a gerar lucro, vocês crescem e eu, como os restantes contribuintes, afundamo-nos numa dívida que não geramos.
E fico a digerir a revolta.
Começa o notíciário da SIC Notícias. A primeira peça é sobre o corte (mais um corte) de 4 mil milhões de euros que precisamos fazer no Estado para "dividir o rácio da dívida pública". Prosseguem os cortes da educação, na saúde, nos nossos direitos, e mesmo assim a totalidade desses cortes não chega ao valor do buraco deixado pelo BPN. Ainda tenho de ouvir o Carlos Moedas dizer que temos de trabalhar para conseguirmos "preparar para a 7ª avaliação um número de medidas e opções para poupar, para sermos mais eficientes".
Sermos mais eficientes. Temos de ser mais eficientes, eu e os contribuintes. Temos de aguentar. Se os sem-abrigo aguentam, porque não nós?
E fico a digerir a revolta.
Sem dúvida que o Estado precisa de uma reforma. Precisa de gente melhor no governo. Precisa de gente com carácter. Precisa de uma melhor justiça a defendê-lo. É essa a "Reforma do Estado" que deveria ser debatida no próximo Conselho de Estado. Mas por gente de tão baixa laia, sabemos que isso não irá acontecer.
E nós deixamos. Sem revolta. Até quando?
28 janeiro, 2013
Por falar em aproveitamento
No seguimento do post anterior, eis mais um exemplo de, como dizer isto de forma politicamente correcta... merda política.
Avelino Ferreira Torres está de volta! Desta vez ao serviço do CDS, que considera que este é um candidato sério, honesto, que merece representar o partido democrata-cristão.
Más notícias: a população de Marco de Canaveses pode voltar a ter um corrupto bronco como presidente.
Boas notícias: os restantes portugueses podem rejubilar com a possibilidade de voltar a ver cartazes geniais como este:
Avelino Ferreira Torres está de volta! Desta vez ao serviço do CDS, que considera que este é um candidato sério, honesto, que merece representar o partido democrata-cristão.
Más notícias: a população de Marco de Canaveses pode voltar a ter um corrupto bronco como presidente.
Boas notícias: os restantes portugueses podem rejubilar com a possibilidade de voltar a ver cartazes geniais como este:
E aos adultos que não têm aproveitamento, que fazer?
Como é que chegámos a um ponto em que as pessoas que têm na mão (ou desejam ter) o poder e a responsabilidade de decidir os destinos de milhares de portugueses são do mais medíocre que Portugal tem?
Não deveria ser um cargo reservado a quem fosse excepcional, em vários campos? Alguém que tivesse um percurso de vida exemplar, pautado pela honestidade, perseverança, altruísmo, forte sentido de cidadania e conhecimento da realidade em que a maioria da população - seja do país ou da freguesia que se quer governar - vive?
Como é que chegámos a um ponto em que o único currículo que os nossos governantes - e aspirantes - têm é no cargo militante na empresa partido X?
E se temos um amontoado de gente incapaz a candidatar-se para um cargo, porque temos de escolher entre um deles na mesma?
É isto a democracia?
Este blogue começou para que eu pudesse comentar (reclamar é a palavra mais correcta) vários assuntos do dia. Estive muito activa no tempo de Sócrates. Curiosamente, abrandei muito desde que temos como primeiro-ministro um idiota chamado Passos Coelho e um governo chamado Mercados. Porquê? Porque tenho mais que fazer da vida, e a quantidade de notícias que me revoltam é tão grande que eu podia estar a escrever 24 horas aqui que se calhar não eram as suficientes. Existe um Relvas no governo - pelamordedeus! - isto diz tudo.
Olhamos para a realidade e gostariamos que fosse só um pesadelo. Gostaríamos que BPNs, Submarinos, aumentos inúteis de impostos, Dias Loureiros, Relvas e Sofias Galvões não existissem de verdade.
Mas infelizmente são. Como resolver isto em democracia? Seria bom confiar na justiça. Seria bom também que o maior partido da oposição não fosse feito praticamente da mesma raiz podre, a do partidarismo e da estupidez.
Serve tudo isto para falar de António Parada, candidato do PS à Câmara de Matosinhos. O senhor parada foi apanhado por um vídeo amador a falar sobre as suas convicções. Uma delas é a de que a escolaridade até aos 18 anos deveria acabar. A outra é isto:
"eu acho que os jovens devem ser apoiados pelo Estado, pelo Estado de Direito, apoiar aqueles que tem aproveitamento, aqueles que nao têm a partir dos 14 anos devem ter a liberdade de ir trabalhar".
Acho que sim. Que o que falta em Portugal, neste momento, é mão-de-obra. É uma medida óbvia, a julgar pela ovação monumental que se segue às declarações deste licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais pela universidade privada Fernando Pessoa (curso com nota mínima de entrada de 9,5 e, apesar de ter apenas 25 vagas, o último candidado entrou com média de 11,6... Lá se vai o aproveitamento).
Anos de luta pela evolução, e aqueles que mais beneficiaram dessa mesma evolução são os primeiros a cagar nela e a mandarem verborreia com orgulho. Sem um mínimo de noção.
E a estes adultos sem aparente aproveitamento, o que se faz? Manda-se de volta para a escola?
O vídeo pode ser visto (e chorado) aqui: https://www.facebook.com/photo.php?v=515555791801246
Não deveria ser um cargo reservado a quem fosse excepcional, em vários campos? Alguém que tivesse um percurso de vida exemplar, pautado pela honestidade, perseverança, altruísmo, forte sentido de cidadania e conhecimento da realidade em que a maioria da população - seja do país ou da freguesia que se quer governar - vive?
Como é que chegámos a um ponto em que o único currículo que os nossos governantes - e aspirantes - têm é no cargo militante na empresa partido X?
E se temos um amontoado de gente incapaz a candidatar-se para um cargo, porque temos de escolher entre um deles na mesma?
É isto a democracia?
Este blogue começou para que eu pudesse comentar (reclamar é a palavra mais correcta) vários assuntos do dia. Estive muito activa no tempo de Sócrates. Curiosamente, abrandei muito desde que temos como primeiro-ministro um idiota chamado Passos Coelho e um governo chamado Mercados. Porquê? Porque tenho mais que fazer da vida, e a quantidade de notícias que me revoltam é tão grande que eu podia estar a escrever 24 horas aqui que se calhar não eram as suficientes. Existe um Relvas no governo - pelamordedeus! - isto diz tudo.
Olhamos para a realidade e gostariamos que fosse só um pesadelo. Gostaríamos que BPNs, Submarinos, aumentos inúteis de impostos, Dias Loureiros, Relvas e Sofias Galvões não existissem de verdade.
Mas infelizmente são. Como resolver isto em democracia? Seria bom confiar na justiça. Seria bom também que o maior partido da oposição não fosse feito praticamente da mesma raiz podre, a do partidarismo e da estupidez.
Serve tudo isto para falar de António Parada, candidato do PS à Câmara de Matosinhos. O senhor parada foi apanhado por um vídeo amador a falar sobre as suas convicções. Uma delas é a de que a escolaridade até aos 18 anos deveria acabar. A outra é isto:
"eu acho que os jovens devem ser apoiados pelo Estado, pelo Estado de Direito, apoiar aqueles que tem aproveitamento, aqueles que nao têm a partir dos 14 anos devem ter a liberdade de ir trabalhar".
Acho que sim. Que o que falta em Portugal, neste momento, é mão-de-obra. É uma medida óbvia, a julgar pela ovação monumental que se segue às declarações deste licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais pela universidade privada Fernando Pessoa (curso com nota mínima de entrada de 9,5 e, apesar de ter apenas 25 vagas, o último candidado entrou com média de 11,6... Lá se vai o aproveitamento).
Anos de luta pela evolução, e aqueles que mais beneficiaram dessa mesma evolução são os primeiros a cagar nela e a mandarem verborreia com orgulho. Sem um mínimo de noção.
E a estes adultos sem aparente aproveitamento, o que se faz? Manda-se de volta para a escola?
O vídeo pode ser visto (e chorado) aqui: https://www.facebook.com/photo.php?v=515555791801246
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09 janeiro, 2013
Fundo Maníaco Irracional
Em português do Porto, o FMI está tolo não está?
Tenho andado muito caladinha. O Relvas faz das suas e eu caladinha. O Passos e o Cavaco falam no Natal e eu caladinha. A minha empresa ainda não sabe como me vai pagar em Janeiro - o mês em que estamos - por causa do estúpido do governo e dos seus duodécimos - e eu caladinha.
Mas hoje o FMI entregou um documento, feito em colaboração com dez ministros e cinco secretários de Estado, que nos mostra a nós, pobres gastadores irresponsáveis, como podemos poupar 4000 milhões de euros.
E então de que modo é que o tuga prevaricou, merecendo agora lições de gestão de fora? Contratou professores para ensinarem em escolas públicas. Toca a cortar. Até porque já não vão ser necessários, uma vez que o FMI também nos informa que "o Estado consegue poupar cerca de 400 euros por aluno numa escola privada com contrato de associação". Adorava conhecer estes cálculos, a sério. Que pena que nunca saem cá para fora.
As taxas moderadoras também têm que subir, porque andamos a matar-nos com tabaco e açúcar só para afundar o sistema nacional de saúde. Talvez agora que o ministro alertou para este facto as pessoas comecem a olhar mais por si (não porque querem viver mais, mas porque querem que o SNS viva mais, que o altruísmo é coisa que pulula na sociedade actual).
E as propinas? Têm de subir, obviamente. Chega de ensino gratuito que custa mais de 1000€ por ano só em propinas (fora transportes, alimentação, residência e material escolar como livros e fotocópias)! Mas faz sentido que suba. Para que é que o Estado há-de ajudar a financiar licenciados que depois são aproveitados por outros países? Se calhar, em vez de pedirmos aos estudantes que paguem mais - impossibilitando muitos de entrarem na universidade - porque não se pede uma contribuição à Alemanha, Bélgica, Reino Unido, Brasil, Angola?...
O subsídio de desemprego, claro, "continua demasiado longo e elevado”. Num país com 16% de desemprego e onde arranjar novo emprego pode demorar bastante tempo, o subsídio para o qual o trabalhador descontou dura demasiado tempo. Eu, por exemplo, teria direito a 9 meses de subsídio. Pessoas com mais de 40 anos têm direito a pelo menos 1 ano e depois dos 45 já se consegue pelos menos 2 anos até um máximo de 3 anos e tal. Mas para se conseguir 720 dias de subsídio de desemprego é preciso que a pessoa tenha trabalhado pelo menos 72 meses. São mais de 150.000 dias. Parece-me extremamente injusto. Decerto que são todos uns mandriões a chular o Estado.
Pronto, posso concordar neste ponto: "A progressividade dos salários do Estado deve passar a ser feita em função do desempenho e não da antiguidade, como forma de “atrair profissionais mais motivados e qualificados". Uma lapalissada. Escusávamos de ter que ouvir uma coisa tão óbvia, que já devia estar mais do que implementada. Mas atrair profissionais para onde, se caminhamos para a destruição da coisa pública? Vai sobrar o quê?!
Coisas que não vêm no documento que nos ensina a poupar: evitar injectar dinheiros públicos em bancos como o BPN ou o BANIF. Por exemplo. Mas é natural. Trata-se de prioridades. E entre a sobrevivência das pessoas e a dos bancos, a escolha tem sido sempre a que sabemos.
Tenho andado muito caladinha. O Relvas faz das suas e eu caladinha. O Passos e o Cavaco falam no Natal e eu caladinha. A minha empresa ainda não sabe como me vai pagar em Janeiro - o mês em que estamos - por causa do estúpido do governo e dos seus duodécimos - e eu caladinha.
Mas hoje o FMI entregou um documento, feito em colaboração com dez ministros e cinco secretários de Estado, que nos mostra a nós, pobres gastadores irresponsáveis, como podemos poupar 4000 milhões de euros.
E então de que modo é que o tuga prevaricou, merecendo agora lições de gestão de fora? Contratou professores para ensinarem em escolas públicas. Toca a cortar. Até porque já não vão ser necessários, uma vez que o FMI também nos informa que "o Estado consegue poupar cerca de 400 euros por aluno numa escola privada com contrato de associação". Adorava conhecer estes cálculos, a sério. Que pena que nunca saem cá para fora.
As taxas moderadoras também têm que subir, porque andamos a matar-nos com tabaco e açúcar só para afundar o sistema nacional de saúde. Talvez agora que o ministro alertou para este facto as pessoas comecem a olhar mais por si (não porque querem viver mais, mas porque querem que o SNS viva mais, que o altruísmo é coisa que pulula na sociedade actual).
E as propinas? Têm de subir, obviamente. Chega de ensino gratuito que custa mais de 1000€ por ano só em propinas (fora transportes, alimentação, residência e material escolar como livros e fotocópias)! Mas faz sentido que suba. Para que é que o Estado há-de ajudar a financiar licenciados que depois são aproveitados por outros países? Se calhar, em vez de pedirmos aos estudantes que paguem mais - impossibilitando muitos de entrarem na universidade - porque não se pede uma contribuição à Alemanha, Bélgica, Reino Unido, Brasil, Angola?...
O subsídio de desemprego, claro, "continua demasiado longo e elevado”. Num país com 16% de desemprego e onde arranjar novo emprego pode demorar bastante tempo, o subsídio para o qual o trabalhador descontou dura demasiado tempo. Eu, por exemplo, teria direito a 9 meses de subsídio. Pessoas com mais de 40 anos têm direito a pelo menos 1 ano e depois dos 45 já se consegue pelos menos 2 anos até um máximo de 3 anos e tal. Mas para se conseguir 720 dias de subsídio de desemprego é preciso que a pessoa tenha trabalhado pelo menos 72 meses. São mais de 150.000 dias. Parece-me extremamente injusto. Decerto que são todos uns mandriões a chular o Estado.
Condições para a atribuição do subsídio de desemprego
Pronto, posso concordar neste ponto: "A progressividade dos salários do Estado deve passar a ser feita em função do desempenho e não da antiguidade, como forma de “atrair profissionais mais motivados e qualificados". Uma lapalissada. Escusávamos de ter que ouvir uma coisa tão óbvia, que já devia estar mais do que implementada. Mas atrair profissionais para onde, se caminhamos para a destruição da coisa pública? Vai sobrar o quê?!
Coisas que não vêm no documento que nos ensina a poupar: evitar injectar dinheiros públicos em bancos como o BPN ou o BANIF. Por exemplo. Mas é natural. Trata-se de prioridades. E entre a sobrevivência das pessoas e a dos bancos, a escolha tem sido sempre a que sabemos.
17 dezembro, 2012
Os 3 estarolas
José Manuel Fernandes a adorar, no seu Facebook, um texto de Vasco Pulido Valente onde este defende, de forma básica e com argumentos de caca, uma xoné bafienta que debita clichés sobre empobrecimento, caridade e catolicismo. Poupam-me o trabalho de fazer um post individual a dizer que odeio estes três patetas.
30 outubro, 2012
O BPI aguenta-se com menos clientes? Ai aguenta, aguenta...
Olha-me que porra, um banqueiro a dizer-me que eu tenho de aguentar mais austeridade. Tenho? Porquê?
Será porque andei a lavar dinheiro no BPN? Porque arranjei tachos aos meus amigos todos? Porque desperdicei fundos europeus? Porque fui incompetente? Porque fiz contratos desvantajosos para o Estado para beneficiar uma empresa para onde um dia irei depois de deixar um cargo público? Porque me aproveitei de um cargo público onde deveria servir o país para me servir a mim mesma?
Se eu não fiz nada disto, mas há quem tenha feito e ainda continue em altos cargos, porque é que, enquanto pobre coitada que não tenho como fugir aos impostos, como uns e outros, tenho de aguentar mais seja o que for? Porque é que tenho de servir de cobaia de um modelo idiota que só tem falhado desde que começou a existir nos anos 80?
Mas porque é que estes porcos não ficam caladinhos e usufruem em silêncio da sua riqueza? Porque é que não têm sensibilidade para evitar dizer a quem já pouco tem que o país aguenta mais austeridade porque "tem de ser, não há alternativa?" Mas se não há alternativa para que é que existe democracia? Se o mundo tivesse dado ouvidos a estes porcos privilegiados que adoram dizer-nos que não há alternativa, ainda havia hoje escravatura, trabalho infantil, trabalhadores sem direitos e uma porrada de merdas que, certamente, não foram abolidas graças aos Fernandos Ulrich desta vida.
Já agora, eu também tenho bitaites para mandar ao mundo: Quem acha que já não aguenta mais austeridade, que tal tirar o dinheiro do BPI e colocá-lo noutro banco? Tenho a certeza que o BPI aguenta isto e muito mais.
Será porque andei a lavar dinheiro no BPN? Porque arranjei tachos aos meus amigos todos? Porque desperdicei fundos europeus? Porque fui incompetente? Porque fiz contratos desvantajosos para o Estado para beneficiar uma empresa para onde um dia irei depois de deixar um cargo público? Porque me aproveitei de um cargo público onde deveria servir o país para me servir a mim mesma?
Se eu não fiz nada disto, mas há quem tenha feito e ainda continue em altos cargos, porque é que, enquanto pobre coitada que não tenho como fugir aos impostos, como uns e outros, tenho de aguentar mais seja o que for? Porque é que tenho de servir de cobaia de um modelo idiota que só tem falhado desde que começou a existir nos anos 80?
Mas porque é que estes porcos não ficam caladinhos e usufruem em silêncio da sua riqueza? Porque é que não têm sensibilidade para evitar dizer a quem já pouco tem que o país aguenta mais austeridade porque "tem de ser, não há alternativa?" Mas se não há alternativa para que é que existe democracia? Se o mundo tivesse dado ouvidos a estes porcos privilegiados que adoram dizer-nos que não há alternativa, ainda havia hoje escravatura, trabalho infantil, trabalhadores sem direitos e uma porrada de merdas que, certamente, não foram abolidas graças aos Fernandos Ulrich desta vida.
Já agora, eu também tenho bitaites para mandar ao mundo: Quem acha que já não aguenta mais austeridade, que tal tirar o dinheiro do BPI e colocá-lo noutro banco? Tenho a certeza que o BPI aguenta isto e muito mais.
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19 outubro, 2012
É só oportunidades
Perdi a oportunidade de estar calada, mas vou já agarrar a oportunidade de escrever um texto piegas. Vamos lá então.
Estava aqui a produzir, a produzir muito, enquanto colaboradora da minha empresa, e estava a pensar que neste momento, quem não for médico estabelecido ou engenheiro (e mesmo assim...) não se pode dar ao luxo de ficar desagradado com alguma coisa no seu local de trabalho. Não há tempo para ficar frustrada com erros que nunca foram corrigidos. Quem vê o ordenado estagnado há anos pode muito bem engolir a desmotivação.
Neste momento, a sociedade tal como está só não é o sonho de qualquer político ou empresário porque o dinheiro falta a toda a gente - eles incluídos, apesar de privilegiados. Neste tempo idiota em que vivemos, quem não trabalha tem de ouvir da boca do próprio primeiro-ministro incompetente a quem pagamos o salário que o desemprego é uma oportunidade, e que temos de deixar de ser piegas. E quem trabalha sente que tem de ser um autómato, cuja única coisa que deve ter em mente é que há 50 pessoas para o seu lugar.
A única oportunidade de futuro parece ser a possibilidade de se ir para a rua. Passamos o dia a ouvir falar em produtividade, acompanhada da premissa de que quanto mais quer que trabalhem menos lhe querem pagar, ao mesmo tempo que todos os preços aumentam.
Não é maravilhoso viver neste Portugal de oportunidades? E podia continuar - tanto que havia por dizer! - mas tenho de ir bater punho.
Estava aqui a produzir, a produzir muito, enquanto colaboradora da minha empresa, e estava a pensar que neste momento, quem não for médico estabelecido ou engenheiro (e mesmo assim...) não se pode dar ao luxo de ficar desagradado com alguma coisa no seu local de trabalho. Não há tempo para ficar frustrada com erros que nunca foram corrigidos. Quem vê o ordenado estagnado há anos pode muito bem engolir a desmotivação.
Neste momento, a sociedade tal como está só não é o sonho de qualquer político ou empresário porque o dinheiro falta a toda a gente - eles incluídos, apesar de privilegiados. Neste tempo idiota em que vivemos, quem não trabalha tem de ouvir da boca do próprio primeiro-ministro incompetente a quem pagamos o salário que o desemprego é uma oportunidade, e que temos de deixar de ser piegas. E quem trabalha sente que tem de ser um autómato, cuja única coisa que deve ter em mente é que há 50 pessoas para o seu lugar.
A única oportunidade de futuro parece ser a possibilidade de se ir para a rua. Passamos o dia a ouvir falar em produtividade, acompanhada da premissa de que quanto mais quer que trabalhem menos lhe querem pagar, ao mesmo tempo que todos os preços aumentam.
Não é maravilhoso viver neste Portugal de oportunidades? E podia continuar - tanto que havia por dizer! - mas tenho de ir bater punho.
12 outubro, 2012
04 outubro, 2012
Gostava de poder retribuir o elogio, mas...
Vítor Gaspar acaba de dizer que o povo português "revelou-se o melhor povo do mundo e o melhor activo de Portugal"
Este homem ou é senil, ou é bipolar, ou então é só uma fraude. Não sei o que acham, mas eu inclino-me para a terceira.
É preciso ter lata. Ainda ontem apareceu na TV para anunciar que me vai voltar a roubar e hoje está-me a dar graxa.
O Vítor Gaspar parece aquele namorado que quer acabar com a namorada gorda e feia e a quem dá porrada com um "não és tu, sou eu, mereces muito melhor".
Eu não sei, mas ouvi dizer que quando se tem o melhor povo do mundo deve-se tentar conservá-lo, e não matá-lo de fome ou empurrá-lo para a emigração. Mas isso sou eu.
Este homem ou é senil, ou é bipolar, ou então é só uma fraude. Não sei o que acham, mas eu inclino-me para a terceira.
É preciso ter lata. Ainda ontem apareceu na TV para anunciar que me vai voltar a roubar e hoje está-me a dar graxa.
O Vítor Gaspar parece aquele namorado que quer acabar com a namorada gorda e feia e a quem dá porrada com um "não és tu, sou eu, mereces muito melhor".
Eu não sei, mas ouvi dizer que quando se tem o melhor povo do mundo deve-se tentar conservá-lo, e não matá-lo de fome ou empurrá-lo para a emigração. Mas isso sou eu.
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