Um deserto de ideias, mantido por um cérebro composto apenas por alguns grãos de areia.
26 agosto, 2010
Quem vê de fora costuma ter uma melhor percepção das coisas
Manuela Moura Guedes critica a actual política de informação da TVI e fala do seu eventual retorno à informação do canal. Em entrevista ao DN, a jornalista diz que a informação na estação de Queluz de Baixo “é muito triste. Não tem credibilidade, é feita de “fait-divers”.
Não, não, não!!!!!!!!!!!!!!!! O choque! Manuela Moura Guedes acaba finalmente de descobrir, depois de ter sido jornalista na TVI durante cerca de 15 anos, o que é o jornalismo na TVI. A sorte dela é que o Jornal Nacional de Sexta acabou, porque se ela o visse, nem sei o que diria nem que calmantes teria de enfiar goela abaixo.
Deixo aqui os meus sentidos pêsames pela revelação algo tardia, mas estamos sempre a tempo.
04 setembro, 2009
Ai jesus o pluralismo
Não me lembro de ver tanta gente preocupada com o facto de haver uma jornalista a apresentar um telejornal continuamente sem ter mérito nem profissionalismo para isso, mas sim por ter um marido poderoso que até a levou para a direcção.
Não me lembro de ver a maior parte das pessoas que agora estão muito preocupadas com a censura e o jornalismo e as teorias todas da conspiração, preocuparem-se com o arrastar do nome JORNALISMO pela lama, pela desacreditação.
Havia(?) um telejornal que semana após semana transpunha a fronteira do que deve ser um bloco informativo e uma coluna de opinião que por acaso dá na televisão em horário nobre, cunhada com o nome de "telejornal".
Devo doer-me porque a senhora perdeu o guarda-costas e finalmente lhe puderam dar um chuto no cú? Não sou hipócrita, ainda que se calhar estes meios obscuros de pressões um dia possam afastar alguém que tenha valor. E isso sim, preocupa-me.
Nada disto invalida o facto de querer saber quem, como, porquê. E de achar extremamente duvidoso uma administração meter-se onde não deve, muito menos para cancelar um programa cujas audiências enchem bolsos.
Não sou é convencida ao ponto de achar que sei quem é o responsável e atirar um nome para o ar só porque sim, como é apanágio de uns e outros.
Haja paciência.
Ficamos a aguardar essa tal reportagem sobre o Freeport...
03 setembro, 2009
Abençoado sejas
31 agosto, 2009
Doctor, doctor, give me the news!
Domingo. 34 graus à sombra. Parece-me o dia ideal para ir a um hospital sem ter de ficar horas à espera que 303894843 pessoas sejam atendidas. Estive lá duas horinhas e só trouxe de lá coisas boas.
A primeira foi a vacina do tétano. Eu nem sei onde anda o meu boletim de vacinas (será que pedem na inscrição para mestrado? É que, a ser recusada num mestrado, preciso que seja por uma razão mais pomposa do que um mero boletim). Mas como caí na terra e não fui levar os pontos quando devia, o sr. enfermeiro achou que dar-me a vacina do tétano era bom. E eu concordo, que assim poupo nova visita ao centro de saúde quando encontrar o boletim e vir lá que já a devia ter tomado há 2 anos.
A outra foi a agradável conversa com o sr. enfermeiro que me estava a salvar a vida.
"O que é que estuda?"
"Estudei. Jornalismo!"
"Ah... esse mal da sociedade"
Ora, estava aqui um diálogo que tinha tudo para dar certo. Até porque argumentar a favor do jornalismo com um profissional de saúde, numa altura de gripe A, deixa-me em maus lençóis. Mas eu batalhei para que, passados dois minutos, o sr. enfermeiro já conseguisse chamar ao jornalismo "mal necessário".
Eu sei que os Media fazem muita porcaria, sei sim senhor. Que manipulam, moldam a realidade, comem criancinhas, sei isso tudo. Mas o que seria de uma sociedade sem jornalismo? Até o 24 Horas tem a sua utilidade, uma vez de 5 em 5 anos pelo menos. Já sem a Manuela Moura Guedes, ambos concordamos que viveríamos todos mais felizes, mas não há bela sem senão.
Falamos da porcaria da Gripe e eu dei o exemplo de Berlim e Londres, onde estive há duas semanas. Em Berlim tudo me pareceu civilizado. As pessoas estavam a ser alertadas para terem mais cuidados com a higiene e tal, mas ninguém olhava horrorizado sempre que um pobre coitado espirrava.
Já em Londres, havia cartazes grandes em papelão que diziam isto.
Não são ambos jornalismo? De quem é a culpa por estas diferenças?
Entre lobbies de farmácias e as falhas do sistema nacional de saúde, a minha despedida do enfermeiro foi feita ao som de uma notícia que a TSF começou a transmitir naquele momento:
Londres apoiou transferência de bombista em troca de contrato petrolífero
O jornal inglês Sunday Times noticiou, este domingo, que o governo britânico apoiou a inclusão do bombista de Lockerbie num acordo de transferência de prisioneiros com a Líbia em troca de um contrato petrolífero com aquele país.
Estava dado o argumento que me fez ganhar a discussão a favor do jornalismo. Mas se o jornalismo fosse mais feito deste material em vez daquele que mais vemos diariamente, tenho a certeza que a discussão nunca teria sequer começado.
22 abril, 2009
Abril, processos mil
Moura Guedes processa primeiro-ministro
A directora adjunta da TVI decidiu processar o primeiro-ministro depois de Sócrates ter dito na RTP que o Jornal Nacional de sexta-feira é um "telejornal travestido" e uma "caça ao homem".
José Sócrates aproveitou a entrevista para tornar claro o seu desprezo pelos telejornais de sexta-feira na TVI.
"Aquilo não é um telejornal, é uma caça ao homem", é "um telejornal travestido", feito de "ódio e de perseguição", disse, queixando-se ainda da ausência de críticas entre os jornalistas ao tipo de jornalismo praticado por Manuela Moura Guedes.
"Vou processá-lo", foi assim que reagiu a directora adjunta de informação e pivô da TVI, Manuela Moura Guedes, contactada pelo DN, depois de ter ouvido a entrevista que o primeiro-ministro, José Sócrates, deu ontem à noite na RTP1, aos jornalistas Judite de Sousa e José Alberto Carvalho.
Toda eu rio por dentro! Manuela Moura Guedes tem a lata de processar Sócrates pela única coisa verdadeira que ele disse nos últimos dias! Assim como é que o homem não há de mentir, se é preso por ter cão e preso por não ter, o pobre homem?
Ó senhora, não lhe peço que tenha tomates porque, pronto... Mas já que tem a lata de chamar jornalismo isento ao que faz, tenha também a lata de admitir que o seu telejornalzinho anda a tentar há muito tempo fazer aquilo de que a oposição não é capaz, com a diferença que a oposição é assumidamente isso mesmo, oposição. Não são "jornalistas" com as costas quentes e que se dão ao luxo de insultar o jornalismo semanalmente...
17 abril, 2009
Sem eira nem beira
Boa música dos Xutos! Já tinha lido pela blogosfera sobre este vídeo coiso e tal.
Mas há um bocado quando estava a jantar descobri, pela TVI, que o país está todo mobilizado em torno desta canção. Era ver o sorriso de orelha a orelha (literalmente) na cara da Manuela Moura Guedes e o brilhozinho nos olhos com que falava desta canção, qual fã número 1 dos Xutos e Pontapés. Manuela Moura Guedes sabe, claro, que a música é sobre Sócrates, e até as pessoas das suas relações que nem gostam de Xutos já passaram a admirar a banda por causa desta música!
Passados dois minutos de malhar no Governo, o êxtase de MMG e os seus comentários idiotas em conversa com Vasco Pulido Valente, já estavam no tema revistas cor de rosa e nos 'croquetes', que só quem é do meio social saberia o que é, e blá blá blá (neste momento toda a minha atenção estava presa no tamanho da boca da mulher)
Há duas conclusões a retirar daqui, uma delas frequente (eu não aprendo...) :
1- Quem viu o Jornal Nacional hoje pode concluir que Portugal descobriu uma coisa nova chamada canção de protesto. (Não está mal, são apenas décadas de atraso. É bonito ver que o jornalismo anda ao ritmo do país). E que todos os portugueses se vão mobilizar para uma revolução, em que "Sem Eira nem Beira" será a Grândola Vila Morena do século XXI.
2- Tenho de perder a boa educação e, quando chegar à mesa para jantar, simplesmente mudar de canal e monopolizar o comando da TV.
14 fevereiro, 2009
Maldita preguiça
Começou o circo. Na primeira meia hora (!!!), Manuela Moura Guedes vomitou (aquela boca e expressão de justiceira dá um sentido literal a esta expressão) a seguinte variedade informativa:
A notícia de abertura era, na verdade, uma reportagem cujo mote é mais ou menos o costume: tentar fazer o trabalho que o PSD não é capaz de executar. Buscas à casa de Sócrates enquanto secretário de Estado do Ambiente, que acabaram por ser suspensas por falta de indícios (e em que a repórter tentava arrancar quase à força uma justificação do juiz que a indeferiu);
A circense reportagem prosseguiu com imagens de casas da autoria de Sócrates. Desta vez para desacreditar o Primeiro-Ministro são postos em causa projectos assinados por ele que, alegadamente, foram feitos por técnicos que necessitam do aval de um engenheiro civil. A prática é, de facto, ilegal. Mas se se começarem a investigar estas práticas, as cadeias vão ser ocupadas totalmente por engenheiros civis, tal é a abundância desta prática. A TVI mostrou ainda várias assinaturas de Sócrates, todas diferentes. Sr. Primeiro-ministro... de facto assim até a TVI percebe... um bocadinho mais de rigor.
É bonito ver a TVI tão preocupada com Sócrates. É que a repórter esqueceu-se de referir que, a partir do momento em que a assinatura está lá, qualquer problema referente ao projecto é da responsabilidade do engenheiro que a assinou. É bonito.
Segue-se - surpresa! - o caso Freeport e, após mais do mesmo, vem mais do mesmo: a recessão que "só o Governo não via e que resultou num crescimento de 0%...". Alguém devia dizer à MMGuedes que não há crescimentos de 0%. Ela provavelmente culparia o Governo por isso, mas ficava a nota. A quinta notícia da noite é a de que Cavaco discursou e mandou recados ao Governo, subentendidos, claro está. Não percebo como é que alguém com tantas provas dadas não está a fazer efectivamente alguma coisa, ao invés de ser apenas uma figura decorativa do país. Após a notícia, e antes de passar para a seguinte, a jornalista avisa: [olhar de justiceira] "O recado está dado" [/olhar de justiceira] (ops! o ar empinado não cessa jamais).
Após meia hora disto, a oposiç....a TVI continua a despejar notícias como o facto de os novos chips que a lei obriga a que cada condutor tenha servem apenas para pagar portagens porque "o Governo já recuou" em outras funcionalidades "porque não quer ver os chips vetados pelo Presidente da República em ano de eleições".
No meio disto tudo, e para prender os eruditos tele-espectadores do Jornal Nacional, atira-se uma notícia sobre futebol. Dado o rebuçado, segue-se mais uma peça sobre a Secreta do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), órgão do Sistema de Defesa Nacional. Parece que a Secreta afinal até está na internet, bem acessível. A TVI faz-nos a gentileza de lembrar que, num caso semelhante, passado em 1999, o então ministro da Defesa se demitiu. Ah! Mas a TVI quer que os seus tele-espectadores saibam ainda que quem tutela a Defesa é... Sócrates.
E no caso de haver alguém mais desatento, no fim da peça MMGuedes declara que espera para ver que consequências advirão deste caso.
Há mais. As eleições para secretário-geral do PS também são abordadas. Candidato único: José Sócrates, que não teve a decência de fazer campanha eleitoral suficiente e de atirar dinheiro fora numa campanha ganha à partida. A convidada a comentar (não sei bem o quê, tipo tudo) é Ana Benavente, uma ex-figura de topo do PS que agora é apenas militante de base. Estranho. Ana Benavente foi lá para criticar Sócrates. Fala, e bem, sobre o facto de Sócrates denunciar uma campanha negra contra ele mas nunca referir quem está por trás da mesma, deixando claro que é contra todas as políticas do actual PS e que nunca apoiou José Sócrates.
MMGuedes termina a entrevista com uma tirada irónica: "não há nada como a liberdade". É engraçado que a pessoa que o diz claramente não compreenda muito bem o seu conceito.
Uff... cansados? Estariam, se alguém tivesse resistido a leitura até aqui. Mas eu também estava. O Jornal Nacional cansa-me. É um cansaço misturado com nojo. A culpada era eu, que não mudei de canal a tempo. Enquanto pensava isto, Manuela Moura Guedes anuncia o destaque da noite: o "Pinocrates" da JSD. A JSD colocou cartazes em que Sócrates ainda tem um nariz mais feio do que o que na realidade possui. Maldade... E Sócrates acusa, na AR, que este acto é "vergonhoso para a nossa Democracia". Como jornal de impressionante olfacto jornalístico, a TVI vai buscar algo que já anda na blogosfera há tempo suficiente para que toda a gente já o soubesse: A "Acção Socialista" já tinha desenhado adereços à oposição em várias edições. A peça é elaborada em tom jocoso e faz de Sócrates um rapper que repete incansavelmente "cartazes vergonhosos para a nossa Democracia", "cartazes vergonhosos para a nossa Democracia". É um facto. Como também é um facto que a Acção Socialista é um jornaleco do partido e que a JSD usou cartazes políticos espalhados pelo país.
Por sorte o jantar estava na mesa e tive de interromper definitivamente a emissão do Jornal Nacional. É que o meu bolo alimentar corria o risco de ser vomitado só de olhar para a cara de MMGuedes. Mas ingerir alimentos ao mesmo tempo em que nos tentam impingir ideologia política pela goela abaixo é demais para o meu metro e meio de gente.
Pelo meio lembro-me ainda de ouvir MMGuedes tecer um dos seus típicos comentários de desdém pelo país. É gente mal-agradecida. MMGuedes devia beijar a calçada portuguesa. Só neste país é que uma pessoa como ela consegue apresentar um telejornal em horário nobre. E todos sabemos que não é pelos seus dotes intelectuais e muito menos jornalísticos.