Um deserto de ideias, mantido por um cérebro composto apenas por alguns grãos de areia.
Mostrar mensagens com a etiqueta eu reclamo de carago. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta eu reclamo de carago. Mostrar todas as mensagens
09 abril, 2013
It's not fairy
"Há 20 anos que Fairy faz parte do dia-a-dia das portuguesas", diz-me o Fairy na minha caixa de e-mail, entrando sem pedir licença. Na imagem, podemos ver que o Fairy evoluiu muito em termos estéticos, mas em termos de mentalidade ainda vive em 1950, sob o lema "Deus, Pátria e Família", e onde as mulheres ficam em casa a tratar da cozinha e da roupa enquanto o chefe da casa não chega do emprego.
Caro departamento criativo Fairy: em 2013, os homens também vão ao supermercado comprar detergentes e afins (dou-vos tempo para recuperarem do choque, porque o que vem a seguir pode desabar todo o vosso mundo).
Em 2013, os homens entram na cozinha para fazer mais do que comer e pedir uma cerveja à mulher. Em 2013, eles interessam-se por cozinhar e dividem tarefas (estou a falar de homens normais, atenção, e não de atrasados mentais, como o Henrique Raposo).
No século XXI, os homens já sabem pôr uma máquina a lavar e não têm vergonha de o dizer. Por isso, senhores do Fairy, tenham um pouquinho de vergonha e deixem de dirigir a vossa comunicação exclusivamente ao público feminino. Há aqui uma evolução de mentalidades que nós, portuguesas, consumidoras, gostaríamos de não ver perdida. O país já anda a perder coisas demais...
28 janeiro, 2013
E aos adultos que não têm aproveitamento, que fazer?
Como é que chegámos a um ponto em que as pessoas que têm na mão (ou desejam ter) o poder e a responsabilidade de decidir os destinos de milhares de portugueses são do mais medíocre que Portugal tem?
Não deveria ser um cargo reservado a quem fosse excepcional, em vários campos? Alguém que tivesse um percurso de vida exemplar, pautado pela honestidade, perseverança, altruísmo, forte sentido de cidadania e conhecimento da realidade em que a maioria da população - seja do país ou da freguesia que se quer governar - vive?
Como é que chegámos a um ponto em que o único currículo que os nossos governantes - e aspirantes - têm é no cargo militante na empresa partido X?
E se temos um amontoado de gente incapaz a candidatar-se para um cargo, porque temos de escolher entre um deles na mesma?
É isto a democracia?
Este blogue começou para que eu pudesse comentar (reclamar é a palavra mais correcta) vários assuntos do dia. Estive muito activa no tempo de Sócrates. Curiosamente, abrandei muito desde que temos como primeiro-ministro um idiota chamado Passos Coelho e um governo chamado Mercados. Porquê? Porque tenho mais que fazer da vida, e a quantidade de notícias que me revoltam é tão grande que eu podia estar a escrever 24 horas aqui que se calhar não eram as suficientes. Existe um Relvas no governo - pelamordedeus! - isto diz tudo.
Olhamos para a realidade e gostariamos que fosse só um pesadelo. Gostaríamos que BPNs, Submarinos, aumentos inúteis de impostos, Dias Loureiros, Relvas e Sofias Galvões não existissem de verdade.
Mas infelizmente são. Como resolver isto em democracia? Seria bom confiar na justiça. Seria bom também que o maior partido da oposição não fosse feito praticamente da mesma raiz podre, a do partidarismo e da estupidez.
Serve tudo isto para falar de António Parada, candidato do PS à Câmara de Matosinhos. O senhor parada foi apanhado por um vídeo amador a falar sobre as suas convicções. Uma delas é a de que a escolaridade até aos 18 anos deveria acabar. A outra é isto:
"eu acho que os jovens devem ser apoiados pelo Estado, pelo Estado de Direito, apoiar aqueles que tem aproveitamento, aqueles que nao têm a partir dos 14 anos devem ter a liberdade de ir trabalhar".
Acho que sim. Que o que falta em Portugal, neste momento, é mão-de-obra. É uma medida óbvia, a julgar pela ovação monumental que se segue às declarações deste licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais pela universidade privada Fernando Pessoa (curso com nota mínima de entrada de 9,5 e, apesar de ter apenas 25 vagas, o último candidado entrou com média de 11,6... Lá se vai o aproveitamento).
Anos de luta pela evolução, e aqueles que mais beneficiaram dessa mesma evolução são os primeiros a cagar nela e a mandarem verborreia com orgulho. Sem um mínimo de noção.
E a estes adultos sem aparente aproveitamento, o que se faz? Manda-se de volta para a escola?
O vídeo pode ser visto (e chorado) aqui: https://www.facebook.com/photo.php?v=515555791801246
Não deveria ser um cargo reservado a quem fosse excepcional, em vários campos? Alguém que tivesse um percurso de vida exemplar, pautado pela honestidade, perseverança, altruísmo, forte sentido de cidadania e conhecimento da realidade em que a maioria da população - seja do país ou da freguesia que se quer governar - vive?
Como é que chegámos a um ponto em que o único currículo que os nossos governantes - e aspirantes - têm é no cargo militante na empresa partido X?
E se temos um amontoado de gente incapaz a candidatar-se para um cargo, porque temos de escolher entre um deles na mesma?
É isto a democracia?
Este blogue começou para que eu pudesse comentar (reclamar é a palavra mais correcta) vários assuntos do dia. Estive muito activa no tempo de Sócrates. Curiosamente, abrandei muito desde que temos como primeiro-ministro um idiota chamado Passos Coelho e um governo chamado Mercados. Porquê? Porque tenho mais que fazer da vida, e a quantidade de notícias que me revoltam é tão grande que eu podia estar a escrever 24 horas aqui que se calhar não eram as suficientes. Existe um Relvas no governo - pelamordedeus! - isto diz tudo.
Olhamos para a realidade e gostariamos que fosse só um pesadelo. Gostaríamos que BPNs, Submarinos, aumentos inúteis de impostos, Dias Loureiros, Relvas e Sofias Galvões não existissem de verdade.
Mas infelizmente são. Como resolver isto em democracia? Seria bom confiar na justiça. Seria bom também que o maior partido da oposição não fosse feito praticamente da mesma raiz podre, a do partidarismo e da estupidez.
Serve tudo isto para falar de António Parada, candidato do PS à Câmara de Matosinhos. O senhor parada foi apanhado por um vídeo amador a falar sobre as suas convicções. Uma delas é a de que a escolaridade até aos 18 anos deveria acabar. A outra é isto:
"eu acho que os jovens devem ser apoiados pelo Estado, pelo Estado de Direito, apoiar aqueles que tem aproveitamento, aqueles que nao têm a partir dos 14 anos devem ter a liberdade de ir trabalhar".
Acho que sim. Que o que falta em Portugal, neste momento, é mão-de-obra. É uma medida óbvia, a julgar pela ovação monumental que se segue às declarações deste licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais pela universidade privada Fernando Pessoa (curso com nota mínima de entrada de 9,5 e, apesar de ter apenas 25 vagas, o último candidado entrou com média de 11,6... Lá se vai o aproveitamento).
Anos de luta pela evolução, e aqueles que mais beneficiaram dessa mesma evolução são os primeiros a cagar nela e a mandarem verborreia com orgulho. Sem um mínimo de noção.
E a estes adultos sem aparente aproveitamento, o que se faz? Manda-se de volta para a escola?
O vídeo pode ser visto (e chorado) aqui: https://www.facebook.com/photo.php?v=515555791801246
Etiquetas:
eu reclamo de carago,
parvónia,
politiquices
30 outubro, 2012
O BPI aguenta-se com menos clientes? Ai aguenta, aguenta...
Olha-me que porra, um banqueiro a dizer-me que eu tenho de aguentar mais austeridade. Tenho? Porquê?
Será porque andei a lavar dinheiro no BPN? Porque arranjei tachos aos meus amigos todos? Porque desperdicei fundos europeus? Porque fui incompetente? Porque fiz contratos desvantajosos para o Estado para beneficiar uma empresa para onde um dia irei depois de deixar um cargo público? Porque me aproveitei de um cargo público onde deveria servir o país para me servir a mim mesma?
Se eu não fiz nada disto, mas há quem tenha feito e ainda continue em altos cargos, porque é que, enquanto pobre coitada que não tenho como fugir aos impostos, como uns e outros, tenho de aguentar mais seja o que for? Porque é que tenho de servir de cobaia de um modelo idiota que só tem falhado desde que começou a existir nos anos 80?
Mas porque é que estes porcos não ficam caladinhos e usufruem em silêncio da sua riqueza? Porque é que não têm sensibilidade para evitar dizer a quem já pouco tem que o país aguenta mais austeridade porque "tem de ser, não há alternativa?" Mas se não há alternativa para que é que existe democracia? Se o mundo tivesse dado ouvidos a estes porcos privilegiados que adoram dizer-nos que não há alternativa, ainda havia hoje escravatura, trabalho infantil, trabalhadores sem direitos e uma porrada de merdas que, certamente, não foram abolidas graças aos Fernandos Ulrich desta vida.
Já agora, eu também tenho bitaites para mandar ao mundo: Quem acha que já não aguenta mais austeridade, que tal tirar o dinheiro do BPI e colocá-lo noutro banco? Tenho a certeza que o BPI aguenta isto e muito mais.
Será porque andei a lavar dinheiro no BPN? Porque arranjei tachos aos meus amigos todos? Porque desperdicei fundos europeus? Porque fui incompetente? Porque fiz contratos desvantajosos para o Estado para beneficiar uma empresa para onde um dia irei depois de deixar um cargo público? Porque me aproveitei de um cargo público onde deveria servir o país para me servir a mim mesma?
Se eu não fiz nada disto, mas há quem tenha feito e ainda continue em altos cargos, porque é que, enquanto pobre coitada que não tenho como fugir aos impostos, como uns e outros, tenho de aguentar mais seja o que for? Porque é que tenho de servir de cobaia de um modelo idiota que só tem falhado desde que começou a existir nos anos 80?
Mas porque é que estes porcos não ficam caladinhos e usufruem em silêncio da sua riqueza? Porque é que não têm sensibilidade para evitar dizer a quem já pouco tem que o país aguenta mais austeridade porque "tem de ser, não há alternativa?" Mas se não há alternativa para que é que existe democracia? Se o mundo tivesse dado ouvidos a estes porcos privilegiados que adoram dizer-nos que não há alternativa, ainda havia hoje escravatura, trabalho infantil, trabalhadores sem direitos e uma porrada de merdas que, certamente, não foram abolidas graças aos Fernandos Ulrich desta vida.
Já agora, eu também tenho bitaites para mandar ao mundo: Quem acha que já não aguenta mais austeridade, que tal tirar o dinheiro do BPI e colocá-lo noutro banco? Tenho a certeza que o BPI aguenta isto e muito mais.
Etiquetas:
eu reclamo de carago,
ódios,
parvónia
19 outubro, 2012
É só oportunidades
Perdi a oportunidade de estar calada, mas vou já agarrar a oportunidade de escrever um texto piegas. Vamos lá então.
Estava aqui a produzir, a produzir muito, enquanto colaboradora da minha empresa, e estava a pensar que neste momento, quem não for médico estabelecido ou engenheiro (e mesmo assim...) não se pode dar ao luxo de ficar desagradado com alguma coisa no seu local de trabalho. Não há tempo para ficar frustrada com erros que nunca foram corrigidos. Quem vê o ordenado estagnado há anos pode muito bem engolir a desmotivação.
Neste momento, a sociedade tal como está só não é o sonho de qualquer político ou empresário porque o dinheiro falta a toda a gente - eles incluídos, apesar de privilegiados. Neste tempo idiota em que vivemos, quem não trabalha tem de ouvir da boca do próprio primeiro-ministro incompetente a quem pagamos o salário que o desemprego é uma oportunidade, e que temos de deixar de ser piegas. E quem trabalha sente que tem de ser um autómato, cuja única coisa que deve ter em mente é que há 50 pessoas para o seu lugar.
A única oportunidade de futuro parece ser a possibilidade de se ir para a rua. Passamos o dia a ouvir falar em produtividade, acompanhada da premissa de que quanto mais quer que trabalhem menos lhe querem pagar, ao mesmo tempo que todos os preços aumentam.
Não é maravilhoso viver neste Portugal de oportunidades? E podia continuar - tanto que havia por dizer! - mas tenho de ir bater punho.
Estava aqui a produzir, a produzir muito, enquanto colaboradora da minha empresa, e estava a pensar que neste momento, quem não for médico estabelecido ou engenheiro (e mesmo assim...) não se pode dar ao luxo de ficar desagradado com alguma coisa no seu local de trabalho. Não há tempo para ficar frustrada com erros que nunca foram corrigidos. Quem vê o ordenado estagnado há anos pode muito bem engolir a desmotivação.
Neste momento, a sociedade tal como está só não é o sonho de qualquer político ou empresário porque o dinheiro falta a toda a gente - eles incluídos, apesar de privilegiados. Neste tempo idiota em que vivemos, quem não trabalha tem de ouvir da boca do próprio primeiro-ministro incompetente a quem pagamos o salário que o desemprego é uma oportunidade, e que temos de deixar de ser piegas. E quem trabalha sente que tem de ser um autómato, cuja única coisa que deve ter em mente é que há 50 pessoas para o seu lugar.
A única oportunidade de futuro parece ser a possibilidade de se ir para a rua. Passamos o dia a ouvir falar em produtividade, acompanhada da premissa de que quanto mais quer que trabalhem menos lhe querem pagar, ao mesmo tempo que todos os preços aumentam.
Não é maravilhoso viver neste Portugal de oportunidades? E podia continuar - tanto que havia por dizer! - mas tenho de ir bater punho.
19 março, 2012
'sudo'mia musical
O meu segundo amor platónico, de seu nome Eddie Vedder, decidiu fazer a sua estreia a solo na Europa este Verão. Em Inglaterra e na Holanda escolheu teatros bonitos, que permitam aproveitar a sua música a solo – mais calma, com um ukulele– em pleno. Em Portugal, escolheu esse grande poio chamado festival Sudoeste TMN, onde o cabeça de cartaz vitalício é a praia e o segundo nome que mais atrai festivaleiros é o campismo.
Então, já que vou ter de fazer a minha estreia no Sudoeste, fui ver quem eram os outros projectos agendados para o mesmo dia em que actua o Mr. Pearl Jam. E deparei-me com isto:
(a música chama-se "Hate on me now"… estou só a fazer-lhe a vontade)
Isto é Richie Campbell, cujo verdadeiro nome é Ricardo Ventura da Costa. Um puto beto de Cascais que canta música má em inglês com sotaque jamaicano. Podia ser pior? Tenho sérias dúvidas.
Para além de Nicolas Jaar, há até ao momento mais um confirmado para o dia de Eddie Vedder. Atentem neste portento musical:
("If we don’t kill ourselves we’ll be the leaders of a messed-up generation", diz Example no início da música. Agora percebo. Ele quer-nos matar com isto. Não garanto que consiga sobreviver a ter de ver esta bosta ao vivo, no dia 3 de Agosto)Isto é Richie Campbell, cujo verdadeiro nome é Ricardo Ventura da Costa. Um puto beto de Cascais que canta música má em inglês com sotaque jamaicano. Podia ser pior? Tenho sérias dúvidas.
Para além de Nicolas Jaar, há até ao momento mais um confirmado para o dia de Eddie Vedder. Atentem neste portento musical:
Posto isto, é claro que estou muito chateada com o senhor Vedder. Vou ter de pagar 50 euros para vê-lo no meio do pó e fazer não sei quantos kilómetros para ir a um dos piores festivais portugueses, cheios de putos em férias e onde a música desempenha só um papel secundário.
Can't find a better place? Arre, porra.
08 fevereiro, 2012
Resmunguemos, então
Quarto dia na casa nova e não há água.
Tenho dois bebés como vizinhos, o que nunca seria um problema, não fossem as paredes dos prédios das Avenidas Novas feitos de papel ou lá o que é. Em vez de noutra casa, os putos aos guinchos parecem estar no hall de entrada aqui de casa. Odeio prédios.
E odeio ter de precisar de concentração para estudar. Ó para mim aqui no blog, a estudar imenso.
Fenómenos mal fabricados como a Lana del Rey irritam-me.
Por hoje é só. Desculpem o momento piegas.
Tenho dois bebés como vizinhos, o que nunca seria um problema, não fossem as paredes dos prédios das Avenidas Novas feitos de papel ou lá o que é. Em vez de noutra casa, os putos aos guinchos parecem estar no hall de entrada aqui de casa. Odeio prédios.
E odeio ter de precisar de concentração para estudar. Ó para mim aqui no blog, a estudar imenso.
Fenómenos mal fabricados como a Lana del Rey irritam-me.
Por hoje é só. Desculpem o momento piegas.
07 janeiro, 2012
A frustração de
ter muita sede;
ter na minha mão uma garrafa de água Vitalis com sabor a limão (mnham);
NÃO TER FORÇA SUFICIENTE PARA ABRIR A PORRA DA TAMPA;
estar sozinha na biblioteca, sem ter ninguém a quem pedir ajuda.
ter na minha mão uma garrafa de água Vitalis com sabor a limão (mnham);
NÃO TER FORÇA SUFICIENTE PARA ABRIR A PORRA DA TAMPA;
estar sozinha na biblioteca, sem ter ninguém a quem pedir ajuda.
06 janeiro, 2012
Não sou racista, mas
Não se trata de discriminar mas não pretendemos raça negra
Pffff, quem haveria de pensar que impedir pessoas de raça negra de alugar o quarto seria discriminação? Na verdade, o quarto deve ser tão merdoso que o senhorio quer, isso sim, proteger os pretos de tentarem alugar aquele buraco.
Racistas? Que ideia. Note-se que no anúncio referem, respeitosamente, "raça negra". Quem usou aqui o termo "pretos" foi esta bloguer abrutalhada.
Isto faz-me lembrar aqueles diálogos em que alguém acha que os gays não devem poder casar uns com os outros porque isso é nojento, ou que acham que eles são doentes psiquiátricos ou assim. A certa altura da conversa há sempre um: "Eu não sou homofóbico, até tenho amigos gays, mas...".
Eu não conheço estes senhorios, mas tenho uma teoria: os senhores odeiam kizomba e kuduro acima de qualquer outra coisa no mundo e esta foi a solução que arranjaram para não terem de ouvir pela casa o "Kizomba Mix III". Sim, é muito provável que seja esta a razão.
Pffff, quem haveria de pensar que impedir pessoas de raça negra de alugar o quarto seria discriminação? Na verdade, o quarto deve ser tão merdoso que o senhorio quer, isso sim, proteger os pretos de tentarem alugar aquele buraco.
Racistas? Que ideia. Note-se que no anúncio referem, respeitosamente, "raça negra". Quem usou aqui o termo "pretos" foi esta bloguer abrutalhada.
Isto faz-me lembrar aqueles diálogos em que alguém acha que os gays não devem poder casar uns com os outros porque isso é nojento, ou que acham que eles são doentes psiquiátricos ou assim. A certa altura da conversa há sempre um: "Eu não sou homofóbico, até tenho amigos gays, mas...".
Eu não conheço estes senhorios, mas tenho uma teoria: os senhores odeiam kizomba e kuduro acima de qualquer outra coisa no mundo e esta foi a solução que arranjaram para não terem de ouvir pela casa o "Kizomba Mix III". Sim, é muito provável que seja esta a razão.
03 janeiro, 2012
Fuja aos impostos de Janeiro a Janeiro
Eu gostava do Pingo Doce. Apesar de ser dos supermercados que mais produtos importa, e de ter uma música super irritante que toca incessantemente mesmo quando já estamos dentro do Pingo Doce (não vá o cliente lembrar-se, a meio das compras, que afinal quer ir ao Continente), eu gostava de lá ir.
Até que o presidente não executivo da Jerónimo Martins achou que os parolos dos consumidores do Pingo Doce e do Recheio devem ficar num país em crise a pagar impostos extraordinários sozinhos. Vai daí e transfere da Sociedade Francisco Manuel dos Santos (maior accionista da Jerónimo Martins) , 56% do capital para uma sociedade holandesa. E como se chama essa sociedade holandesa, com sede em Amesterdão? "Sociedade Francisco Manuel dos Santos BV". Ele há com cada coincidência.
É que nem se deram ao trabalho de lhe chamar, sei lá, Francisco Manuel van der Santos Society. É mesmo às claras.
Mas porque se haviam de esconder? A maioria das empresas cotadas na bolsa portuguesa PSI-20 já fez o mesmo. De acordo com Francisco Louçã, das 20, 19 estão lá.
E não adianta boicotar o Pingo Doce e ir ao Continente. A Sonae já fez o mesmo há muito tempo.
É bom sentir o amor dos empresários portugueses ao país onde se ergueram e construíram a sua riqueza. Um aplauso para estes empreendedores (e para o trabalhador Amorim).
É perfeitamente justo que as empresas procurem mais lucros e se aproveitem de uma União Europeia tansa que cria uma moeda única sem uniformização fiscal?
Depende.
Acho uma tremenda filha da putice (esta é a unica situação em que gosto de citar Avelino Ferreira Torres) que alguns dos homens mais ricos de Portugal, que acumulam milhões todos os anos, abandonem o país para pagar menos impostos, deixando aqui os tansos dos compatriotas a aguentar com tudo. É que nem sequer se mostram gratos com o facto de as medidas de austeridade deste governo os protegerem tanto, sobrecarregando os mais pobres (ler esta notícia). Não compreendo. Acho desleal, baixo, nojento. O mundo está perdido. Declarem já a falência moral.
E por falar em falência moral, alguns dados sobre Francisco Manuel dos Santos:
Em 2000, pela prestação de serviços relevantes a Portugal, no país e no estrangeiro, Alexandre Soares dos Santos é distinguido com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. E, seis anos mais tarde, em reconhecimento dos seus actos em favor da colectividade, é agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito.
Em 2009, anunciou a criação da Fundação Francisco Manuel dos Santos, nome do seu avô materno, que procura colocar à disposição de todos os cidadãos a mais vasta informação disponível sobre Portugal com vista a promover uma sociedade consciente dos seus direitos e dos seus deveres, que assume as suas responsabilidades e que escolhe em consciência e em liberdade.
Ora essa, a honra foi toda nossa.
Até que o presidente não executivo da Jerónimo Martins achou que os parolos dos consumidores do Pingo Doce e do Recheio devem ficar num país em crise a pagar impostos extraordinários sozinhos. Vai daí e transfere da Sociedade Francisco Manuel dos Santos (maior accionista da Jerónimo Martins) , 56% do capital para uma sociedade holandesa. E como se chama essa sociedade holandesa, com sede em Amesterdão? "Sociedade Francisco Manuel dos Santos BV". Ele há com cada coincidência.
É que nem se deram ao trabalho de lhe chamar, sei lá, Francisco Manuel van der Santos Society. É mesmo às claras.
Mas porque se haviam de esconder? A maioria das empresas cotadas na bolsa portuguesa PSI-20 já fez o mesmo. De acordo com Francisco Louçã, das 20, 19 estão lá.
E não adianta boicotar o Pingo Doce e ir ao Continente. A Sonae já fez o mesmo há muito tempo.
É bom sentir o amor dos empresários portugueses ao país onde se ergueram e construíram a sua riqueza. Um aplauso para estes empreendedores (e para o trabalhador Amorim).
É perfeitamente justo que as empresas procurem mais lucros e se aproveitem de uma União Europeia tansa que cria uma moeda única sem uniformização fiscal?
Depende.
Acho uma tremenda filha da putice (esta é a unica situação em que gosto de citar Avelino Ferreira Torres) que alguns dos homens mais ricos de Portugal, que acumulam milhões todos os anos, abandonem o país para pagar menos impostos, deixando aqui os tansos dos compatriotas a aguentar com tudo. É que nem sequer se mostram gratos com o facto de as medidas de austeridade deste governo os protegerem tanto, sobrecarregando os mais pobres (ler esta notícia). Não compreendo. Acho desleal, baixo, nojento. O mundo está perdido. Declarem já a falência moral.
E por falar em falência moral, alguns dados sobre Francisco Manuel dos Santos:
Em 2000, pela prestação de serviços relevantes a Portugal, no país e no estrangeiro, Alexandre Soares dos Santos é distinguido com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. E, seis anos mais tarde, em reconhecimento dos seus actos em favor da colectividade, é agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito.
Em 2009, anunciou a criação da Fundação Francisco Manuel dos Santos, nome do seu avô materno, que procura colocar à disposição de todos os cidadãos a mais vasta informação disponível sobre Portugal com vista a promover uma sociedade consciente dos seus direitos e dos seus deveres, que assume as suas responsabilidades e que escolhe em consciência e em liberdade.
Ora essa, a honra foi toda nossa.
Etiquetas:
eu reclamo de carago,
ódios,
parvónia
29 dezembro, 2011
Nightmare after Christmas
Quando vou passar o fim-de-semana ao Porto e venho para Lisboa na segunda-feira no Intercidades das 06h52, há 3 coisas que eu rezo para que não aconteçam:
1- Que o comboio não apareça ou que pare pelo caminho
2- Que perto de mim viaje alguém com um bebé
3- Que nos lugares próximos do meu se sentem dois compinchas idosos.
Um casal pode ser. Dois amigos não. Deus do céu, não.
O ponto nº1 é mais ou menos óbvio. Para ficar mais uma noite na minha cama, faço a viagem Ermesinde - Lisboa à segunda-feira e aterro directamente no trabalho. Confio que a CP me leve ao destino, e tem corrido sempre tudo bem, mas nunca se sabe.
Os pontos 2 e 3 poderiam ser só um, mas acho que uma lista tem de ter no mínimo 3 alíneas para ter alguma credibilidade.
Tem tudo uma razão de ser. São 06h52. Não interessa se tenho de acordar às 5h da manhã, eu vou sempre deitar-me tarde na noite anterior, confiando que terei 3 horas para dormir no comboio. Tudo aquilo que eu não quero é um bebé que, em 3 horas de uma viagem enfadonha, vai chorar de certeza. Vai berrar. E vai-me impedir de dormir / acordar-me. Eventualmente também irá brincar, dormir, mamar e ser fofo, mas não caiam na armadilha! Trata-se de uma bomba-relógio, meus amigos. Quando menos esperarem, vai berrar e vocês vão acordar. Não é que haja alguma coisa a fazer, visto que os lugares são marcados. Se houvesse, eu não me limitava a rezar para que não me calhasse um bebé num raio de 10 metros.
Ora, foi precisamente o 3º ponto que me calhou na viagem pós Natal. Eu já tinha passado por uma experiência semelhante. Por isso, quando vi os dois seniores (entre 75 e 1000 anos) a entrarem na minha carruagem, vi logo que a coisa ia correr mal.
Eu sei que 2 compadres idosos podem parecer inofensivos. Não se iludam! Podem ser tão ou mais perigosos do que um bebé. Atentem:
À minha frente estavam 2 lugares vazios, mas os idosos entraram no comboio a gritar pelos seus números do lugar (14 e 16) e a olhar para a atmosfera, esperando talvez que os lugares lhes caíssem no colo. Já na outra ponta, alguém lhes disse que tinham de regressar para o início da carruagem. Eles voltaram e um sentou-se ao meu lado. O outro sentou-se noutro lugar qualquer. Nenhum se sentou nem no 14 nem no 16. Mas que raio! Tive de dizer ao senhor que o seu lugar nao era ao meu lado, mas à frente (onde diz 14 e 16... quem diria que esses lugares existiam mesmo, ãh? Há coisas fascinantes).
E pronto, a partir daí não me adiantou pôr Kyuss, Soundgarden nem Tool no meu mp3. Eu já só ouvia os idosos.
Calma. Eu gosto de idosos. Dou sempre conversa a idosos (excepto quando são 06h52 da manhã). Mas dois amigos idosos num comboio são sinónimo de conversa permanente, aborrecida e ALTA, MUITO ALTA, PORQUE OS SENHORES OUVEM MAL, PORRA.
Um casal de idosos pode ser. Já se aturam há décadas, querem é descansar um do outro.
Dois amigos idosos é o descalabro. Falam, falam, falam, 3 horas de conversa, blá blá blá, que emoção fazer a viagem de comboio consigo, compadre, vamos pôr a conversa em dia enquanto toda uma carruagem quer dormir. ARGH. Já é a segunda vez que passo 3 horas em claro porque tenho o azar de me calharem amigos idosos à frente ou atrás.
Isto é o karma, e o karma é um bitch vingativo, como se sabe. Há cerca de um mês encontrei uma colega no comboio e fomos a viagem toda a tagarelar, mesmo depois de termos reparado que no banco à frente ia um coitado de um estudante de medicina a devorar um livro e a suspirar por ter de levar connosco.
Mas pelo menos nós falámos baixo.
1- Que o comboio não apareça ou que pare pelo caminho
2- Que perto de mim viaje alguém com um bebé
3- Que nos lugares próximos do meu se sentem dois compinchas idosos.
Um casal pode ser. Dois amigos não. Deus do céu, não.
O ponto nº1 é mais ou menos óbvio. Para ficar mais uma noite na minha cama, faço a viagem Ermesinde - Lisboa à segunda-feira e aterro directamente no trabalho. Confio que a CP me leve ao destino, e tem corrido sempre tudo bem, mas nunca se sabe.
Os pontos 2 e 3 poderiam ser só um, mas acho que uma lista tem de ter no mínimo 3 alíneas para ter alguma credibilidade.
Tem tudo uma razão de ser. São 06h52. Não interessa se tenho de acordar às 5h da manhã, eu vou sempre deitar-me tarde na noite anterior, confiando que terei 3 horas para dormir no comboio. Tudo aquilo que eu não quero é um bebé que, em 3 horas de uma viagem enfadonha, vai chorar de certeza. Vai berrar. E vai-me impedir de dormir / acordar-me. Eventualmente também irá brincar, dormir, mamar e ser fofo, mas não caiam na armadilha! Trata-se de uma bomba-relógio, meus amigos. Quando menos esperarem, vai berrar e vocês vão acordar. Não é que haja alguma coisa a fazer, visto que os lugares são marcados. Se houvesse, eu não me limitava a rezar para que não me calhasse um bebé num raio de 10 metros.
Ora, foi precisamente o 3º ponto que me calhou na viagem pós Natal. Eu já tinha passado por uma experiência semelhante. Por isso, quando vi os dois seniores (entre 75 e 1000 anos) a entrarem na minha carruagem, vi logo que a coisa ia correr mal.
Eu sei que 2 compadres idosos podem parecer inofensivos. Não se iludam! Podem ser tão ou mais perigosos do que um bebé. Atentem:
À minha frente estavam 2 lugares vazios, mas os idosos entraram no comboio a gritar pelos seus números do lugar (14 e 16) e a olhar para a atmosfera, esperando talvez que os lugares lhes caíssem no colo. Já na outra ponta, alguém lhes disse que tinham de regressar para o início da carruagem. Eles voltaram e um sentou-se ao meu lado. O outro sentou-se noutro lugar qualquer. Nenhum se sentou nem no 14 nem no 16. Mas que raio! Tive de dizer ao senhor que o seu lugar nao era ao meu lado, mas à frente (onde diz 14 e 16... quem diria que esses lugares existiam mesmo, ãh? Há coisas fascinantes).
E pronto, a partir daí não me adiantou pôr Kyuss, Soundgarden nem Tool no meu mp3. Eu já só ouvia os idosos.
Calma. Eu gosto de idosos. Dou sempre conversa a idosos (excepto quando são 06h52 da manhã). Mas dois amigos idosos num comboio são sinónimo de conversa permanente, aborrecida e ALTA, MUITO ALTA, PORQUE OS SENHORES OUVEM MAL, PORRA.
Um casal de idosos pode ser. Já se aturam há décadas, querem é descansar um do outro.
Dois amigos idosos é o descalabro. Falam, falam, falam, 3 horas de conversa, blá blá blá, que emoção fazer a viagem de comboio consigo, compadre, vamos pôr a conversa em dia enquanto toda uma carruagem quer dormir. ARGH. Já é a segunda vez que passo 3 horas em claro porque tenho o azar de me calharem amigos idosos à frente ou atrás.
Isto é o karma, e o karma é um bitch vingativo, como se sabe. Há cerca de um mês encontrei uma colega no comboio e fomos a viagem toda a tagarelar, mesmo depois de termos reparado que no banco à frente ia um coitado de um estudante de medicina a devorar um livro e a suspirar por ter de levar connosco.
Mas pelo menos nós falámos baixo.
Etiquetas:
eu reclamo de carago,
Viagens na minha terra
07 dezembro, 2011
A montanha pariu... nada.
9 meses. Passados 9 meses de ausência, voltei ao ISCSP. É que hoje não arranjei mesmo nenhuma desculpa plausível (nem sequer estava céu nublado) e finalmente fui à biblioteca.
A biblioteca do ISCSP será uma das piores bibliotecas do universo de faculdades públicas daquela dimensão (não, não estou a falar da dimensão da presunção, estou a falar do tamanho real). Por isso, foi com agrado que li no site da biblioteca um texto bonito escrito por um rosto novo. "Queres ver que finalmente arranjaram uma bibliotecária a sério?", questionei-me mentalmente, num tom (mental) esperançoso. Embora tenha reparado que há várias prateleiras que continuam vazias e que os computadores são o maior atraso de vida possível.
Fui, então, procurar no motor de busca dois livros recomendados, há 9 meses (que vergonha, meu deus, sou uma fraude preguiçosa), pelo meu orientador. E reparei que os livros se evaporaram dali. Simplesmente não existiam na base de dados. E fiquei arreliadinha, como fico sempre que tenho de ir ao ISCSP.
À saída, travei mais ou menos este diálogo com uma das senhoras que lá trabalha:
Sara: Retiraram livros aqui da biblioteca? É que há uns tempos requisitei uns livros e agora não aparecem na base de dados...
Senhora: Não, estamos apenas a etiquetá-los novamente. Os que ainda não receberam etiquetação nova estão sem número e portanto estão fora da base de dados.
Sara: Mas vão demorar muito a etiquetar os que faltam?
Senhora: Sim.
Sara: ...
Quanto? É que preciso dos livros para a tese...
Senhora: Não sei...
Sara: ...
Então e não há outra maneira de os requisitar?
Senhora: Só se me der o código antigo...
Sara: Não sei os códigos dos vossos livros, só sei os títulos e os autores!
Senhora: Então diga-me o título, para eu procurar aqui na base de dados da biblioteca
Sara: Mas foi o que lhe disse no início, os livros desapareceram da base de dados!
Senhora: Pois, então não sei...
...
Tenho vontade de só voltar ao ISCSP daqui por outros 9 meses... Mas consta que tenho uma tese para entregar antes disso... Vou tentar ir à biblioteca da FCSH ou do ISCTE. Será que adoptam uma pobre aluna do ISCSP?
A biblioteca do ISCSP será uma das piores bibliotecas do universo de faculdades públicas daquela dimensão (não, não estou a falar da dimensão da presunção, estou a falar do tamanho real). Por isso, foi com agrado que li no site da biblioteca um texto bonito escrito por um rosto novo. "Queres ver que finalmente arranjaram uma bibliotecária a sério?", questionei-me mentalmente, num tom (mental) esperançoso. Embora tenha reparado que há várias prateleiras que continuam vazias e que os computadores são o maior atraso de vida possível.
Fui, então, procurar no motor de busca dois livros recomendados, há 9 meses (que vergonha, meu deus, sou uma fraude preguiçosa), pelo meu orientador. E reparei que os livros se evaporaram dali. Simplesmente não existiam na base de dados. E fiquei arreliadinha, como fico sempre que tenho de ir ao ISCSP.
À saída, travei mais ou menos este diálogo com uma das senhoras que lá trabalha:
Sara: Retiraram livros aqui da biblioteca? É que há uns tempos requisitei uns livros e agora não aparecem na base de dados...
Senhora: Não, estamos apenas a etiquetá-los novamente. Os que ainda não receberam etiquetação nova estão sem número e portanto estão fora da base de dados.
Sara: Mas vão demorar muito a etiquetar os que faltam?
Senhora: Sim.
Sara: ...
Quanto? É que preciso dos livros para a tese...
Senhora: Não sei...
Sara: ...
Então e não há outra maneira de os requisitar?
Senhora: Só se me der o código antigo...
Sara: Não sei os códigos dos vossos livros, só sei os títulos e os autores!
Senhora: Então diga-me o título, para eu procurar aqui na base de dados da biblioteca
Sara: Mas foi o que lhe disse no início, os livros desapareceram da base de dados!
Senhora: Pois, então não sei...
...
Tenho vontade de só voltar ao ISCSP daqui por outros 9 meses... Mas consta que tenho uma tese para entregar antes disso... Vou tentar ir à biblioteca da FCSH ou do ISCTE. Será que adoptam uma pobre aluna do ISCSP?
Etiquetas:
eu reclamo de carago,
ódios,
parvónia,
voltei à escola
08 novembro, 2011
12 outubro, 2011
Está sempre tudo ao contrário
Um dos problemas de Portugal é o facto de deixarmos tudo para a última da hora.
Temos vários anos para aplicar o processo de Bolonha nas licenciaturas? Vai-se vendo com calma. Até que no último ano do prazo implementa-se à bruta e há miúdos que a meio do seu curso de 4 anos vêem-no reduzido a 3 (aconteceu na Universidade do Porto, juro). Assim, sem mais. É que tinha mesmo que entrar naquele ano.
Jackpot de 3092827373 milhões de euros no euromilhões nessa semana? Ora essa, há toda uma semana para jogar.
Filas intermináveis à sexta-feira ao fim da tarde porque toda a gente achou que ninguém iria deixar o registo do boletim para a última da hora.
Tenho 2 meses para me candidatar a bolsa de estudo? Ui, tanto tempo, e tanta coisa mais urgente para fazer entretanto, como ir ao facebook ou escrever baboseiras num blogue! Na véspera, percebo que estou com problemas em enviar os documentos online e o último dia é sábado, ninguém me vai ajudar. Mil pedidos de perdão no envio atrasado de documentos que basicamente decidiam se eu continuava a estudar ou não.
Assim é ser português, na sua generalidade.
E quem são precisamente os portugueses que não se encaixam nesta descrição?
Idosos.
De todos os portugueses que deixam tudo para a última da hora, são precisamente aqueles que deviam deixar-se andar que querem fazer tudo à primeira. Ir aos correios de manhãzinha antes do trabalho é tarefa hercúlea, nomeadamente se é semana de reformas. Todo o pensionista quer ser o primeiro a entrar nos correios, como se não tivessem a manhã toda ou o dia todo para fazê-lo.
Centros de saúde? Idem. Serviços públicos no geral. Supermercados também, mas isso chateia menos. O idoso levanta-se com as galinhas, vai para a porta do serviço ainda antes dele abrir e espera ali ao calor / frio, provavelmente para depois "não ficar à espera na fila".
Será que isto vem com a idade? Será que ir a um serviço público é encarado como forma de convívio?
Em princípio saberei a resposta daqui a 40 anos. Logo vos digo alguma coisa.
Bem cedinho, claro.
Temos vários anos para aplicar o processo de Bolonha nas licenciaturas? Vai-se vendo com calma. Até que no último ano do prazo implementa-se à bruta e há miúdos que a meio do seu curso de 4 anos vêem-no reduzido a 3 (aconteceu na Universidade do Porto, juro). Assim, sem mais. É que tinha mesmo que entrar naquele ano.
Jackpot de 3092827373 milhões de euros no euromilhões nessa semana? Ora essa, há toda uma semana para jogar.
Filas intermináveis à sexta-feira ao fim da tarde porque toda a gente achou que ninguém iria deixar o registo do boletim para a última da hora.
Tenho 2 meses para me candidatar a bolsa de estudo? Ui, tanto tempo, e tanta coisa mais urgente para fazer entretanto, como ir ao facebook ou escrever baboseiras num blogue! Na véspera, percebo que estou com problemas em enviar os documentos online e o último dia é sábado, ninguém me vai ajudar. Mil pedidos de perdão no envio atrasado de documentos que basicamente decidiam se eu continuava a estudar ou não.
Assim é ser português, na sua generalidade.
E quem são precisamente os portugueses que não se encaixam nesta descrição?
Idosos.
De todos os portugueses que deixam tudo para a última da hora, são precisamente aqueles que deviam deixar-se andar que querem fazer tudo à primeira. Ir aos correios de manhãzinha antes do trabalho é tarefa hercúlea, nomeadamente se é semana de reformas. Todo o pensionista quer ser o primeiro a entrar nos correios, como se não tivessem a manhã toda ou o dia todo para fazê-lo.
Centros de saúde? Idem. Serviços públicos no geral. Supermercados também, mas isso chateia menos. O idoso levanta-se com as galinhas, vai para a porta do serviço ainda antes dele abrir e espera ali ao calor / frio, provavelmente para depois "não ficar à espera na fila".
Será que isto vem com a idade? Será que ir a um serviço público é encarado como forma de convívio?
Em princípio saberei a resposta daqui a 40 anos. Logo vos digo alguma coisa.
Bem cedinho, claro.
29 setembro, 2011
Até por e-mail me atormentais, senhores?!
Caros senhores da Metlife:
Sabem, trabalhar a falsos recibos verdes é uma calamidade que afecta muitos milhares. A situação já é triste o suficiente. No trabalho, vemos chegar mails sobre seguros de saúde que nunca são para nós, vemos os colegas terem mais férias, vemo-los festejar os cheques dos subsídios de férias e Natal que caem na conta, enquanto olhamos para o chão cabisbaixos, com uma sensação de inferioridade qualquer.
Como vêem, a coisa já é suficientemente deprimente. Daquilo que nós não precisamos mesmo é de estarmos descansados no trabalho e vermos saltar, no canto inferior direito do computador, um e-mail de vossas excelências com uma abordagem ainda mais trágica, a falar de doenças e acidentes que podemos ter.
Olhem, resto de bom dia, senhores da Metnojo. Ops! Metlife, assim é que é.
Sabem, trabalhar a falsos recibos verdes é uma calamidade que afecta muitos milhares. A situação já é triste o suficiente. No trabalho, vemos chegar mails sobre seguros de saúde que nunca são para nós, vemos os colegas terem mais férias, vemo-los festejar os cheques dos subsídios de férias e Natal que caem na conta, enquanto olhamos para o chão cabisbaixos, com uma sensação de inferioridade qualquer.
Como vêem, a coisa já é suficientemente deprimente. Daquilo que nós não precisamos mesmo é de estarmos descansados no trabalho e vermos saltar, no canto inferior direito do computador, um e-mail de vossas excelências com uma abordagem ainda mais trágica, a falar de doenças e acidentes que podemos ter.
Clicar na imagem para ver melhor esta afronta
Olhem, resto de bom dia, senhores da Metnojo. Ops! Metlife, assim é que é.
Etiquetas:
A TV afinal tem coisas giras,
eu reclamo de carago,
ódios
27 setembro, 2011
Bullshit!
Parece que a Catalunha teve um rasgo de inteligência no país capital da tourada e decidiu abolir este "espectáculo" (?) deprimente. As lutas de cães são ilegais, se eu espetar um ferro num cão estou a ir contra a lei e se o fizer num humano arrisco-me a ficar uns bons anos na prisão. Por cá ainda se continua a discutir se as touradas têm razão de existir e há mesmo quem seja contra esta decisão da Catalunha.
Se este primeiro parágrafo não é claro o suficiente, eu explico-me: considero qualquer pessoa que seja a favor de um espectáculo que consiste em espetar ferros num animal irracional um verdadeiro asno, com merda de touro no lugar de miolos.
Um dos principais argumentos que estes idiotas usam para defender a tortura é que "é tradição". Tal como é tradição a mutilação genital nas guineenses, ou como era tradição encher o Coliseu de Roma de gente e aplaudir a sua morte cruel. Se tivéssemos mantido todas as tradições desde o início dos tempos, se calhar eu hoje não podia estar aqui a escrever num blogue por ser mulher e pelos meus pais serem da plebe. Claro que um defensor de touradas deveria achar isto muito bem, pois os defensores deste tipo de tradições também costumam ser amigos de tradições familiares que defendem que a mulher só serve para procriar e coser meias. Este é mais um ponto a favor da minha argumentação: sim, vocês são mesmo idiotas.
Outra argumentação disfarçada de preocupação é a de que o fim das touradas levará à extinção dos touros. Claro que sim, até porque todos os animais têm valor comercial para o ser humano, só por isso é que existem! E a carne de touro nem sequer é apreciada por aí. Não! Se os touros não servem para ser mutilados numa arena, então vão ser condenados à extinção, os coitados. É bonito ver a preocupação com a extinção do touro vinda de alguém que bate palmas quando este se esvai em sangue enquanto o povo bate palmas e come pipocas. É gente sensível, esta que defende as touradas.
Outro argumento muito bom é o não argumento: "esses hipócritas que defendem o fim das touradas se calhar à noite jantam um belo bifinho! Ainda se lutassem contra a vida triste que levam os frangos enjaulados!".
Defender o fim de um espectáculo brutal, que explora a dor de um animal para fins de entretenimento (como se as pessoas já não tivessem entretenimento suficiente) é comparável ao comer carne. Bravo. Mas não se pode esperar melhor argumentação de alguém que ri ao ver um animal irracional a defrontar um animal racional montado num cavalo e armado com ferros que espetam. É possível comer carne sem que estes animais tenham vivido uma vida miserável, confinados a jaulas de 1 metro quadrado, que têm de partilhar com mais 300 frangos. Há animais criados ao ar livre. E há quem não coma carne. E - pasme-se! - há quem seja contra touradas e contra os maus tratos infligidos a outros animais! Eu sei, eu sei, é estranho pensar na coisa sob estes moldes. É de facto impressionante imaginar activistas anti-touradas que defendam o fim dos maus tratos a outros animais! Vá-se lá entender como é possível.
E, claro, enquanto existirem mais males no mundo, não se pode lutar contra um mal do mundo. Afinal, existem outros males no mundo que deviam acabar! Vão mas é reivindicar pelo fim desses males do mundo e deixem este mal do mundo sossegado. "Há tantos animais abandonados e vocês preocupados com as touradas!". Indecente. De facto, é indecente.
Ah! Outro argumento giríssimo: "Proibir as touradas é um acto intolerante". Pois é, pois é. Isto de ir contra a vontade de cada um é uma bosta. É isso e proibir o trabalho infantil, ou as violações. Há que ter respeito pela vontade de cada um! Se eu quero afinfar numa mulher mas ela não quer, deve ganhar quem tem mais força! Era o que faltava a lei vir meter o bedelho no livre-arbítrio.
De certeza que me estou a esquecer de mais argumentos usados pelos aficionados. Queiram desculpar, caros asnos. Sintam-se à vontade para vomitar mais argumentação aqui neste blogue. Se ofendi susceptibilidades de adeptos de touradas, saibam que a vossa estupidez também me ofende todos os dias.
Se este primeiro parágrafo não é claro o suficiente, eu explico-me: considero qualquer pessoa que seja a favor de um espectáculo que consiste em espetar ferros num animal irracional um verdadeiro asno, com merda de touro no lugar de miolos.
Um dos principais argumentos que estes idiotas usam para defender a tortura é que "é tradição". Tal como é tradição a mutilação genital nas guineenses, ou como era tradição encher o Coliseu de Roma de gente e aplaudir a sua morte cruel. Se tivéssemos mantido todas as tradições desde o início dos tempos, se calhar eu hoje não podia estar aqui a escrever num blogue por ser mulher e pelos meus pais serem da plebe. Claro que um defensor de touradas deveria achar isto muito bem, pois os defensores deste tipo de tradições também costumam ser amigos de tradições familiares que defendem que a mulher só serve para procriar e coser meias. Este é mais um ponto a favor da minha argumentação: sim, vocês são mesmo idiotas.
Outra argumentação disfarçada de preocupação é a de que o fim das touradas levará à extinção dos touros. Claro que sim, até porque todos os animais têm valor comercial para o ser humano, só por isso é que existem! E a carne de touro nem sequer é apreciada por aí. Não! Se os touros não servem para ser mutilados numa arena, então vão ser condenados à extinção, os coitados. É bonito ver a preocupação com a extinção do touro vinda de alguém que bate palmas quando este se esvai em sangue enquanto o povo bate palmas e come pipocas. É gente sensível, esta que defende as touradas.
Outro argumento muito bom é o não argumento: "esses hipócritas que defendem o fim das touradas se calhar à noite jantam um belo bifinho! Ainda se lutassem contra a vida triste que levam os frangos enjaulados!".
Defender o fim de um espectáculo brutal, que explora a dor de um animal para fins de entretenimento (como se as pessoas já não tivessem entretenimento suficiente) é comparável ao comer carne. Bravo. Mas não se pode esperar melhor argumentação de alguém que ri ao ver um animal irracional a defrontar um animal racional montado num cavalo e armado com ferros que espetam. É possível comer carne sem que estes animais tenham vivido uma vida miserável, confinados a jaulas de 1 metro quadrado, que têm de partilhar com mais 300 frangos. Há animais criados ao ar livre. E há quem não coma carne. E - pasme-se! - há quem seja contra touradas e contra os maus tratos infligidos a outros animais! Eu sei, eu sei, é estranho pensar na coisa sob estes moldes. É de facto impressionante imaginar activistas anti-touradas que defendam o fim dos maus tratos a outros animais! Vá-se lá entender como é possível.
E, claro, enquanto existirem mais males no mundo, não se pode lutar contra um mal do mundo. Afinal, existem outros males no mundo que deviam acabar! Vão mas é reivindicar pelo fim desses males do mundo e deixem este mal do mundo sossegado. "Há tantos animais abandonados e vocês preocupados com as touradas!". Indecente. De facto, é indecente.
Ah! Outro argumento giríssimo: "Proibir as touradas é um acto intolerante". Pois é, pois é. Isto de ir contra a vontade de cada um é uma bosta. É isso e proibir o trabalho infantil, ou as violações. Há que ter respeito pela vontade de cada um! Se eu quero afinfar numa mulher mas ela não quer, deve ganhar quem tem mais força! Era o que faltava a lei vir meter o bedelho no livre-arbítrio.
De certeza que me estou a esquecer de mais argumentos usados pelos aficionados. Queiram desculpar, caros asnos. Sintam-se à vontade para vomitar mais argumentação aqui neste blogue. Se ofendi susceptibilidades de adeptos de touradas, saibam que a vossa estupidez também me ofende todos os dias.
Etiquetas:
eu reclamo de carago,
nuestros hermanos son fodidios,
ódios,
pessoas
22 setembro, 2011
Esta vida é uma sopa
O que pode ser pior do que ter de almoçar hoje só sopa?
-Ter de o fazer durante uma semana inteira.
Há alguma coisa pior do que ter uma panela gigante de sopa para comer durante uma semana porque moramos sozinhas e é feio deitar comida fora?
-Sim. Ter uma panela gigante cheia de sopa com sal a mais.
-Ter de o fazer durante uma semana inteira.
Há alguma coisa pior do que ter uma panela gigante de sopa para comer durante uma semana porque moramos sozinhas e é feio deitar comida fora?
-Sim. Ter uma panela gigante cheia de sopa com sal a mais.
04 agosto, 2011
Finanças, essas brincalhonas
Há um ano e dois meses que ansiava pelo dia em que ia pôr de lado, para sempre, o meu malogrado livro de (falsos) recibos verdes (que na verdade são azuis). Pois esse dia chegou!!!!!! Urra!!! Viva o fim do meu livro de recibos verdes!!!!! Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhwgsihsçwoisj!!!
...
Emiti, agora mesmo, o meu primeiro recibo verde electrónico (mesmo online, continua a ser azul. Que ninguém ponha em causa o humor das Finanças, sempre a brincar com o pessoal).
Pensei que não seria abrangida pela obrigatoriedade de emitir o recibo electrónico, uma vez que não atinjo os 10 mil euros anuais. Mas as Finanças, essas danadas para a brincadeira, são também muito democráticas: quem não atinge esse valor pode continuar a passar os recibos em papel. Só que não pode ser um recibo das dezenas que me sobram no livro que eu já tenho. Não! Têm de ser outros, que teria de ir pedir às Finanças, e em que cada um custa 10 cêntimos. É de louvar a compreensão do Ministério das Finanças por quem ainda tem um livro para acabar. Deu-se ao trabalho de criar novos recibos a 10 cêntimos cada um, o que significa praticamente obrigar o pessoal a tratar da coisa online.
A pièce de résistence? Depois de emitir o recibo verde online, tenho de o imprimir para entregar à entidade patronal.
Aplaudo de pé a maneira como o nosso governo gasta o seu tempo. A pensar em esquemas brutais que não servem de nada, em vez de pensarem em como combater os esquemas brutais em que são colocadas milhares de pessoas a falsos recibos verdes. Andamos a brincar, não é? Como eu gostava de retribuir a brincadeira. Por exemplo com uma espingarda.
...
Emiti, agora mesmo, o meu primeiro recibo verde electrónico (mesmo online, continua a ser azul. Que ninguém ponha em causa o humor das Finanças, sempre a brincar com o pessoal).
Pensei que não seria abrangida pela obrigatoriedade de emitir o recibo electrónico, uma vez que não atinjo os 10 mil euros anuais. Mas as Finanças, essas danadas para a brincadeira, são também muito democráticas: quem não atinge esse valor pode continuar a passar os recibos em papel. Só que não pode ser um recibo das dezenas que me sobram no livro que eu já tenho. Não! Têm de ser outros, que teria de ir pedir às Finanças, e em que cada um custa 10 cêntimos. É de louvar a compreensão do Ministério das Finanças por quem ainda tem um livro para acabar. Deu-se ao trabalho de criar novos recibos a 10 cêntimos cada um, o que significa praticamente obrigar o pessoal a tratar da coisa online.
A pièce de résistence? Depois de emitir o recibo verde online, tenho de o imprimir para entregar à entidade patronal.
Aplaudo de pé a maneira como o nosso governo gasta o seu tempo. A pensar em esquemas brutais que não servem de nada, em vez de pensarem em como combater os esquemas brutais em que são colocadas milhares de pessoas a falsos recibos verdes. Andamos a brincar, não é? Como eu gostava de retribuir a brincadeira. Por exemplo com uma espingarda.
Etiquetas:
Coisas do mundo laboral,
eu reclamo de carago,
ódios,
parvónia
28 julho, 2011
Medidas para além das medidas que vão para além da Troika
Pedro Passos Coelho disse desde o início do seu mandato que achava que era necessário ir além das medidas impostas pela Troika, para acalmar os mercados.
Os mercados não se acalmaram, estão nervosos, os pobres mercados. A Moody's leu as medidas extra e atirou-nos para o lixo.
Pois eu digo: é preciso ir para além das medidas que já iam para além da Troika. Não podemos permitir que digam que é lixo um país onde os idosos ficam 10 horas numa maca no corredor da urgência; onde uma pessoa espera anos na Justiça por uma decisão; onde gente importante que comete crimes de corrupção sai impune; onde o ordenado mínimo é de 475€ e achar um t1 em Lisboa para arrendar por esse preço é fantástico; onde os recém-licenciados têm de emigrar para serem valorizados; onde promover estágios não remunerados é prática comum; onde se aumentam os encargos aos pobres e remediados para sustentar uma crise que não geraram, ao mesmo tempo que se vê que os lucros dos bancos e dos portugueses mais ricos aumentam à grande.
Enfim, já estava a divagar. Após um estudo exaustivo, proponho algumas medidas para tirar o país do buraco e acalmar mercados e demais merceeiros:
Sei que podemos implementar muitas mais medidas para além daquelas que proponho. Basta de brincar às austeridades. Como vêem, os mercados não caem nessas esparrelas de impostos sobre o subsídio de Natal, indemnizações de despedimentos de 10 dias e privatizações ao desbarato de sectores estratégicos que até dão lucro. É preciso mais, caros conterrâneos. Se querem que este país vá para a frente, há que fazer pequenos sacrifícios! Além de que faríamos de Angela Merkel uma mulher feliz. Já era tempo.
Os mercados não se acalmaram, estão nervosos, os pobres mercados. A Moody's leu as medidas extra e atirou-nos para o lixo.
Pois eu digo: é preciso ir para além das medidas que já iam para além da Troika. Não podemos permitir que digam que é lixo um país onde os idosos ficam 10 horas numa maca no corredor da urgência; onde uma pessoa espera anos na Justiça por uma decisão; onde gente importante que comete crimes de corrupção sai impune; onde o ordenado mínimo é de 475€ e achar um t1 em Lisboa para arrendar por esse preço é fantástico; onde os recém-licenciados têm de emigrar para serem valorizados; onde promover estágios não remunerados é prática comum; onde se aumentam os encargos aos pobres e remediados para sustentar uma crise que não geraram, ao mesmo tempo que se vê que os lucros dos bancos e dos portugueses mais ricos aumentam à grande.
Enfim, já estava a divagar. Após um estudo exaustivo, proponho algumas medidas para tirar o país do buraco e acalmar mercados e demais merceeiros:
- Esquecer a proposta de diminuir para 10 dias o tempo de direito a indemnização por despedimento, e substituí-lo por uma indemnização paga pelo trabalhador despedido ao seu patrão. Se foi despedido é porque mereceu. Logo, deve compensar o pobre patrão pelo transtorno.
- Criar um imposto extra para quem circula por cima de alcatrão. É estúpido estarmos ainda a contestar o fim das SCUT, que penaliza sobretudo regiões deprimidas, e que ainda por cima é um negócio ruinoso para todos menos para as concessionárias. Não. É necessário taxar quem circula sobre alcatrão, seja de carro, de bicicleta ou a pé. Há caminhos alternativos, por isso quem quiser que dê a volta pelas ruas em pedra ou em terra. Isto pode ser importante para dinamizar o interior, onde os caminhos são maioritariamente em terra. Vai ser a debandada geral para o Alentejo. Com esta medida conseguiremos receitas extraordinárias e ainda povoamos o interior. Porra, sou genial. Nem sei como ainda ganho o que ganho a falsos recibos verdes.
- Criar um imposto extra para os turistas. Quem quiser cá entrar, deveria ter de pagar uma taxa extra de 50% sobre o valor total da viagem + alojamento. E fazer contas é fácil, basta usar o método que o governo usou para calcular as receitas do fim das SCUT: partindo do princípio que 100 0000 turistas vêm a Portugal num ano e que cada um gasta aqui 1000 euros, vejam só quanto dinheiro vamos buscar a estes camafeus. Obviamente que eles continuarão a escolher Portugal como destino turístico depois desta taxa, tal como os automobilistas continuarão a usar as ex-SCUT à grande como usavam antes. Eu sei, eu sei, parece fácil, mas isto tem que se lhe diga. Foram horas de investigação.
- Acabar com programas idiotas de incentivo ao arrendamento jovem, como o Porta 65 ou, pior ainda, bonificações de empréstimos. É verdade que isso contribuiria para que os jovens ficassem em casa dos pais, não até aos 30, mas mais uma década ou duas. Para ajudar os pais a livrarem-se destes mammoni mais cedo, proponho que criemos campos ao género dos refugiados, mas dando-lhes outro nome, tipo "Quinta do Aldeamento". Fica mais barato porque é só montar umas tendas e criar sanitários públicos, e permite poupar em rendas, pois o preço cobrado seria simbólico. Assim por alto, 150€ à cabeça, por exemplo. Quem quiser ter electricidade paga mais 50€.
- Acabar com o fim-de-semana. Mas que porra é essa dos "dias de descanso"? O descanso vem todos os dias após a jornada laboral. Esta deverá ainda ser aumentada, de 8h para 12horas máximas diárias. Com menos 4h por dia para laurear a pevide, o trabalhador tem menos tempo para gastar dinheiro em compras, e tem também menos tempo para comer, aumentando assim as suas poupanças. Não é por acaso que a China está onde está. Ponham os olhos naquele povo impressionante. É com ele que devemos competir, pela via do custo.
- Diminuir os anos de escolaridade obrigatória e a idade mínima para trabalhar. Todos sabemos que um jovem aos 12 anos já diz orgulhosamente que não é uma criança. Então chega de catalogar os jovens que trabalham com essa idade como "trabalho infantil". Esta mão-de-obra é útil a um país cada vez mais envelhecido e com mais reformados para sustentar. Além disso, um jovem para trabalhar num call-center ou numa caixa de supermercado não necessita de 12 anos de escolaridade, muito menos de licenciaturas. Com esta medida, acabaremos também com o problema da falta de empregos qualificados para licenciados. Se não houver licenciados, deixa de haver tanta reivindicação e manifestação, havendo mais tempo para trabalhar e produzir. E isso é que é importante, basta olhar para a China.
- Acabar com a publicidade. A publicidade apela ao consumismo, e é o consumismo que nos leva a não ter poupanças para pôr nos bancos, ajudando-os neste momento difícil que atravessam. Para além de ajudarmos os bancos e aumentarmos as exportações, pois se não consumimos temos mais coisas para exportar, ainda acabávamos com essa classe de inúteis que são os jornalistas. Sem dinheirinho da publicidade a sustentar-vos, acabava-se a boa vida.
Sei que podemos implementar muitas mais medidas para além daquelas que proponho. Basta de brincar às austeridades. Como vêem, os mercados não caem nessas esparrelas de impostos sobre o subsídio de Natal, indemnizações de despedimentos de 10 dias e privatizações ao desbarato de sectores estratégicos que até dão lucro. É preciso mais, caros conterrâneos. Se querem que este país vá para a frente, há que fazer pequenos sacrifícios! Além de que faríamos de Angela Merkel uma mulher feliz. Já era tempo.
Etiquetas:
eu reclamo de carago,
ódios,
parvónia,
politiquices
13 junho, 2011
Tour Santos 2011
Comecei a minha tour Santos 2011. Não que alguma vez tenha feito alguma do género. E não interessa se são só dois santos e duas paragens. Achei que denominar a coisa desta maneira me dava algum prestígio.
Pela primeira vez fui ao Santo António. É giro, sim senhor. Há bailaricos a cada 100 metros, há música pimba, há bifanas e sardinhas (para os vegetarianos há manjerico), há cerveja, muita cerveja, sangria e tudo o mais de líquidos que possam imaginar.
E o que é que não há?
Casas-de-banho.
Dado que as marcas de cerveja combatem entre si para ver quem é a cara oficial do evento, não haver casas de banho é uma tragédia. Os restaurantes e cafés vendem tudo cá fora e não deixam ninguém ir esvaziar a bexiga. Há outros que dizem que "a casa-de-banho está avariada, é só para clientes". Nada mais legítimo. O que não é bonito é eu querer comprar qualquer coisa para ir à casa-de-banho e ainda assim não me quererem deixar. Isto é tortura, devia ter chamado a polícia.
Perguntei-me se seria a primeira vez que a cidade festejava os Santos Populares, porque um erro destes é de principiante. Disseram-me que não, que isto é coisa secular. Pronto, então o pessoal é só badalhoco. Eu sei, eu sei, sou uma esquisita que não gosta de se passear na rua sobre o mijo do pessoal que se alivia em praça pública.
A tour começou ontem e acaba dia 23, no São João. Acho que vou saltar o São Pedro. Entretanto vou a Bruxelas, ver se também há lá alguma festa religiosa. O ponto alto do meu ano é este: fazer a mala, ler o guia da cidade estrangeira que me preparo para conhecer, limpar as fotos da viagem passada que ainda estão na máquina fotográfica e rezar para que o tempo lá passe devagar.
Podia passar grande parte da vida a viajar... Mas o teimoso do euromilhões não me cai no bolso. Se bem que eu também não jogo...
P.S.: Aquilo de ir a Bruxelas a uma festa religiosa era a chamada ironia. Vou ter de começar a colocar estas chamadas de atenção, porque quase nunca ninguém percebe que estou a ser irónica / sarcástica. Mas que raio, onde anda o vosso humor, conterrâneos?
Pela primeira vez fui ao Santo António. É giro, sim senhor. Há bailaricos a cada 100 metros, há música pimba, há bifanas e sardinhas (para os vegetarianos há manjerico), há cerveja, muita cerveja, sangria e tudo o mais de líquidos que possam imaginar.
E o que é que não há?
Casas-de-banho.
Dado que as marcas de cerveja combatem entre si para ver quem é a cara oficial do evento, não haver casas de banho é uma tragédia. Os restaurantes e cafés vendem tudo cá fora e não deixam ninguém ir esvaziar a bexiga. Há outros que dizem que "a casa-de-banho está avariada, é só para clientes". Nada mais legítimo. O que não é bonito é eu querer comprar qualquer coisa para ir à casa-de-banho e ainda assim não me quererem deixar. Isto é tortura, devia ter chamado a polícia.
Perguntei-me se seria a primeira vez que a cidade festejava os Santos Populares, porque um erro destes é de principiante. Disseram-me que não, que isto é coisa secular. Pronto, então o pessoal é só badalhoco. Eu sei, eu sei, sou uma esquisita que não gosta de se passear na rua sobre o mijo do pessoal que se alivia em praça pública.
A tour começou ontem e acaba dia 23, no São João. Acho que vou saltar o São Pedro. Entretanto vou a Bruxelas, ver se também há lá alguma festa religiosa. O ponto alto do meu ano é este: fazer a mala, ler o guia da cidade estrangeira que me preparo para conhecer, limpar as fotos da viagem passada que ainda estão na máquina fotográfica e rezar para que o tempo lá passe devagar.
Berlim - 2009
Podia passar grande parte da vida a viajar... Mas o teimoso do euromilhões não me cai no bolso. Se bem que eu também não jogo...
P.S.: Aquilo de ir a Bruxelas a uma festa religiosa era a chamada ironia. Vou ter de começar a colocar estas chamadas de atenção, porque quase nunca ninguém percebe que estou a ser irónica / sarcástica. Mas que raio, onde anda o vosso humor, conterrâneos?
Etiquetas:
Arrivederci,
eu reclamo de carago,
Lisboazíces,
Mundo
18 maio, 2011
Porque é que pensar é uma chatice
... porque quando me dá para pensar um bocadinho, lembro-me que desde que trabalho que a minha qualidade de vida decresceu substancialmente.
E que não tenho perspectivas de a ver melhorada.
É lixado quando passamos 8h por dia a trabalhar e nem uma casa conseguimos pagar. É frustrante. É, acho posso dizer, revoltante, lembrar que se estivesse em casa sem nada para fazer vivia melhor do que vivo agora.
Mas examinar a situação laboral de merda que se vive hoje em dia não é problema. Debatamos os bancos, o aumento das reformas (e nunca a necessidade de criar condições para que se aumentem os bebés), essas coisas mais fundamentais.
E que não tenho perspectivas de a ver melhorada.
É lixado quando passamos 8h por dia a trabalhar e nem uma casa conseguimos pagar. É frustrante. É, acho posso dizer, revoltante, lembrar que se estivesse em casa sem nada para fazer vivia melhor do que vivo agora.
Mas examinar a situação laboral de merda que se vive hoje em dia não é problema. Debatamos os bancos, o aumento das reformas (e nunca a necessidade de criar condições para que se aumentem os bebés), essas coisas mais fundamentais.
Etiquetas:
Coisas do mundo laboral,
eu reclamo de carago,
parvónia
Subscrever:
Mensagens (Atom)





