... the soil falling over my head.
Um deserto de ideias, mantido por um cérebro composto apenas por alguns grãos de areia.
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25 janeiro, 2014
04 abril, 2013
Ó Relvas, ó Relvas, porta da rua à vista
A demissão de Relvas é motivo para tirar este pasquim do marasmo a que foi condenado pela preguiçosa da sua autora.
As redes sociais estão ao rubro. Pelo meio, aqueles que adoram ser contracorrente e criticar quem celebra, porque os outros ainda estão lá todos, ou porque celebrar a saída deste pedaço de trampa é esquecer que ainda há muito lixo para varrer de Sãoo Bento.
Por toda a porcaria que fez, por tudo o que cheira mal no seu percurso, sai pela falsa licenciatura. Sai demasiado tarde. Na verdade, nunca lá devia ter entrado.
Espero que seja o primeiro de muitos.
Morra o Relvas, morra! Pim!
As redes sociais estão ao rubro. Pelo meio, aqueles que adoram ser contracorrente e criticar quem celebra, porque os outros ainda estão lá todos, ou porque celebrar a saída deste pedaço de trampa é esquecer que ainda há muito lixo para varrer de Sãoo Bento.
Por toda a porcaria que fez, por tudo o que cheira mal no seu percurso, sai pela falsa licenciatura. Sai demasiado tarde. Na verdade, nunca lá devia ter entrado.
Espero que seja o primeiro de muitos.
Morra o Relvas, morra! Pim!
24 setembro, 2012
Adeus, Professor
No vocabulário do professor os jornalistas são "cervejeiros"; o pai de George W Bush é "Bush papá" e combater é "dar porrada"." Tudo isto fica na cabeça dos seus alunos.
Eram mesmo assim as aulas do Professor Milan Rados no Curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto. Nascido em território bósnio, o conflito na Jugoslávia foi a matéria mais completa que demos nas aulas de História do Mundo Contemporâneo. Tenho pena de não ter estudado nada para o exame, porque foi provavelmente a minha cadeira preferida naquele ano.
Das aulas já pouco me lembro - da matéria idem. Sempre tive uma memória muito fraca. Mas a forma original e cativante como o professor contava a história, os termos que usava e a sua forma de falar nos "cervejerros" - era assim que se referia aos jornalistas - ficaram mesmo para sempre.
Há pouco tempo deliciei-me a relembrar aqueles tempos, na entrevista que o Expresso publicou sobre este bósnio radicado no Porto. Foi com muita tristeza que acabei de saber que o Professor morreu hoje. Pelo número de partilhas de ex-alunos no facebook e pelas palavras que lhe dedicam, fico contente por saber que marcou muitos mais.
Até sempre.
22 agosto, 2012
29 março, 2012
Off she goes, parte 1029382910
Então parece que é desta.
Ainda há dois meses tomei a grande decisão de ficar pobre mas ter um quarto só pra mim em pleno centro de Lisboa, e já me vou mudar outra vez. Depois de ter partilhado casa com duas na Ajuda, de me ter mudado para uma residência universitária de 80 na Cruz Quebrada, ter mudado para outra residência de 13 em Picoas e ter dividido casa com outra Sara no Campo Pequeno, agora vou sozinha para a Estefânia.
Ando há dois anos e meio de tralhas às costas contrariada, e a sonhar com isto. Chegou o momento.
Na mesma altura em que o meu namorado se vai mudar sozinho para um T2, eu preferi arranjar o meu canto e vou morar, pela primeira vez, sozinha. Vou chegar a casa, largar tudo onde me apetece, ligar a música, cantar como uma croma do Ídolos, pôr uma aparelhagem na casa-de-banho, pensar alto, jantar nestum e deixar a loiça por lavar até ao dia seguinte. Vou poder receber quem eu quiser à hora que eu quiser. Vou poder usar tudo, não vou ter nada dividido, como até agora. Não me vou poder queixar que a outra não limpa. Não sou contra a sujidade, atenção, sou apenas contra a sujidade dos outros. Sou tão filha única...
Agora as coisas más: não vou entregar a dissertação de mestrado no prazo estipulado. Vou 'comprar' mais um ano de sofrimento, mais um ano de nuvem na cabeça. Se não entregar este ano, assumo finalmente que isto das teses não é comigo. Eu sempre soube que não era, mas parece que é a condição para terminar um mestrado. Que gente picuinhas... Mas vale a pena o sacrifício, porque quando tiver o diploma vou passar a receber mais e a arranjar trabalho facilmente em Portugal! Oh, wait.....
Então parece que é desta. A miss aversa à mudança vai-se mudar outra vez. Espero não chegar ao prédio e descobrir que o vizinho de cima faz cultos satânicos ou que há um infantário no apartamento ao lado. O preço da minha independência foi demasiado barato para os padrões chulos de Lisboa... Vou descobrir já este domingo.
Acho que estou a ficar velha e aborrecida. Mas, caramba, vou ser uma velha aborrecida bué independente. :)
Ainda há dois meses tomei a grande decisão de ficar pobre mas ter um quarto só pra mim em pleno centro de Lisboa, e já me vou mudar outra vez. Depois de ter partilhado casa com duas na Ajuda, de me ter mudado para uma residência universitária de 80 na Cruz Quebrada, ter mudado para outra residência de 13 em Picoas e ter dividido casa com outra Sara no Campo Pequeno, agora vou sozinha para a Estefânia.
Ando há dois anos e meio de tralhas às costas contrariada, e a sonhar com isto. Chegou o momento.
Na mesma altura em que o meu namorado se vai mudar sozinho para um T2, eu preferi arranjar o meu canto e vou morar, pela primeira vez, sozinha. Vou chegar a casa, largar tudo onde me apetece, ligar a música, cantar como uma croma do Ídolos, pôr uma aparelhagem na casa-de-banho, pensar alto, jantar nestum e deixar a loiça por lavar até ao dia seguinte. Vou poder receber quem eu quiser à hora que eu quiser. Vou poder usar tudo, não vou ter nada dividido, como até agora. Não me vou poder queixar que a outra não limpa. Não sou contra a sujidade, atenção, sou apenas contra a sujidade dos outros. Sou tão filha única...
Agora as coisas más: não vou entregar a dissertação de mestrado no prazo estipulado. Vou 'comprar' mais um ano de sofrimento, mais um ano de nuvem na cabeça. Se não entregar este ano, assumo finalmente que isto das teses não é comigo. Eu sempre soube que não era, mas parece que é a condição para terminar um mestrado. Que gente picuinhas... Mas vale a pena o sacrifício, porque quando tiver o diploma vou passar a receber mais e a arranjar trabalho facilmente em Portugal! Oh, wait.....
Então parece que é desta. A miss aversa à mudança vai-se mudar outra vez. Espero não chegar ao prédio e descobrir que o vizinho de cima faz cultos satânicos ou que há um infantário no apartamento ao lado. O preço da minha independência foi demasiado barato para os padrões chulos de Lisboa... Vou descobrir já este domingo.
Acho que estou a ficar velha e aborrecida. Mas, caramba, vou ser uma velha aborrecida bué independente. :)
15 março, 2012
Shoe the shoeless
Numa altura em que um secretário de Estado se demite sob circunstâncias muito duvidosas, em que o rating da Grécia sobe sabe-se lá porquê, a Espanha se recusa a cumprir a meta do défice e Portugal é obrigado a cumprir tudo à risca, hoje venho aqui falar de um assunto muito importante: sapatilhas.
O tema é sensível logo desde o nome que escolhi para denominar aquela coisa que trazemos nos pés. Há quem lhes chame "ténis", confundindo calçado com desporto. Enfim, percalços da vida. Mas o que eu realmente vim cá hoje fazer foiperder tempo recordar as minhas Converse mais queridas (2006-2008. RIP).
As minhas primeiras all star dos tempos modernos (tive umas em criança, como qualquer petiz de final dos anos 80 /início dos anos 90) acompanharam-me durante ano e meio... Estiveram comigo em duas Queimas das Fitas do Porto e uma de Aveiro (e sabe deus a provação que isso não é!), partilharam comigo a euforia de 3 concertos de Pearl Jam, acompanharam-me tantas vezes a Lisboa para belos festivais e concertos, foram comigo a Londres, a Dusseldorf e a Barcelona, moraram comigo 6 meses em Roma e partiram comigo à descoberta de Itália... Foi com elas que andei de Gôndola em Veneza, caramba, quão romântico pode isto ser?? Ainda choraram comigo o regresso a Portugal e, apesar do cansaço e da velhice, ainda conseguiram resistir ao frio de Estocolmo...
Só que a minha Queima das fitas de finalista, em 2008, foi uma provação demasiado grande para as minhas idosas Converse... e tiveram uma overdose no que ao calçado diz respeito.
Mas eu não ía conseguir livrar-me delas.. o meu amor por elas superava qualquer cheiro insuportável que elas pudessem libertar... Até que, na manhã (duas da tarde) pós noitada de Queima das Fitas, descubro que a minha mãe, a minha própria mãe, lhes tinha dado o golpe de misericórdia enquanto eu dormia...
Fui dar com elas no lixo. No lixo! As minhas companheiras, abandonadas assim numa lata de lixo. Oh, final inglório. A velhice é uma coisa muito triste, não haja dúvidas... Oh, a ingratidão... Ainda fui lá pegar nelas para lhes tirar este retrato e imortalizá-las. Ok, confesso que fui lá para ver se eram recuperáveis, se ainda haveria alguma coisa a fazer pelas minhas pequeninas, mas a minha mãe conseguiu colocar-me algum juízo na cabeça e eu compreendi que era o fim.
O facto de já ter umas novas no armário também ajudou a que essa compreensão acontecesse sem grandes birras. E para superar a dor imensa que estava a sentir, logo de seguida fui com as minhas novas all star para Braga ver Linda Martini...
É preciso começar a educar as all star logo desde pequeninas, não é?
O tema é sensível logo desde o nome que escolhi para denominar aquela coisa que trazemos nos pés. Há quem lhes chame "ténis", confundindo calçado com desporto. Enfim, percalços da vida. Mas o que eu realmente vim cá hoje fazer foi
As minhas primeiras all star dos tempos modernos (tive umas em criança, como qualquer petiz de final dos anos 80 /início dos anos 90) acompanharam-me durante ano e meio... Estiveram comigo em duas Queimas das Fitas do Porto e uma de Aveiro (e sabe deus a provação que isso não é!), partilharam comigo a euforia de 3 concertos de Pearl Jam, acompanharam-me tantas vezes a Lisboa para belos festivais e concertos, foram comigo a Londres, a Dusseldorf e a Barcelona, moraram comigo 6 meses em Roma e partiram comigo à descoberta de Itália... Foi com elas que andei de Gôndola em Veneza, caramba, quão romântico pode isto ser?? Ainda choraram comigo o regresso a Portugal e, apesar do cansaço e da velhice, ainda conseguiram resistir ao frio de Estocolmo...
Só que a minha Queima das fitas de finalista, em 2008, foi uma provação demasiado grande para as minhas idosas Converse... e tiveram uma overdose no que ao calçado diz respeito.
Mas eu não ía conseguir livrar-me delas.. o meu amor por elas superava qualquer cheiro insuportável que elas pudessem libertar... Até que, na manhã (duas da tarde) pós noitada de Queima das Fitas, descubro que a minha mãe, a minha própria mãe, lhes tinha dado o golpe de misericórdia enquanto eu dormia...
O facto de já ter umas novas no armário também ajudou a que essa compreensão acontecesse sem grandes birras. E para superar a dor imensa que estava a sentir, logo de seguida fui com as minhas novas all star para Braga ver Linda Martini...
É preciso começar a educar as all star logo desde pequeninas, não é?
30 janeiro, 2012
Assinas mas é o c...
Ao contrário do que o título possa indicar (e todo este blogue, de uma forma geral), hoje venho aqui postar coisas boas. E não vou resmungar sobre nadinha. Prometo!
Então aqui vai:
Depois de 7 ou 8 empresas de trabalho temporário,
depois de ano e meio a falsos recibos verdes,
e no pior ano de sempre da história, seja porque o mundo vai acabar, seja porque estamos a regredir em direitos sociais e Portugal é lixo e os mercados estão com uma depressãogananciosa nervosa e o desemprego está em alta e etc,
assinei hoje o meu primeiro contrato de trabalho a sério. Vou descontar para a reforma pela primeira vez na vida. (Sim, eu sei que quando for velha já não existem reformas, mas deixem-me mais a minha felicidade, ok?). E vou ter seguro de saúde. Quantas pessoas em Portugal, com 24 anos de idade, podem dizer que têm:
1- um trabalho na área em que estudaram (sobretudo quando a área é Letras)
2- um contrato de trabalho
3- um seguro de saúde?
Epah, até estou nervosa. Mas sobre que vou eu refilar agora? Com isto de ter contrato de trabalho perdi imenso material para resmungar. Enfim, nada é perfeito.
Ah, assim para acabar com mais uma boa notícia, decidi finalmente dizer ARRIVEDERCI à residência universitária. Afinal, sou uma gaja de 24 anos com um contrato de trabalho. Mereço ter um quarto só para mim e não dividir uma casa-de-banho com mais 13 miúdas. Mudo-me na 5ª feira, para uma casa junto à Av. 5 de Outubro, onde mora mais uma Sara. Vamos ver se aquele t2 não é demasiado pequeno para duas Saras (contando que ela não seja tão insuportável quanto eu, tudo correrá pelo melhor, e teremos todos os dias diálogos interessantíssimos, como: "Olá Sara!", "Olá Sara").
Gostei muito do primeiro mês de 2012. Se os Maias tiverem razão e o mundo acabar em Dezembro deste ano, acabo em grande.
Então aqui vai:
Depois de 7 ou 8 empresas de trabalho temporário,
depois de ano e meio a falsos recibos verdes,
e no pior ano de sempre da história, seja porque o mundo vai acabar, seja porque estamos a regredir em direitos sociais e Portugal é lixo e os mercados estão com uma depressão
assinei hoje o meu primeiro contrato de trabalho a sério. Vou descontar para a reforma pela primeira vez na vida. (Sim, eu sei que quando for velha já não existem reformas, mas deixem-me mais a minha felicidade, ok?). E vou ter seguro de saúde. Quantas pessoas em Portugal, com 24 anos de idade, podem dizer que têm:
1- um trabalho na área em que estudaram (sobretudo quando a área é Letras)
2- um contrato de trabalho
3- um seguro de saúde?
Epah, até estou nervosa. Mas sobre que vou eu refilar agora? Com isto de ter contrato de trabalho perdi imenso material para resmungar. Enfim, nada é perfeito.
Ah, assim para acabar com mais uma boa notícia, decidi finalmente dizer ARRIVEDERCI à residência universitária. Afinal, sou uma gaja de 24 anos com um contrato de trabalho. Mereço ter um quarto só para mim e não dividir uma casa-de-banho com mais 13 miúdas. Mudo-me na 5ª feira, para uma casa junto à Av. 5 de Outubro, onde mora mais uma Sara. Vamos ver se aquele t2 não é demasiado pequeno para duas Saras (contando que ela não seja tão insuportável quanto eu, tudo correrá pelo melhor, e teremos todos os dias diálogos interessantíssimos, como: "Olá Sara!", "Olá Sara").
Gostei muito do primeiro mês de 2012. Se os Maias tiverem razão e o mundo acabar em Dezembro deste ano, acabo em grande.
Etiquetas:
Arrivederci,
Coisas do mundo laboral,
Lisboazíces
30 dezembro, 2011
tu divertes-me no bom sentido
e gosto de estar contigo
tens um riso delicioso e contagiante
Às vezes os amigos não sabem o impacto que palavras simples como estas podem ter. Mas se as dissessem mais vezes, não era tão especial. Se alguém do mundo da internet se esbarrar neste post, da próxima vez que pensarem algo como "hum, este meu amigo é mesmo [inserir elogio]", digam-no.
E é assim que digo adeus a 2011 e vos desejo um óptimo ano. Até porque se o mundo vai acabar em 2012 com um desastre qualquer, que pelo menos até ao juízo final seja agradavelzinho.Se for economicamente mau, que as restantes componentes da vida compensem essa lacuna.
e gosto de estar contigo
tens um riso delicioso e contagiante
Às vezes os amigos não sabem o impacto que palavras simples como estas podem ter. Mas se as dissessem mais vezes, não era tão especial. Se alguém do mundo da internet se esbarrar neste post, da próxima vez que pensarem algo como "hum, este meu amigo é mesmo [inserir elogio]", digam-no.
E é assim que digo adeus a 2011 e vos desejo um óptimo ano. Até porque se o mundo vai acabar em 2012 com um desastre qualquer, que pelo menos até ao juízo final seja agradavelzinho.Se for economicamente mau, que as restantes componentes da vida compensem essa lacuna.
08 novembro, 2011
Arrivederci, Berlusconi
O dia em que se perspectiva a demissão de Silvio Berlusconi do cargo de Primeiro-Ministro de Itália poderia ser um dia feliz para a bota. Só não é porque Berlusconi esteve no poder de 1994 a 1995, de 2001 a 2006 e foi reeleito em 2008. Anos demais. E que deixam mazelas num país pelo qual sou apaixonada.
A Itália caminha hoje para uma situação aflitiva que por cá já conhecemos e o seu papel no mundo tem vindo a diminuir. Hoje ouvimos falar da Itália porque Berlusconi - um bon vivant com tiques de machista, fascista e mafioso - é apanhado nos mais diversos escândalos. A belíssima língua italiana vai ganhando novos termos como "bunga bunga". Hoje os documentários sobre Itália mostram-nos uma cultura demasiado presa à televisão, com uma programação feita à imagem do senhor media que Silvio Berlusconi foi e continua a ser, apesar da posição política que ocupa.
Basta de Silvio Berlusconi, escrevia a The Economist em 2006. Hoje volta-se a dizer o mesmo. Aos 75 anos, só a idade e a saúde o afastarão um dia de tentar voltar ao poder. Que os deuses romanos tenham pena de Itália e não permitam que isso aconteça.
A Itália caminha hoje para uma situação aflitiva que por cá já conhecemos e o seu papel no mundo tem vindo a diminuir. Hoje ouvimos falar da Itália porque Berlusconi - um bon vivant com tiques de machista, fascista e mafioso - é apanhado nos mais diversos escândalos. A belíssima língua italiana vai ganhando novos termos como "bunga bunga". Hoje os documentários sobre Itália mostram-nos uma cultura demasiado presa à televisão, com uma programação feita à imagem do senhor media que Silvio Berlusconi foi e continua a ser, apesar da posição política que ocupa.
Basta de Silvio Berlusconi, escrevia a The Economist em 2006. Hoje volta-se a dizer o mesmo. Aos 75 anos, só a idade e a saúde o afastarão um dia de tentar voltar ao poder. Que os deuses romanos tenham pena de Itália e não permitam que isso aconteça.
05 outubro, 2011
02 outubro, 2011
Jukebox
But I know we all can't stay here forever,
so I want to write my words on the face of today.
19 setembro, 2011
The end
O meu telemóvel morreu
Quem o matou fui eu
O meu telemóvel já era um elemento da família. Já tinha aquele telemóvel desde Abril de 2006. E no sábado à noite afoguei-o. Estou inconsolável... A minha vida acabou... Aquele telemóvel - dizia eu - era imortal. Todos gozavam comigo por ter um tijolo, mas eu defendia-o com orgulho. Já tinha caído 300 vezes. Já tinha sido esquecido em lojas outras tantas (acho que nunca ninguém o quis roubar por ser tão obsoleto, o que era outra das suas vantagens).. E nunca tinha avariado... Em 5 anos e meio só precisou de uma bateria! E eu, num acto de pura estupidez, misturado com azelhice de uma amiga, afoguei-o até à morte.
Junto com ele foram os meus contactos, passwords, marcações na agenda (tipo consultas e assim), e links e livros que eu devia ler para a minha tese.
Oh mundo cruel...
Alguém sabe ressuscitar telemóveis Nokia?
(sim, a esperança é a última a morrer)
É hora de acabar este post e ir chorar. :(
Quem o matou fui eu
O meu telemóvel já era um elemento da família. Já tinha aquele telemóvel desde Abril de 2006. E no sábado à noite afoguei-o. Estou inconsolável... A minha vida acabou... Aquele telemóvel - dizia eu - era imortal. Todos gozavam comigo por ter um tijolo, mas eu defendia-o com orgulho. Já tinha caído 300 vezes. Já tinha sido esquecido em lojas outras tantas (acho que nunca ninguém o quis roubar por ser tão obsoleto, o que era outra das suas vantagens).. E nunca tinha avariado... Em 5 anos e meio só precisou de uma bateria! E eu, num acto de pura estupidez, misturado com azelhice de uma amiga, afoguei-o até à morte.
Junto com ele foram os meus contactos, passwords, marcações na agenda (tipo consultas e assim), e links e livros que eu devia ler para a minha tese.
Oh mundo cruel...
Alguém sabe ressuscitar telemóveis Nokia?
(sim, a esperança é a última a morrer)
É hora de acabar este post e ir chorar. :(
31 julho, 2011
Adeus tristeza, até depois
Qual é o melhor dia para mudar, sem sofrer nenhum desgosto?
É o 31 de Julho, porque a seguir mudo de posto
^^
Como o título indica, este é um post feliz. Aliás, não é à toa que recorro a uma música de Quim Barreiros. Estou feliz. Mesmo que esteja a transportar um quarto inteiro; mesmo que ainda não saiba bem para onde vou morar seguir.
Estou feliz porque hoje digo um adeus definitivo a um pesadelo chamado Residência Universitária FMH1. Um pesadelo que durou 20 meses. Feito de barulho, de comida roubada, de desrespeito constante pelos outros, de baratas, de total falta de privacidade, de muitos nervos, de um sentimento diário de medo ao chegar a casa, por não saber qual o nível de barulho naquele dia, ou se iria haver alguma festa. Feito de impunidade para quem não deixa os outros estudar e descansar. Como se já não fosse desgastante o suficiente trabalhar 8 horas por dia e fazer um mestrado (entre outras coisas).
Apesar de ainda ser aluna da Universidade Técnica de Lisboa, ontem fui dizer aos Serviços de Acção Social que não aguentaria viver mais assim, e que por isso prescindia do meu lugar. Uma das poucas pessoas aqui que tem as contas em dia, que paga a tempo e horas, que respeita os outros e que deixa as coisas limpas, é aquela que tem de sair. E a vida é assim. Pelo menos a Universidade deixa que sejamos formados a pensar assim, ao não fazer nada por nós.
Qual é o melhor dia para sair daqui sem sofrer nenhum desgosto? É hoje. Finalmente hoje tenho condições para sair daqui. Espero que o próximo quarto que me calhar, sabe-se lá onde, entre "a gosto".
É o 31 de Julho, porque a seguir mudo de posto
^^
Como o título indica, este é um post feliz. Aliás, não é à toa que recorro a uma música de Quim Barreiros. Estou feliz. Mesmo que esteja a transportar um quarto inteiro; mesmo que ainda não saiba bem para onde vou morar seguir.
Estou feliz porque hoje digo um adeus definitivo a um pesadelo chamado Residência Universitária FMH1. Um pesadelo que durou 20 meses. Feito de barulho, de comida roubada, de desrespeito constante pelos outros, de baratas, de total falta de privacidade, de muitos nervos, de um sentimento diário de medo ao chegar a casa, por não saber qual o nível de barulho naquele dia, ou se iria haver alguma festa. Feito de impunidade para quem não deixa os outros estudar e descansar. Como se já não fosse desgastante o suficiente trabalhar 8 horas por dia e fazer um mestrado (entre outras coisas).
Apesar de ainda ser aluna da Universidade Técnica de Lisboa, ontem fui dizer aos Serviços de Acção Social que não aguentaria viver mais assim, e que por isso prescindia do meu lugar. Uma das poucas pessoas aqui que tem as contas em dia, que paga a tempo e horas, que respeita os outros e que deixa as coisas limpas, é aquela que tem de sair. E a vida é assim. Pelo menos a Universidade deixa que sejamos formados a pensar assim, ao não fazer nada por nós.
Qual é o melhor dia para sair daqui sem sofrer nenhum desgosto? É hoje. Finalmente hoje tenho condições para sair daqui. Espero que o próximo quarto que me calhar, sabe-se lá onde, entre "a gosto".
24 julho, 2011
Amy Winehouse
Ou mais uma vida que se perde aos 27 anos. Porque o talento, esse, foi-se perdendo um pouco antes...
13 junho, 2011
Tour Santos 2011
Comecei a minha tour Santos 2011. Não que alguma vez tenha feito alguma do género. E não interessa se são só dois santos e duas paragens. Achei que denominar a coisa desta maneira me dava algum prestígio.
Pela primeira vez fui ao Santo António. É giro, sim senhor. Há bailaricos a cada 100 metros, há música pimba, há bifanas e sardinhas (para os vegetarianos há manjerico), há cerveja, muita cerveja, sangria e tudo o mais de líquidos que possam imaginar.
E o que é que não há?
Casas-de-banho.
Dado que as marcas de cerveja combatem entre si para ver quem é a cara oficial do evento, não haver casas de banho é uma tragédia. Os restaurantes e cafés vendem tudo cá fora e não deixam ninguém ir esvaziar a bexiga. Há outros que dizem que "a casa-de-banho está avariada, é só para clientes". Nada mais legítimo. O que não é bonito é eu querer comprar qualquer coisa para ir à casa-de-banho e ainda assim não me quererem deixar. Isto é tortura, devia ter chamado a polícia.
Perguntei-me se seria a primeira vez que a cidade festejava os Santos Populares, porque um erro destes é de principiante. Disseram-me que não, que isto é coisa secular. Pronto, então o pessoal é só badalhoco. Eu sei, eu sei, sou uma esquisita que não gosta de se passear na rua sobre o mijo do pessoal que se alivia em praça pública.
A tour começou ontem e acaba dia 23, no São João. Acho que vou saltar o São Pedro. Entretanto vou a Bruxelas, ver se também há lá alguma festa religiosa. O ponto alto do meu ano é este: fazer a mala, ler o guia da cidade estrangeira que me preparo para conhecer, limpar as fotos da viagem passada que ainda estão na máquina fotográfica e rezar para que o tempo lá passe devagar.
Podia passar grande parte da vida a viajar... Mas o teimoso do euromilhões não me cai no bolso. Se bem que eu também não jogo...
P.S.: Aquilo de ir a Bruxelas a uma festa religiosa era a chamada ironia. Vou ter de começar a colocar estas chamadas de atenção, porque quase nunca ninguém percebe que estou a ser irónica / sarcástica. Mas que raio, onde anda o vosso humor, conterrâneos?
Pela primeira vez fui ao Santo António. É giro, sim senhor. Há bailaricos a cada 100 metros, há música pimba, há bifanas e sardinhas (para os vegetarianos há manjerico), há cerveja, muita cerveja, sangria e tudo o mais de líquidos que possam imaginar.
E o que é que não há?
Casas-de-banho.
Dado que as marcas de cerveja combatem entre si para ver quem é a cara oficial do evento, não haver casas de banho é uma tragédia. Os restaurantes e cafés vendem tudo cá fora e não deixam ninguém ir esvaziar a bexiga. Há outros que dizem que "a casa-de-banho está avariada, é só para clientes". Nada mais legítimo. O que não é bonito é eu querer comprar qualquer coisa para ir à casa-de-banho e ainda assim não me quererem deixar. Isto é tortura, devia ter chamado a polícia.
Perguntei-me se seria a primeira vez que a cidade festejava os Santos Populares, porque um erro destes é de principiante. Disseram-me que não, que isto é coisa secular. Pronto, então o pessoal é só badalhoco. Eu sei, eu sei, sou uma esquisita que não gosta de se passear na rua sobre o mijo do pessoal que se alivia em praça pública.
A tour começou ontem e acaba dia 23, no São João. Acho que vou saltar o São Pedro. Entretanto vou a Bruxelas, ver se também há lá alguma festa religiosa. O ponto alto do meu ano é este: fazer a mala, ler o guia da cidade estrangeira que me preparo para conhecer, limpar as fotos da viagem passada que ainda estão na máquina fotográfica e rezar para que o tempo lá passe devagar.
Berlim - 2009
Podia passar grande parte da vida a viajar... Mas o teimoso do euromilhões não me cai no bolso. Se bem que eu também não jogo...
P.S.: Aquilo de ir a Bruxelas a uma festa religiosa era a chamada ironia. Vou ter de começar a colocar estas chamadas de atenção, porque quase nunca ninguém percebe que estou a ser irónica / sarcástica. Mas que raio, onde anda o vosso humor, conterrâneos?
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05 abril, 2011
Black gives way to blue
Tenho um paradoxo estranho na minha vida. Odeio drogas. Se há coisa que eu odeio mesmo e que, se tivesse poderes, punha no top das prioridades para erradicação, é a porcaria da droga. Fico deprimida quando vejo drogados, não consigo ver reportagens que mostrem gente a drogar-se. O tema afecta-me particularmente.
Ao mesmo tempo, sou completamente fanática por arte criada por drogados. Parece que é perseguição, mas tenho tendência a gostar muito de música feita por gente que é, sobretudo, dependente de heroína. E depois tenho de fazer posts como este, o que me causa bastante tristeza (e a vocês também deve causar, mas porque estão a ler um texto medíocre em vez de aproveitarem o tempo de forma mais proveitosa e divertida. Desde já as minhas desculpas).
Hoje é dia 5 de Abril. Já andava a pensar no dia há semanas. Por esta altura, colo sempre em Alice in Chains e em Mad Season. É inevitável, mas já cheguei à conclusão que é mesmo possível sentir saudades de alguém que nunca conheci. Quem me dera que neste dia, mas há 9 anos (já passaram 9 anos?!), não tivesse morrido Layne Staley da forma triste que morreu.
Ou que viveu.
Dizia-me o Paulo esta semana que a data é algo simbólica, e a perspectiva tem piada. 5 de Abril é a data da morte de Layne Staley mas também de Kurt Cobain. E é também o dia do aniversário de Mike McCready, o guitarrista dos Pearl Jam. O gajo que soube sair da má vida. O membro da única banda das três que se manteve sempre activa, enquanto que as outras duas morreram, juntamente com os seus vocalistas (sendo que os Alice in Chains voltaram do seu luto - e ainda bem). Ou seja: é uma data de morte, mas é também uma celebração de alguém que soube agarrar a vida, e que hoje deve estar a festejar à grande (e ainda bem, não fossem os Pearl Jam a banda da minha vida)
Gostava de poder agradecer a Layne Staley por toda a arte que criou e que partilhou, mesmo eu sabendo o estado em que o fez. E nunca saberei se não é esse estado tão deprimente que faz com que a arte que sai dali me atraia desta maneira.
Lay down, black gives way to blue
Lay down, I'll remember you.
Ao mesmo tempo, sou completamente fanática por arte criada por drogados. Parece que é perseguição, mas tenho tendência a gostar muito de música feita por gente que é, sobretudo, dependente de heroína. E depois tenho de fazer posts como este, o que me causa bastante tristeza (e a vocês também deve causar, mas porque estão a ler um texto medíocre em vez de aproveitarem o tempo de forma mais proveitosa e divertida. Desde já as minhas desculpas).
Hoje é dia 5 de Abril. Já andava a pensar no dia há semanas. Por esta altura, colo sempre em Alice in Chains e em Mad Season. É inevitável, mas já cheguei à conclusão que é mesmo possível sentir saudades de alguém que nunca conheci. Quem me dera que neste dia, mas há 9 anos (já passaram 9 anos?!), não tivesse morrido Layne Staley da forma triste que morreu.
Ou que viveu.
Dizia-me o Paulo esta semana que a data é algo simbólica, e a perspectiva tem piada. 5 de Abril é a data da morte de Layne Staley mas também de Kurt Cobain. E é também o dia do aniversário de Mike McCready, o guitarrista dos Pearl Jam. O gajo que soube sair da má vida. O membro da única banda das três que se manteve sempre activa, enquanto que as outras duas morreram, juntamente com os seus vocalistas (sendo que os Alice in Chains voltaram do seu luto - e ainda bem). Ou seja: é uma data de morte, mas é também uma celebração de alguém que soube agarrar a vida, e que hoje deve estar a festejar à grande (e ainda bem, não fossem os Pearl Jam a banda da minha vida)
Gostava de poder agradecer a Layne Staley por toda a arte que criou e que partilhou, mesmo eu sabendo o estado em que o fez. E nunca saberei se não é esse estado tão deprimente que faz com que a arte que sai dali me atraia desta maneira.
Lay down, black gives way to blue
Lay down, I'll remember you.
12 novembro, 2010
Já não há gladiadores
É com tristeza que leio a notícia do Público sobre o ruir da Casa dos Gladiadores, em Pompeia. Aconselho a leitura deste artigo:
Pompeia, "símbolo do desleixo" de Itália, ameaça fazer ruir Governo de Berlusconi
Por Clara Barata
Este artigo é já o rescaldo desta desgraça patrimonial. Foi no fim-de-semana que a "Casa dos Gladiadores", um edifício de dois mil anos, situado em Pompeia, a cidade soterrada pelas cinzas do vulcão do monte Vesúvio em 79 d.C., ruiu. Puff. Património Mundial da UNESCO que se desfez em areia.
O Presidente da República, Giorgio Napolitano, não foi meigo: "Devemos todos sentir o que aconteceu em Pompeia como uma vergonha para Itália.".
Eu não queria dizer nada mas... sim, é de facto uma vergonha. Se os talibãs destruíram os Budas, a Itália destruiu uma parte importante de Pompeia deixando aquilo à sua sorte. Como diz o artigo do Público,
Há muito que se fala nos problemas de conservação de Pompeia, e ainda em Outubro o jornal Corriere della Sera tinha publicado um grande trabalho denunciando o estado da cidade. "A verdade é que esta área arqueológica, única no mundo, é o símbolo de todo o desleixo e ineficácia de um país que perdeu o bom senso", escrevia o jornal num editorial que tinha por título A humilhação de Pompeia.
Isto é uma vergonha para Itália. Será, claro, uma vergonha para Berlusconi, mas Berlusconi não tem vergonha na cara.
Terá sido uma das piores coisas que já aconteceu a Itália. Ah, e o ruir da Casa dos Gladiadores, também.
Pompeia, "símbolo do desleixo" de Itália, ameaça fazer ruir Governo de Berlusconi
Por Clara Barata
Este artigo é já o rescaldo desta desgraça patrimonial. Foi no fim-de-semana que a "Casa dos Gladiadores", um edifício de dois mil anos, situado em Pompeia, a cidade soterrada pelas cinzas do vulcão do monte Vesúvio em 79 d.C., ruiu. Puff. Património Mundial da UNESCO que se desfez em areia.
O Presidente da República, Giorgio Napolitano, não foi meigo: "Devemos todos sentir o que aconteceu em Pompeia como uma vergonha para Itália.".
Eu não queria dizer nada mas... sim, é de facto uma vergonha. Se os talibãs destruíram os Budas, a Itália destruiu uma parte importante de Pompeia deixando aquilo à sua sorte. Como diz o artigo do Público,
Há muito que se fala nos problemas de conservação de Pompeia, e ainda em Outubro o jornal Corriere della Sera tinha publicado um grande trabalho denunciando o estado da cidade. "A verdade é que esta área arqueológica, única no mundo, é o símbolo de todo o desleixo e ineficácia de um país que perdeu o bom senso", escrevia o jornal num editorial que tinha por título A humilhação de Pompeia.
Isto é uma vergonha para Itália. Será, claro, uma vergonha para Berlusconi, mas Berlusconi não tem vergonha na cara.
Terá sido uma das piores coisas que já aconteceu a Itália. Ah, e o ruir da Casa dos Gladiadores, também.
30 julho, 2010
Led On
Acabadinha de chegar de um concerto de Led On. Perdão, um concertaço de Led On. Queiram desculpar mais uma vez, mas um momento arrebatador, que isso sim, é o que os Led On fazem a uma fangirl de Led Zeppelin como eu. A última vez que os vi foi no início de 2009, já há ano e meio portanto... não é fácil vê-los, a casa estava cheia e sabe-me tão bem ver um concerto sentada mesmo em frente ao palco, com toda a atenção virada para o que é preciso, que é a música. Todos os concertos fossem assim... E obrigada Led On, por serem tão bons.
Mas afinal quem são os Led On, pergunta um leitor mais distraído? A resposta pode ser encontrada aqui: http://www.vousair.com/musica/4075-led-on-dao-vida-a-led-zeppelin-em-almada.html
Após o intervalo, Paulo Ramos deu-nos a notícia de que António Feio tinha morrido. Sempre tive muito boa impressão dele, e muito má impressão da porcaria de "jornalismo" que as revistas cor-de-merda andavam a fazer. Exemplos? Alguém morrer de cancro e uma revista telefonar para o António Feio a perguntar o que é que ele sentia, quais abutres. Fiquei triste e espero que descanse em paz.
Mas afinal quem são os Led On, pergunta um leitor mais distraído? A resposta pode ser encontrada aqui: http://www.vousair.com/musica/4075-led-on-dao-vida-a-led-zeppelin-em-almada.html
Após o intervalo, Paulo Ramos deu-nos a notícia de que António Feio tinha morrido. Sempre tive muito boa impressão dele, e muito má impressão da porcaria de "jornalismo" que as revistas cor-de-merda andavam a fazer. Exemplos? Alguém morrer de cancro e uma revista telefonar para o António Feio a perguntar o que é que ele sentia, quais abutres. Fiquei triste e espero que descanse em paz.
27 julho, 2010
Adeus estágio. Olá entidade empregadora!
Parece que aquele estágio que consegui há quase 3 meses se transformou num "queremos contratar-te". Durante cerca de meio ano vai ser um "contratar-te" sem contrato a sério, porque vou ficar a recibos verdes. Ah, e vou ganhar só mais 5€ do que o salário mínimo, mas porra que faço aquilo que gosto. E gosto mesmo. Passo o dia a saber de tudo (bom, quase tudo, somos só 3!) aquilo que se passa no panorama cultural de Lisboa e Porto (com Lisboa à cabeça, mas desde a minha chegada que o Porto tem estado mais presente :) ). Sei de quase tudo o que é concerto a acontecer, sei de tudo o que é ciclo de cinema, sei das exposições que inauguram, às vezes tenho bilhetes para o teatro e para a semana vou ver O Caso Farewell à borla. Tenho autonomia, ninguém me diz "escreve assim, não escrevas assado", ajudam-me quando tenho dúvidas, dão-me liberdade.
Mal dou pelo tempo passar. Nunca pensei que 8h de trabalho pudessem passar tão rápido! E tenho nespressos à mão de semear :) estou feliz. Pelo menos durante mais um ano. Porque quando acabar o mestrado acaba-se a residência universitária, vou ter de pagar renda de casa, e espero nessa altura já não ter os recibos verdes, porque deixarei de estar isenta e o resultado seria que ia estar a trabalhar quase a troco de comida (e sem poder abusar muito...). É claro que não deixo de pensar quando vou no autocarro e ouço as mulheres da limpeza discutirem se ganham 7€ ou 7,50€ à hora (limpos, pois claro, que os descontos são só para os tansos). E nada contra as empregadas de limpeza (só aquela partezinha dos descontos), que são bem precisas e fazem um trabalho nada nada agradável.
Mas recuo aos tempos da escola primária, em que o meu pai chegava da reunião todo babado porque o meu professor lhe tinha dito "a sua filha vai longe". De facto fui 300km para mais longe, mas não passa muito daí. Daqui a um ano acabo um mestrado e estou a ganhar o salário mínimo? É coisinha pra me fazer reflectir. Mas não agora. Agora estou feliz.
Mal dou pelo tempo passar. Nunca pensei que 8h de trabalho pudessem passar tão rápido! E tenho nespressos à mão de semear :) estou feliz. Pelo menos durante mais um ano. Porque quando acabar o mestrado acaba-se a residência universitária, vou ter de pagar renda de casa, e espero nessa altura já não ter os recibos verdes, porque deixarei de estar isenta e o resultado seria que ia estar a trabalhar quase a troco de comida (e sem poder abusar muito...). É claro que não deixo de pensar quando vou no autocarro e ouço as mulheres da limpeza discutirem se ganham 7€ ou 7,50€ à hora (limpos, pois claro, que os descontos são só para os tansos). E nada contra as empregadas de limpeza (só aquela partezinha dos descontos), que são bem precisas e fazem um trabalho nada nada agradável.
Mas recuo aos tempos da escola primária, em que o meu pai chegava da reunião todo babado porque o meu professor lhe tinha dito "a sua filha vai longe". De facto fui 300km para mais longe, mas não passa muito daí. Daqui a um ano acabo um mestrado e estou a ganhar o salário mínimo? É coisinha pra me fazer reflectir. Mas não agora. Agora estou feliz.
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Arrivederci,
Coisas do mundo laboral,
Lisboazíces
11 julho, 2010
Miss you already, Miss you always
Há bandas que dão concertos iguais. Que pegam nas mesmas músicas, às vezes nem sequer mudam a ordem pela qual são tocadas, ou que variam três ou quatro por concerto. E depois há os Pearl Jam, que vão buscar todas as músicas de 20 anos de carreira e fazem uma setlist para cada concerto. E é por isso que eu ontem assisti ao meu 10º concerto de Pearl Jam e todos os concertos ouvi três músicas pela primeira vez, uma delas inédita e dedicada aos fãs portugueses. Isso exige muito trabalho - nem todas as bandas estão para isso - e mostra respeito pelos fãs.
No caso dos festivais a coisa não costuma mudar muito, porque a maioria das pessoas quer ouvir os hits. Mas ontem o alinhamento que eles prepararam para o Optimus Alive era diferente daquele tocado nos festivais dos dias anteriores. A abertura com a Release denunciava, à partida, que aquele seria um concerto especial.
Há bandas que quase não falam, ou que dizem meia dúzia de banalidades. "we love you", "gracias", "are you there?". Funciona em tudo o que é sítio e o pessoal bate palmas e esquece no minuto seguinte. E depois há os Pearl Jam, que pedem quase sempre (caso gostem do sitio, do público, etc.) antes do concerto para se traduzirem umas palavras para a língua local. Em Portugal isso aconteceu sempre e, claro, aconteceu ontem. Mais do que isso, e quem já viu 10 concertos, 6 dos quais fora de Portugal pode dizer isto com algum à vontade, ouvir do Eddie Vedder que nós somos o melhor público em termos de acompanhar a banda a cantar, tem significado. Que não é por acaso que eles escolhem sempre abrir ou fechar os concertos em Portugal. Portugal, Portugal Portugal. Sim, somos o único país que tem uma música dedicada. E eles são uma banda única, irrepetível, inigualável.
Set List:
Release, Small Town, Animal, Given To Fly, In Hiding, Unthought Known, Nothingman, Daughter/Blitzkrieg Bop (Ramones), Even Flow, Just Breathe, Wishlist, Black, Glorified G, Why Go
1st encore:
The End, Improv (Portugal, Portugal), Public Image (Public Image Limited), The Fixer, Wasted Reprise, Better Man
2nd encore:
Smile, Once, Alive, Yellow Ledbetter
Um amigo que também foi ao concerto escreveu-me isto:
Agora percebo. Que sensação incrível, revisitar tudo o que senti com cada uma destas músicas. I'd even fucking tattoo myself too! PJ for life :)
Espero que aquele "the last show for some time" não dure muito, que eu já estou cheia de saudades.
Miss them already. Miss them always.
No caso dos festivais a coisa não costuma mudar muito, porque a maioria das pessoas quer ouvir os hits. Mas ontem o alinhamento que eles prepararam para o Optimus Alive era diferente daquele tocado nos festivais dos dias anteriores. A abertura com a Release denunciava, à partida, que aquele seria um concerto especial.
Há bandas que quase não falam, ou que dizem meia dúzia de banalidades. "we love you", "gracias", "are you there?". Funciona em tudo o que é sítio e o pessoal bate palmas e esquece no minuto seguinte. E depois há os Pearl Jam, que pedem quase sempre (caso gostem do sitio, do público, etc.) antes do concerto para se traduzirem umas palavras para a língua local. Em Portugal isso aconteceu sempre e, claro, aconteceu ontem. Mais do que isso, e quem já viu 10 concertos, 6 dos quais fora de Portugal pode dizer isto com algum à vontade, ouvir do Eddie Vedder que nós somos o melhor público em termos de acompanhar a banda a cantar, tem significado. Que não é por acaso que eles escolhem sempre abrir ou fechar os concertos em Portugal. Portugal, Portugal Portugal. Sim, somos o único país que tem uma música dedicada. E eles são uma banda única, irrepetível, inigualável.
Set List:
Release, Small Town, Animal, Given To Fly, In Hiding, Unthought Known, Nothingman, Daughter/Blitzkrieg Bop (Ramones), Even Flow, Just Breathe, Wishlist, Black, Glorified G, Why Go
1st encore:
The End, Improv (Portugal, Portugal), Public Image (Public Image Limited), The Fixer, Wasted Reprise, Better Man
2nd encore:
Smile, Once, Alive, Yellow Ledbetter
Um amigo que também foi ao concerto escreveu-me isto:
Agora percebo. Que sensação incrível, revisitar tudo o que senti com cada uma destas músicas. I'd even fucking tattoo myself too! PJ for life :)
Espero que aquele "the last show for some time" não dure muito, que eu já estou cheia de saudades.
Miss them already. Miss them always.
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