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24 julho, 2012

Música para totós

Cada vez tenho menos paciência para festivais. Porquê? Porque têm demasiadas.. como dizer... pessoas. E as pessoas precisam de ser entretidas, não aguentam estar num concerto caladas. Têm de socializar. Têm de estar constantemente a tentar passar à frente. E têm de continuar a conversar sobre banalidades durante músicas como a Exit Music (For a Film) dos Radiohead.

Fui ao Optimus Alive (esse evento do social, descobri) porque tinha credencial. Ou seja, não paguei bilhete. Mas se estivesse num concerto desinteressante (olá Miuda) e algum fã de Miuda (é inacreditável, mas esta banda tem fãs; tudo é possível neste mundo) olhasse para mim com olhar fulminante eu calava a bocarra e ia pregar para outra freguesia.

Em Radiohead, eu olhei para um grupo de conterrâneas que falava bem alto sobre banalidades e elas passaram os restantes minutos a mandar bocas. Não hei-de odiar pessoas?! É difícil compreender que um concerto é um momento único para alguém, e que se as pessoas querem falar sobre porcarias ou tirar fotos para dizerem no Facebook que estiveram lá, devem fazê-lo sem incomodar os outros?

É difícil. Numa sociedade tão individualista (egoísta?) é extremamente difícil respeitar os outros. Como se respeitar o outro constituísse uma castração, uma subtracção dos próprios direitos. Primeiro eu, depois eu, a seguir eu. Só depois a consideração pelo outro. Xiça penico.

Amanhã retomo a normalidade do que deve ser um concerto e vou ver, pela primeira vez, Antony and The Johnsons (acompanhados pela Orquestra Sinfonietta de Lisboa). Promete ser um momento fantástico.
Qual é a única coisa que o pode estragar? Pessoas idiotas, pois claro. Espero que não me calhe nenhuma na rifa. E uma alma como esta não merece menos que o melhor público do mundo:






03 março, 2012

Rats. They don't compare

Somos todos gregos e devíamos também ser todos sírios, já que não fomos ruandeses.

Somos sequer humanos? Sim, sem que isso seja um elogio.

14 fevereiro, 2012

Sou mãe de filhos

Aqui no escritório (não é na escola, não é na residência universitária, é no meu local de trabalho), já me desapareceram 3 iogurtes em pouco mais de uma semana. Trouxe um pack de 6 e o guloso ou a gulosa já comeu mais do que eu.

Não querem que odeie pessoas?

22 novembro, 2011

Voltem mirones, estão perdoados

Há exactamente uma semana, estava o completo caos entre os Restauradores e o Rossio. O autocarro não passava, os carros amontoavam-se, duas ambulâncias estavam estacionadas na berma e dezenas de pessoas rodeavam o grande acontecimento. O grande acontecimento era um homem a ser reanimado no passeio.
Um homem e dezenas de mirones a atrapalhar o trânsito e possivelmente os pobres profissionais do INEM. Limitei-me a suspirar e a pensar no quão parolo é o tuga que pára o que estava a fazer para ir espreitar a desgraça alheia.  É sempre assim com um acidente na estrada e sempre me irritou um bocado.

Até hoje.

E nem foi por nenhuma razão em especial que mudei de ideias. Foi só porque hoje, a caminho do trabalho, ia levando com vidros na cabeça. No caminho, de repente, ouvi o barulho de uma janela a partir-se (e eu ia de fones nos ouvidos) e à minha frente caíram vidros de um prédio. Hesitei, nao fossem cair mais vidros, fiquei a olhar para cima e avancei com calma, ao mesmo tempo que olhava para cima a ver se teria acontecido alguma coisa. Mas fui a única. As restantes pessoas que passavam comigo continuaram o seu trajecto. É de manhã, tudo o que importa é a pressa de chegar ao trabalho. Caíram vidros no chão? Normal. Podem cair mais no momento em que vou a passar? Logo se vê, que agora tenho pressa, e esta gente toda só me atrasa.

Só hoje percebi que se esta é a alternativa ao nosso voyeurismo, que prefiro gramar com dezenas de mirones a entupir ruas e passeios.
Tudo menos indiferença, por favor.

01 novembro, 2011

shiny respectful people

Dois meses de residência nova já me dão a segurança suficiente para poder escrever aqui coisas bonitas sem me arrepender no dia seguinte.

Afinal há mais gente como eu. Gente que não gosta de viver numa pocilga, que não rouba comida aos outros e que não faz barulho de madrugada porque sabe que vai incomodar as outras pessoas. É uma cena brutal, isto de contactar com garotada que respeita e gosta de ser respeitada. Posso até dizer que, nesta casa de 13 raparigas, eu sou uma rebelde, pois nem sempre arrumo a minha louça e desafiei as regras ao querer usar o secador na casa de banho a horas impróprias da manhã para fazer barulho (9h!).

Passei do 80 para o 8, mas com tanta gente numa casa só o 8 funciona. Depois de ano e meio de uma experiência horrível, de viver no caos, nesta residência posso quase dizer que sou feliz. Só não digo que sou mesmo feliz porque tenho de partilhar o quarto e porque há formigas em todo o lado. E porque também só há uma banheira para 13 gajas, o que me impede de demorar os meus 45 minutos na casa de banho. Que saudades.

Note-se que isto tem contribuído para que eu tenha deixado de verbalizar tantas vezes a minha frase predilecta "odeio pessoas". Agora uso-a mais no metro, ou para comentar as notícias diárias do mundo da política e da economia portuguesas.
(Tinha de terminar o posto com uma referência a cair para o negativismo. Não quero que se pense que estou a afrouxar, aqui a demonstrar simpatia pelas minhas colegas de casa e a falar em civismo e felicidade).

27 setembro, 2011

Bullshit!

Parece que a Catalunha teve um rasgo de inteligência no país capital da tourada e decidiu abolir este "espectáculo" (?) deprimente. As lutas de cães são ilegais, se eu espetar um ferro num cão estou a ir contra a lei e se o fizer num humano arrisco-me a ficar uns bons anos na prisão. Por cá ainda se continua a discutir se as touradas têm razão de existir e há mesmo quem seja contra esta decisão da Catalunha.

Se este primeiro parágrafo não é claro o suficiente, eu explico-me: considero qualquer pessoa que seja a favor de um espectáculo que consiste em espetar ferros num animal irracional um verdadeiro asno, com merda de touro no lugar de miolos.

Um dos principais argumentos que estes idiotas usam para defender a tortura é que "é tradição". Tal como é tradição a mutilação genital nas guineenses, ou como era tradição encher o Coliseu de Roma de gente e aplaudir a sua morte cruel. Se tivéssemos mantido todas as tradições desde o início dos tempos, se calhar eu hoje não podia estar aqui a escrever num blogue por ser mulher e pelos meus pais serem da plebe. Claro que um defensor de touradas deveria achar isto muito bem, pois os defensores deste tipo de tradições também costumam ser amigos de tradições familiares que defendem que a mulher só serve para procriar e coser meias. Este é mais um ponto a favor da minha argumentação: sim, vocês são mesmo idiotas.

Outra argumentação disfarçada de preocupação é a de que o fim das touradas levará à extinção dos touros. Claro que sim, até porque todos os animais têm valor comercial para o ser humano, só por isso é que existem! E a carne de touro nem sequer é apreciada por aí. Não! Se os touros não servem para ser mutilados numa arena, então vão ser condenados à extinção, os coitados. É bonito ver a preocupação com a extinção do touro vinda de alguém que bate palmas quando este se esvai em sangue enquanto o povo bate palmas e come pipocas. É gente sensível, esta que defende as touradas.

Outro argumento muito bom é o não argumento: "esses hipócritas que defendem o fim das touradas se calhar à noite jantam um belo bifinho! Ainda se lutassem contra a vida triste que levam os frangos enjaulados!".

Defender o fim de um espectáculo brutal, que explora a dor de um animal para fins de entretenimento (como se as pessoas já não tivessem entretenimento suficiente) é comparável ao comer carne. Bravo. Mas não se pode esperar melhor argumentação de alguém que ri ao ver um animal irracional a defrontar um animal racional montado num cavalo e armado com ferros que espetam. É possível comer carne sem que estes animais tenham vivido uma vida miserável, confinados a jaulas de 1 metro quadrado, que têm de partilhar com mais 300 frangos. Há animais criados ao ar livre. E há quem não coma carne. E - pasme-se! - há quem seja contra touradas e contra os maus tratos infligidos a outros animais! Eu sei, eu sei, é estranho pensar na coisa sob estes moldes. É de facto impressionante imaginar activistas anti-touradas que defendam o fim dos maus tratos a outros animais! Vá-se lá entender como é possível.

E, claro, enquanto existirem mais males no mundo, não se pode lutar contra um mal do mundo. Afinal, existem outros males no mundo que deviam acabar! Vão mas é reivindicar pelo fim desses males do mundo e deixem este mal do mundo sossegado. "Há tantos animais abandonados e vocês preocupados com as touradas!". Indecente. De facto, é indecente.

Ah! Outro argumento giríssimo: "Proibir as touradas é um acto intolerante". Pois é, pois é. Isto de ir contra a vontade de cada um é uma bosta. É isso e proibir o trabalho infantil, ou as violações. Há que ter respeito pela vontade de cada um! Se eu quero afinfar numa mulher mas ela não quer, deve ganhar quem tem mais força! Era o que faltava a lei vir meter o bedelho no livre-arbítrio.


De certeza que me estou a esquecer de mais argumentos usados pelos aficionados. Queiram desculpar, caros asnos. Sintam-se à vontade para vomitar mais argumentação aqui neste blogue. Se ofendi susceptibilidades de adeptos de touradas, saibam que a vossa estupidez também me ofende todos os dias.

15 setembro, 2011

Afinal a expressão tem algum sentido

Desde que moro numa residência universitária (ainda só lá vai mais de ano e meio, mas pareceram-me 15 anos) que percebo o significado da expressão "deves ser filha única". Não que alguma vez a tenha ouvido, mas num sentido de auto-crítica que decidi partilhar com os leitores que não me conhecem de lado nenhum. É que se me vou auto-criticar, que seja perante pessoas que nunca me vão poder atirar isso à cara numa discussão (sou filha única mas sou esperta).

É ao ter de partilhar o meu quarto e restante espaço exíguo da casa com mais um monte de gente que mais sinto falta do meu espaço, da minha privacidade.
Prefiro a gaveta protegida do frigorífico do que partilhar uma prateleira aberta sem divisórias. Sim, sou territorial;
Quando chego, estou sempre a torcer para que não esteja ninguém no quarto, ou em casa, para poder apreciar o silêncio e poder cantarolar pela casa e falar sozinha, como sempre fiz, uma vez que nunca houve no meu historial uma irmãzinha ou um pirralho a quem infernizar a vida. Com a minha mãe sempre no trabalho, cresci um bocado por minha conta. Ter de passar agora pelo inverso e ter sempre a casa cheia de gente faz-me confusão;
Não consigo entrar naquele esquema de "hoje cozinho eu, amanhã cozinhas tu, fazemos compras a meias": gosto de ter as minhas coisas e de fazer as minhas contas;
Entro mais facilmente na sala quando não está lá ninguém. Quando as miúdas estão lá, prefiro estar no quarto. Problema: o quarto não tem TV. Corrigindo: entro mais facilmente na sala quando não está ninguém e/ou está a dar algo na TV que me interessa. Nunca entro para simplesmente conviver, perguntar como foi a escola, como vai a família ou se o bobi já faz truques. Não que não meta conversa com a pequenada, atenção. Mas faço-o em andamento, por exemplo quando estou a fazer o jantar. É preciso rentabilizar o tempo! Para depois o vir gastar em posts idiotas neste blogue, claro.

E é basicamente por isto que percebo que me enquadro no estereótipo. Se em certos aspectos nunca fez sentido na minha cabeça a expressão "deves ser filha única", porque não recebi mais mimo por ser filha única, nem tive tudo o que quis (aliás, ao analisar bem a coisa, poderia dizer que os meus pais tiveram para aí 10 filhos), no sector "espaço" sou provavelmente uma peste de filha única.

Ao reler o texto tenho a sensação que isto dá uma imagem bem pior do que aquilo que sou na realidade. Ou isso ou eu é que tenho uma má noção de mim mesma. Duas auto-críticas num só post? Quando eu for famosa as revistas terão aqui material de qualidade...

21 março, 2011

They don't compare

Tanto para dizer, tanta falta de vontade para escrever. O que fazer nestes casos? Colocar uma musiquinha, é claro.

E, olha! Alguém que gosta tanto da sociedade quanto eu.
(e porquê este vídeo quando existem outros melhores pelo youtube? Porque eu não estive nos outros. Estive neste, e na primeira fila):



They don't eat, don't sleep
They don't feed, they don't seethe
Bare their gums when they moan and squeak
Lick the dirt off a larger one's feet
They don't push, don't crowd
Congregate until they're much too loud
Fuck to procreate till they are dead
Drink the blood of their so called best friend

They don't scurry when something bigger comes their way
Don't pack themselves together and run as one
Don't shit where they're not supposed to
Don't take what's not theirs, they don't compare

They don't scam, don't fight
Don't oppress an equals given rights
Starve the poor so they can be well fed
Line their holes with the dead ones bread

They don't scurry when something bigger comes their way
Don't pack themselves together and run as one
Don't shit where they're not supposed to
Don't take what's not theirs, they don't compare...

They don't scurry when something bigger comes their way
Don't pack themselves together and run as one
Don't shit where they're not supposed to
Don't take what's not theirs... they don't compare...
Rats...they don't compare
Rats...they don't compare

Ben, the two of us need look no more...

30 novembro, 2010

A minha hora de almoço:

Uma tia passou-me à frente na fila da FNAC sem eu reparar a tempo.
No McDonalds, pedi guardanapos à senhora e ela só me disse "vá buscá-los ali". Voltei para trás porque o meu Wrap não tinha tomate, e quando eu me volto para ir embora para não perder tempo ela solta um "sem tomate é melhor".
Saio para a rua, paro em frente à passadeira porque o sinal está vermelho. O resto do mundo acha melhor parar também, mas à minha frente, já com os pés na rua, que isso de parar no passeio ou ao lado ou atrás de quem já lá está é para tansos. No autocarro, vim o caminho todo a ouvir um pensionista, reformado, aposentado, livre de trabalho, a bufar (literalmente) e a reclamar sozinho com o transito. O tempo todo.

Oh raio de cidade. Oh puta de sociedade.

19 novembro, 2010

Anita na residência universitária amaldiçoada

Dividir um quarto com mais duas pessoas.
Ter uma mini gaveta no frigorífico para guardar tudo.
Ter 1/4 de uma gavetinha do congelador para armazenar comida.
Cozinha suja. Ralo da banca sempre cheio de comida.
Iogurtes que desaparecem.
Leite que é aberto de manhã e que até à noite se vai esvaziando (ainda que eu esteja fora o dia todo).
De Verão há baratas, grilos no lavatório, 500 insectos junto das luzes.
Todas as horas são boas para fazer barulho.
Ter de ir às 22h00 pedir aos moradores do quarto de cima para não me fazerem sentir como se estivesse numa pista de dança e baixarem a p*** da música (que é sempre má, quem gosta de exibir o que ouve tem sempre um gosto musical terrível, isto é científico e eu devia fazer uma tese de mestrado nisto).
Ter de ir muitas vezes quase à uma da manhã pedir para não andarem aos gritos nem estarem em amena cavaqueira por baixo da minha janela.
Ser vista com certeza como uma nojentinha e antipática por gostar de silêncio.
Ter o rótulo mas não tirar nenhum proveito porque a música continua e os gritos repetem-se e entre o barulho e as baratas eu não sei o que prefiro.
Só haver funcionário na residência das 09h00 às 17h00.
Esperar muitas vezes pelo senhor até às 9h15 e às vezes até 9h30 mas nunca o conseguir apanhar - deve ter o relógio na hora antiga.
Partilhar casa-de-banho todos os dias com dezenas de gajas.
Perceber que os Erasmus brasileiros têm direito a residência e alimentação incluída e haver bolseiros de acção social a ficar de fora porque as residências estão cheias.
Lembrar-me que quando fui de Erasmus tive de me desenrascar sozinha.
Concluir que as pessoas com quem me dou melhor aqui são brasileiros e que daqui a 3 meses se vão embora para sempre.
Rezar para que a próxima ocupante do meu quarto seja sossegadinha e limpinha.
Não saber de antemão que vai haver uma festa na residência (e não poder pedir asilo amoroso em casa do namorado por uma noite) e ter de gramar até de madrugada com música alta e gajas a vomitar na casa de banho (que é mesmo ao lado do meu quarto).
Durante essas horas em claro, pensar que antes das 8h tenho de acordar para ir trabalhar e que à noite ainda tenho aulas de mestrado para assistir e que depois tenho de vir para casa fazer o jantar e que os trabalhos que tenho para fazer ficam mais uma vez adiados por falta de tempo.
Saber que é uma péssima ideia juntar uma pessoa que odeia pessoas a um meio onde existem pessoas demais.
Pensar que isto é a melhor opção que se tem quando se ganha 480€ a recibos verdes a desempenhar a função de jornalista.
Relembrar que, pelas contas do Sócrates, como ganho quase 500€ já sou praticamente classe média.
Concluir que, em Portugal, a classe média tem de viver nestas condições. E que para o ano ainda vai viver pior.
Odiar praticamente todas as situações descritas em cima e ao mesmo tempo estar a rezar para que saiam os resultados da bolsa e me contemplem, para que eu possa continuar a ficar aqui.

20 outubro, 2010

O quotidiano do dia a dia

Temos agora de comprar chips? Quanto custam? Ai um escândalo, este país é uma vergonha, gatunos, bandidos! Chips da empresa de um ex-assessor do governo?! E temos de pré-carregar com quanto? Como?! Então e as alternativas às SCUT? Uma vergonha, andam a brincar com o povo! Não pode ser, temos de fazer como os franceses, o povo é quem mais ordena! Precisamos de outro 25 de Abril, toca a tomar uma atitude minha gente!!!

Bem, deixa-me fazer mas é a encomenda do chip antes que tenha problemas.

Fim.

                                                                        Foto

07 setembro, 2010

ERC, preciso de ajuda

Parece que o mundo mudou desde 2008. O mundo e o JN. Na sua essência, continua a fazer títulos enganadores e alguns artigos tendenciosos, e eu perdoo porque também acho que as pessoas têm de fazer o mínimo de esforço mental e não açambarcar tudo o que lhes põem à frente, ou quem sabe (num esforço sobre-humano) ler para além do título.

Durante o curto espaço de tempo em que estagiei na secção do online, só para aí a meio do estágio é que pude começar a moderar os comentários das notícias. Diziam que era uma responsabilidade, que não podiamos ter insultos e acusações arbitrárias nos comentários. Tudo ali bem moderadinho, qual porteiro da Lux, a decidir quem entra e quem tem de aprender a expressar os seus pensamentos sem insultos e acusações ridículas.

Parece que as coisas de repente mudaram. As caixas de comentários transformaram-se numa web-lixeira. Qualquer anónimo escreve ali o que quiser, insulta quem quiser, lança os boatos que quiser, incita ao racismo, à morte, ao que calhar. O JN até já tem comentadores fieis, que já se conhecem! E o JN parece que faz de propósito para atear o fogo entre as pessoas. Veja-se o seguinte título:

Cinco milhões de portugueses vivem do dinheiro do Estado

É claro, tal como em várias outras notícias, que depois se vai a ler e não é bem assim. Mas o que é que isso interessa? Está dado o doce ao idiota. 400 e muitos comentários, zero em debate construtivo, claro está. Havia até alguém que escrevia aos seus companheiros de maldizer: 476 comentarios??? bora lá falta apenas 24 comentarios para batermos o recorde da noticia mais comentada em 2010 no jn ,siga malta toca a insultar ai forte e feio.

 Vale tudo por mais umas visitas à página? Ou com tanto despedimento já não há mãos a medir para moderar comentários? Dito de outra maneira: perderam toda a vergonha na cara ou só perderam mão-de-obra?

15 agosto, 2010

Et voilà...

Buenos diajz! Olhójabioensláatraj.. Bom dia Ermesinde! Tá munto calor e tudo. Um belo dia para continuar as férias e não para fazer uma viagem de mais de 300km até Lisboa, de regresso às obrigações.

E por falar em regressos, quero aqui dedicar uma música aos nossos emigrantes françogueses, que enriquecem os nossos dias de Agosto com frases como "Vamos à la voiture" e que entram com o carro para zonas pedonais só para deixar a família à porta do restaurante. Um grande bien-haja.

13 agosto, 2010

A soldado Desconhecida

Quem perde tempo (o tempo é realmente perdido) a ler o que o comum dos mortais escreve pela web, seja em blogues, comentários de jornais online, facebooks ou mesmo na imprensa, sabe que a juventude está perdida. Que hoje o jovem não quer fazer nenhum, não quer estudar, vive de mesada e gasta tudo na má vida, acaba os estudos e não quer fazer nenhum (ou quando não arranja emprego na área fica em casa à espera que caia). Resumindo e concluindo, tem tudo de mão beijada e não sabe o que são as dificuldades da vida. E, claro, antigamente é que era bom, esta geração é rasca que dói.

Ontem, um dos Redactores Principais do Diário de Notícias escreveu este texto de opinião, sobre Josefa Santos, a estudante-trabalhadora e bombeira de 21 anos que morreu aqui em Gondomar, num incêndio:


Josefa, 21 anos, a viver com a mãe. Estudante de Engenharia Biomédica, trabalhadora de supermercado em part-time e bombeira voluntária. Acumulava trabalhos e não cargos - e essa pode ser uma primeira explicação para a não conhecermos. Afinal, um jovem daqueles que frequentamos nas revistas de consultório, arranja forma de chamar os holofotes. Se é futebolista, pinta o cabelo de cores impossíveis; se é cantora, mostra o futebolista com quem namora; e se quer ser mesmo importante, é mandatário de juventude. Não entra é na cabeça de uma jovem dispersar-se em ninharias acumuladas: um curso no Porto, caixeirinha em Santa Maria da Feira e bombeira de Verão. Daí não a conhecermos, à Josefa. Chegava-lhe, talvez, que um colega mais experiente dissesse dela: "Ela era das poucas pessoas com que um gajo sabia que podia contar nas piores alturas." Enfim, 15 minutos de fama só se ocorresse um azar... Aconteceu: anteontem, Josefa morreu em Monte Mêda, Gondomar, cercada das chamas dos outros que foi apagar de graça. A morte de uma jovem é sempre uma coisa tão enorme para os seus que, evidentemente, nem trato aqui. Interessa-me, na Josefa, relevar o que ela nos disse: que há miúdos de 21 anos que são estudantes e trabalhadores e bombeiros, sem nós sabermos. Como é possível, nos dias comuns e não de tragédia, não ouvirmos falar das Josefas que são o sal da nossa terra?


Parece que há mais realidade para além daquela que vem na imprensa, o que poderá ser uma descoberta extraordinária para muita gente. O curioso é só sabermos disso através... da imprensa, claro. Mais curioso ainda, a crítica pelo facto de só agora termos tido conhecimento da existência de jovens como a Josefa vem... de um dos Redactores Principais de um dos maiores jornais diários do país.

E como é que eu cheguei a este texto? Através do Facebook de José Manuel Fernandes, que citou na íntegra o texto de Ferreira Fernandes. Sim, esse mesmo José Manuel Fernandes que estão a pensar, o ex-director de outro dos maiores jornais diários do país, o Público.

Assim sendo, eu devolvo a pergunta com que termina o texto de Ferreira Fernandes, a si mesmo, ao ex-director do Público, às pessoas que detêm o poder de alterar isso:

Como é possível, nos dias comuns e não de tragédia, não ouvirmos falar das Josefas que são o sal da nossa terra?

29 julho, 2010

Os comentadores da nossa praça II

Hoje apetece-me falar mal, depois de uma noite com apenas 3h dormidas e outras tantas a desejar uma morte lenta e dolorosa a universitários egoístas que gostam de fazer festas e vomitar de madrugada, como se uma residência universitária fosse uma casa própria. Dado que essas pessoas ainda se encontram bem de saúde, terei de canalizar o meu ódio e frustração para outro canal. E há lá maneira mais óbvia e fácil do que ir ler os comentários de uma notícia com o título Homem mata a mulher com sete facadas e entrega-se à polícia ? Se calhar há, mas de momento não estou a ver.

Resumo da notícia: Um homem mata a mulher com sete facadas nas Olaias e entrega-se à polícia.
...............
É mesmo só isto, lamento a redundância. Destaque para o fim do texto, onde diz que o motivo de tal acto não foi revelado. Ou seja, não se sabe o que levou o homem a esfaquear a mulher até à morte.


1º comentário: Se todos fizessem o que é recomendado na biblia sagrada talvez muitos não matassem os seus próprios pais e o ser humano saberia dar valor ao seu semelhante, obrigado pela compreenção.

Há coisas que nunca faltam nos comentários (58, em menos de uma hora) deste tipo de notícias: a religião e os erros ortográficos.... Não resisto a mais um:
Nada justifica a morte de outra pessoa, muito mais de forma cruel e monstruosa.Todos sabemos ( ou quase todos) que a biblia insentiva á morte, mas portugal nao tem costumes de práticas rituais. È triste que se vejam Mulheres violentadas todos os dias. Cá estão os erros, cá estão as banalidades, cá está o exemplo de um comentador que fuma cannabis e depois vai para a net fazer das suas. No entanto, consegue terminar com uma enorme verdade.

AGORA AS MULHERES TEM QUE TER 2 HOMENS DEPOIS DÁ NISTO .

Esta é outra das coisas que não pode faltar: o típico machão que deduz que uma mulher esfaqueada até à morte mereceu porque tinha um amante, um facto que só existe na cabeça do idiota. A mulher prevaricou, já sabe que está sujeita. Este alia um erro de concordância verbal com a típica escrita em Caps Lock. "É para te ler melhoooor". Enfim, um ser que apenas desperdiça oxigénio neste planeta.

A culpa é das mulheres que perderam a moral os bons costumes e a vergonha, depois da nisto.

Que mais há a dizer... resta apenas referir que este comentário está assinado com o nome "Macho Latino". Há aqui frontalidade. É pena que não haja ainda mais frontalidade...por exemplo, contra um carro em sentido contrário a 200km/h. Este comentário originou a revolta de vários comentadores, incluindo do Zeca, que diz:
Mais um C O R N U D O... Ou será P A N E L E I R O??
Um homofóbico a criticar um machista. Estou dividida.

Olaias?? ... hummmmm.... qual seria a raça?
Notícia sobre crimes que é notícia, tem de ter um comentário racista / xenófobo. Este comentário teve resposta, de um anónimo: Olaias+facadas=ciganada. Alguém que aproveite este anónimo para as brigadas de investigação.

Seja qual for a notícia, há sempre alguém que virá dizer que a culpa é do Sócrates (Sócras, Socrátes, Socas). Neste caso não temos ainda...). O mais aproximado será isto:
Por de tráz destas desgraças todas, está o estado!Teriam que autuar o estado como co-autor!Que não previne tantas desgraças repetitivas! Apesar que: após entrada em vigor da nova lei para casamentos gays, o que se vê é, aquele que outrora "machão português" desvencilhar-se das aparências dessa maneira!
Autue-se o Estado como co-autor! A culpa é do Estado porque aprovou o casamento homossexual e agora os maridos, naturalmente, matam as mulheres para se verem livres delas e assumirem o seu verdadeiro amor junto do Ricardão! Não há direito. Bandidos!!!!!!!!

Termino com o comentário da Rosa de Fátima Rodrigues Lima:
Elas merecem! E senão fosse o medo da tal "justiça" muito mais *** seriam mortas, ou lapidadas.
Uma de duas hipóteses: ou esta mulher é/foi traída e vinga-se fazendo comentários absurdos como este, ou na verdade a Rosa é um Roso, talvez o Macho Latino que comentou mais atrás. Em qualquer dos casos, eu aconselhava psiquiatria. Ou uma overdose de comprimidos. Todo o espaço é pouco neste mundo cada vez mais habitado.


Entristece-me não ter encontrado aqui o expoente máximo da banalidade: o típico comentário do "No tempo de Salazar não havia nada disto, agora nem com 50 Salazares isto lá ia". Mas acredito que até ao resto do dia alguém irá colmatar esta falha gravíssima.

Bem-vindos à essência de Portugal.

16 julho, 2010

Só para que saibam: desejo-vos mal

Ahhhh, como é bonito e relaxante ver um filme que começa ao crepúsculo (NÃO, calma, não se vão já embora, eu não fui ver o Crepúsculo!) e termina já noite cerrada, num parque bonito com um laguinho e um ecrã gigante e ainda por cima à borla.


Digam: não é bonito? E ver casais cobertos com mantinhas, as cabeças juntinhas a ver um filme bonito como o Volver do Almodóvar... nada poderia perturbar uma noite tão bonita, nada! Excepto aquelas pessoas que deixam a merda do telemóvel ligado com som. (FUUUUUUUUUUUUUUUUUUU). E o que faz uma pessoa que deixa o telelé ligado e ele toca a meio de um filme? Note-se ainda que essa pessoa estava mesmo atrás de mim, o que faz? O quê, digam-me?
Atende o telemóvel e põe-se a conversar.
Claro. 


Nestes casos sou a favor de espingardas.

14 junho, 2010

Os comentadores da nossa praça

Este Portugal assusta-me. Coitado, Portugal a bem dizer não tem culpa de albergar tanto labrego. Tanta gente estúpida, preconceituosa, racista e que ainda por cima gosta de o mostrar publicamente. Publicamente mas, alto lá! Tudo de forma anónima. Atrás de um teclado todos são heróis. Seja num fórum da internet, seja, como é o caso mais flagrante, a comentar notícias em jornais online.

E revolta-me. Revolta-me e assusta-me e dá-me nojo ler o que algumas pessoas que partilham comigo a nacionalidade escrevem.

Se a notícia é sobre um famoso, é porque o famoso subiu na vida por outras vias, é porque a sua vida é uma miséria, é porque devia era ajudar os pobres, ou então desejasse-lhe tudo o que há de mau, a esse malandro que tem sucesso porque trabalha.

Se a notícia é sobre os conflitos israeo-palestinianos, ai que o regime nazi devia ter acabado melhor o seu trabalho, ai que os judeus não são gente e só atormentam o mundo, ai que cambada de assassinos, pobres palestinianos, umas vítimas inofensivas. De 10 em 10 comentários lá aparece um comentário pró-israelita igualmente radical e está a tarde feita para os comentadores da nossa praça.

Se uma adolescente ou já mulher é violada, não faltam os comentários a dizer que as raparigas andam aí todas descascadas, estão à espera de quê? Claro, tem toda a lógica um pensamento destes. Mais lógica ainda partilhar tamanha estupidez com o mundo.

Por norma, seja qual for o assunto, desde que este envolva alguma desgraça ou dividas ou seja o que for, está lá sempre um saudosista a dizer com toda a sua sapiência que "no tempo de Salazar não havia nada disto". De facto, se há coisa que o tempo de Salazar tinha de bom era o facto de não haver nada. Se vivêssemos ainda no tempo de Salazar, decerto que a esmagadora maioria da população e destes comentadores parolos não ia ter dinheiro para comprar computador nem ia conseguir sustentar a conta da internet. Realmente, o tempo de Salazar teria as suas vantagens.

Hoje fui ler com mais atenção o assalto sofrido por dois jornalistas portugueses e um espanhol em Magaliesburg. E, meus caros, a verborreia comentarista é assustadora.

Convido-vos a ler: Homem armados assaltam jornalistas portugueses no hotel


gustobastos
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E já agora... não concordo com o título da notícia: "homens armados"... HOMENS???? Chamam homens a essas coisas??


Fernando Marques
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Correram com os brancos ....Foi esta liberdade que os mandelas quiseram ????Foi para melhor ???Dantes ainda dividiam alguma riquesa, agora dividem miséria e violência. A Esquerda Internacional assim o quis. Pobre povo, mais miserável ... mas mais iludido com a falsa "liberdade".Esta falsa Palavra dá jeito a muita gente, que com ela se governa ... e o POVO ???


Brás
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Para quem viveu aí ao lado em Moçambique e sabe como a África do Sul era "before Mandela's"... nessa altura garanto-vos que a segurança existia...na época em que a África do sul se podia dar ao luxo de fazer caricas de garrafa em ouro. (...)


Impartial
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(...) FIFA, O MUNDO ESTA CHOCADO POR ESCOLHER AFRICA, infelizmente!!!



E eu fico chocada por ler tiradas destas. Não tenho piores porque entretanto denunciei alguns comentários antes de fazer o post. É por estas e por outras que não, não quero ver putos da primária a desfilar vestidos de mocidade portuguesa.

Portugal assusta-me.

26 maio, 2010

O quotidiano do dia a dia

- Ó Laurinda, não sabes o que me aconteceu há bocado ao almoço.
- Então mulher?
- Lasquei um dente.
- Não posso...
- Palavra!
- Não acredito...
- 'Tou-lhe a dizer! Era um onde já tinha uma carie há muito tempo
- Então e não fostes tratar?
- O quê? Ir ao dentista fica por um balúrdio! Quando dizem que nos tratam da saúde, tratam mesmo, saímos de lá limpinhas... da bolsa! Veja lá que cada consulta fica por 40€.
- Não há direito... se for preciso só lá está 15 minutinhos!
- E não é que é mesmo! Só lá vou se estiver cheia de dores. A mim não me apanham o dinheiro! Custa muito a ganhar, não é pra gastar assim! Bandidos!
- Gatunos! Olhe, tome um benuron, pode ser que passe. Olhe, estava aqui a reparar nas suas calças, também são novas não são?
- São giras não são? Comprei junto com as de ontem e estas ainda foram mais baratas! 
- Também são da KljhH%gi6uyghbl$oiy? Quanto custaram? São tão bonitas...
- São pois. Olhe, estas foram só 70€. Duram que é um encanto. Vou levar hoje à noite ao Benfica.
- Vai ver o jogo?
- Ah pois, é pra Liga Europa, tem que ser que as oportunidades de os ver lá não têm sido muitas! Vou eu e o meu home. Gastámos 80€ desta vez... encareceu, que pro Liverpool gastamos 65€ os dois!
- Gatunos, sempre a aumentar tudo. Só o ordenado é que não sobe. 
- Agora é que você disse uma verdade. Olhe, o que é preciso é saudínha.
- Isso é que é importante, que sem saúde não temos nada. Olhe, as melhoras e boa sorte pro Benfica!
- Obrigadinha!
...

17 maio, 2010

O quotidiano do dia a dia

- Nunca mais daqui saímos... já viste até onde vai a fila? Deve ser acidente quase de certeza, isto não é normal... Ah, olha ali à frente! Não te disse? Acidente!
 - Esta gente não sabe conduzir em condições nem com calma e é no que dá, aposto que foi excesso de velocidade. E aposto também que está esta fila por causa dos mirones que em vez de circularem abrandam para ver... É mesmo à tuga, há alguma desgraça e vai logo tudo ver... que tristeza.
Deixa ver se ouço aqui alguma coisa na rádio sobre o acidente...
- Já dá para ver melhor não já? Olha isto tá a andar melhor, a ver se chegamos a tempo do jantar. São dois carros??... ora vê aí se há feridos...
- Tem calma, anda mais devagar então, senão não consigo ver. UI!!!!!!!! O carro vermelho tá todo desfeito!!! Aquilo é sangue não é? Olha, tás a ver ali no chão? E os vidros todos estilhaçados e (...)
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