31 janeiro, 2011

Os resultados eleitorais que realmente interessam...

...Pelo menos a mim. Ou ao meu lado curioso. Posto isto, volto a fazer a análise dos resultados eleitorais em Ermesinde.

A grande novidade que Ermesinde nos dá sobre as eleições para a presidência da República é que Cavaco teria de disputar uma segunda volta, pois apenas conseguiu 49,59% dos votos. Isto seria dramático. Odeio o Aníbal, mas não suportaria mais tempo de campanha, com mais das suas declarações bombásticas, como "não comento", "agora não que tenho de ir descansar", "...", "tinham todos que nascer 30288392 vezes para serem mais honestos do que eu, seus pecadores", "a minha senhora", "adoro bolo-rei".

Lamento, mas esta é mesmo a grande notícia sobre as decisões tomadas por 17849 votantes dos 34388 inscritos (o que dá 48,10% de abstenção, inferior ao total nacional. Somos uma freguesia interessada!). Os votos em branco também foram superiores à média nacional: 5,08%. Muito bem, Ermesinde! Nenhum deles prestava para nada mesmo.

O resto manteve-se semelhante. Em segundo lugar, Manuel Alegre com 22,91%, em terceiro lugar Fernando Nobre com 16,99%, em quarto lugar Francisco Lopes com 5,97%, em quinto lugar o grande Coelho, com 3,21% (wtf?) e, por fim, o enorme Defensor Moura (wtf?) com 1,34%. Espero que se recandidate. E que o Garcia Pereira consiga regressar aos boletins de voto, para poder, pela primeira vez, ficar à frente de alguém. Sinto que, com Defensor Moura na corrida, tal feito seria possível.

O que se mantém também desde as últimas eleições até estas mais recentes é a minha incapacidade para conseguir aceder aos votos nulos. Como eu adorava poder ler as pérolas que as pessoas escrevem! Como eu choraria com a injustiça de ver anulado um voto muito mais útil e inteligente. Tipo este:

30 janeiro, 2011

Jukebox

No matter how cold the winter... o tanas

Não podemos saltar já para 2012 ou assim? Já estou farta deste ano. É sempre chato quando nos dão um ano novo e passados 30 dias ele já está todo estragado. Será chinês?

28 janeiro, 2011

Governo (diz) que vai rever. Se governo diz que vai rever, não vai rever porra nenhuma



O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) está aberto a rever as normas técnicas de atribuição das bolsas de estudo aos estudantes das universidades portuguesas. O ministro Mariano Gago assegura que o impacto social das regras que entraram em vigor neste ano lectivo vai ser tido em conta e o regulamento pode sofrer correcções.

"A revisão das normas técnicas, após uma avaliação da sua aplicação e do seu impacto, já estava prevista. Não deixaremos de avaliar o impacto social do actual sistema de apoios sociais", assegurou ontem ao PÚBLICO o ministro Mariano Gago, garantindo que serão feitas as correcções ao regulamento de atribuição de bolsas que se revelarem necessárias. (...)



[Sim, com certeza. Quando arranjar 2 mil euros para pagar a propina invisto-os numa aposta: Em como isto não vai acontecer].


Os dados já disponíveis revelam que um quarto dos estudantes bolseiros ficou sem apoio em face das novas regras.(...)

"A situação viola as legítimas expectativas dos estudantes e contraria o critério de confiança sobre o qual firmaram a sua relação com a instituição universitária e com o Estado", consideram os membros do órgão máximo da UM, em comunicado. 


Este é um um problema grave. Eu escolhi o meu curso contando com o apoio que existia. Se me tivessem negado a bolsa, eu tinha ido embora para Ermesinde e por lá ficava. Agora: cortarem-me a bolsa no segundo ano, numa altura em que já fiz as cadeiras do 1º semestre do 2º ano?! No ano em que tenho a maior despesa de sempre com o curso?
Isto é desonesto.

27 janeiro, 2011

E acabo de ver que não tive bolsa de estudo este ano. Ao 5º ano de Universidade, é a primeira vez que não tenho bolsa. Logo no pior ano. No ano em que as propinas são o dobro de sempre, e no ano em que estou deslocada.

Resta-me arranjar 2 mil euros para pagar a propina e o resto para pagar alojamento.

Acho que é a primeira vez que a *crise* me afecta.

Foda-se.

Que parva que sou



Sou da geração sem remuneração e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar, já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração casinha dos pais, se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração vou queixar-me pra quê? Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração eu já não posso mais que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar.



Música tocada no dia em que Cavaco Silva foi eleito.
Obrigada, Elsa.

26 janeiro, 2011

Afinal há esperança para Portugal

“Live on Ten Legs”, dos Pearl Jam, veio destronar da liderança da tabela “O Mesmo de Sempre”, de Tony Carreira.


É bom ver que o povo não anda a dormir. Assim sim, Portugal!

24 janeiro, 2011

Lyoncifiquem-se!

Tristes porque os vossos pais não vos baptizaram de Lyonce Viiktórya? Resignados com os vossos nomes banais tipo José Pereira ou Aníbal Silva? Animem-se! Já é possível sentirem a sensação que um dia sentirá a pobre pequena quando perceber que podia ter sido simplesmente uma Leandra Vitória.
Lyoncifiquem-se!

http://lyoncificaoteunome.com/index.php

Eu vou mudar de nome para Saronce Campiione. Ou, usando três nomes, posso passar a ser a Saronce Oxytokiamana. Vês, mãe? Isto sim é um nome!

23 janeiro, 2011

A bem da nação


E foi o que fiz. Com alguma tristeza, é certo, mas cheira-me que logo à noite a tristeza vai ser maior.

(Não sei de quem é a autoria da imagem, mas é muito boa).

22 janeiro, 2011

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
o sistema é antigo e não poupa ninguém, não.

Somos todos escravos do que precisamos
reduz as necessidades se queres passar bem
que a dependência é uma besta
que dá cabo do desejo
e a liberdade é uma maluca
que sabe quanto vale um beijo

19 janeiro, 2011

É o chamado inquérito dois em um

Só 6% dos portugueses confiam na classe política

A fama dos políticos e dos governos não podia estar pior em véspera de eleições presidenciais. A cinco dias de o país decidir quem será o próximo Presidente da República, uma sondagem de opinião mostra que a desconfiança na classe política é generalizada, o que contamina também a opinião sobre o cenário económico. A grande maioria dos inquiridos diz que Portugal está a caminhar na direcção errada e que o país estava melhor há 25 ou há 40 anos.

O inquérito foi conduzido pela consultora Gfk junto de 1002 portugueses entre os 18 e os 64 anos, de todo o território de Portugal Continental. A sondagem integra os trabalhos do Projecto Farol, um
think-thank

De acordo com o estudo, 94 por cento dos portugueses dizem não confiar na classe política, 90 por cento nos Governos, 89 por cento nos partidos e 84 por cento na Assembleia da República. Cerca de 70 por cento revela também não ter confiança nos tribunais, na administração pública ou nos sindicatos.
constituído por figuras como Belmiro de Azevedo e Daniel Proença de Carvalho que quer traçar um guia para o desenvolvimento do país até 2020.

(...)




Conclusões a tirar deste inquérito:

1- 94% das pessoas andam de olhos abertos. Mas ainda assim continuam a votar em quem não confiam;
2- Ficamos a saber a percentagem de portugueses ligados à política: 6%.

O telefonema que podia mudar a vida de Ermesinde. E a minha, vá

Esta manhã ligaram-me da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Era a perguntar se estava interessada em participar numa exposição. O pedido vinha da Câmara Municipal de Valongo, que queria expor as obras dos licenciados nos últimos 10 anos, no Fórum Cultural de Ermesinde.

Finalmente! Finalmente o mundo reconhece que sou uma artista e que o meu trabalho merece ser visto! Vou levar os meus textos, o mundo vai reconhecer o meu talento, o New York Times vai querer-me como sua correspondente exclusiva em Portugal! Ermesinde elevar-se-á a capital da cultura! Muahaauahahahaha!!!

-"É uma exposição de artes plásticas".

... Raios. Era só engano...

17 janeiro, 2011

Também para debitar frases ocas, mais vale acobardar-se mesmo

Antena 1 lamenta ausência de Cavaco em entrevista à “rádio paga por todos nós”

Estava marcada para hoje, dia 17, a entrevista do candidato Anibal Cavaco Silva à Antena 1, e esta seria a última entrevista de um candidato presidencial, ao “Jornal de Campanha” das manhãs da rádio pública. Mas ontem Cavaco Silva acabaria por desmarcar o encontro. Maria Flor Pedroso, editora do “Jornal de Campanha” lamentou em directo a ausência do candidato na rádio “que é paga por todos nós”.

“Tal como há cinco anos Cavaco Silva não concedeu entrevista à rádio pública, que é paga por todos nós. Da nossa parte lamentamos”, frisou em directo a jornalista e editora do “Jornal de Campanha” da Antena 1, Maria Flor Pedroso, esta manhã, no arranque daquele bloco informativo sobre as presidenciais.

A entrevista que estava marcada para as 10h00 de hoje foi desmarcada ontem, depois da Antena 1 ter avançado com duas datas – a outra hipótese seria dia 14 – e com a possibilidade de ser gravada e de poder ser feita em qualquer lugar.



Não sejas injustos. Talvez esta manhã não fosse a manhã oportuna para falar. Talvez o signo de Cavaco o aconselhasse antes a passear numa qualquer romaria, protegido pelos seus capangas e onde não tem de dizer nada que não seja "olá, como está, mas que belo (inserir pessoa ou objecto a elogiar). Não tem reforma? Pois, a minha Maria, veja lá, só tem 800€ de reforma, a pobrezinha. São só quase dois ordenados mínimos, como é que consegue sobreviver? É por ela que me candidato. E também é por ela que jogo na bolsa. Mas só em acções ainda não cotadas, que não podemos arriscar o nosso pé de meia". Qualquer coisa assim do género.

Talvez há 5 anos também ainda não fosse o momento oportuno para falar, porque um candidato a presidente da República tem de saber estar. Ou não estar. A diferença é pouca. Assim como assim, ele nem liga à imprensa.
E o triste é que isto vai ganhar as eleições.

Proponho que se substitua o Cavaco por um raminho de salsa. O efeito decorativo é melhor, sai mais barato e não cheira a podre.

16 janeiro, 2011

Era quem lhe desse dois votos rasgados naquela cara de cínico

Cada vez gosto mais de Cavaco Silva. A sério, como não adorar um homem que nunca comenta nada nem nunca se compromete com nada (a não ser com acções e com os bons amigos que tem. Ah, e com Fernando Lima)?

Eu cá adoro-o. Hoje no Jornal da Tarde da Sic (que tem feito uma cobertura interessante sobre os comícios, não se limitando a passar para o tele-espectador aquilo que os candidatos vão dizendo nos palanques), pudemos ver Cavaco a sair-se com uma muito boa:

"Vou partilhar uma dúvida que tenho. Eu não sei se as imagens desta maré humana que me tem acompanhado chegam a casa dos portugueses através da comunicação social, ou se estão ou não a ser escondidas. É qualquer coisa que eu não sei, porque não acompanho hoje o dia a dia da comunicação social", disse Cavaco com cara cínico.(ver notícia da Sic aqui)


À saída do comício, os jornalistas questionaram Cavaco, e bem, sobre se queria desenvolver mais aquela dúvida e se sentia que estava a ser prejudicado pela comunicação social. 
A resposta foi igual ao de sempre: não existiu. "Ahh estou muito cansado e agora tenho de ir descansar para o Porto.

"Mas não quer explicar aquela dúvida?", perguntou-lhe uma jornalista. Cavaco Silva observou: "Eu não vejo televisão e não leio jornais, quase, há muito tempo". 

É tudo genial neste pedaço de lixo político que Cavaco nos dá. Primeiro lança a farpa, dizendo que tem uma dúvida, que não sabe se as imagens daquele mar de gente que o acompanha estão a ser passadas pela comunicação social. Que, aliás, tem a obrigação de filmar as romarias de campanha, claro... Ai delas! Depois, quando questionado pela comunicação que adora maltratar, Cavaco mostra toda a sua pequenez quando afastado do palanque que o eleva. Está cansado, coitadinho. Não pode comentar. Oh, que surpresa. ELE NUNCA PODE COMENTAR. Nunca é a altura. Nunca é o momento. Talvez não seja competência do candidato à presidência comentar aquilo que o próprio candidato à presidência verborreou.

Mas Cavaco ainda teve tempo de dizer outra asneira: que "não vê televisão" nem "lê jornais" há muito tempo.
Deve ter desistido de ler jornais aquando do escândalo Fernando Lima e suas plantações no Publico de José Manuel Fernandes. Mas é sempre bom saber que um político não se informa na imprensa, nem quer saber o que o rodeia. É maravilhoso. Tanto mais maravilhoso é que o energúmeno planta uma crítica à imprensa e depois diz que nem está atento à imprensa. Genial.


Estou muito tentada a não votar em branco e a votar naquele que estiver em segundo lugar nas sondagens, só pela esperança de não voltar a ver esta peça de decoração como Presidente da República Portuguesa. É um bocado embaraçoso só conseguirmos eleger isto para representar o país. Para quando a opção "Não" no boletim de voto? Eu votava Não neste pedaço de lixo político.

Jukebox

Espalhem a notícia

14 janeiro, 2011

Não, isto não é uma notícia do inimigo público...

... mas parece.

Parlamento rejeita água da torneira por falta de higiene


Por Sofia Rodrigues

O conselho de administração da Assembleia da República aprovou ontem um parecer negativo a um projecto do PS que queria adoptar o consumo de água da torneira e acabar com a água mineral engarrafada. Foram alegadas sobretudo razões de ordem prática que não garantiriam a "total higiene".

Num projecto de deliberação do PS, assinado à cabeça pelo líder parlamentar, Francisco Assis, a bancada pretendia instituir o consumo de água da torneira na Assembleia da República com um argumento ambiental: a redução de resíduos.

O parecer ontem aprovado - ao qual o PÚBLICO teve acesso - alega que a água mineral (seja em garrafas ou máquinas de distribuição) tem garantida a sua total higiene. "Essa garantia não existe na utilização da água canalizada", segundo o parecer que foi proposto pela secretária-geral, Adelina Sá Carvalho. "Não temos meios para o garantir quer na origem, quer na distribuição", acrescentou.

É que o fim da água mineral implica a sua substituição por jarros individuais, colocando questões de manutenção e da falta de pessoal para os encher e levar aos deputados.




Penso que é fácil resumir o parecer num simples: 'Água da torneira? Que nojo!! Isso está bom para o povo, não para nós. Além disso, as ETAR são uma bela porcaria. E nós já fomos tão sacrificados, quase nem temos dinheiro para comer, deixem-nos continuar a usar as nossas luso, as nossas águas Nestlé em bidões. NÃÃÃÃO!'.

Ora, se me dão licença, eu, como pessoa a quem os senhores não se importam de ver beber água da torneira, desejo-vos uma morte lenta e à sede. Aí, é ver se a água da torneira não começa a servir. Ou então, para os ilustres deputados, eleitos por quem bebe água da torneira, que estejam descontentes com a água da torneira, talvez devessem começar a comprar água para si próprios. Os subsídios hão-de chegar para uns cêntimos de água por dia.

Cada vez mais adoro deputados. Vou começar a adorar ainda mais quando estes falecerem atropelados por um rebentamento de ETARs.

11 janeiro, 2011

Pronto, é oficial então

Sócrates diz que Portugal não vai pedir ajuda externa porque “não precisa” 

O primeiro-ministro, José Sócrates, foi hoje taxativo a dizer que o país não vai pedir ajuda externa à UE e ao FMI, na apresentação de números preliminares da execução orçamental.



Pronto, podemos então deitar todos as mãos à cabeça, que quando Sócrates diz que não precisamos e que não vamos, é quando mais precisamos e mais vamos querer.

FMI, please be gentle...

09 janeiro, 2011

Jukebox



And I plan to be forgotten when I'm gone.


07 janeiro, 2011

Parece que afinal ganho acima da média

Queria ter comentado esta notícia ontem, mas por causa da entrega de um trabalho sobre o facto de a União Europeia querer brincar aos exércitos, chega cá com um dia de atraso.

A notícia fez furor, e não era para menos, o que é sintomático da quantidade de gente a recibos verdes que por aí anda a fazer-me companhia:

Recibos verdes. Quem ganha mil euros passa a receber apenas 598 

Jovens a recibo verde vão pagar mais para a segurança social. Taxa passa de 24,6% para 29,6%.

O novo código contributivo está a por os jovens que ganham a recibo verde à beira de um ataque de nervos. Quem ganhe 1000 euros mensais, passa a ter de entregar 21,5% à cabeça aos cofres do Estado por conta do IRS, e 29,6% à Segurança Social. 

Contas feitas, significa que a partir deste mês, quem ganhe aquele valor através de recibo verde leva para casa qualquer coisa como 598 euros, ao invés dos anteriores 621 euros. Outra das inovações do novo código contributivo é que deixa de permitir que seja o próprio trabalhador independente a decidir o que quer descontar para a segurança social. A taxa passa a ser única, de 29,6%, ao invés de oscilar entre os 24,6% do regime obrigatório e os 32% do regime alargado que vigorou até 2010. 
(...)

O mercado de trabalho conta hoje com cerca de um milhão de pessoas a recibo verde, entre trabalhadores precários e profissionais independentes, onde se incluem médicos e advogados mas também desempregados de longa duração que voltam a trabalhar precariamente e sobretudo jovens, incluindo os que saem das universidades.


Primeiro comentário óbvio: isto é uma filha da putice. Sobretudo porque isto é um sistema discriminatório (não vale a pena desenvolver acerca do tema dos recibos verdes e, sobretudo, dos falsos recibos verdes, por esta altura já toda a gente tem a sua opinião.

Segundo comentário: se uma pessoa não lê a notícia até ao fim, pode ficar a pensar que só os jovens é que vão ser prejudicados. Não sei quem é que disse à jornalista que os jovens estão à beira de um ataque de nervos, mas quem lhe disse ter-se-á esquecido de dizer que há muitos milhares de pessoas a recibos verdes durante toda uma vida (que entretanto deixaram de ser jovens, mas que também têm de pagar impostos pesados dos quais pouco vêem). Mais: a jornalista acha mesmo que são os jovens a recibos verdes a grande fatia que ganha mil euros? Essa coisa dos jovens mileuristas é mais ali para o lado dos nuestros hermanos.

Por fim, só lá para Maio é que me volto a queixar do meu salário. É que acabo de perceber que ganho quase tanto quanto alguém que tenha 1000 euros de salário. E eu ganho o salário mínimo.

Bendito 1º ano de isenção... Maldito sistema discriminatório.

Vai ver se eu estou noutro blogue

Não sei o que se passou. Só sei que hoje há um post meu na web, mas num blogue a sério. Claro que, estando lá um post meu, o blogue torna-se menos sério e mais duvidoso por um dia, mas amanhã já voltou tudo ao normal. Até porque, diga-se, o Delito de Opinião é, sem dúvida, um dos melhores blogues que temos por cá, vai ser capaz de ultrapassar este percalço.

Em minha defesa, tenho a dizer que a culpa é toda do Pedro Correia. Eu estava aqui no meu cantinho a fazer a minha porcaria descansadamente. De qualquer maneira, hoje sinto-me gente grande :)

06 janeiro, 2011

Se apresentar o telejornal, não beba

Para uma pessoa que não sabe falar em público, sempre imaginei que tragédia aconteceria se me pusessem a apresentar um telejornal (hipótese apenas provável caso todos os outros jornalistas do mundo morressem, se reformassem, ou abraçassem uma profissão onde recebam dinheiro a sério).

Como nada isto irá acontecer, este pivot da RTP serve-me como exemplo:



Na verdade, eu acho que faria pior...

04 janeiro, 2011

Estou a ver qual o "novo conceito de jornalismo"...

Foi colocado ontem, no carga de trabalhos, o site com mais anúncios de chulanço a licenciados em jornalismo deste país, o seguinte anúncio:

procuramos jornalistas (estágio curricular)

Estamos a desenvolver um novo conceito de jornalismo online que será lançado já no final deste mês.
Por isso, precisamos de pessoas/recém-licenciados/universitários que tenham o bichinho do jornalismo e que estejam dispostos a fazer um estágio-curricular online!
Qual é o perfil que procuramos?!
Pessoas dinâmicas, extrovertidas, que escrevam muito mas muito bem e que sejam fluentes (ESCRITO E FALADO) em:
1. português
2. espanhol
3. brasileiro
4. inglês
5. francês
És fluente em alguma destas línguas??
SIM??!
Então é de ti que precisamos!!


Estou muito tentada a responder a este anúncio. Em primeiro lugar porque não pagam nada (para quem não está familiarizado com o conceito de "estágio curricular", confiem em mim). Em segundo lugar, porque preencho alguns dos critérios necessários. Estou mesmo confiante que preencho mais do que a média, senão vejamos: 
 
1-sou uma pessoa, e também sou licenciada em jornalismo, ou seja, estou em clara vantagem face a quem é só uma pessoa.
 
2-Sou fluente em duas dessas línguas. Claro que pesco de espanhol e de inglês (no francês sou fraquinha, embora compense no italiano), mas sou bilingue em português e em brasileiro. Domino as duas línguas, sobretudo agora que devo começar a escrever pelo acordo ortográfico.

Vou mandar já o CV e rezar para que seja a escolhida. Falou? Legal, então.

O admirável mundo novo

Acabo de descobrir, passados 2 anos de blogue, que esta coisa tem um campo chamado "Estatísticas", que permite ver quem são as pessoas que nos lêem mais e de onde vem essa ligação. Em minha defesa tenho a dizer que só tenho estatísticas desde Maio de 2010, por isso acho que afinal só desde Maio é que existe essa opção, ou seja, só venho 8 meses atrasada. Estou na minha média.

Bom, o importante para mim foi perceber que já tive 28 visitas da Índia, 20 da Estónia e 14 da Rússia (e que terão chegado aqui provavelmente atraídos por termos linguísticos familiares, tais como o "lksjndçjna" que usei no post anterior). Portanto, manda-me a boa educação dizer: अच्छाई मुझे विनीत! Tere! Vodka!

Outra coisa importante: o segundo post mais lido deste pasquim desde Maio de 2010 tem a data de Abril de 2009, e coincide também com um dos termos que mais leitores me traz do google: "Susana Cruz advogada". Isto prova que há pessoas inteligentes, há pessoas tansas, mas também há pessoas precavidas que pesquisam primeiro antes de cair no conto do publicitário. Este bocado de texto faz algum sentido depois de lido o post em questão: http://desertodosara.blogspot.com/2009/04/ler-urgente-e-mesmo-real.html

 É todo um mundo novo que se abre para mim. Agora só me falta saber mexer no google analytics para acabar o primeiro ciclo do ensino blogueiro. O próximo passo será aprender a fazer posts interessantes.

03 janeiro, 2011

Como descobrir uma fraude

Sexta-feira deu-me a larica e fui comprar um pãozinho à confeitaria Nortenha, bem no centro de Algés. Cheguei à senhora da caixa para fazer o pré-pagamento e pedi "um pão, por favor".
-Que pão?
-Err... um pão... normal?
-Mas que tipo de pão? Centeio? Mistura? lksjndçjna?
-Um pão normal, sei lá... um molete!
-Um quê?!?
-...

Estava desmascarada a fraude. Uma confeitaria Nortenha e não sabem o que é um molete?!? Que ultraje! Tive de pedir "uma carcaça". E isto é contra os meus princípios. É como pedir "uma imperial", e de seguida "uma bica", e depois apertar "os atacadores dos ténis".
Ainda por cima o raio do molete, um simples molete, custou-me 25 cêntimos. Bandidos! Acho que não fiquei cliente...

02 janeiro, 2011

O país retratado no NY Times

É sempre engraçado ler sobre o nosso país na imprensa estrangeira, mesmo quando a reportagem é para fazer o retrato de uma geração sufocada. E o NY Times nunca me desilude:

Lack of Jobs in Southern Europe Frustrates the Young
Francesca Esposito, 29 and exquisitely educated, helped win millions of euros in false disability and other lawsuits for her employer, a major Italian state agency. But one day last fall she quit, fed up with how surreal and ultimately sad it is to be young in Italy today. 
It galled her that even with her competence and fluency in five languages, it was nearly impossible to land a paying job. Working as an unpaid trainee lawyer was bad enough, she thought, but doing it at Italy’s social security administration seemed too much. She not only worked for free on behalf of the nation’s elderly, who have generally crowded out the young for jobs, but her efforts there did not even apply to her own pension.
The outrage of the young has erupted, sometimes violently, on the streets of Greece and Italy in recent weeks, as students and more radical anarchists protest not only specific austerity measures in flattened economies but a rising reality in Southern Europe: People like Ms. Esposito feel increasingly shut out of their own futures. Experts warn of volatility in state finances and the broader society as the most highly educated generation in the history of the Mediterranean hits one of its worst job markets. (...)
The daughter of a fireman and a high school teacher, Ms. Esposito was the first in her family to graduate from college and the first to study foreign languages. She has an Italian law degree and a master’s from Germany and was an intern at the European Court of Justice in Luxembourg. It has not helped. 
Even before the economic crisis hit, Southern Europe was not an easy place to forge a career. Low growth and a corrosive lack of meritocracy have long posed challenges to finding a job in Italy, Greece, Spain and Portugal. Today, with the added sting of austerity, more people are left fighting over fewer opportunities. It is a zero-sum game that inevitably pits younger workers struggling to enter the labor market against older ones already occupying precious slots.  (...)
The problem goes far beyond youth unemployment, which is at 40 percent in Spain and 28 percent in Italy. It is also about underemployment. Today, young people in Southern Europe are effectively exploited by the very mechanisms created a decade ago to help make the labor market more flexible, like temporary contracts.  
Because payroll taxes and firing costs are still so high, businesses across Southern Europe are loath to hire new workers on a full-time basis, so young people increasingly are offered unpaid or low-paying internships, traineeships or temporary contracts that do not offer the same benefits or protections. (...)
In Italy, Ms. Esposito is finishing her lawyer traineeship at a private firm in Lecce. It pays little but sits better on her conscience than her unpaid work for the government.
“I’m a repentant college graduate,” she said. “If I had it to do over again, I wouldn’t go to college and would just start working.”

01 janeiro, 2011

Pode não parecer, mas este post pretende atrair a atenção de camionistas

Não quero dar pistas falsas a quem passa por aqui. Este blogue é um depósito dos meus resmungos e indignações e assim vai continuar. E sendo assim, depois de um post de humor, há que começar a espingardar depressinha.

Caros senhores da gasolina: 1,51€ UM LITRO DE GASOLINA??!????!!? O BARRIL ABAIXO DOS 100 DÓLARES E A GASOLINA CUSTA O MESMO DO QUE QUANDO O BARRIL CHEGOU AOS 150?? E NINGUÉM FALA DISTO? ONDE ESTÃO AS REPORTAGENS TRI-DIÁRIAS DOS TELEJORNAIS SOBRE ESTA LADROAGEM? ÃH? E A AUTORIDADE DA CONCORRÊNCIA, ONDE ESTÁ? FOI PASSAR A PASSAGEM DE ANO AO DUBAI (com viagem paga pela Galp?) ? OU ISTO FAZ PARTE DAS MEDIDAS DE AUSTERIDADE E O GOVERNO ESFREGA AS MÃOS DE CONTENTE PELOS IMPOSTOS QUE VAI GANHAR? MAS COMO É?!???

Para quê um ano novo, se os mafiosos da gasolina mo estragam logo no primeiro dia com roubos destes?

Senhor camionista que, com certeza, segue este blogue e me está a ler agorinha mesmo: Greve de 2 semanas por favor, até estarmos todos cheios de fome. Restantes pessoas cuja profissão não passe por transportar produtos: toca a andar a pé e a boicotar a Galp e a BP, esses chulos!

Beijinhos e um ano feliz.

A todos os portugueses (e como agora é moda, às portuguesas também)

'Bora começar 2011 de forma parva? 'bora.