09 junho, 2010

À atenção da indústria farmacêutica

...que eu odeio, diga-se desde já. Por isso veja-se o meu desespero: só a indústria farmacêutica me poderá salvar.

De quê?

Algo gravíssimo!!!!!!! Um mal que só me faz ficar mal. Não, não é flatulência. Flatulência mental, talvez. Doutor, preciso de ajuda!!!!!!!!

Pronto, eu digo. Não sei falar em público!




Já está. Se falar em público fosse tão fácil como verborrear (acho que acabo de inventar um verbo), eu era rainha. Mas no que toca a fazer coisas tão exigeeeeeeeentes, difíííííceis, de vida ou de mooooooorte, tais como apresentar um trabalho da escola perante uma dúzia de colegas ensonados, eu sou uma nulidade.
Eu sou uma fraude!

Eu chego ao ponto de, mal me levanto para ir para a frente da turma, deixar de saber como se põe uma pen num computador. Lá estava eu há cerca de duas horas de pen na mão a olhar para o computador e a pensar "hummmmmmm ar dvia tr aki auhmn sitiu p mter ah pppppp isto". Sim, o meu pensamento bloqueia e traduzido para um post é mais ou menos aquilo.

Eu fiz um trabalho sobre Hong Kong. Um trabalho de mestrado. E disse na apresentação que Hong Kong e MACAU passaram para a soberania britânica. MACAU! E devo tê-lo dito mais do que uma vez. E quando o prof me interrompe eu não percebi à primeira... Hum... o que tem? AH M€RD@ MACAU!!!!!!!!!! Portugal!!! O meu país!!!!!!! (Entretanto já um colega me tinha dito que a entrada USB para a pen era atrás do computador. Como sempre foi...).

Sabendo eu que estou a ser avaliada e que tenho de falar em público, ou que simplesmente tenho mais do que 5 pessoas a ouvir aquilo que tenho para dizer, panico. eu panico. Isto é uma das minhas grandes frustrações... no primeiro semestre estava um senhor qualquer a dar uma conferência (na verdade, vários, em várias conferências, o efeito é sempre o mesmo), e eu estive até à última para fazer uma pergunta... preparo-a mentalmente ou por escrito com muito cuidado!! Estou uma boa meia hora a treinar uma pergunta, e quando chega a minha vez de fazer UMA PORCARIA DE UMA PERGUNTA NUM DEBATE OU CONFERÊNCIA, fico a tremer. Isto tem de ser uma patologia qualquer.

O certo é que isto me prejudica. Sempre prejudicou... Na licenciatura uma vez estava com o meu grupo a fazer uma apresentação perante umas dezenas de almas (coleguinhas!) e tive uma quebra de tensão. Alguém me interne.

Daí que a minha única esperança é que os senhores farmacêuticos inventem um drunfo qualquer para eu enfiar goela abaixo e falar como uma pessoa normal perante um aglomerado de gente.

Por favor... isto é ridículo... há pessoas com problemas sérios na vida e estou eu a gastar espaço na internet com lamurias do tipo "Ai que eu quero ser jornalista mas tenho pânico de falar em público".


Socorro!! mãezinha? :(

18 comentários:

Pronúncia disse...

Sara, percebo-te perfeitamente, porque já sofri (muito) desse mesmo mal... cheguei a chumbar a uma cadeira. Pura e simplesmente bloqueava cada vez que tinha que falar em público (era uma oral).

Resolvi o problema. Fiz um curso intensivo de "Como falar em público"... e a coisa deu mesmo resultado!

Sara non c'e disse...

Pronúncia, um curso mesmo? Daqueles workshops, ou curso no sentido figurado para "fui tantas vezes obrigada a falar em público que agora já não tenho problemas"?
Eu até fiz aquele curso de formação de formadores, tive de falar muitas vezes para a turma, a minha avaliação final consistiu em dar uma aula enquanto era filmada, mas os progressos são muito poucos... eu bloqueio... o meu pensamento parece que me abandona e eu ali fico, perdida, com olhar de parva...

Pronúncia disse...

Sara, já o fiz há uns anos.

Foi um curso de 60 horas, em horário pós laboral. O formador era um jornalista que tinha mesmo jeito para aquilo. Ensinou-nos uma série de técnicas, desde forma de vestir (parece que não, mas é importante), postura, dicção, abstracção (por causa dos bloqueios) e no final tivemos que escolher um tema e apresentá-lo. Foi muito interessante e vi realmente resultados.

Eu até de entrevistas para emprego tinha um pânico de morte... hoje em dia, já consigo falar para um auditório inteiro sem grandes problemas (custa é começar, depois se dominarmos o tema a coisa rola bem).

Vou procurar nos meus catrapázios e se encontrar o nome do senhor mando-to. Pode ser que o homem ainda se dedique à causa ou conheça quem o faça.

Sara non c'e disse...

És a maior, Maria Pronúncia. Espero um dia pronunciar-me assim também :D

Pronúncia disse...

Sou nada a maior... até sou é baixinha!

Tens que ter confiança em ti, Sara! É meio caminho andado!
Depois, há algumas técnicas que ajudam bastante.

Ainda vais falar para um auditório, vais ver... e nessa altura vais lembrar-te de mim! ;)

Sara non c'e disse...

Tenho noção que a minha falta de confiança é uma grande barreira, sempre foi. A questão é: como ultrapassar isto, se eu sei para aí desde os 11 ou 12 anos que sou insegura e acho sempre que vou ser a pior em tudo... De resto, um curso intensivo decerto produziria resultados! Sobretudo junto a pessoas que têm o mesmo problema que eu :)

Pronúncia disse...

Sara, pensa numa coisa. A forma como tu escreves e como te debates pelas tuas ideias não têm nada de insegurança. Antes pelo contrário.

Já assisti aqui, e noutros blogues, à tua defesa por aquilo em que acreditas, e argumentas bem, fazes os trabalhos de casa. Só por isso não és a pior em tudo, nem nada que se pareça.

Tens é que transpor o que aqui fazes para a vida real e para o público em geral.
Tens, antes demais que acreditares que essa insegurança é estupidez. Pensa nas vezes todas em que foste a melhor (de certeza que houve algumas).

Por exemplo, da próxima vez que tiveres que apresentar alguma coisa em público, imagina que é aqui que estás a apresentar e não para uma audiência. Antes de enfrentares o pessoal, treina em frente ao espelho, por exemplo (parece idiotice, mas dá resultado).

O principal é mesmo... ACREDITA QUE ÉS CAPAZ! (porque tu és mesmo capaz, tenho a certeza absoluta disso)!

(E eu sei bem do que estou a falar... já sofri na pele desse mal que te queixas, e de que maneira sofri)!

Cirrus disse...

O meu problema é não ter esse problema...

Sara non c'e disse...

Obrigada.. É por coisas como esta que eu um dia vou poder dizer que valeu a pena ter um blog. Obrigada pela atenção e pela força. Só com força de vontade é que lá vou, eu sei... e treino!

Obrigada mesmo... :)))

Sara non c'e disse...

Ahahaha Cirrus, queres trocar? :P

Marta Costa disse...

Sara isso "passou-me", minimizou-se é melhor, no último ano da faculdade! ok, continuo a ficar nervosa que nem uma doida.

Quando me comunicaram que umas das mudanças de bolonha do meu curso era apresentar obrigatóriamente um trabalho oral necessário para a conclusão da disciplina eu congelei! Ter de falar sobre os meus trabalhos frente a algumas pessoas dez vezes e ainda ter a feliz ideia de nesse ano querer fazer disciplinas extra curriculares pareceu-me demais! Para ajudar, fazer parte de uma organização de uma semana dedicada ao curso pela 3ª vez, mas nesse ano ser a seleccionada para fazer parte da mesa da abertura frente a directores da faculdade e professores dos mais variados cursos com o auditório compostinho... :s ( não correu muito bem, pedi para dizer o mínimo indespensável e ainda assim tremi e gaguejei de cada vez que tive de proferir uma palavrar!)

Os primeiros correram mal, mesmo com um papel à frente com tudo escrito, eu não lia, e depois tentava dizer alguma coisa e trocava algumas delas... :s O que me valeu foi que ao início os professores entederam esse pânico que muitos tinham e como os meus powerpoints eram minimamente bem montados lá me ia guiando por eles, desrespeitando o tempo porque precisava do dobro para dizer as coisas direitas, e ia safando o que podia.

Depois foi melhorando... mas muito do que a Pronúncia disse é verdade...
Tens de acreditar... eu acredito em ti! Acredito que vais conseguir! Acredito que és capaz de dizer coisas inteligentes, por isso acredita também. Põe-te de fora e lê o que escreves Sara.

Continuo a não fazer apresentações brilhantes. Mas consigo levar apenas dois ou três pontos guias para me orientar, ir falando devagar e tentar pensar antes de falar. Têm corrido minimamente bem.
Mas pergunta-me como foi a minha primeira entrevista para um emprego na área... ai... podemos mudar de assunto!? Não devo ter dito muita asneira porque a classificação nem foi tão má quanto eu esperava, mas nunca me senti tão mal por falar em público, que naquele caso era para três pessoas. Eu queria sair dali a correr... tremi tanto, tanto. Estava longe de casa, quando saí fiz logo um ou dois telefonemas quase a chorar a dizer que era uma nódoa, que se nem a uma entrevista de emprego eu conseguia ir sem ficar nervosa como ia ser. (e olha que esta da entrevista foi o ano passado depois de Londres, ou seja não à muito tempo!)

Tenta adoptar um método que te deixe minimamente à vontade. Eu vi de tudo... desde papéis, a ensaios nos corredores da faculdade, pedir conversas antes da aula para ver se o tema fluia melhor... adopta a tua técnica! Eu não acho que tenha alguma, vou tentando contrariar os nervos conforme posso!
Mas cheguei a ver anúncios a cursos desses e ponderar... mas depois não sei porquê não me inscrevi!

TRUST IN YOU! :)

Dylan disse...

Como a Pronúncia já disse, o essencial é a confiança e a concentração.
De qualquer maneira e, por experiência própria, se tomares algo à base de valeriana (raíz de uma erva) que não provoca nenhum mal, pode ser relaxante e tranquilizante.

Sara non c'e disse...

Ai Marta, como me identifico com o que disseste! E em entrevistas de emprego na a´rea também sou uma nódoa, só fui a duas e nas duas, ao pedido de "fale sobre si", eu só digo.. "err, prefiro que me faça perguntas e eu vou respondendo". E mesmo assim as respostas... eu saí da entrevista do sítio onde estou a pensar: sou uma nódoa!!!! uma jornalista que dá uma imagem acanhada de si, onde é que eu vou parar?! E isso é bem pior do que 30 apresentações de trabalhos em frente a uma turma...

Eu acho que isto só lá vai com o tempo, prática e auto-confiança. Sempre me preocupei demais com aquilo que os outros podem pensar, sempre fiquei nervosa ao saber que outras pessoas estão a ver o que eu faço, estão a olhar pra mim e eu detesto isso... sempre foi assim no basket, em apresentações ou mesmo na estúpida altura de se cantar os parabéns quando faço anos... ter as atenções centradas em mim é um pesadelo do qual eu preciso acordar porque isto só prejudica... a imagem conta muito e a que transmito nestas ocasiões é terrível!

Sara non c'e disse...

Dylan, tens noção de que eu vou já pesquisar por essa erva.. :-)
A única vez que tomei um calmante foi no meu (segundo) exame de condução. Mas evito sempre tomar drunfos mesmo quando estou doente.. vou pesquisar essas ervas, obrigada :-)

Cirrus disse...

Sara, às vezes é igualmente embaraçoso...

Sara non c'e disse...

Cirrus, acredito. Mas pelo menos não te tomam por burro e incompetente... No máximo olham para ti como demasiado informado e interessado. Já eu dou uma imagem... que enfim...

Pat disse...

Mas vamos ao cerne da questão: a autora do texto admite em público e passo a citar "Eu sou uma fraude!".

Que momento!

Depois disto, como podes ter medo de falar em público!? =)

Deixa de ser panisgas pah! Isso não custa nada!!! ;)

Sara non c'e disse...

Uma coisa é falar... outra é escrever! Eu até escrevo demais... mas sou na mesma uma fraude, independentemente do meio através do qual me expresso :P