30 novembro, 2010

A minha hora de almoço:

Uma tia passou-me à frente na fila da FNAC sem eu reparar a tempo.
No McDonalds, pedi guardanapos à senhora e ela só me disse "vá buscá-los ali". Voltei para trás porque o meu Wrap não tinha tomate, e quando eu me volto para ir embora para não perder tempo ela solta um "sem tomate é melhor".
Saio para a rua, paro em frente à passadeira porque o sinal está vermelho. O resto do mundo acha melhor parar também, mas à minha frente, já com os pés na rua, que isso de parar no passeio ou ao lado ou atrás de quem já lá está é para tansos. No autocarro, vim o caminho todo a ouvir um pensionista, reformado, aposentado, livre de trabalho, a bufar (literalmente) e a reclamar sozinho com o transito. O tempo todo.

Oh raio de cidade. Oh puta de sociedade.

29 novembro, 2010

A Wikileaks...

... vai desencadear a III Guerra Mundial. Escrevam o que eu estou a dizer... ou façam copy/paste, neste caso.

Acho que nem uma bolha Actimel vai conseguir proteger o seu autor, Julian Assange, de morte precoce (por doença repentina, ou um acidente qualquer, claro).

28 novembro, 2010

Jukebox

Os A Perfect Circle estão de volta. Agora é rezar para que venham aqui ao rectângulo... O primeiro bilhete é meu!

27 novembro, 2010

É tudo um problema de perspectiva

Quando vejo um líder de um partido daqueles mais pequenos (ou seja, sem ser do PS ou do PSD) a queixar-se do queixume da população, mas que apesar desse queixume continua a votar continuamente no centralismo, gostava de sugerir a esse líder que parasse para pensar no porquê desse acto. Será porque a população é masoquista? Será que gostamos de andar sempre a votar no menos mau, ou será que preferíamos votar numa alternativa digna desse nome, mas que, chatice das chatices, não existe?

Deixo à vossa reflexão, caros líderes de partidos mais pequenos que, certamente, têm o meu blogue nos 'favoritos' na categoria de Blogues a Evitar.

26 novembro, 2010

Era uma vez um líder da oposição muito pobrezinho

É assim que começam todos os contos e histórias de ficção, pois então um post sobre uma impostorice tem de começar também.

Diz a Vidas (eu sei, é a Vidas, a versão má do Correio da Manhã, o que só por si já diz muito e é ao mesmo tempo um pleonasmo) que o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, só tem dinheiro para dar uma prenda este Natal, e à sua filha mais nova:

"Só há prenda para a mais nova, as outras já não são crianças. Os adultos este ano não têm presentes porque não há meios para isso. (...) Não me vou endividar para estimular a economia. Cada um deve gastar aquilo que pode e eu não gosto de gastar aquilo que não posso"

Minh'alma chora. Depois do deputado Ricardo Gonçalves ter dito que quase não tinha dinheiro para comer, eis que Pedro Passos Coelho confessa a uma revista cor-de-rosa que as filhas de 18 e 23 e a enteada de 15 anos não têm direito a prenda porque a vida está má.

Esta frase dá azo a muitas conclusões. Podia concluir que Pedro Passos Coelho é forreta e guarda o dinheiro todo para fatos bonitos. Ou que simplesmente guarda o dinheiro. Lamento, mas acaba de perder o voto dos comerciantes. Podia concluir ainda que Pedro Passos Coelho é um mau gestor do orçamento familiar, porque mesmo com o subsídio de Natal que vai receber (e mesmo que não receba, é preciso endividar-se por causa de 4 prendinhas?), não tem meios para uns presentes natalícios.

Eu cá acho que não quero um gajo que nem sequer sabe gerir um orçamento de uma casa com meia dúzia de pessoas a mandar num país com 10 milhões. Mas que interessa o que eu quero ou deixo de querer? Vamos ter de gramar com este forreta insensível e mau gestor. E eu cheguei a todas estas conclusões sobre Pedro Passos Coelho de fonte seguríssima, não me venham cá chamar demagoga ou sensacionalista. Se queriam chamar, chamassem quando perceberam que eu ia citar um artigo da Vidas, agora é tarde.

Vou ficar a noite toda a pensar nisto e a sentir-me mal porque a minha mãe me vai dar uma prenda. Provavelmente vai-se endividar, talvez tenha de pedir um empréstimo ao banco de 50 euros. Já não basta o estado deprimente do país e vem-me este agora estragar-me o natal. O meu voto não levas tu, bandido!

Ah, parece que ainda há mais qualquer coisa a concluir daquelas declarações. Que Pedro Passos Coelho gosta de se armar em pobrezinho e coitadinho para a imprensa. E é uma estratégia que costuma resultar bem com os portugueses. Veja-se que o Neemias ainda não fui expulso do Ídolos.

24 novembro, 2010

A Greve

Acho genuína piada a um tipo de comentários que cada vez mais se multiplica em dia de greve: "o país está da maneira que está e as pessoas ainda param para fazer greve, quando deviam era trabalhar mais".

Evidentemente. Um país inteiro está a sofrer cortes (idealmente... já sabemos que não é bem o país inteiro) por causa dos erros de uns quantos marmanjos podres de ricos e outros péssimos decisores políticos, mas as pessoas não se deviam manifestar e fazer parar o país para que o seu descontentamento se faça sentir. Não, não. Deviam era continuar a trabalhar em silêncio, para não afectar a produtividade do país. Produtividade essa da qual os coitados dos que vão fazer greve sem sequer cheiram o lucro. Acredito que os 30 ou 40 euros que os grevistas vão perder, fruto do desconto do dia de greve, se faz sentir bem mais no seu orçamento do que no orçamento dos beneficiários dessa tal produtividade.

Eu sei que há cortes que têm de ser feitos dado o momento que o país atravessa, mas sei também que não precisávamos de estar hoje onde estamos se as políticas tivessem sido melhor direccionadas e se os orçamentos (/e os fundos, senhores, os fundos!) não tivessem sido constantemente mal geridos. E, já agora, se os bancos não se tivessem tornado "demasiado grandes para cair".

É preciso fazer cortes neste momento? É sim senhor, infelizmente, mas todos os dias continuamos a ver milhões esbanjados em parcerias publico-privadas, em atribuições de projectos a empresas "amigas" que depois derrapam, em promoções repentinas, em prémios milionários, em fugas de impostos milionárias, em carros que nem sequer chegam a tempo, numa série de coisas idiotas e dignas de dirigentes políticos e privados atrasados mentais.

Que se lixem aqueles que dizem que fazer greve prejudica o país. Devíamos era fazer muito mais do que uma greve, devíamos deixar de ser comidos por lorpas de uma vez por todas. E eu gostava de ter a solução para que isso acontecesse, mas não tenho. Ainda!

21 novembro, 2010

O estado a que o Estado chegou

Hoje não há jukebox (ohhh, que peeeena que hoje não vai ser colocada aqui uma música escolhida por mim e para mim!), há sim um conselho: não percam a grande reportagem da Sic, esta noite (domingo), sobre o estado a que o Estado chegou. Dos boys à inutilidade dos governos civis, esta reportagem promete.

19 novembro, 2010

Anita na residência universitária amaldiçoada

Dividir um quarto com mais duas pessoas.
Ter uma mini gaveta no frigorífico para guardar tudo.
Ter 1/4 de uma gavetinha do congelador para armazenar comida.
Cozinha suja. Ralo da banca sempre cheio de comida.
Iogurtes que desaparecem.
Leite que é aberto de manhã e que até à noite se vai esvaziando (ainda que eu esteja fora o dia todo).
De Verão há baratas, grilos no lavatório, 500 insectos junto das luzes.
Todas as horas são boas para fazer barulho.
Ter de ir às 22h00 pedir aos moradores do quarto de cima para não me fazerem sentir como se estivesse numa pista de dança e baixarem a p*** da música (que é sempre má, quem gosta de exibir o que ouve tem sempre um gosto musical terrível, isto é científico e eu devia fazer uma tese de mestrado nisto).
Ter de ir muitas vezes quase à uma da manhã pedir para não andarem aos gritos nem estarem em amena cavaqueira por baixo da minha janela.
Ser vista com certeza como uma nojentinha e antipática por gostar de silêncio.
Ter o rótulo mas não tirar nenhum proveito porque a música continua e os gritos repetem-se e entre o barulho e as baratas eu não sei o que prefiro.
Só haver funcionário na residência das 09h00 às 17h00.
Esperar muitas vezes pelo senhor até às 9h15 e às vezes até 9h30 mas nunca o conseguir apanhar - deve ter o relógio na hora antiga.
Partilhar casa-de-banho todos os dias com dezenas de gajas.
Perceber que os Erasmus brasileiros têm direito a residência e alimentação incluída e haver bolseiros de acção social a ficar de fora porque as residências estão cheias.
Lembrar-me que quando fui de Erasmus tive de me desenrascar sozinha.
Concluir que as pessoas com quem me dou melhor aqui são brasileiros e que daqui a 3 meses se vão embora para sempre.
Rezar para que a próxima ocupante do meu quarto seja sossegadinha e limpinha.
Não saber de antemão que vai haver uma festa na residência (e não poder pedir asilo amoroso em casa do namorado por uma noite) e ter de gramar até de madrugada com música alta e gajas a vomitar na casa de banho (que é mesmo ao lado do meu quarto).
Durante essas horas em claro, pensar que antes das 8h tenho de acordar para ir trabalhar e que à noite ainda tenho aulas de mestrado para assistir e que depois tenho de vir para casa fazer o jantar e que os trabalhos que tenho para fazer ficam mais uma vez adiados por falta de tempo.
Saber que é uma péssima ideia juntar uma pessoa que odeia pessoas a um meio onde existem pessoas demais.
Pensar que isto é a melhor opção que se tem quando se ganha 480€ a recibos verdes a desempenhar a função de jornalista.
Relembrar que, pelas contas do Sócrates, como ganho quase 500€ já sou praticamente classe média.
Concluir que, em Portugal, a classe média tem de viver nestas condições. E que para o ano ainda vai viver pior.
Odiar praticamente todas as situações descritas em cima e ao mesmo tempo estar a rezar para que saiam os resultados da bolsa e me contemplem, para que eu possa continuar a ficar aqui.

17 novembro, 2010

Olha, um resultado positivo para Portugal!

Agora que ganhámos 4-0 à Espanha e mostrámos que, mais do que eficientes, somos super hiper mega espectaculares (e que podemos aumentar a exportação de golos, porque não precisamos de tantos), fico a aguardar pela reavaliação das agências de rating à nossa situação.
Moody's, Standard & Poor's, Fitch, Mickey mouse, ficamos à espera da vossa isenta avaliação. Beijinhos!

14 novembro, 2010

Jukebox



Just a perfect day,
Problems all left alone,
Weekenders on our own.
It's such fun.

12 novembro, 2010

Já não há gladiadores

É com tristeza que leio a notícia do Público sobre o ruir da Casa dos Gladiadores, em Pompeia. Aconselho a leitura deste artigo:

Pompeia, "símbolo do desleixo" de Itália, ameaça fazer ruir Governo de Berlusconi
Por Clara Barata

Este artigo é já o rescaldo desta desgraça patrimonial. Foi no fim-de-semana que a "Casa dos Gladiadores", um edifício de dois mil anos, situado em Pompeia, a cidade soterrada pelas cinzas do vulcão do monte Vesúvio em 79 d.C., ruiu. Puff. Património Mundial da UNESCO que se desfez em areia.

O Presidente da República, Giorgio Napolitano, não foi meigo: "Devemos todos sentir o que aconteceu em Pompeia como uma vergonha para Itália.".

Eu não queria dizer nada mas... sim, é de facto uma vergonha. Se os talibãs destruíram os Budas, a Itália destruiu uma parte importante de Pompeia deixando aquilo à sua sorte. Como diz o artigo do Público,
Há muito que se fala nos problemas de conservação de Pompeia, e ainda em Outubro o jornal Corriere della Sera tinha publicado um grande trabalho denunciando o estado da cidade. "A verdade é que esta área arqueológica, única no mundo, é o símbolo de todo o desleixo e ineficácia de um país que perdeu o bom senso", escrevia o jornal num editorial que tinha por título A humilhação de Pompeia.

Isto é uma vergonha para Itália. Será, claro, uma vergonha para Berlusconi, mas Berlusconi não tem vergonha na cara.

Terá sido uma das piores coisas que já aconteceu a Itália. Ah, e o ruir da Casa dos Gladiadores, também.

10 novembro, 2010

Ok, a coisa começa a atingir proporções desastrosas

Parece que os juros da nossa dívida chegaram aos 7%. Uma maçada. Mas o que é verdadeiramente desastroso nisto tudo é que, depois de eu aqui ter escrito um post onde concordava com declarações de Cavaco Silva, dou por mim hoje a concordar com Paulo Portas. Que se lixe a dívida, isto é coisa para me deixar falida no orgulho.

Ora, Paulo Portas diz o óbvio: quando Teixeira dos Santos disse, numa entrevista ao Expresso, há três semanas, que se os juros chegassem aos 7% admitia recorrer ao FMI, “Agiu como se estivesse a revelar aos mercados o limite de resistência das nossas finanças e é evidente que os mercados testaram-no”.

Mas qual testaram-no. Os mercados limitaram-se a aproveitar a tremenda burrice que o ministro demonstrou. Se eu for leiloar o meu blog, e admitindo que alguém tão burro quanto Teixeira dos Santos o quer comprar, não vou dizer: "eu vendo a 5 euros. Abaixo de 1 euro é que não!". Quer-se dizer, pelo amor dos santos económicos.

Agora pimba, paga Sara. E reza para que o ministro (minha rica Universidade do Porto, a levar facadas na credibilidade com declarações destas vindas de um ex-docente da Academia!) não se lembre de dizer agora: "Pronto, agora se chegar aos 10% recorremos ao FMI e o governo demite-se". Se bem que isso deixar-me-ia um bocadinho dividida...

09 novembro, 2010

O patronato /chefias não fazem ideia do poder que umas palavras de reconhecimento e incentivo podem ter sobre um trabalhador. Porque acho que, se soubessem, diziam palavras dessas mais vezes (ou diziam-nas apenas, que nem todos têm a sorte que eu tenho).

Acho que todos os patrões e demais superiores hierárquicos deviam fazer obrigatoriamente um curso de formação ou um workshop sobre como liderar de forma assertiva e como motivar. Ou, quem sabe, ainda mais difícil: terem dois dedos de testa, pararem um minuto para olharem para si mesmos e pensarem o que os motiva mais: se um sermão, se um corte de salário. Ah, ou uma palavra de reconhecimento, claro. Já estava a pensar como patroa e quase que me esquecia dessa opção.

07 novembro, 2010

Jukebox



I believe in innocence, little darling, start again
I believe in everyone

I believe, regardless, I believe in everyone

05 novembro, 2010

Smells like spirit

Está neste preciso momento a cheirar-me a Roma. Juro, cheira-me a Roma. À minha Roma, não do meu regresso de há três semanas, mas à Roma de há três anos. E nem sequer me cheira a uma parte de Roma qualquer. Cheira-me à cozinha da casa onde vivia com a Ana.

Não sei que cheiro é este, não sei de onde veio. Não é comida, não são deveres (estou no trabalho, nem sei a que cheiram os deveres, ainda bem que o meu nariz é selectivo). Só gostava de saber para poder guardá-lo num frasquinho e cheirá-lo sempre que quisesse fazer uma imersão num passado feliz (o de Roma, não o do trabalho, entenda-se).

O bom disto é que, neste momento, neste exacto momento, eu estou na minha cozinha da Via Pietro Colletta. Ainda sei onde estão guardadas as bolachas, as responsáveis por alguns dos kg da minha engorda romana. E os tortellini, invariavelmente a ocupar a minha parte do frigorífico. Faltava-nos tantos utensílios de cozinha, mas tínhamos tantas outras coisas tão maiores. Todas essas coisas já foram de outras pessoas durante estes três anos. Estão a ser, neste preciso momento. Gostava de saber quem são os portugueses que estão a cheirar neste momento aquilo que me foi emprestado durante seis meses. Gostava de lhes dizer para que cheirem tudo como se nunca mais o fossem voltar a cheirar porque, eventualmente, é mesmo isso que acaba por acontecer.

E eu cheirei (quem começar a ler o texto por aqui, vai pensar coisas erradas). Ah, se cheirei. Às vezes gostava de não ter cheirado tanto, para deixar de carregar este aroma entranhado na memória. Gostava de ter tido alguma sinusite. Mas agora é fácil falar, na altura eu queria lá saber. E se fosse hoje voltava a cheirar tudo com a mesma intensidade, porque só assim é que vale a pena.

E o cheiro à minha cozinha já acabou. Roma também já se me acabou, por duas vezes, aliás. Queria recuperá-los aos dois. Quem sabe se as coisas não acontecem... Também não estava à espera de cheirar um cheiro que pensava já estar esquecido.

How portuguese people look at Europe

Fonte: Não faço ideia, mas gostava de saber :)

02 novembro, 2010

Eurosondagem? Marktest? Isso já era

Globalização é...

... já haver romenos a pedir em Ermesinde. Que o senhor os proteja.