24 fevereiro, 2011

A parva que acha parva a geração parva

Isabel Stilwell, provavelmente a pior escritora de editoriais de sempre, publicou, na semana passada, o seguinte texto, no jornal que dirige:

(ler aqui por favor: http://www.destak.pt/opiniao/87876-a-parva-da-geracao-parva, não me apetece citar isto).

O engraçado é um dos comentários. Este:

João:
É a segunda vez que o meu comentário é denunciado, contém algo de ofensivo?: "Na redacção do Destak encontram-se 4 estagiários, um terço da mesma. Devem ter-se revisto nas palavras da sua directora.
Será possível saber em que condições laborais se encontram?"



Pois é. Tramado, ãh? Defende a sua posição enquanto senhora bem instalada, que dirige um meio de comunicação e aproveita o seu editorial para chamar parva à geração que se queixa (com argumentos fantásticos, de facto. Ao nível do que já nos tem habituado), queixando-se ao mesmo tempo que a coisa está má para o patronato, é algo de verdadeiramente espectacular. Gostava era de saber quanto ganha a senhora Isabel Stilwell nesta épica de crise, ou se gostaria de ver os seus filhos sujeitos a estágios não remunerados, ou salários de caca a falsos recibos verdes.

Pelo menos esta não é hipócrita, como outro ex-director de um jornal, que tomava como suas as dores desta geração, dizendo, claro, que em nada contribui para isto. Claro que não, no Público cumpre-se tudo à regra.

20 fevereiro, 2011

Jukebox

Adivinhem quem está de volta...

18 fevereiro, 2011

Haja paciência (e eu tenho pouca)

Primeiro resmungo: Alguém que me dê uma, uma única razão para que alguém, no seu perfeito juízo, ache que o nome de Carlos Castro merece ser dado a uma rua. A sério? Uma rua? Por que feitos? Ter falado mal das pessoas na imprensa? Fofoquices e jet 7? Porque não propor já a renomeação do Largo de Camões para o Largo Lili Caneças?

Tanta causa gira para aderir, e a imprensa dá atenção a pessoas que querem dar o nome de uma pessoa perfeitamente irrelevante para o panorama nacional a uma rua?! Se não têm o que fazer, façam voluntariado ou uma merda assim qualquer!




Segundo resmungo: Dia 12 de Março, eu ia participar numa coisa muito gira (outros não acharão gira, mas o blogue é meu, e eu digo que é gira), que rezava assim:

Protesto apartidário, laico e pacífico.
- Pelo direito ao emprego!
- Pela melhoria das condições de trabalho e o fim da precariedade!
- Pelo direito à educação!
- Pelo reconhecimento das qualificações, competência e experiência, espelhado em salários e contratos justos!
…Porque não queremos ser todos obrigados a emigrar, arrastando o país para uma maior crise económica e social!


Sim senhor, finalmente uma manifestação apartidária focada numa coisa muito concreta, com a qual eu concordo. Finalmente, pela primeira vez, ia participar numa manifestação que não é patrocinada por partidos, CGTP's e coisas assim.

Acontece que não há dias suficientes no ano e, vai daí, surge um movimento que pretende marcar uma manifestação para o mesmo dia, hora e local, que reivindica coisas. O quê? "A demissão de toda a classe política".

Ora. Eu prefiro não participar em coisa nenhuma, do que ser confundida com uma manifestação completamente idiota. Porra! Não sabiam estar quietos? %&=)/*P(/YO(&FP*YG.|.H!!!

16 fevereiro, 2011

If that's a crime, then I'm guilty



Aqui me confesso: nunca entrego os livros a tempo na biblioteca.
Nunca.
É sempre tão pouco tempo... E são sempre tantas folhas para ler... E de certeza que mais ninguém vai requisitar. Quem é que se interessa por este livro para além de mim? Ninguém... Além disso, com certeza que a Biblioteca da ISCSP tem uma cópia... Embora seja a biblioteca mais pobre que já conheci numa faculdade. E... E...

E nunca entrego a tempo. Está lá um em casa já com uma semana de atraso... Mas hoje não dava mesmo jeito trazer, juro. Estou tão carregada... E este tempo, já viram este tempo? E se o livro se molha? E a faculdade, que não fica nada em caminho, e...

Sou um bocado irresponsável, sou.

13 fevereiro, 2011

Jukebox



Amanhã entrego o meu último trabalho do mestrado. E estou completamente saturada.
Depois, siga para a tese.

12 fevereiro, 2011

A democracia está doente. Viva a democracia

Fui matar as saudades que não tinha do 31 da Armada, e deparei-me com este post:

Francisco Louçã, que ainda há pouco tempo tinha afirmado que não via interesse numa moção de censura ao Governo, agastado pela sondagens e pelo desastre nas eleições presidenciais, muda de estratégia e apresenta uma moção de censura. Por um lado, obriga o PCP a ir a reboque do BE na oposição ao governo. Por outro lado, coloca o PSD e CDS em cheque, pois obriga-os a tomar uma posição perante a opinião pública sobre a manutenção do governo. Esta é a estratégia de Louçã.

Estou curioso para ver a reação de alguns apoiantes da coligação BE/PS a esta moção de censura. Por exemplo, Daniel Oliveira, que já tinha avisado no inicio do ano: "será um ano de espera em que todos sabem que quem der o primeiro passo pode ser vítima da sua própria imprudência". Pois bem, foi o BE a dar o primeiro passo. Será que Daniel Oliveira sai a terreiro para criticar o BE, ou muda de opinão, e apoia a Moção de Censura?



Já sei que eu é que devo ser muito puritana, muito inocente e utópica e tal. Mas este tipo de análises, a roçar o comentário desportivo mas aplicado à política, mete-me, como dizer... nojo. É por estas coisas que eu acho que a política que se faz hoje está doente, decrépita, e que eu espero que esteja prestes a caducar de vez. O problema é só a falta de alternativa. Por favor, caros estudantes de Ciência Política, por favor façam teses de mestrado e doutoramento e demais investigação que nos tirem deste sistema viciado.

Análises como esta, que já chegam ao ponto de parecer perfeitamente naturais, quase que nos fazem esquecer que aquela gente não foi eleita para defender a sua imagem e o seu partido, mas sim para defender o que é melhor para o país. Isto pode ser uma das explicações para a abstenção estúpida que temos actualmente. Metade dos portugueses não se dá ao trabalho de ir votar e eu não vejo a classe política preocupada, não os vejo a reflectir verdadeiramente nem a mudar o que quer que seja, a não ser para pior. Pudera, não têm tempo. Estão demasiado ocupados a pensar em estratégias, em timings, em como aparecer melhor na fotografia tirada para opinião pública ver. Os portugueses também passam a estar cada vez mais ocupados com outras coisas que não sejam irem votar para o bem-estar dos partidos. É a vida.

Claro que nada disto aconteceria se as pessoas íntegras se metessem na política (ou que não perdessem a integridade pelo caminho, embora quem tenha mais vícios destes tenha um acesso facilitado aos lugares nos partidos). Mas como se sabe, a minha opinião sobre o ser humano não é a melhor. É difícil arranjar um sistema que não permita que estes jogos de bastidores aconteçam, mas ainda assim é mais fácil do que acreditar que as pessoas são íntegras e que colocam o país à frente da porcaria dos partidos. Não gosto de generalizações, não digo que todos os membros de partidos sejam assim, mas parece-me haver uma clara tendência para o mau.

Nota: este post foi escrito por Nuno Gouveia, militante de um partido político, o PSD. É exemplificativo da naturalidade com que este tipo de coisas é encarada. 

Também há sempre a probabilidade de eu estar errada e estes joguinhos egoístas de poder serem a coisa acertada a fazer. E todos sabem a tendência que eu tenho para escrever porcaria.


11 fevereiro, 2011

People have the power!

... Mas só quando se unem.


Temos coisas a aprender com o Egipto.

10 fevereiro, 2011

Peidos talvez. Mentiras é que não

'Querido' Hobbesdatiger:

Este blogue é parvo. É inútil. É desinteressante. Mas não é mentiroso:


Acredito que a pesquisa seja tendenciosa, consoante os sites que o utilizador mais visita. A mim aparece-me o meu blogue em primeiro lugar porque eu o frequento bastante. Já o teu primeiro resultado era qual? Ah, o Clube de Nudismo.

09 fevereiro, 2011

Post matinal

O primeiro resultado da frase "peidos nos malucos do riso" devolvido pelo google é... exacto. Este blog.

O mundo da internet é perigoso.

08 fevereiro, 2011

Ainda bem que não sou a única parva. Há mais a fazer-me companhia

Os parvos saíram todos da casca. Finalmente uma música volta a despertar este sentimento e esta vontade de agir neste povo amorfo e acomodado à sua condição, seja ela excelente ou péssima (é para estes extremos que caminhamos cada vez mais).

Primeiro foram os parvos retratados na música Que Parva Que Sou. Finalmente alguém colocou numa música aquilo que eles (eu) sentem (sentimos). Não, não descobrimos isto só agora. Quem parece só ter descoberto que este problema existe são os Josés Manueis Fernandes desta vida. Aqueles que falam e publicam bonito, mas que na hora de contratar e pagar fazem de nós parvos.

Também não podiam faltar as pessoas que dão outra interpretação à letra da música, tomando-a pelo básico: que a música desincentiva ao estudo. Eu, que sou uma das parvas que continua a estudar, interpreto-a como um recado aos mais bem instalados: essa condição não vos dá o direito de espezinhar a geração dos vossos filhos e dos vossos netos. Acordem para a vida! Não é uma música que desincentiva ao estudo, é toda uma situação de humilhação a que a geração mais bem prepara de sempre é sujeita. Eu tenho amigas a trabalhar em supermercados. Será que essas amigas vão dizer aos filhos a vida inteira para eles estudarem para serem alguém, como eu ouvi? Mas eu compreendo. É mais fácil culpar a música.

Eis que finalmente surge uma análise feita por um de nós, parvos. Aqueles que, efectivamente, sabem do que falam, porque o vivem diariamente. Sem paternalismos, sem apelos estúpidos de ascensão rápida na carreira só porque se tem um canudo. E sem dar cavaco àqueles bem instalados que choram lágrimas de crocodilo por uma geração que eles ajudam a enterrar todos os dias.

O autor chama-se Rui Pelejão, não faço a mínima ideia quem seja, mas escreveu um artigo intitulado A hipocrisia dos cotas que se comovem com a música dos Deolinda

Aconselho vivamente a leitura deste artigo. Se eu escrevesse um artigo a analisar este movimento de prós e de contras à canção dos Deolinda, seria qualquer coisa assim do género, mas em pior.

Aqui fica novamente: http://www.a23online.com/2011/02/07/a-hipocrisia-dos-cotas-que-se-comovem-com-a-musica-dos-deolinda/

06 fevereiro, 2011

Jukebox

Kyuss Lives!

04 fevereiro, 2011

A culpa deve ser do Sócrates

Avariou-se uma tomada. Chamou-se um senhor que percebe de electricidade e que faz uns biscates.
Este senhor disse que não podia demorar muito hoje; para se fazer uma lista de todos os problemas que precisavam de arranjo que ele vinha outro dia resolver. Porque ele trabalha na Segurança Social e não podia estar muito tempo fora. Para a semana então, nem pensar, que vai lá ter muito trabalho. De seguida, presenciei o seguinte diálogo:

-"E passa factura?"

-"Isso não me dava jeito nenhum...".

-"Pronto, está bem, faça lá o orçamento que depois a gente vê quando puder cá vir outra vez".





Não se me apraz dizer mais nadinha.

02 fevereiro, 2011

Prioridades

Tento aceder com a net aqui da residência ao site da biblioteca da minha faculdade, mas percebo que este é mais um dos sites bloqueados pelo gabinete de informática, "em conformidade com a politica de acessos Internet dos SASUTL". Vou pensar que é porque não querem que, em casa, estejamos a pensar na escola, para que tenhamos o merecido descanso. Pelo menos consigo aceder ao site da Bola, para ver que o meu Benfica acaba de ganhar 2-0 em casa dos morcões.

É bom ver que os machos do gabinete de informática têm as prioridades bem definidas :P

01 fevereiro, 2011

Olhe, era uma revolução, faxavor

Ora bem, fiquei sem bolsa e agora estou com febre. É a altura ideal para fazer um post comprido e onde se reclama muito.

Hoje um colega de profissão (e todos sabem como isto de ser recém-licenciado em jornalismo é coisa animadora) enviou-me uma notícia do Expresso que dizia o seguinte:

FMI: jovens enfrentarão desemprego toda a vida

O diretor geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) fala numa "geração perdida" no desemprego. Futuro será marcado por maior protecionismo comercial e agitação social violenta.


"Há uma geração perdida de jovens destinados a sofrer toda a vida com o agravamento do desemprego e das condições sociais", afirmou o diretor geral do Fundo Monetário Internacional , Dominique Strauss-Kahn, citado pela Reuters.


Para quem acaba de saber que afinal não vai ter contrato e vai manter-se a recibo verde (embora tenha sido aumentada), perdeu a bolsa a meio de um mestrado no ano em que tem de pagar 2 mil euros de propinas mais alojamento e, ao início da manhã, ficou a saber que as regras da empresa no que toca a férias vão alterar-se e que devia era sentir-me abençoada por a entidade patronal não descontar os dias de férias no salário de quem está a recibos verdes, está claro que me apeteceu logo dar puns de alegria com mais boas perspectivas.

Mas "que parva que sou". Todos os caminhos vão dar à desistência do mestrado e ao regresso à "casinha dos pais", mas eu teimo em teimar. Eu não devo ser um calhau com dois olhos, eu sou o Stevie Wonder das pedras.

A minha vida ficou logo melhor quando soube que, no Largo de Camões, haveria uma concentração de apoiantes à revolução que está a decorrer no Egipto. E pus-me a pensar (pouco, dada a burrice por mim demonstrada nas linhas anteriores):

O que é que o pessoal reivindica em países como Egipto ou Argélia? Vamos reflectir em conjunto, caro leitor solitário deste blog:
  • Fim de regime corrupto. Alguém aqui se identifica com esta exigência? Se me dão licença, eu sim.
  • Melhores condições de vida. Anyone? Será de mim ou andamos a perder direitos? Será de mim ou a China já esteve mais longe do nosso código laboral? Deve ser de mim. O desempregado ainda nem tem de pagar indemnização ao patrão e eu aqui com lamurias de menina rica. Pfff!
  • Regime apegado ao poder. Aqui não. Aqui, felizmente temos tido ao longo de 37 anos muita rotatividade. Parece o bailinho da Madeira: ora danço eu, ora danças tu. Ora roubo eu, ora roubas tu. Ora emprego eu o menino da JSD, ora empregas tu a jovem promessa do PS. Ora temos candidatos pouco capazes às eleições, ora temos de levar com eles na mesma (um não no boletim de voto era uma bonita iniciativa). É muito bom ter direito a votar! Mas o direito ficou-se por aí. É pena, porque era uma ideia com muito potencial
  • Censura. Ui, aqui em Portugal, país civilizado, isso não. Aqui eu posso escrever que os nossos governantes são uma cambada de gatunos e chupistas. Posso ler num jornal que o Sócrates não sabe desenhar casas e que faz compras no Freepor'. Mas será que posso escrever aqui os nomes dos patrões que exploram empregados anos a fio a falsos recibos verdes são uns gatunos e uns chupistas se eu for uma dessas pessoas a trabalhar para esses patrões? E se eu trabalhar no Sol, será que posso dizer que o José Eduardo dos Santos é um tirano ou que o director do sol deve estar cheché? Poder até posso, mas depois sofro as consequências não é? É a mesma coisa no Egipto. Eles também podem muita coisa, mas depois habilitam-se a levar uma traulitada física. Aqui somos levados psicologicamente. Censuras diferentes, a merda é a mesma.
Não me entendam mal. Vamos todos participar nos movimentos de apoio aos egípcios, aos tunisinos, aos argelinos, aos marroquinos, aos iranianos (que devem estar para breve, espero). Mas lembrem-se de olhar cá para dentro também. Se não saímos todos à rua, num momento propício como este, com a indignação legítima que temos guardado aqui dentro, e quando até temos, pelo menos os jovens, uma canção para entoar da autoria dos Deolinda, não sei quando é que vamos sair. E isto é pior do que viver num regime opressor: aqui podemos sair, mas escolhemos simplesmente não nos darmos ao trabalho.