12 fevereiro, 2011

A democracia está doente. Viva a democracia

Fui matar as saudades que não tinha do 31 da Armada, e deparei-me com este post:

Francisco Louçã, que ainda há pouco tempo tinha afirmado que não via interesse numa moção de censura ao Governo, agastado pela sondagens e pelo desastre nas eleições presidenciais, muda de estratégia e apresenta uma moção de censura. Por um lado, obriga o PCP a ir a reboque do BE na oposição ao governo. Por outro lado, coloca o PSD e CDS em cheque, pois obriga-os a tomar uma posição perante a opinião pública sobre a manutenção do governo. Esta é a estratégia de Louçã.

Estou curioso para ver a reação de alguns apoiantes da coligação BE/PS a esta moção de censura. Por exemplo, Daniel Oliveira, que já tinha avisado no inicio do ano: "será um ano de espera em que todos sabem que quem der o primeiro passo pode ser vítima da sua própria imprudência". Pois bem, foi o BE a dar o primeiro passo. Será que Daniel Oliveira sai a terreiro para criticar o BE, ou muda de opinão, e apoia a Moção de Censura?



Já sei que eu é que devo ser muito puritana, muito inocente e utópica e tal. Mas este tipo de análises, a roçar o comentário desportivo mas aplicado à política, mete-me, como dizer... nojo. É por estas coisas que eu acho que a política que se faz hoje está doente, decrépita, e que eu espero que esteja prestes a caducar de vez. O problema é só a falta de alternativa. Por favor, caros estudantes de Ciência Política, por favor façam teses de mestrado e doutoramento e demais investigação que nos tirem deste sistema viciado.

Análises como esta, que já chegam ao ponto de parecer perfeitamente naturais, quase que nos fazem esquecer que aquela gente não foi eleita para defender a sua imagem e o seu partido, mas sim para defender o que é melhor para o país. Isto pode ser uma das explicações para a abstenção estúpida que temos actualmente. Metade dos portugueses não se dá ao trabalho de ir votar e eu não vejo a classe política preocupada, não os vejo a reflectir verdadeiramente nem a mudar o que quer que seja, a não ser para pior. Pudera, não têm tempo. Estão demasiado ocupados a pensar em estratégias, em timings, em como aparecer melhor na fotografia tirada para opinião pública ver. Os portugueses também passam a estar cada vez mais ocupados com outras coisas que não sejam irem votar para o bem-estar dos partidos. É a vida.

Claro que nada disto aconteceria se as pessoas íntegras se metessem na política (ou que não perdessem a integridade pelo caminho, embora quem tenha mais vícios destes tenha um acesso facilitado aos lugares nos partidos). Mas como se sabe, a minha opinião sobre o ser humano não é a melhor. É difícil arranjar um sistema que não permita que estes jogos de bastidores aconteçam, mas ainda assim é mais fácil do que acreditar que as pessoas são íntegras e que colocam o país à frente da porcaria dos partidos. Não gosto de generalizações, não digo que todos os membros de partidos sejam assim, mas parece-me haver uma clara tendência para o mau.

Nota: este post foi escrito por Nuno Gouveia, militante de um partido político, o PSD. É exemplificativo da naturalidade com que este tipo de coisas é encarada. 

Também há sempre a probabilidade de eu estar errada e estes joguinhos egoístas de poder serem a coisa acertada a fazer. E todos sabem a tendência que eu tenho para escrever porcaria.


4 comentários:

Johnny disse...

Não é porcaria, não senhor.

A democracia como instrumento de desenvolvimento social não existe, restando apenas a democracia como instrumento de poder pelo poder.

Jon Stewart dizia na sua marcha pela sanidade que os políticos tinham de fazer as coisas funcionar (get it done)... só isso! Chegar a compromissos, pegar em ideias e fazer o melhor para que funcionem, mas preferem andar sempre metidos em concursos partidários de retórica. Perdemos todos.

Sara non c'e disse...

Somos humanos, buscamos poder. Sempre foi assim, temo que sempre será. Tem é de haver maneira de controlar e punir isto! Porque não perdemos todos, não... Ganha aquela meia-dúzia de parolos que nos governa e que nos quer governar.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

De vez em quando vou dar uma espreitadela ao 31 ( convém sempre saber como pensa e se comporta a direita caceteira).
Pelas últimas visitas que lá fiz, percebi que até o humor de alguns dos bloggers que lá escrevem se esvaiu. Sinal de que já estão a afiar o dente para o poleiro.

Piston disse...

Antes achava que os deputados, embora incompetentes, eram mal pagos para a responsabilidade que tinham. Mudei de ideias.

O velho rezingão Medina Carreira é que sabe. Antigamente os ministros, deputados e afins, aceitavam o cargo como uma honra, uma oportunidade de mudar o país. Aceitavam-no muitas vezes a ganhar menos do que aquilo que auferiam na sua normal actividade laboral. Estavam ali, especialmente os ministros, porque tinham provas dadas a nível profissional.
Hoje em dia temos políticos profissionais, sem qualquer experiência no mundo real.

Se começassem a ganhar um pacote de bolachas por mês, cheira-me que só ia para lá quem já tem dinheiro que chegue e que apenas pretende o real bem estar do país.