Um deserto de ideias, mantido por um cérebro composto apenas por alguns grãos de areia.
27 dezembro, 2010
24 dezembro, 2010
Jingle Bell rocks!
Sem qualquer ponta de dúvida: a noite da véspera de Natal é a minha preferida. E desde que me mudei para Lisboa há cerca de um ano que o regresso a casa para o Natal sabe ainda melhor. É uma sensação tão boa chegar finalmente a casa, estar rodeada pela família, enquanto se dá uma escapadela aqui e ali para mostrar aos amigos que hoje temos tempo, que ainda estamos 'vivos' e que, apesar de nos vermos pouco, nada muda. É tão bom estar na nossa terra, na nossa casa, junto dos nossos... Adoro o Natal.
Se calhar não vou adorar sempre, porque as minhas pessoas não vão durar sempre e o Natal sem elas deixa de ser Natal. Mas, por enquanto, tenho a sorte de ter todos comigo, e quero dizer ao mundo que sei a sorte que tenho e que sei apreciar o momento. Gostava de pensar que todos têm um Natal tão bom quanto o meu.
Se calhar não vou adorar sempre, porque as minhas pessoas não vão durar sempre e o Natal sem elas deixa de ser Natal. Mas, por enquanto, tenho a sorte de ter todos comigo, e quero dizer ao mundo que sei a sorte que tenho e que sei apreciar o momento. Gostava de pensar que todos têm um Natal tão bom quanto o meu.
21 dezembro, 2010
Porque eu estive num desses 150 concertos e porque há muitos anos que me mantenho por perto, mesmo quando nem sequer sonhava que um dia poderia ver um concerto, quanto mais dois.
Se eu não voltar mais cá, faço das palavras dos Alice in Chains as minhas (substituindo a parte dos "live shows" por posts inúteis, "many countries" por resmas de blogues e "many faces" por frequentadores deste pasquim fedorento).
Se eu não voltar mais cá, faço das palavras dos Alice in Chains as minhas (substituindo a parte dos "live shows" por posts inúteis, "many countries" por resmas de blogues e "many faces" por frequentadores deste pasquim fedorento).
Feliz Natal! :)))
19 dezembro, 2010
José Merkel?
A notícia é sobre um acção de Sócrates: "Sócrates admite ir ainda mais longe nas medidas para combater a crise". A foto que ilustra a notícia não é de Sócrates, é de Angela Mergel. Mas quem "admite" ou deixa de admitir também não é ele, é Merkel. Logo, a foto está certa. Certíssima, dentro do enorme erro que é a situação em que vivemos.
Proponho que nas próximas eleições possamos votar nas eleições alemãs. Isso sim seria um verdadeiro direito democrático.
Proponho que nas próximas eleições possamos votar nas eleições alemãs. Isso sim seria um verdadeiro direito democrático.
17 dezembro, 2010
Quando a mentira só interessa quando é novidade.
Sócrates mente quanto aos voos da Cia. Mente quando diz que não quer facilitar os despedimentos. O pior é que a mentira já não choca, de tal forma nos habituamos a ela. A banalização da mentira é um cancro da democracia.
Escrito há uma hora por João Teixeira Lopes. Não podia concordar mais.
Adenda: Acabam de me mostrar mais uma da wikileaks sobre Portugal, e que se enquadra neste post: http://wikileaks.ch/cable/2009/06/09LISBON289.html
Destaque para:
Does anyone want to win this thing? The ruling PS should be running away with all three rounds of Portuguese elections, given the PSD's hopeless management of the economy during its last turn in government, but internal bickering, silly gaffes, and the global economic crisis have left the door open to others. Corruption allegations affect virtually all the parties, but Portuguese voters appear not to be bothered by them. Polls indicate that most voters think all politicians are corrupt, so specific allegations -- like those facing PM Socrates -- are not a bar to office.
In the final run-up to June 7 European elections, the campaigns have all turned to negative attacks on specific individuals, many of whom -- like Socrates and Portas -- are not currently candidates, a dubious strategy in an election process the uses a party list system.
Escrito há uma hora por João Teixeira Lopes. Não podia concordar mais.
Adenda: Acabam de me mostrar mais uma da wikileaks sobre Portugal, e que se enquadra neste post: http://wikileaks.ch/cable/2009/06/09LISBON289.html
Destaque para:
Does anyone want to win this thing? The ruling PS should be running away with all three rounds of Portuguese elections, given the PSD's hopeless management of the economy during its last turn in government, but internal bickering, silly gaffes, and the global economic crisis have left the door open to others. Corruption allegations affect virtually all the parties, but Portuguese voters appear not to be bothered by them. Polls indicate that most voters think all politicians are corrupt, so specific allegations -- like those facing PM Socrates -- are not a bar to office.
In the final run-up to June 7 European elections, the campaigns have all turned to negative attacks on specific individuals, many of whom -- like Socrates and Portas -- are not currently candidates, a dubious strategy in an election process the uses a party list system.
14 dezembro, 2010
Quem gosta que roubem a nossa previcidade?
A casa do Pepe, em Madrid, foi assaltada. Por princípio, isto não interessa a este blogue.
E não interessa mesmo. O interessante da notícia ( http://sic.sapo.pt/online/noticias/desporto/Casa+de+Pepe+assaltada.htm ), é um comentário inspirado de um anónimo
Clicar para aumentar
Adorava conhecer este senhor <3
E não interessa mesmo. O interessante da notícia ( http://sic.sapo.pt/online/noticias/desporto/Casa+de+Pepe+assaltada.htm ), é um comentário inspirado de um anónimo
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13 dezembro, 2010
Alegresaurius? Obrigada, Wikileaks!
Como uma notícia nos traz tanta coisa. Umas novas, outras repetidas, como a mentira do Sócrates ao parlamento sobre os voos da CIA.
Num telegrama de Setembro de 2007, a embaixada norte-americana em Lisboa congratula-se por Sócrates “ter permitido aos Estados Unidos utilizar a base das Lajes nos Açores para repatriar presos de Guantánamo”.
Esta autorização foi avaliada pelos próprios diplomatas “como uma decisão difícil que nunca foi tornada pública”. Pelo que, de acordo com o jornal, o teor da comunicação é de agradecimento.
Os funcionários norte-americanos destacam, também, a posição do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, sobre os voos secretos que em 2008 provocaram celeuma internacional. “Portugal tem uma imprensa muito suave”, disse Cavaco a interlocutores dos EUA, segundo a citação publicada pelo jornal espanhol.
(...)
Outros dois pontos perturbam a relação de Portugal com os EUA: o tardio reconhecimento da independência do Kosovo e uma redução, decidida em 2007, dos efectivos portugueses no Afeganistão.
Em ambos os casos, os diplomatas norte-americanos atribuem a responsabilidade a Cavaco. “Suspeito que a grande pressão de Cavaco Silva para a redução das tropas no Afeganistão é motivada, em parte, pelo mal-estar pessoal de nunca ter sido recebido pelo Presidente Bush”, escreve o embaixador Alfred Hoffman, depois de manter contactos com Cavaco em Novembro de 2007.
LOL
(...)
Por fim, Manuel Alegre é referido como “dinossauro esquerdista” ou “Alegresaurius”."
Talvez a única novidade verdadeira seja o termo Alegresaurius, que já me proporcionou umas belas risadas. Sublinho ainda a vergonha que deve ter sido para Cacavo ter sido vencido pela imprensa suave, aquando do caso das escutas ridículas que a própria presidência tentou plantar na imprensa.
Sobre os voos da CIA, um primeiro-ministro com tomates e integridade demitir-se-ia. O que me leva a concluir imediatamente que Sócrates nem sequer vai pensar em fazer tal coisa.
"Diplomatas revelam que Sócrates permitiu aos EUA utilizar as Lajes para repatriar presos de Guantánamo
Diplomatas dos Estados Unidos em Portugal referem que o primeiro-ministro português José Sócrates permitiu aos Estados Unidos utilizar a base aérea das Lajes para repatriar presos de Guantánamo, revela o El País.Num telegrama de Setembro de 2007, a embaixada norte-americana em Lisboa congratula-se por Sócrates “ter permitido aos Estados Unidos utilizar a base das Lajes nos Açores para repatriar presos de Guantánamo”.
Esta autorização foi avaliada pelos próprios diplomatas “como uma decisão difícil que nunca foi tornada pública”. Pelo que, de acordo com o jornal, o teor da comunicação é de agradecimento.
Os funcionários norte-americanos destacam, também, a posição do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, sobre os voos secretos que em 2008 provocaram celeuma internacional. “Portugal tem uma imprensa muito suave”, disse Cavaco a interlocutores dos EUA, segundo a citação publicada pelo jornal espanhol.
(...)
Outros dois pontos perturbam a relação de Portugal com os EUA: o tardio reconhecimento da independência do Kosovo e uma redução, decidida em 2007, dos efectivos portugueses no Afeganistão.
Em ambos os casos, os diplomatas norte-americanos atribuem a responsabilidade a Cavaco. “Suspeito que a grande pressão de Cavaco Silva para a redução das tropas no Afeganistão é motivada, em parte, pelo mal-estar pessoal de nunca ter sido recebido pelo Presidente Bush”, escreve o embaixador Alfred Hoffman, depois de manter contactos com Cavaco em Novembro de 2007.
LOL
(...)
Por fim, Manuel Alegre é referido como “dinossauro esquerdista” ou “Alegresaurius”."
Talvez a única novidade verdadeira seja o termo Alegresaurius, que já me proporcionou umas belas risadas. Sublinho ainda a vergonha que deve ter sido para Cacavo ter sido vencido pela imprensa suave, aquando do caso das escutas ridículas que a própria presidência tentou plantar na imprensa.
Sobre os voos da CIA, um primeiro-ministro com tomates e integridade demitir-se-ia. O que me leva a concluir imediatamente que Sócrates nem sequer vai pensar em fazer tal coisa.
12 dezembro, 2010
Zeca Afonso sempre, Zeca Sempre nunca.
De que é que a música portuguesa sentia falta depois de uns Amália Hoje?
De uns Zeca Sempre.
O primeiro single deste projecto, que aproveita repertório já existente de um dos maiores nomes da música portuguesa e lhe dá uns ares de século XXI, já anda aí a rodar em todo o lado.
A escolha recaiu sobre a música "O Que Faz Falta". A surpresa dá-se logo aos primeiros versos: a palavra "merda" foi censurada. Sim, isto é verdade: passado um ano sobre o 25 de Abril, Zeca Afonso grava uma música com a palavra "merda". 35 anos depois, um grupo de jovens músicos censura a palavra, talvez pela ditadura comercial a que se submetem de livre vontade.
Tem tudo para dar certo, esta homenagem dos Zeca Sempre...
Vídeo aqui: http://www.youtube.com/watch?v=T6pBA-WQPm4.
De uns Zeca Sempre.
O primeiro single deste projecto, que aproveita repertório já existente de um dos maiores nomes da música portuguesa e lhe dá uns ares de século XXI, já anda aí a rodar em todo o lado.
A escolha recaiu sobre a música "O Que Faz Falta". A surpresa dá-se logo aos primeiros versos: a palavra "merda" foi censurada. Sim, isto é verdade: passado um ano sobre o 25 de Abril, Zeca Afonso grava uma música com a palavra "merda". 35 anos depois, um grupo de jovens músicos censura a palavra, talvez pela ditadura comercial a que se submetem de livre vontade.
Tem tudo para dar certo, esta homenagem dos Zeca Sempre...
Vídeo aqui: http://www.youtube.com/watch?v=T6pBA-WQPm4.
10 dezembro, 2010
Wikileaks, esse Batman, Robin e lobo mau
Belisquem-me, porque o problema pode ser meu, que ando a ler nos sítios errados, mas... Há mesmo mais críticas ao facto da wikileaks existir e revelar coisas que não interessam e que não sei quê e blá blá blá a privacidade de políticos (pagos e eleitos por nós! Eu sei que as pessoas por vezes se esquecem, pelo que convém relembrar a ambas as partes), coitados, e as empresas que precisam de segurança e o camandro, ai que desgraça, maldita wikileaks que é pior que o facebook em termos de privacidade, ai que já não se pode cometer crimes à vontade que vem tudo escarrapachado na internet nem se pode dizer que o Berlusconi é "irresponsável, vaidoso e ineficaz como um líder europeu moderno" (uhhh, notícia bombástica!)?
A sério? Ok, cada um tem a sua visão do mundo.
A mim choca-me mais, sei lá, ter documentos que:
-mostram ao mundo (e aos próprios moçambicanos) que os seus governantes, pagos e eleitos por eles para os defender, compactuam com o tráfico de droga;
-que os EUA queriam obter as passwords do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-Moon (esse perigoso senhor!!!!)
-Revelaram algumas verdades inconvenientes sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão
-Questão dos voos da CIA em Portugal
-Favorecimentos em negócios em troca de determinadas posições e ou alianças internacionais
-Muito e muito mais que vamos sabendo todos os dias.
E, porque não, que um homem se torna dos mais procurados no mundo pela Interpol por acusações de violação que, vai-se a ver bem e, afinal, o abuso dá-se enquanto uma estava a dormir, ou o abuso passa pela preferência em não usar preservativo quando a outra até queria. Ou seja, que as polícias e sistemas judiciais são manipuláveis a este ponto pelos Estados Unidos (e por países que também não quererão ver certas coisas reveladas).
Sim, muita coisa sem interesse e de pura coscuvilhice foi revelada. Há informações mais sensíveis e que vêem agora a sua segurança posta em causa por causa destas revelações. Mas, até ao momento (e não estou fechada a novos argumentos), há coisas tornadas públicas de tamanha importância que suplantam os inconvenientes.
Ahh, maldita wikileaks, que devia ter analisado 200 e tal mil documentos enquanto os seus criadores são procurados e as suas vidas correm risco e devia ter esperado para publicar aquilo que realmente interessava. E que tal... culparem os jornalistas que tiveram acesso aos documentos e acharam que abrir uma notícia sobre Medvedev e Putin serem como Batman e Robin? Ah, não, a culpa é dos ameaçados de morte da Wikileaks, que permitiram que o mundo tivesse provas documentais da sujidade política que se vive, ainda que, para que o soubéssemos, outro tipo de informações tenham sido reveladas.
E o que é que vamos fazer com isso? Com tudo isto que foi feito, com tudo o que estamos a presenciar? Vamos dizer que a wikileaks é uma malandra coscuvilheira e que deve acabar, para podermos todos voltar para as nossas vidinhas inertes.
A mim chocam-me mais estas coisas, mas se todos nos chocássemos com o mesmo, o mundo era um lugar melhor. Ou, pela amostra das indignações neste caso, talvez o mundo estivesse perdido de todo.
Admito que possa vir a mudar de ideias, dependendo das repercussões que daqui advierem. E algo me diz que temos debate para uns bons anos...
A sério? Ok, cada um tem a sua visão do mundo.
A mim choca-me mais, sei lá, ter documentos que:
-mostram ao mundo (e aos próprios moçambicanos) que os seus governantes, pagos e eleitos por eles para os defender, compactuam com o tráfico de droga;
-que os EUA queriam obter as passwords do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-Moon (esse perigoso senhor!!!!)
-Revelaram algumas verdades inconvenientes sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão
-Questão dos voos da CIA em Portugal
-Favorecimentos em negócios em troca de determinadas posições e ou alianças internacionais
-Muito e muito mais que vamos sabendo todos os dias.
E, porque não, que um homem se torna dos mais procurados no mundo pela Interpol por acusações de violação que, vai-se a ver bem e, afinal, o abuso dá-se enquanto uma estava a dormir, ou o abuso passa pela preferência em não usar preservativo quando a outra até queria. Ou seja, que as polícias e sistemas judiciais são manipuláveis a este ponto pelos Estados Unidos (e por países que também não quererão ver certas coisas reveladas).
Sim, muita coisa sem interesse e de pura coscuvilhice foi revelada. Há informações mais sensíveis e que vêem agora a sua segurança posta em causa por causa destas revelações. Mas, até ao momento (e não estou fechada a novos argumentos), há coisas tornadas públicas de tamanha importância que suplantam os inconvenientes.
Ahh, maldita wikileaks, que devia ter analisado 200 e tal mil documentos enquanto os seus criadores são procurados e as suas vidas correm risco e devia ter esperado para publicar aquilo que realmente interessava. E que tal... culparem os jornalistas que tiveram acesso aos documentos e acharam que abrir uma notícia sobre Medvedev e Putin serem como Batman e Robin? Ah, não, a culpa é dos ameaçados de morte da Wikileaks, que permitiram que o mundo tivesse provas documentais da sujidade política que se vive, ainda que, para que o soubéssemos, outro tipo de informações tenham sido reveladas.
E o que é que vamos fazer com isso? Com tudo isto que foi feito, com tudo o que estamos a presenciar? Vamos dizer que a wikileaks é uma malandra coscuvilheira e que deve acabar, para podermos todos voltar para as nossas vidinhas inertes.
A mim chocam-me mais estas coisas, mas se todos nos chocássemos com o mesmo, o mundo era um lugar melhor. Ou, pela amostra das indignações neste caso, talvez o mundo estivesse perdido de todo.
Admito que possa vir a mudar de ideias, dependendo das repercussões que daqui advierem. E algo me diz que temos debate para uns bons anos...
09 dezembro, 2010
08 dezembro, 2010
06 dezembro, 2010
as memórias ouvem-se
Às vezes ouço uma música e ela atira-me imediatamente para uma situação. Vi agora alguém a pôr a "Rain Song", dos Led Zeppelin, no Facebook, e fui imediatamente transportada para o ano lectivo de 2005/2006. Estava no meu primeiro ano de faculdade e era a primeira vez que me tornava frequentadora assídua do comboio suburbano Ermesinde - Porto S. Bento - e do próprio Porto, para falar a verdade. A "Rain Song" transporta-me para horas impróprias da manhã, a caminho das aulas e com direito a viagem com vista para o rio Douro. Não dá para esquecer, apesar de esta não ser uma situação minimamente memorável. Mas por causa de algumas músicas, é-o à força.
O Yann Tiersen e os Yo La Tengo (e algumas da Patti Smith e dos The Smiths) lembram-me Roma. Foi lá que comecei a ouvi-los com mais frequência. Foi por lá que me comecei a apaixonar pelos dois. Eu naquela altura apaixonava-me facilmente. Odeio os The Kooks, mas sempre que os ouço lembro-me do Ricardo no quarto ao lado, e só por isso vale a pena (literalmente pena) ouvi-los às vezes.
A "Just Like Heaven", dos The Cure, lembra-me a Rita e quantas vezes não cantávamos aquela música. Vai lembrar sempre, mesmo que nunca mais a volte a ver. É claro que Zero 7 é sinónimo de Ana, da minha Ana, que me levava à loucura sempre a ouvir as mesmas músicas. Roma é muita coisa, e também é memórias com banda sonora.
Há uma dos Aerosmith que me leva para uma viagem de carro junto com o Manel, a Joana e a Xana, a caminho dessa bela localidade que é Castelões de Cepeda. Todos aos gritos, em pleno auge da amizade. O auge da amizade já passou, eles um dia se calhar também vão passar, mas haverá sempre pelo menos uma música que me vai levar até eles. E este é outro dos poderes da música, e é por isso também que há-de ser sempre a minha forma preferida de arte.
O Rod Stewart lembra-me aquele que foi um dos meus amigos mais queridos mas que decidiu um dia que, se calhar, eu não era merecedora da amizade dele. Mas enquanto ele achou que era, um dia comprou de propósito um cd desse senhor só pela piada da coisa. E hoje, junto dos meus queridos CDs, tenho um do Rod Stewart a manchar-me a credibilidade. A "Luka", da Suzanne Vega, leva-me de imediato ao 8º ano e à letra alternativa que eu, o Fernando e o Luís inventamos para essa música. Já lá vão 10 anos e quando nos encontrámos vai de relembrar a parvoíce.
Claro que também há esta e aquela música que me lembram paixões antigas (e uma ou outra que me lembram a vontade que tinha em esquece-las, como a "Dá-me a tua melhor faca") mas essas prefiro não as imortalizar na internet. Pode ser que entretanto se apaguem da memória também.
E tantas, tantas outras de que não me lembro agora sem a respectiva música para me reactivar a memória. Muita gente diz que gostava que a vida tivesse banda sonora... A minha tem. Tem estas, tem muitas outras e tem uma em específico e a rodar permanentemente. Falo, claro, dos Pearl Jam. Desde os 13 anos, o que é muita coisa. É uma espécie de documentário.
Gostava de pensar que alguém em algum sítio do mundo ouve uma música e se lembra de mim.
O Yann Tiersen e os Yo La Tengo (e algumas da Patti Smith e dos The Smiths) lembram-me Roma. Foi lá que comecei a ouvi-los com mais frequência. Foi por lá que me comecei a apaixonar pelos dois. Eu naquela altura apaixonava-me facilmente. Odeio os The Kooks, mas sempre que os ouço lembro-me do Ricardo no quarto ao lado, e só por isso vale a pena (literalmente pena) ouvi-los às vezes.
A "Just Like Heaven", dos The Cure, lembra-me a Rita e quantas vezes não cantávamos aquela música. Vai lembrar sempre, mesmo que nunca mais a volte a ver. É claro que Zero 7 é sinónimo de Ana, da minha Ana, que me levava à loucura sempre a ouvir as mesmas músicas. Roma é muita coisa, e também é memórias com banda sonora.
Há uma dos Aerosmith que me leva para uma viagem de carro junto com o Manel, a Joana e a Xana, a caminho dessa bela localidade que é Castelões de Cepeda. Todos aos gritos, em pleno auge da amizade. O auge da amizade já passou, eles um dia se calhar também vão passar, mas haverá sempre pelo menos uma música que me vai levar até eles. E este é outro dos poderes da música, e é por isso também que há-de ser sempre a minha forma preferida de arte.
O Rod Stewart lembra-me aquele que foi um dos meus amigos mais queridos mas que decidiu um dia que, se calhar, eu não era merecedora da amizade dele. Mas enquanto ele achou que era, um dia comprou de propósito um cd desse senhor só pela piada da coisa. E hoje, junto dos meus queridos CDs, tenho um do Rod Stewart a manchar-me a credibilidade. A "Luka", da Suzanne Vega, leva-me de imediato ao 8º ano e à letra alternativa que eu, o Fernando e o Luís inventamos para essa música. Já lá vão 10 anos e quando nos encontrámos vai de relembrar a parvoíce.
Claro que também há esta e aquela música que me lembram paixões antigas (e uma ou outra que me lembram a vontade que tinha em esquece-las, como a "Dá-me a tua melhor faca") mas essas prefiro não as imortalizar na internet. Pode ser que entretanto se apaguem da memória também.
E tantas, tantas outras de que não me lembro agora sem a respectiva música para me reactivar a memória. Muita gente diz que gostava que a vida tivesse banda sonora... A minha tem. Tem estas, tem muitas outras e tem uma em específico e a rodar permanentemente. Falo, claro, dos Pearl Jam. Desde os 13 anos, o que é muita coisa. É uma espécie de documentário.
Gostava de pensar que alguém em algum sítio do mundo ouve uma música e se lembra de mim.
05 dezembro, 2010
04 dezembro, 2010
01 dezembro, 2010
"Estuda meu filho, estuda senão o call center não te emprega!"
Com uma semana de atraso, como já é meu apanágio, mas aqui fica um artigo que saiu no Público a 24 de Novembro, dia da greve geral.
"Nunca houve tantos licenciados em Portugal. E nunca foi tão difícil para os jovens encontrar emprego. As centrais sindicais dizem que a greve geral também é feita em nome desta geração que se pode perder, entre a precariedade e o apelo da emigração. Num cenário de "défice democrático" no mundo laboral, os melhores são os que arriscam sair do país."
"A taxa de desemprego entre os jovens mais do que duplica o índice geral. Entre os que arranjam emprego, só cerca de um terço escapa à regra dos contratos a termo, recibos verdes e outras formas de precariedade. Um em cada dez licenciados abandona o país. É o retrato de uma geração sem saída".
Sendo Portugal um país com baixa qualificação académica da sua força de trabalho - e tendo em conta a importância da formação num mundo cada vez mais competitivo -, o número crescente de licenciados a saírem das universidades deveria ser uma boa notícia. Mas não é. No actual cenário de crise, os jovens são os mais prejudicados pela extinção de postos de trabalho e, entre eles, os que investiram na formação académica são exactamente os que se deparam com mais portas fechadas. (...)
Com poucos (e maus) empregos à sua espera, não espanta que muitos jovens optem por deixar o país. O fluxo da emigração atingiu nesta década valores só comparáveis aos do êxodo dos anos 60 do século passado e os números só baixaram nos últimos dois anos porque a crise também se faz sentir lá fora".(...)
[sim, há a globalização, mas a falta de oportunidades do país é notória].
(...) "Em Portugal, não", analisa Rui Pena Pires. Ou seja, neste momento, Portugal é um exportador de cérebros. Alguns saem porque as suas carreiras (na investigação científica ou em multinacionais, por exemplo) apontam nessa direcção. A maior parte sai porque não tem perspectivas de futuro."
"Nunca houve tantos licenciados em Portugal. E nunca foi tão difícil para os jovens encontrar emprego. As centrais sindicais dizem que a greve geral também é feita em nome desta geração que se pode perder, entre a precariedade e o apelo da emigração. Num cenário de "défice democrático" no mundo laboral, os melhores são os que arriscam sair do país."
"A taxa de desemprego entre os jovens mais do que duplica o índice geral. Entre os que arranjam emprego, só cerca de um terço escapa à regra dos contratos a termo, recibos verdes e outras formas de precariedade. Um em cada dez licenciados abandona o país. É o retrato de uma geração sem saída".
Sendo Portugal um país com baixa qualificação académica da sua força de trabalho - e tendo em conta a importância da formação num mundo cada vez mais competitivo -, o número crescente de licenciados a saírem das universidades deveria ser uma boa notícia. Mas não é. No actual cenário de crise, os jovens são os mais prejudicados pela extinção de postos de trabalho e, entre eles, os que investiram na formação académica são exactamente os que se deparam com mais portas fechadas. (...)
Com poucos (e maus) empregos à sua espera, não espanta que muitos jovens optem por deixar o país. O fluxo da emigração atingiu nesta década valores só comparáveis aos do êxodo dos anos 60 do século passado e os números só baixaram nos últimos dois anos porque a crise também se faz sentir lá fora".(...)
[sim, há a globalização, mas a falta de oportunidades do país é notória].
(...) "Em Portugal, não", analisa Rui Pena Pires. Ou seja, neste momento, Portugal é um exportador de cérebros. Alguns saem porque as suas carreiras (na investigação científica ou em multinacionais, por exemplo) apontam nessa direcção. A maior parte sai porque não tem perspectivas de futuro."
Mais do mesmo, portanto
Na apresentação do manifesto eleitoral de Cavaco Silva, que teve lugar segunda-feira na Alfandega do Porto, Cavaco Silva prometeu "uma magistratura activa", e disse que ia fazer aquilo que sempre fez.
Em que é que ficamos, afinal?
P.S. - Não se arranjam por aí uns revolucionários como os de 1 de Dezembro de 1640 para nos libertar desta ocupação de políticos incompetentes, de que estamos a ser vítimas? Ninguém nos salva disto, hum?
Em que é que ficamos, afinal?
P.S. - Não se arranjam por aí uns revolucionários como os de 1 de Dezembro de 1640 para nos libertar desta ocupação de políticos incompetentes, de que estamos a ser vítimas? Ninguém nos salva disto, hum?
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