06 dezembro, 2010

as memórias ouvem-se

Às vezes ouço uma música e ela atira-me imediatamente para uma situação. Vi agora alguém a pôr a "Rain Song", dos Led Zeppelin, no Facebook, e fui imediatamente transportada para o ano lectivo de 2005/2006. Estava no meu primeiro ano de faculdade e era a primeira vez que me tornava frequentadora assídua do comboio suburbano Ermesinde - Porto S. Bento - e do próprio Porto, para falar a verdade. A "Rain Song" transporta-me para horas impróprias da manhã, a caminho das aulas e com direito a viagem com vista para o rio Douro. Não dá para esquecer, apesar de esta não ser uma situação minimamente memorável. Mas por causa de algumas músicas, é-o à força.

O Yann Tiersen e os Yo La Tengo (e algumas da Patti Smith e dos The Smiths) lembram-me Roma. Foi lá que comecei a ouvi-los com mais frequência. Foi por lá que me comecei a apaixonar pelos dois. Eu naquela altura apaixonava-me facilmente. Odeio os The Kooks, mas sempre que os ouço lembro-me do Ricardo no quarto ao lado, e só por isso vale a pena (literalmente pena) ouvi-los às vezes.
A "Just Like Heaven", dos The Cure, lembra-me a Rita e quantas vezes não cantávamos aquela música. Vai lembrar sempre, mesmo que nunca mais a volte a ver. É claro que Zero 7 é sinónimo de Ana, da minha Ana, que me levava à loucura sempre a ouvir as mesmas músicas. Roma é muita coisa, e também é memórias com banda sonora.

Há uma dos Aerosmith que me leva para uma viagem de carro junto com o Manel, a Joana e a Xana, a caminho dessa bela localidade que é Castelões de Cepeda. Todos aos gritos, em pleno auge da amizade. O auge da amizade já passou, eles um dia se calhar também vão passar, mas haverá sempre pelo menos uma música que me vai levar até eles. E este é outro dos poderes da música, e é por isso também que há-de ser sempre a minha forma preferida de arte.

O Rod Stewart lembra-me aquele que foi um dos meus amigos mais queridos mas que decidiu um dia que, se calhar, eu não era merecedora da amizade dele. Mas enquanto ele achou que era, um dia comprou de propósito um cd desse senhor só pela piada da coisa. E hoje, junto dos meus queridos CDs, tenho um do Rod Stewart a manchar-me a credibilidade. A "Luka", da Suzanne Vega, leva-me de imediato ao 8º ano e à letra alternativa que eu, o Fernando e o Luís inventamos para essa música. Já lá vão 10 anos e quando nos encontrámos vai de relembrar a parvoíce.

Claro que também há esta e aquela música que me lembram paixões antigas (e uma ou outra que me lembram a vontade que tinha em esquece-las, como a "Dá-me a tua melhor faca") mas essas prefiro não as imortalizar na internet. Pode ser que entretanto se apaguem da memória também.

E tantas, tantas outras de que não me lembro agora sem a respectiva música para me reactivar a memória. Muita gente diz que gostava que a vida tivesse banda sonora... A minha tem. Tem estas, tem muitas outras e tem uma em específico e a rodar permanentemente. Falo, claro, dos Pearl Jam. Desde os 13 anos, o que é muita coisa. É uma espécie de documentário.

Gostava de pensar que alguém em algum sítio do mundo ouve uma música e se lembra de mim.

7 comentários:

Dylan disse...

De facto, há músicas que nos transportam para memórias agradáveis do nosso passado. A banda Manic Street Preachers é uma das minhas...

elsadossantos disse...

escusado será dizer que sempre que ouço pearl jam me lembro de ti, mas agora pronto, já disse.

Pronúncia disse...

Quem disse que a vida não tem banda sonora?! A minha tem uma banda sonora fantástica.

Boas músicas, Sara :)

Marta Costa disse...

É exactamente isso que eu acho da música, e é exactamente por isso que a música faz sentido. Porque te marca em determinados momentos, porque te liga a pessoas e fases da tua vida... :)

Eu lembro-me de ti quando ouço The Local Natives... :) Mas já to disse! E é mais do que óbvio porque me lembro... :p e se pensar bem foi ao teu lado e ao da Maria que começaram três dos dias mais felizes que tive este ano! Recheadinhos de música, e de pessoas que gosto, e de música, e de amigos, e de parvoices, e de tonteiras... três dias que podiam ser um mês que eu acho que não me importava. Olha... e foi nesses três dias que algumas músicas ou bandas passaram a significar mais pessoas, e mais momentos... :) Imagina tu que até a Release que já significa só por si montanhas de coisas, que já me tinha juntado uma pessoa ou outra à memória ganhou um novo "dono"! :)

Adoro todas as expressões artisticas (senão adorasse algo estava errado), mas a música é sem dúvida muito especial...

Beijinhos*

Olha só por isso ouvir os tais senhores que me lembram da tua pessoa!

Starlight disse...

Eu lembro-me de ti muitas vezes que ouço PJ ...de Londres, Madrid, Lisboa e Dusseldorf =)
Lembro-me de ti quando ouço a Release de Londres.

Adoro que a minha vida tenha uma banda sonora e adoro também que por causa da musica tenha conhecido tantas pessoas, vivido tantas coisas que se não fosse por essa musica com certeza não teria vivido e a minha vida seria mais pobre.

Gosto de ti.

Bj***

Ah, e lembro-me de ti sempre que vejo uma loja da Subway!! LOOOOOOL

Sara non c'e disse...

Só por estes comentários já valeu a pena ter feito este post lamechas. :) beijo a todos!

P.S.: Marta Rodrigues :P há 3 semanas passei pela Subway do Porto e contei à minha mãe o triste episódio :P

Sunflower disse...

Eu lembro-me de ti sempre que ouço os Anjos, ou os Backstreet Boys. Sempre, juro! :P