09 janeiro, 2013

Fundo Maníaco Irracional

Em português do Porto, o FMI está tolo não está?

Tenho andado muito caladinha. O Relvas faz das suas e eu caladinha. O Passos e o Cavaco falam no Natal e eu caladinha. A minha empresa ainda não sabe como me vai pagar em Janeiro - o mês em que estamos - por causa do estúpido do governo e dos seus duodécimos - e eu caladinha.

Mas hoje o FMI entregou um documento, feito em colaboração com dez ministros e cinco secretários de Estado, que nos mostra a nós, pobres gastadores irresponsáveis, como podemos poupar 4000 milhões de euros.

E então de que modo é que o tuga prevaricou, merecendo agora lições de gestão de fora? Contratou professores para ensinarem em escolas públicas. Toca a cortar. Até porque já não vão ser necessários, uma vez que o FMI também nos informa que "o Estado consegue poupar cerca de 400 euros por aluno numa escola privada com contrato de associação". Adorava conhecer estes cálculos, a sério. Que pena que nunca saem cá para fora.

As taxas moderadoras também têm que subir, porque andamos a matar-nos com tabaco e açúcar só para afundar o sistema nacional de saúde. Talvez agora que o ministro alertou para este facto as pessoas comecem a olhar mais por si (não porque querem viver mais, mas porque querem que o SNS viva mais, que o altruísmo é coisa que pulula na sociedade actual).

E as propinas? Têm de subir, obviamente. Chega de ensino gratuito que custa mais de 1000€ por ano só em propinas (fora transportes, alimentação, residência e material escolar como livros e fotocópias)! Mas faz sentido que suba. Para que é que o Estado há-de ajudar a financiar licenciados que depois são aproveitados por outros países? Se calhar, em vez de pedirmos aos estudantes que paguem mais - impossibilitando muitos de entrarem na universidade - porque não se pede uma contribuição à Alemanha, Bélgica, Reino Unido, Brasil, Angola?...

O subsídio de desemprego, claro, "continua demasiado longo e elevado”. Num país com 16% de desemprego e onde arranjar novo emprego pode demorar bastante tempo, o subsídio para o qual o trabalhador descontou dura demasiado tempo. Eu, por exemplo, teria direito a 9 meses de subsídio. Pessoas com mais de 40 anos têm direito a pelo menos 1 ano e depois dos 45 já se consegue pelos menos 2 anos até um máximo de 3 anos e tal. Mas para se conseguir 720 dias de subsídio de desemprego é preciso que a pessoa tenha trabalhado pelo menos 72 meses. São mais de 150.000 dias. Parece-me extremamente injusto. Decerto que são todos uns mandriões a chular o Estado.

Condições para a atribuição do subsídio de desemprego

Pronto, posso concordar neste ponto: "A progressividade dos salários do Estado deve passar a ser feita em função do desempenho e não da antiguidade, como forma de “atrair profissionais mais motivados e qualificados". Uma lapalissada. Escusávamos de ter que ouvir uma coisa tão óbvia, que já devia estar mais do que implementada. Mas atrair profissionais para onde, se caminhamos para a destruição da coisa pública? Vai sobrar o quê?!

Coisas que não vêm no documento que nos ensina a poupar: evitar injectar dinheiros públicos em bancos como o BPN ou o BANIF. Por exemplo. Mas é natural. Trata-se de prioridades. E entre a sobrevivência das pessoas e a dos bancos, a escolha tem sido sempre a que sabemos.

2 comentários:

João disse...

Há tantas coisas "lapalissadas" que não se fazem..

Mas acho que é desta que o Coelho vai roer a corda que o une ao FMI e vai sugerir uma volta ao bilhar grande.

Pelo menos, hoje estou optimista. Amanhã, não sei.

André disse...
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