28 julho, 2011

Medidas para além das medidas que vão para além da Troika

Pedro Passos Coelho disse desde o início do seu mandato que achava que era necessário ir além das medidas impostas pela Troika, para acalmar os mercados.
Os mercados não se acalmaram, estão nervosos, os pobres mercados. A Moody's leu as medidas extra e atirou-nos para o lixo.

Pois eu digo: é preciso ir para além das medidas que já iam para além da Troika. Não podemos permitir que digam que é lixo um país onde os idosos ficam 10 horas numa maca no corredor da urgência; onde uma pessoa espera anos na Justiça por uma decisão; onde gente importante que comete crimes de corrupção sai impune; onde o ordenado mínimo é de 475€ e achar um t1 em Lisboa para arrendar por esse preço é fantástico; onde os recém-licenciados têm de emigrar para serem valorizados; onde promover estágios não remunerados é prática comum; onde se aumentam os encargos aos pobres e remediados para sustentar uma crise que não geraram, ao mesmo tempo que se vê que os lucros dos bancos e dos portugueses mais ricos aumentam à grande.

Enfim, já estava a divagar. Após um estudo exaustivo, proponho algumas medidas para tirar o país do buraco e acalmar mercados e demais merceeiros:

  • Esquecer a proposta de diminuir para 10 dias o tempo de direito a indemnização por despedimento, e substituí-lo por uma indemnização paga pelo trabalhador despedido ao seu patrão. Se foi despedido é porque mereceu. Logo, deve compensar o pobre patrão pelo transtorno.
  • Criar um imposto extra para quem circula por cima de alcatrão. É estúpido estarmos ainda a contestar o fim das SCUT, que penaliza sobretudo regiões deprimidas, e que ainda por cima é um negócio ruinoso para todos menos para as concessionárias. Não. É necessário taxar quem circula sobre alcatrão, seja de carro, de bicicleta ou a pé. Há caminhos alternativos, por isso quem quiser que dê a volta pelas ruas em pedra ou em terra. Isto pode ser importante para dinamizar o interior, onde os caminhos são maioritariamente em terra. Vai ser a debandada geral para o Alentejo. Com esta medida conseguiremos receitas extraordinárias e ainda povoamos o interior. Porra, sou genial. Nem sei como ainda ganho o que ganho a falsos recibos verdes.
  • Criar um imposto extra para os turistas. Quem quiser cá entrar, deveria ter de pagar uma taxa extra de 50% sobre o valor total da viagem + alojamento. E fazer contas é fácil, basta usar o método que o governo usou para calcular as receitas do fim das SCUT: partindo do princípio que 100 0000 turistas vêm a Portugal num ano e que cada um gasta aqui 1000 euros, vejam só quanto dinheiro vamos buscar a estes camafeus. Obviamente que eles continuarão a escolher Portugal como destino turístico depois desta taxa, tal como os automobilistas continuarão a usar as ex-SCUT à grande como usavam antes. Eu sei, eu sei, parece fácil, mas isto tem que se lhe diga. Foram horas de investigação.
  • Acabar com programas idiotas de incentivo ao arrendamento jovem, como o Porta 65 ou, pior ainda, bonificações de empréstimos. É verdade que isso contribuiria para que os jovens ficassem em casa dos pais, não até aos 30, mas mais uma década ou duas. Para ajudar os pais a livrarem-se destes mammoni mais cedo, proponho que criemos campos ao género dos refugiados, mas dando-lhes outro nome, tipo "Quinta do Aldeamento". Fica mais barato porque é só montar umas tendas e criar sanitários públicos, e permite poupar em rendas, pois o preço cobrado seria simbólico. Assim por alto, 150€ à cabeça, por exemplo. Quem quiser ter electricidade paga mais 50€. 
Com esta possibilidade, podemos ainda baixar o salário mínimo, pois alguém que só paga 200€ de alojamento não precisa de mais 275€ para viver. Um salário de 335€ dá para viver e sobra, estando previstos mais abaixamentos progressivos, de modo disputar a competitividade com os países de 3º mundo.
  • Acabar com o fim-de-semana. Mas que porra é essa dos "dias de descanso"? O descanso vem todos os dias após a jornada laboral. Esta deverá ainda ser aumentada, de 8h para 12horas máximas diárias. Com menos 4h por dia para laurear a pevide, o trabalhador tem menos tempo para gastar dinheiro em compras, e tem também menos tempo para comer, aumentando assim as suas poupanças. Não é por acaso que a China está onde está. Ponham os olhos naquele povo impressionante. É com ele que devemos competir, pela via do custo.
  • Diminuir os anos de escolaridade obrigatória e a idade mínima para trabalhar. Todos sabemos que um jovem aos 12 anos já diz orgulhosamente que não é uma criança. Então chega de catalogar os jovens que trabalham com essa idade como "trabalho infantil". Esta mão-de-obra é útil a um país cada vez mais envelhecido e com mais reformados para sustentar. Além disso, um jovem para trabalhar num call-center ou numa caixa de supermercado não necessita de 12 anos de escolaridade, muito menos de licenciaturas. Com esta medida, acabaremos também com o problema da falta de empregos qualificados para licenciados. Se não houver licenciados, deixa de haver tanta reivindicação e manifestação, havendo mais tempo para trabalhar e produzir. E isso é que é importante, basta olhar para a China.
    •  Acabar com a publicidade. A publicidade apela ao consumismo, e é o consumismo que nos leva a não ter poupanças para pôr nos bancos, ajudando-os neste momento difícil que atravessam. Para além de ajudarmos os bancos e aumentarmos as exportações, pois se não consumimos temos mais coisas para exportar, ainda acabávamos com essa classe de inúteis que são os jornalistas. Sem dinheirinho da publicidade a sustentar-vos, acabava-se a boa vida. 
    O fim da classe jornalística daria mais à-vontade aos governos para implementarem as suas ideias sem temerem essa treta do escrutínio. Além disso, essa classe que nada produz pode ser aproveitada para fábricas de sapatos e de cortiça. Aumentaremos as exportações. Meu deus, esta é provavelmente a melhor medida alguma vez proposta neste país! Espero que alguém influente chegue a este blogue e me dê o reconhecimento que mereço pela minha genialidade.


    Sei que podemos implementar muitas mais medidas para além daquelas que proponho. Basta de brincar às austeridades. Como vêem, os mercados não caem nessas esparrelas de impostos sobre o subsídio de Natal, indemnizações de despedimentos de 10 dias e privatizações ao desbarato de sectores estratégicos que até dão lucro. É preciso mais, caros conterrâneos. Se querem que este país vá para a frente, há que fazer pequenos sacrifícios! Além de que faríamos de Angela Merkel uma mulher feliz. Já era tempo.

    7 comentários:

    Cirrus disse...

    GENIAL!!! Mesmo.

    Vais para o facebook que é um mimo!!!

    Cirrus disse...

    É bom ver malta nova nestes preparos!

    PARABÉNS!!

    Carlos Pires disse...

    No fundo, no fundo a Sara gostava que não existisse economia.

    Sara non c'e disse...

    Obrigada, obrigada. Não percebo como ainda não fui contactada por nenhuma multinacional, mas estou a aguardar o contacto. É bom ver que vocês estão comigo, dispostos a levar este país para a frente :P

    Anima Festinhas Aninhas disse...

    Olá muito bom dia também agradecia desde já que me ajuda-se a passar a palavra do meu grupo de trabalho ANIMA FESTINHAS ANINHAS se bem sabemos o melhor do mundo são as crianças por isso o nosso grupo prepara um dia cheio de grandes animações com todo o tipo de diversões Visite disfrute e passe a palavra a amigos conhecidos e familiares Site http://animafestinhasaninhas.blogspot.com/ ; HI5 http://animafestinhasaninhas.hi5.com/ ; Facebook: http://www.facebook.com/AnimaFestinhasAninhas ; grupo no face http://www.facebook.com/group.php?gid=113669222005671; page no face http://www.facebook.com/pages/Anima-Festinhas-Aninhas-e-Companhia/165116800168713?ref=ts TWITTER
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    Marta Costa disse...

    Ahahahah és tão grande! :)

    Como é que ainda não te deram o lugar que mereces é que não sei de facto...

    Catsone disse...

    Muitíssimo bom este texto.
    As propostas são muito boas mas talvez pequem apenas por não ser muito audaciosas; no entanto, já davam para um bom começo, sim senhora.