20 janeiro, 2010

Jornalices

Duas pequenas notas sobre duas pequenas notícias que saíram sobre jornalismo.

Hoje fica a primeira, quando me lembrar outra vez que tenho um blog venho cá deixar a segunda.


The New York Times tenciona cobrar conteúdos online 

"O diário The New York Times está a preparar um modelo de cobrança de notícias do seu site".

 Penso que não é mau de todo. Não, não tenho pais ricos nem fui ao BES. Podendo, gosto muito de ler notícias e reportagens à borla, como, arrisco, vocês também.

Também sei que a Internet é um fenómeno que se construiu à base da gratuitidade: pagamos a mensalidade aos senhores da internet e temos uma janela para o mundo, para música e cinema grátis, para jornais grátis, para telefone grátis, para jogos grátis, enfim, acho que já se percebeu a ideia e esta frase está a ficar repetitiva.

Só que isto do jornalismo tem que se lhe diga. Fazer o download de um CD não é a mesma coisa que comprar um disco e pô-lo numa boa aparelhagem, enquanto se folheia o booklet a ler as letras, pois não? E isto dos downloads teve consequências, nomeadamente concertos bem mais acros do que aquilo que eram. Certo?

Falar através do skype é giro, mas um telefone é um telefone, caramba. Funciona sempre, não vai abaixo, não deixo de ouvir a pessoa só porque o pc bloqueou ou a net está lenta.

É verdade, a qualidade paga-se, e arrisco dizer que, com o jornalismo, a coisa não anda muito longe desta realidade. Podia-se dissertar aqui em vários parágrafos os prós e o contras de um jornalismo online pago. Estou certa de que à primeira vista só se vêem  desvantagens. É por isso que gostava de mandar o meu bitaite e dizer que um jornalismo pago pelas pessoas pode ser um jornalismo livre de condicionalismos provnientes de poderes políticos e/ou económicos. Se o orçamento de um jornal provém maioritariamente das vendas aos seus leitores, se calhar o dono da empresa xpto já não consegue impôr censura. Sim, a palavra é censura, somos todos muito democráticos mas a censura não existe só nas Coreias do Norte, nas Eritreias e ou nos Irãos (Irães? Irões? adiante.), nesses países ela tem apenas a cara destapada.

Facilmente se argumenta que "ah e tal, mas aí os condicionalismos mantêm-se na mesma, passam apenas para as mãos dos consumidores, o jornal vai atrás do que as pessoas querem ler porque dependem do dinheiro delas". É verdade. Infelizmente os jornais ainda não vivem do ar e, apesar de o jornalismo ser uma coisa muito idílica, não deixa de ser um negócio. Só que isso já acontece hoje. Os jornais precisam de público, senão o senhor empresário fecha a espelunca e manda toda a gente para o olho da rua. Assim largávamos alguns condicionalismos. É inegável que a imprensa seria mais livre, menos sujeita a filtros, se calhar sabíamos mais sobre casos como Freeports e afins, sem tanta contrainformação a baralhar o público. Se calhar saberíamos ilegalidades sobre muitas das empresas que detêm meios de comunicação social. Já imaginaram uma Itália onde a esmagadora maioria dos media com mais audiências não pertencem a Berlusconi? Exacto, se calhar ele não tinha sido reeleito. 

 

Resumindo e concluíndo, pagar pelo NY Times pode não ser mau. A qualidade e a independência, por contraditório que isto possa parecer, paga-se.

A comunicação social tem vindo a definhar e é preciso arranjar soluções para travar este processo. Não sei se é esta. Não sei se passa por um imposto igual àquele que já pagamos pela porcaria da televisão. Como de costume, eu não sei nada, apenas bitaito.
 

3 comentários:

Pedro Nave disse...

Jornalismo de elite bah.
Aconteceu isso recentemente com um site de jogos sobre industria. É só preciso registar, não se paga.
No caso deles, a justificação até é aceitável. Para que o público que eles querem, fique à vontade (os da indústria de jogos). De facto, vão ficar mais à vontade visto que eu (e muitos) leitores "normais" deixaremos de ler esse site, para passar a ler o da edge exclusivamente (concorrente directo).

Pode encontrar nichos mais ou menos grandes, mas jamais é solução para alguma coisa a titulo "abrangente". Para desagrado da "indústria" do jornalismo e grandes grupos económicos. temos pena.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

A ideia até não é má, mas espero que não vingue em Portugal, caso contrário vamos passar a pagar gato por lebre, como hoje infelizmente já acontece, quando compramos alguns jornais
Bom fds

Sara non c'e disse...

Pedro, mas se soubesses com alguma certeza que esse jornal "pagante" era descomprometido de certos interesses, se soubesses que ali tinhas informação e não contra-informação, não achas que vale o investimento? Eu sei que é sou tendenciosa, mas o jornalismo não é uma coisa importante que valha um pagamentozinho, se isso nos der algumas garantias? E olha que eu sou forreta :P

Carlos, não sei... sei que os media portugueses estão tão nas lonas que o status quo mantém-se sem que ninguém possa fazer nada...
De facto o NY Times já é uma referência, se o pagamento ajudar a que assim eprmaneça eu acho que é um investimento...

bom fim-de-semana!