22 outubro, 2009

Era um Xanax, faz favor

Ontem, na aula de Análise de Política Externa, uma colega brasileira questionou o professor mais ou menos sobre isto:

Onde é que Portugal se perdeu? Como é que fez tantas coisas grandiosas pelo mundo, era tão poderoso e hoje em dia o sentimento que reina na população é o de inferioridade, de incapacidade, de pequenez? Mesmo em relação à União Europeia, porque nos posicionamos um pouco à margem?

O professor destacou a importância da pergunta vinda de quem vem, de uma pessoa estrangeira. Acho que nós, portugueses, lá no fundo convivemos diariamente com este sentimento, mas cada um tem a sua resposta. Nunca iriamos questionar o professor sobre aquilo, apesar de merecer um belo debate.

Quando a pergunta foi feita vieram-me logo à cabeça explicações como a má gestão da riqueza vinda das colónias, a gradual perda de poder e a facada no orgulho que foi o ultimato inglês ao nosso mapa cor-de-rosa. Quanto à explicação do professor, podia ter sido mais objectiva. Com tanta divagação não tirei muito sumo dali, mas o problema está em mim, que não percebo metade do que é dito nas aulas.

Há uma coisa muito gira que se chama consciência internacional, onde a política externa e a diplomacia têm um papel muito importante. Por exemplo, quando um político vai lá fora e dá a imagem de um país pequeno, o mundo ouve-o e acredita-o. Eventualmente isto também chega cá dentro. E nós ouvimo-lo e acreditamos.
Todos os dias nos dizem que somos pequenos, que somos maus, que estamos no último ranking disto e daquilo. Há uma notícia má? A imprensa noticia. Há uma notícia boa? Humm, se calhar até se noticia, em 300 caractéres entre uma notícia de poda de macieiras e regulamentos das finanças. Mas culpar a imprensa é fácil. Foi a imprensa que criou esta depressão ou ela é um produto da própria depressão?

Afinal a culpa é de quem? E afinal como é que se sai disto? É que para além de desmotivante, acreditar que somos todos uns incapazes acaba por ser a desculpa perfeita para o mau profissionalismo. Somos maus e somos, eu sou mais um, e isto para o que é serve.

Temos coisas boas, temos coisas más. As más têm de ser melhoradas. Mais do que saber de quem é a culpa pelo triste estado de espírito português em relação a si próprio, não era importante começar já hoje a corrigir o que está mal, em vez de nos querermos apenas livrar de tudo?




Caramba, a nossa auto-estima foi toda ali para Espanha? Como é que isto aconteceu? Aceitam-se sugestões...

4 comentários:

Paulo Lontro disse...

Vamos ver “a coisa” pelo outro lado, eu vivi no estrangeiro muitos anos e vivi em 5 países desde o Brasil, à Dinamarca até à Itália onde vivi 5 anos.
O sentimento que está descrito no texto e na pergunta da tua colega é EXACTAMENTE o mesmo em todos os países em que vivi, em todos, especialmente em Itália as palavras são as mesmas, os programas de televisão a discutir esses mesmos rankings onde a Itália “também “ é a ultima e digo “também” porque nos mesmos rankings aparecem em países diferentes resultados diferentes (talvez para aumentar a atenção publica sobre o assunto).
Só mesmo que vive noutro país consegue valorizar o seu e não é “saudade”, no meu caso é mesmo o entendimento de que se vive muito bem por cá.

Sara non c'e disse...

Quanto à Itália tenho essa mesma noção, de que são parecidos connosco. De resto, não sei, mas não tenho essa ideia...

13 disse...

Efeito dominó, cada um por si, mas mais que isso, a mediocridade a sobrepor-se à qualidade. O facilitismo, a própria insegurança que o futuro gera levando cada um a agarrar-se como pode ao pouco que tem, gerando incapacidade e descrença para dar a volta como um todo.
É realmente complicado. E seja quem for, professores, técnicos, economistas, qualquer um deles te vai dar uma noção fácil de aplicar, no papel, mas improvável na prática, porque toda a teoria terá que ser executada pelo maior dos defeituosos, o ser-humano.
Lutar para os outros é uma atitude nobre que morreu há séculos...

(Isto tudo de quem não percebe minimamente do que fala, naturalmente)

Pronúncia disse...

Desmotivação, desinteresse, deixar andar, pouca participação comunitária, egoísmo, facilitismo, compadrio, mediocridade... etc., etc., etc..

Bom fim de semana