06 janeiro, 2010

Ainda o Brasil no meu pasquim

Sempre que ouço comentários depreciativos sobre os imigrantes brasileiros, formados na mente da sociedade, provavelmente por causa de notícias sobre crimes praticados por pessoas desta nacionalidade, ou reportagens como "as mães de Bragança", que levam imediatamente a associar imigrantes brasileiras a prostituição, não posso deixar de sorrir.

Porque não consigo deixar de pensar que, um dia destes, os portugueses vão voltar a emigrar em massa para o Brasil. E aí é que vão ser elas!

Sempre fomos um país de emigrantes e convém não esquecer que também já emigramos para o Brasil.
O Brasil também  tem as suas piadas sobre os portugas, os Manueis, as mulheres com bigode, agora temos uma actriz que atravessa o Atlântico para vir cá cuspir em património histórico nacional, enfim, com isto um gajo até pode bem.

Coisa diferente é desconfiar de tudo o que é brasileiro só por causa de uns manfios quaisquer que aparecem nas notícias a fazer porcaria. Não esquecer que esta é a única maneira garantida de se aparecer nas notícias: roubar um banco, roubar uma velhinha, espetar uma facada num segurança de uma discoteca, por aí fora. Creio que há por aqui muito brasileiro e brasileira a fazer coisas bonitas, mas que não têm tempo de antena. Por isso vamos lá sossegar os ânimos que não estamos em guerra com uma nacionalidade, mas sim com a crimininalidade em geral, que é poliglota e para a qual os portugueses também sabem dar o seu contributo.

BRIC, potência geográfica e demográfica, uma das maiores economias do mundo e em franco crescimento mesmo em época de crise, detentor de recursos simpáticos como petróleo, gás natural, maior exportador de etanol do mundo, politicamente estável, militarmente em expansão.
Minha gente, é a nossa oportunidade de sair do buraco, basta usarmos a cabeça. Por isso, um bocadinho mais de humildade, porque se até há uns tempos foi o Brasil que precisou de nós, nós ainda vamos precisar muito mais do Brasil.

Tudo isto, queridos conterrâneos, para apregoar a paz e a harmonia e mandar a um sítio muito feio génios que apoiam dejectos como o PNR.
Vamos lá a manter um espírito aberto e de integração em relação aos imigrantes que temos aqui (pronto, aqui me confesso, não vou muito à bola com imigrantes romenos), porque os países em vias de desenvolvimento de hoje serão os países desenvolvidos de amanhã (no caso da Roménia, de depois de amanhã), e convém manter bons laços com quem, provavelmente um dia, nos vai receber em sua casa.  

"It's Globalization, baby!

6 comentários:

Luna Tic disse...

e o Acordo Ortográfico que, com certeza nos vai aproximar a todos e levar muitos tostões a editoras brasileiras que provavelmente se vão encarregar de publicar livros lusos.

eu sei, não consigo de parar de falar nisto.

ah, feliz Ano Novo!!!

beijinho*

Asdrúbal Costa disse...

Creio que o maior problema é mesmo o tipo de brasileiros que vem cá parar. Há com certeza boa e má gente em todo o lado mas, infelizmente, a maioria dos que para cá imigram são bastante reles. Daí olharmos, com inteira legitimidade, para esta comunidade com desconfiança. O mesmo se passou com os portugueses. A maioria dos que de cá saiu era bastante "limitada" e por isso temos a imagem que temos lá fora

Sara non c'e disse...

Luna, eu também não estou nada contente com o acordo ortográfico, mas como em tudo acaba por ser o mais forte a imperar. Eu acho que uniformizar a língua portuguesa (ainda que aproximando demais ao português do Brasil) é uma forma de promover o português, aproveitando o facto de o Brasil ser a potência que é, e de ter 200 milhões de habitantes a falar a nossa língua. Uma brutal promoção =)


Asdrúbal Costa, discordo de que a maioria dos brasileiros que imigram para cá são "bastante reles", essa é simplesmente a ideia que passa, uma vez que só os "reles" são divulgados à sociedade através dos Media. Não possui dados estatísticos, mas posso apostar que esses são uma minoria...
Em relação aos portugueses, é verdade, os nossos emigrantes eram oriundos de lugares simples e não tinham qualificações. Por isso é que, em França, falar em portuguesas eram a mesma coisa de falar de Marias que eram invariavelmente empregadas de limpeza, etc.

Dylan disse...

Grande texto Sara.
Concordo com quase tudo e acrescento um exemplo de competência e qualidade brasileira no nosso país, contrariando a opinião dos "bastantes reles". Chama-se Fernando Pinto e é presidente dum colosso chamado TAP.

Ana GG disse...

E apeteceu-te muito bem!

OS disse...

Bem,claro que há gente boa e má,como em todo o lado. Mas os brasileiros são,de uma forma geral (claro que há excepções) um povo traiçoeiro. Não falo pelas noticias que ouço,falo porque já tive contacto com muitos brasileiros.Como disse,há excepções,e até conheço um desses casos,mas a maioria são traiçoeiros,e fazem-se de burros. Claro q olho,e vou continuar a olhar com desconfiança para eles,pois a além de a minha estatistica pessoal estar contra eles,eu estou no meu país,eles é que tem de provar que merecem a minha confiança,não eu a deles.