04 abril, 2013

Ou não estivéssemos em Portugal

"Só a história julgará".
Relvas.

Ó Relvas, ó Relvas, porta da rua à vista

A demissão de Relvas é motivo para tirar este pasquim do marasmo a que foi condenado pela preguiçosa da sua autora.

As redes sociais estão ao rubro. Pelo meio, aqueles que adoram ser contracorrente e criticar quem celebra, porque os outros ainda estão lá todos, ou porque celebrar a saída deste pedaço de trampa é esquecer que ainda há muito lixo para varrer de Sãoo Bento.

Por toda a porcaria que fez, por tudo o que cheira mal no seu percurso, sai pela falsa licenciatura. Sai demasiado tarde. Na verdade, nunca lá devia ter entrado.

Espero que seja o primeiro de muitos.

Morra o Relvas, morra! Pim!

08 março, 2013

Como ser um político popular em Portugal

António José Seguro é o político mais popular em Portugal, segundo os dados da Sondagem Expresso/SIC relativa ao mês de março.

Os números do desemprego cada vez aumentam mais e para cada emprego há um exército de reserva pronto a aceitar as condições miseráveis que cada vez mais se oferecem, graças à lei da oferta e da procura que dita a sobrevivência humana no século XXI.

Curiosamente, o lugar de primeiro-ministro - que em breve ficará vago - parece exigir muito pouco de qualquer candidato.

Após uma exaustiva pesquisa, reuni todos os requisitos necessários para se ser eleito político mais popular em Portugal e, consequentemente, aguardar que o cargo de primeiro-ministro caia no colo:

1- Ser líder do maior partido da oposição quando o governo em exercício é medíocre ou já lá está há dois mandatos.
2- estar vivo.


04 março, 2013

Causas de um Portugal em crise II



A nossa democracia precisa de partidos para funcionar. Problema: os principais partidos e suas juventudes partidárias andam há anos a funcionar com os objectivos errados. Em vez de trabalharem para o sucesso do país trabalham para a perpetuação da máquina partidária. São corporativistas e só deixam subir quem pode ser útil na teia de favores, ou quem pode ser controlável. Existem para a sua própria existência. Estão corrompidos e elevam a cargos de poder gente tremendamente incapaz. Infelizmente, a fraqueza das instituições contribui muito para a fraqueza de um país. E mesmo com a crise (a vários níveis), não dão sinais de querer mudar.

Isto a propósito de mais um texto de João Lemos Esteves (olá João, no caso se ter googlado e ter vindo parar a este pasquim). Trata-se de um membro da JSD, que frequentou (frequenta?) a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa – what else? – e cujo livro favorito era, aos 18 anos, “A Revolução e o Nascimento do PPD”.

Apesar de ser da JSD, João não tem mostrado entusiasmo com o actual governo. Porquê? No seu espaço de opinião no Expresso, podemos perceber o que aflige o jovem laranjinha. Mas antes de lá chegarmos, temos de comer com 3 blocos de texto de cassete, que incluem, por exemplo: Não há outro partido que conheça tão bem o povo português como o PSD -e os portugueses sabem que não há outro partido com gente tão talentosa, tãomeritória, tão capaz como são os quadros locais e nacionais do PSD. Também porisso se afirma que o PSD "é o partido mais português de Portugal". Palavra da salvação.

O que preocupa o jovem João é que, com tamanha impopularidade, o PSD vai perder as autárquicas, o seu prestígio, o carinho dos portugueses. 

“Bom, que Passos Coelho se suicide politicamente, tudo bem: não é um assunto que me preocupa muito, até porque - confesso! - entendo que o Primeiro-Ministro atingiu um estado de fanatismo ideológico tal que se encontra na fase de negação: erra, falha, mas insiste, insiste, insiste no erro! O que me preocupa é o mal que Passos Coelho está a fazer ao PSD (para além do mal que causa aos portugueses)”. Parece-me que esta última frase entre parêntesis foi acrescentada a posteriori para não parecer que o jovem militante partidário só se preocupa só com o partido.

“Passos Coelho já desistiu das autárquicas: julgo, aliás, que o objectivo do Primeiro-ministro é mesmo perder as próximas eleições para poder afirmar que não governa ao sabor dos ciclos eleitorais”, escreve João sem um “LOL” a acompanhar esta epifania. E continua:

“Com esta estratégia, um conjunto de pessoas muito capazes, cheias de talento e vontade para trabalhar em prol das suas comunidades, vai ser prejudicada. Entregar de bandeja municípios e freguesias ao PS é outro "desastre político nacional" que será cometido por Passos Coelho, com reflexos negativos para os portugueses que serão sentidos a médio prazo”. 

Tive uma overdose de partidarismo e não consegui continuar a leitura. Mas perdi tempo a analisar esta cartilha porque são vários os João Lemos Esteves que aguardam a sua vez na máquina partidária e que um dia podem chegar a Primeiro-Ministro, porque é disto que são feitas as grandes jotas deste país. Textos para consumo interno, onde se debatem estratégias partidárias e onde a preocupação maior é saber que consequências as acções terão para o partido e para a sua perpetuação no poder. No país pensa-se no tempo que sobrar. Pelo estado das coisas, não tem sobrado muito.

Ou os partidos se renovam e esta mentalidade muda, ou vamos continuar na merda enquanto país. Basta ler mais livros que não “A Revolução e o Nascimento do PPD” para saber isto.

01 março, 2013

Causas de um Portugal em crise

Dois homens conhecidos pelas análises que fazem à crise, duas visões antagónicas, duas cabeças com capacidades cognitivas muito diferentes.

Camilo Lourenço, o comentador omnipresente, defende, entre outras pérolas, que os licenciados em história e os professores não servem para nada se não podem ser aproveitados para a economia. "Que avisa que "se houver eleições, emigro", Que defende que a Troika devia continuar em Portugal e incentiva Merkel: "Dá-lhes Angela, dá-lhes. Com força!!!". Que defende que os zés ninguéns desta vida, como eu, andaram a "viver acima das suas possibilidades" e que naturalmente merecem tudo o que está a acontecer.

Do outro lado temos Pedro Santos Guerreiro, director do Jornal de Negócios, capaz de análises aprofundadas e que acaba de partilhar a visão de um professor de História da Universidade de Columbia, mostrando que a história é do mais importante que podemos ter na sociedade.

"Those preaching austerity probably do not see themselves as contributing to a crisis of democracy, but they are. The Italian elections should remind Eurozone leaders to pay attention to their voters. Economic fixes have failed to staunch a political crisis that has the capacity to harm not only EU integration, but the legitimacy of the continent’s democratic order itself."
Mark Mazower, in Financial Times,1 de Março de 2013.

Ora... Pedro Santos Guerreiro tem 4727 seguidores no Facebook. Camilo Lourenço tem 58 886 e um livro no top dos mais vendidos em Portugal.

Sinceramente: não havemos de estar na merda enquanto país?!

20 fevereiro, 2013

New things get old

 
New things get old


New things get old


New things get old


New things get old  

15 fevereiro, 2013

15 de Fevereiro de 2013

Um dia como os outros em Portugal.

Nas redes sociais vive-se a revolta virtual. Recordam-se as declarações do gabinete de Passos Coelho em Agosto.

"O Diário de Notícias cometeu a ousadia de perguntar ao gabinete de Pedro Passos Coelho se o senhor primeiro-ministro se dera ao cuidado de pedir factura do aluguer da sua casa no Algarve. Visto que o aluguer sazonal de habitações de Verão é uma das formas habituais de fuga ao fisco, o DN achou a pergunta pertinente. Mas Pedro Passos Coelho considerou-a uma evidente violação do “foro privado”, porque “não estão em causa dinheiros públicos”.
Da próxima vez que um inspector das finanças lhe perguntar se negociou as obras de casa ou o arranjo do carro sem factura e sem IVA, já sabe o que deve responder.
"

Partilha-se até à exaustão, na semana em que o governo decidiu que os consumidores que não pedirem uma factura num café podem ser multados, e já pôs fiscais a correr pela caça à multa.

Por seu lado, a RTP foi para o Parlamento perguntar aos deputados que fazem as leis se pediram factura lá no bar. O bar onde um café custa 35 cêntimos e tudo é baratíssimo. Honório Novo, do PCP, achou que a melhor resposta a dar ao jornalista era isto:

"Ouça, eu suponho que o senhor não tem nenhuma ligação à administração tributária, senão pedia-lhe identificação da administração tributária. Como não me mostra, não vou responder à sua pergunta".

Alguém que apresente o jornalismo ao senhor deputado Honório Novo, por favor.

Igualmente questionado, o deputado Manuel Pizarro nem sequer sabe se é possível pedir factura no bar da Assembleia. Porque é que seria possível pedir factura no bar do parlamento, se os deputados vivem protegidos da realidade por uma espécie de bolha Actimel? O senhor deputado nem sequer sabe se a lei já está em vigor. É normal. Afinal, ele apenas é pago para estar no parlamento e acompanhar a elaboração de leis e actualidade do país que lhe paga o salário. Como é que ele podia saber se a lei já foi aprovada ou não?


Na área da cultura, destaque para o fotógrafo português Daniel Rodrigues, que acaba de vencer o prestigiado concurso World Press Photo, na categoria "Daily Life". Está desempregado e foi obrigado a vender o seu material fotográfico para sobreviver.

E assim foi mais um dia no Portugal de 2013.  Amanhã há mais.


14 fevereiro, 2013

O drama, o horror, a tragédia de nada sentir

Adoro a internet. O poder de transformar um acontcimento pequenino (3,1 de pequenino, para ser mais exacta), numa cena grandiosa.

Houve um terramoto maricas em Paredes e as redes sociais passaram-se. Primeiro os relatos na primeira pessoa, depois as piadas, as t-shirts "eu sobrevivi ao sismo de 13 de Fevereiro de 2013", e depois descubro que existe uma página oficial de relato de terramotos. E foi o melhor do dia (com destaque para o testemunho impressionante do senhor de Ermesinde, que nos relata a sua visão do fenómeno através das movimentações do seu cão).


Mais diversão aqui: http://www.emsc-csem.org/Earthquake/Testimonies/comments.php?id=304624

13 fevereiro, 2013

Dei quase 30 euros para ver um concerto de uma banda da qual não sei uma única letra. E os títulos das músicas? Nem os sei pronunciar. Devo andar a cagar dinheiro, pensará o leitor.

Escusas de me vir já ao bolso, Gaspar. Foi dinheiro muito bem gasto e só não percebo uma única palavra do que eles dizem porque aquilo é bárbaro. Quem é que se lembrou de inventar o islandês?

Dia 14 de Fevereiro vai ser finalmente um dia bonito e nada azeiteiro.
Até amanhã, Sigur Rós.


09 fevereiro, 2013

A reforma do Estado

Depois de ver o último episódio da Grande (enorme!) reportagem da SIC sobre o BPN, da autoria do jornalista Pedro Coelho, fico a digerir a revolta.

A TV fica ligada. Segue-se um anúncio do Banco BIC (o tal banco angolano que comprou a parte porreira do BPN a preço de saldo e deixou o lixo para eu pagar), com o seguinte slogan: "Crescemos juntos". Não, não crescemos. Pagámos juntos, apenas isso. Eu paguei o BPN, vocês compraram-no pronto a gerar lucro, vocês crescem e eu, como os restantes contribuintes, afundamo-nos numa dívida que não geramos.
E fico a digerir a revolta.

Começa o notíciário da SIC Notícias. A primeira peça é sobre o corte (mais um corte) de 4 mil milhões de euros que precisamos fazer no Estado para "dividir o rácio da dívida pública". Prosseguem os cortes da educação, na saúde, nos nossos direitos, e mesmo assim a totalidade desses cortes não chega ao valor do buraco deixado pelo BPN. Ainda tenho de ouvir o Carlos Moedas dizer que temos de trabalhar para conseguirmos "preparar para a 7ª avaliação um número de medidas e opções para poupar, para sermos mais eficientes".
Sermos mais eficientes. Temos de ser mais eficientes, eu e os contribuintes. Temos de aguentar. Se os sem-abrigo aguentam, porque não nós?
E fico a digerir a revolta.

Sem dúvida que o Estado precisa de uma reforma. Precisa de gente melhor no governo. Precisa de gente com carácter. Precisa de uma melhor justiça a defendê-lo. É essa a "Reforma do Estado" que deveria ser debatida no próximo Conselho de Estado. Mas por gente de tão baixa laia, sabemos que isso não irá acontecer.

E nós deixamos. Sem revolta. Até quando?

28 janeiro, 2013

Por falar em aproveitamento

No seguimento do post anterior, eis mais um exemplo de, como dizer isto de forma politicamente correcta... merda política.

Avelino Ferreira Torres está de volta! Desta vez ao serviço do CDS, que considera que este é um candidato sério, honesto, que merece representar o partido democrata-cristão.

Más notícias: a população de Marco de Canaveses pode voltar a ter um corrupto bronco como presidente.

Boas notícias: os restantes portugueses podem rejubilar com a possibilidade de voltar a ver cartazes geniais como este:


E aos adultos que não têm aproveitamento, que fazer?

Como é que chegámos a um ponto em que as pessoas que têm na mão (ou desejam ter) o poder e a responsabilidade de decidir os destinos de milhares de portugueses são do mais medíocre que Portugal tem?

Não deveria ser um cargo reservado a quem fosse excepcional, em vários campos? Alguém que tivesse um percurso de vida exemplar, pautado pela honestidade, perseverança, altruísmo, forte sentido de cidadania e conhecimento da realidade em que a maioria da população - seja do país ou da freguesia que se quer governar - vive?

Como é que chegámos a um ponto em que o único currículo que os nossos governantes - e aspirantes - têm é no cargo militante na empresa partido X?

E se temos um amontoado de gente incapaz a candidatar-se para um cargo, porque temos de escolher entre um deles na mesma?

É isto a democracia?

Este blogue começou para que eu pudesse comentar (reclamar é a palavra mais correcta) vários assuntos do dia. Estive muito activa no tempo de Sócrates. Curiosamente, abrandei muito desde que temos como primeiro-ministro um idiota chamado Passos Coelho e um governo chamado Mercados. Porquê? Porque tenho mais que fazer da vida, e a quantidade de notícias que me revoltam é tão grande que eu podia estar a escrever 24 horas aqui que se calhar não eram as suficientes. Existe um Relvas no governo - pelamordedeus! - isto diz tudo.

Olhamos para a realidade e gostariamos que fosse só um pesadelo. Gostaríamos que BPNs, Submarinos, aumentos inúteis de impostos, Dias Loureiros, Relvas e Sofias Galvões não existissem de verdade.

Mas infelizmente são. Como resolver isto em democracia? Seria bom confiar na justiça. Seria bom também que o maior partido da oposição não fosse feito praticamente da mesma raiz podre, a do partidarismo e da estupidez.

Serve tudo isto para falar de António Parada, candidato do PS à Câmara de Matosinhos. O senhor parada foi apanhado por um vídeo amador a falar sobre as suas convicções. Uma delas é a de que a escolaridade até aos 18 anos deveria acabar. A outra é isto:

"eu acho que os jovens devem ser apoiados pelo Estado, pelo Estado de Direito, apoiar aqueles que tem aproveitamento, aqueles que nao têm a partir dos 14 anos devem ter a liberdade de ir trabalhar".

Acho que sim. Que o que falta em Portugal, neste momento, é mão-de-obra. É uma medida óbvia, a julgar pela ovação monumental que se segue às declarações deste licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais pela universidade privada Fernando Pessoa (curso com nota mínima de entrada de 9,5 e, apesar de ter apenas 25 vagas, o último candidado entrou com média de 11,6... Lá se vai o aproveitamento).

Anos de luta pela evolução, e aqueles que mais beneficiaram dessa mesma evolução são os primeiros a cagar nela e a mandarem verborreia com orgulho. Sem um mínimo de noção.

E a estes adultos sem aparente aproveitamento, o que se faz? Manda-se de volta para a escola? 

O vídeo pode ser visto (e chorado) aqui: https://www.facebook.com/photo.php?v=515555791801246

09 janeiro, 2013

Fundo Maníaco Irracional

Em português do Porto, o FMI está tolo não está?

Tenho andado muito caladinha. O Relvas faz das suas e eu caladinha. O Passos e o Cavaco falam no Natal e eu caladinha. A minha empresa ainda não sabe como me vai pagar em Janeiro - o mês em que estamos - por causa do estúpido do governo e dos seus duodécimos - e eu caladinha.

Mas hoje o FMI entregou um documento, feito em colaboração com dez ministros e cinco secretários de Estado, que nos mostra a nós, pobres gastadores irresponsáveis, como podemos poupar 4000 milhões de euros.

E então de que modo é que o tuga prevaricou, merecendo agora lições de gestão de fora? Contratou professores para ensinarem em escolas públicas. Toca a cortar. Até porque já não vão ser necessários, uma vez que o FMI também nos informa que "o Estado consegue poupar cerca de 400 euros por aluno numa escola privada com contrato de associação". Adorava conhecer estes cálculos, a sério. Que pena que nunca saem cá para fora.

As taxas moderadoras também têm que subir, porque andamos a matar-nos com tabaco e açúcar só para afundar o sistema nacional de saúde. Talvez agora que o ministro alertou para este facto as pessoas comecem a olhar mais por si (não porque querem viver mais, mas porque querem que o SNS viva mais, que o altruísmo é coisa que pulula na sociedade actual).

E as propinas? Têm de subir, obviamente. Chega de ensino gratuito que custa mais de 1000€ por ano só em propinas (fora transportes, alimentação, residência e material escolar como livros e fotocópias)! Mas faz sentido que suba. Para que é que o Estado há-de ajudar a financiar licenciados que depois são aproveitados por outros países? Se calhar, em vez de pedirmos aos estudantes que paguem mais - impossibilitando muitos de entrarem na universidade - porque não se pede uma contribuição à Alemanha, Bélgica, Reino Unido, Brasil, Angola?...

O subsídio de desemprego, claro, "continua demasiado longo e elevado”. Num país com 16% de desemprego e onde arranjar novo emprego pode demorar bastante tempo, o subsídio para o qual o trabalhador descontou dura demasiado tempo. Eu, por exemplo, teria direito a 9 meses de subsídio. Pessoas com mais de 40 anos têm direito a pelo menos 1 ano e depois dos 45 já se consegue pelos menos 2 anos até um máximo de 3 anos e tal. Mas para se conseguir 720 dias de subsídio de desemprego é preciso que a pessoa tenha trabalhado pelo menos 72 meses. São mais de 150.000 dias. Parece-me extremamente injusto. Decerto que são todos uns mandriões a chular o Estado.

Condições para a atribuição do subsídio de desemprego

Pronto, posso concordar neste ponto: "A progressividade dos salários do Estado deve passar a ser feita em função do desempenho e não da antiguidade, como forma de “atrair profissionais mais motivados e qualificados". Uma lapalissada. Escusávamos de ter que ouvir uma coisa tão óbvia, que já devia estar mais do que implementada. Mas atrair profissionais para onde, se caminhamos para a destruição da coisa pública? Vai sobrar o quê?!

Coisas que não vêm no documento que nos ensina a poupar: evitar injectar dinheiros públicos em bancos como o BPN ou o BANIF. Por exemplo. Mas é natural. Trata-se de prioridades. E entre a sobrevivência das pessoas e a dos bancos, a escolha tem sido sempre a que sabemos.

27 dezembro, 2012

Caros responsáveis pela divulgação de eventos junto dos jornalistas:


Nós, jornalistas, vemos bem. O facto de o nome do vosso cliente estar a LETRAS MAIÚSCULAS por todo o comunicado de imprensa não ajuda em nada. Chega até a irritar-me um bocadinho.

Nós recebemos carradas de comunicados por dia e, infelizmente, não temos tempo para abrir todos. Mas, por favor, não nos liguem de cada vez que enviam um comunicado, a perguntar se recebemos o comunicado. Sob pena de passarmos a evitar o vosso número de telefone, ou de pedirmos à colega que atendeu para dizer que não estamos na redacção. Nunca vamos estar para vocês. Façam-no apenas quando é mesmo importante e, de preferência, só a partir do dia seguinte. Dêem-nos tempo, que somos filhos da crise e temos de fazer o trabalho dos 2 ou 3 colegas que foram despedidos ou alocados a outros projectos.

O tempo é escasso. Por isso, os comunicados que nos enviam não devem ser enormes. Como reduzir palavras? Por exemplo, cortando nos inúmeros adjectivos com que adoram adornar o vosso representado. Já sabemos que a cantora é única, e que o espectáculo será inesquecível, inovador, e que nos fará viajar por um turbilhão de emoções com a sua voz cristalina, ímpar, que já encantou milhares de espectadores por todo o Portugal. A sério, já viram esta lengalenga ser publicada em algum meio de comunicação? What’s the point, carago?

Cara RFM: não gosto que me mandes comunicados com eventos que tu patrocinas e cujo título diz – em maiúsculas, claro! – “DIVULGAÇÃO IMEDIATA”. Isto é suposto ser o quê? Uma dica para que pare tudo o que estou a fazer e divulgue imediatamente o vosso evento, que promete “festas imperdíveis”, “a maior e mais exclusiva passagem de ano na invicta”, “deslumbrante palco” (…) ?!

E assim se passa uma manhã de trabalho.

17 dezembro, 2012

Os 3 estarolas

José Manuel Fernandes a adorar, no seu Facebook, um texto de Vasco Pulido Valente onde este defende, de forma básica e com argumentos de caca, uma xoné bafienta que debita clichés sobre empobrecimento, caridade e catolicismo. Poupam-me o trabalho de fazer um post individual a dizer que odeio estes três patetas.

05 dezembro, 2012

Um mal entendido

Gaspar: Portugal e Irlanda, países de programa, serão, de acordo com o princípio de igualdade de tratamento (...) beneficiados pelas condições abertas no quadro do mecanismo europeu de estabilidade financeira

Pedro Passos Coelho: Ó Gaspar, então posso ir à TVI dizer à Judite e ao Alberto que ser bom aluno compensa e que vamos ter as mesmas condições que a Grécia, apesar de estarmos a cumprir?

Gaspar: Tens a minha benção. E a do presidente do Eurogrupo. O Jean-Claude Juncker disse em frente às câmaras de televisão que as mesmas regras terão de ser aplicadas aos outros países inseridos no programa.

Merkel: Bonsch Diasch

Pedro Passos Coelho e Gaspar: Bom dia, nossa Chanceler

Merkel: Oqueéquesepaza aqui?

Gaspar: Bom, estava a tentar expl...

Merkel: O olheiras nicht, que eu não tenho tempo que chegue parra o ficar a ouvir. Sprechen tu, ó sem lábios

Pedro Passos Coeho: Se me dá licença, elegante Chanceler, estava a comentar com o nosso ministro das finanças que você tinha razão, compensa ser bom aluno apesar dos esforços, porque a Grécia falhou todos os compromissos e vai ter condições melhores, mas nós também. Nem sei como agradecer tamanha generosidade, obrigada Chanceler!

Merkel: Was? Qué dizes tu, inkompetent? As condições favorráveis são apenas para a Griechenland, porque não estão a pagar-me a usura. Portugal und Irland vão continuar com as mesmas condições severas, precisamente porque nunca falharram uma prrestaçaum. Dinheirro, querro o meu dinheirro! 
Hey, isso é um iPhone??????

Pedro Passos Coelho: Err, sim, estava em promoção...

Merkel: Cheios de dinheirro e ainda querem descontos. Idiot! Substituam-se todos os telefones por Siemens. Onde é que iamos? AH. Nicht condições favorráveis para vocês. Agora podem ir dizer isso aos journalisten.

Gaspar: Mas já todos dissemos em público que as medidas iam ser iguais para todos os países do programa, incluíndo o presidente do Eurogrupo...

Merkel: Nicht Mein Problem. Digam que perceberram mal, ou culpem os jornalista, que é o que toda a gente faz.

29 novembro, 2012

Se eu ganhasse um euro de cada vez que o jornalista da Time Out Luís Filipe Rodrigues desse 5 estrelas a um álbum da Cafetra, destacasse como evento da semana um concerto da Cafetra e escrevesse que as Pega Monstro são "incríveis", já podia andar aí a viver acima das minhas possibilidades como se não houvesse amanhã.

21 novembro, 2012

Notícia bombástica:

Papa reafirma virgindade de Maria e diz que o burro e a vaca não estavam no presépio


E agora? Será isto o princípio do fim do mundo? Será que as lojas ainda vão a tempo de fabricar presépios novos para este Natal, sem burro e vaca? Será que o Papa tem um negócio de presépios e tudo isto não passa de um esquema para escoar o seu stock, parado há anos por não ter animais fofos? Será que no século XXI ainda há quem acredite nesta fantochada?

As opiniões dividem-se.

15 novembro, 2012

Scumbag Cavaco

Em serviços mínimos há anos, aparece em dia de greve para dizer que "não deixou de trabalhar".