24 setembro, 2012

Adeus, Professor


No vocabulário do professor os jornalistas são "cervejeiros"; o pai de George W Bush é "Bush papá" e combater é "dar porrada"." Tudo isto fica na cabeça dos seus alunos. 

Eram mesmo assim as aulas do Professor Milan Rados no Curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto. Nascido em território bósnio, o conflito na Jugoslávia foi a matéria mais completa que demos nas aulas de História do Mundo Contemporâneo. Tenho pena de não ter estudado nada para o exame, porque foi provavelmente a minha cadeira preferida naquele ano.

Das aulas já pouco me lembro - da matéria idem. Sempre tive uma memória muito fraca. Mas a forma original e cativante como o professor contava a história, os termos que usava e a sua forma de falar nos "cervejerros" - era assim que se referia aos jornalistas - ficaram mesmo para sempre.

Há pouco tempo deliciei-me a relembrar aqueles tempos, na entrevista que o Expresso publicou sobre este bósnio radicado no Porto. Foi com muita tristeza que acabei de saber que o Professor morreu hoje. Pelo número de partilhas de ex-alunos no facebook e pelas palavras que lhe dedicam, fico contente por saber que marcou muitos mais.

Até sempre.

23 setembro, 2012

Estará a falar do governo?

Pertenço a um país onde há, neste momento, uma corrida louca por emprego, porque há cerca de 15% de desempregados que se sujeitam a condições cada vez mais baixas de trabalho por culpa da normal lei da oferta e da procura (e mesmo assim há muitos que não têm qualquer hipótese de ainda vir a arranjar um).

Pertenço a um país onde todos os dias trabalham milhares de estagiários licenciados sem ganhar um tostão.

Pertenço a uma geração que está a emigrar em peso em busca de melhores condições de trabalho, de vida.

Pertenço a um país que a OCDE classifica como aquele onde se trabalham mais horas na Europa.

Pertenço a um país onde a maioria, apesar de trabalhar acima da média, ganha bem abaixo da média europeia. Pertenço a um país onde o salário mínimo é de 485 euros. É quanto custa alugar um t1. O preço mínimo de um infantário é de 300€. Ir ao supermercado em Portugal custa tanto como ir ao supermercado em quase qualquer país europeu. Repito: pertenço a um país onde mais de meio milhão de portugueses ganha 485 euros brutos por mês, e aos quais este governo quis, recentemente, diminuir esse valor para uns excêntricos 397 euros mensais (tentando depois amenizar a medida face aos protestos).

Pertenço a um país que pensa que mais produtividade se resolve com mais horas de trabalho, ainda por cima por menos dinheiro. Pertenço a um país onde os patrões e os decisores podiam ter aproveitado muito dinheiro europeu para modernizações necessárias ao aumento da produtividade, mas que preferiram ser mais criativos com esses montantes.

Feito o retrato do meu país, eu gostava de saber a que país se refere o ministro Miguel Macedo quando hoje disse que "não podemos ser um país de muitas cigarras e poucas formigas". Recomendo-vos que ouçam aqui as palavras que a TSF gravou, para que depois não venham os chorosos falar em descontextualização e manipulação. Ouçam, que tem mais impacto.

Por fim, pertenço a um país governado pelo maior grupo de imbecis frios e ignorantes sobre a sua própria realidade de que há memória. Pertenço a um país onde os governantes ganham muito acima da média e têm todos os subsídios e mordomias imagináveis, independentemente dos resultados que obtêm com a sua governação, e que em pleno clima de contestação social e austeridade dura, nos vêm dar lições de moral chamando a maioria dos portugueses de cigarras preguiçosas.

A frase dele faria todo o sentido se em vez de falar em "muitas cigarras", tivesse falado em poucas cigarras, a minoria das cigarras poderosas que destrói a vida das muitas formigas. A minoria das cigarras que quis e quer "gastar mais e durante muito tempo do que aquilo que temos para gastar. E depois, por via disso, sermos todos obrigados a pagar uma factura que subiu muito além do que podia ser razoável".

No fundo, fico contente. É mais uma machadada na paciência dos portugueses. É mais um motivo que leva a população a chamar todos os políticos de gatunos e mentecaptos. É mais uma razão para nos questionarmos seriamente sobre que rumo dar à democracia, um sistema cada vez mais viciado e com mais defeitos, mas que temos de saber melhorar urgentemente enquanto não surge um melhor, que nos permita poder eleger gente capaz e honesta, ao invés de andarmos há anos a votar "no menos mau" e a levar com esta corja de idiotas.

Chega!

20 setembro, 2012

Vulgo "terapia de casal"

O nosso governo vai criar um "Conselho de Coordenação da Coligação". Que bonito.

Não se entendem quanto à questão do aumento de impostos e o que vão fazer? Esquecer a proposta? Apresentar alternativas?

Não. Alguém falou publicamente ao país sobre coisas que não estavam no guião que o PSD criou e a coligação reúne-se para fazer terapia de casal. Seria cómico se não fosse trágico.

Ponto positivo: isto poderá gerar emprego dentro da máquina partidária. Já se sabe que a crise toca a todos e uns trocados extra dão sempre jeito. Aguardo ansiosamente para saber quem integrará o CCC.

Até lá, amanhã planto-me em frente ao Palácio de Belém às 18h00, onde se discutem coisas menores para o país, tais como se a medida que rouba ainda mais os trabalhadores e contribui para afundar ainda mais este país governado por asnos vai para a frente ou não. Pormenores.


Mário (en)cres(pad)o

Há algumas semanas que Mário Crespo, o jornalista mais parcial da SIC Notícias, termina o Jornal das 9 com a frase "Passou mais um dia e a RTP custou mais um milhão de euros".

Na verdade, o que o apoquenta não é o gasto per se, mas sim o facto de parte desse dinheiro não ser gasto a sustentar a sua permanência nos Estados Unidos, no cargo de correspondente com o qual tem sonhos molhados todas as noites.

Ainda bem que a RTP não escolhe para correspondente um jornalista que se serve de outro canal - onde trabalha contrariado, pelos vistos - para fazer guerrinhas.

Tenta a Fox News, Mário. Não aguentamos mais ver-te nesse estado de 'crespação'.

14 setembro, 2012

Só não compro pipocas porque a vida está má

Estou a adorar assistir de camarote à percepção por parte do país inteiro de que este governo é uma miséria. Que o Passos Coelho está abaixo de zero.

Tenho pena que só o percebam agora - tinham-me poupado muito tempo em discussões - mas mais vale ano e meio depois do que só no final do mandato.

Espero que este lixo seja despejado já no próximo dia 15. O fedor é nauseabundo.


09 setembro, 2012

E tu, já denunciaste hoje?

Passos Coelho foi fazer um lindo post ao facebook, mas o mais interessante desta história nem sequer é ler os deliciosos comentários que as pessoas lá têm deixado. É mesmo aproveitar a ideia genial que alguém teve de denunciar a página do nosso P.M. ao facebook por... roubo.

É hora de exercer aquela coisa da cidadania activa!

07 setembro, 2012

E no cu, não vai nada?


Parece que o (assim, sem respeito) Passos Coelho vai continuar a governar como sabe e, às 19h15 – antes do jogo da selecção! – anuncia novas medidas de austeridade. O que é óptimo, tendo em conta que, desde que começaram a ser implementadas as primeiras medidas de austeridade, Portugal tem crescido a olhos vistos. Todos os dias há aqui mais riqueza, por isso nada mais lógico do que continuar a apostar numa estratégia vencedora. Percebe-se porque é que só conseguiu acabar o curso aos 37 anos.

Uma estratégia, aliás, que qualquer cão zarolho pode delinear. Por volta dos 12 anos de idade, qualquer um de nós já estaria preparado para ser um primeiro-ministro como Passos Coelho, fazendo contas básicas de “se preciso de dinheiro, aumento impostos. Se quero ganhar mais dinheirinho no IVA, aumento-o porque de certeza que as pessoas nem vão notar que empobreceram e vão continuar a consumir à bruta todos aqueles luxos, tipo comida".

Caro jotinha, se precisares de mais ideias para austeridade, eu tenho aqui muitas quentes e boas.Ora essa, adoro poder continuar a contribuir para a morte do meu país.

03 setembro, 2012

Jukebox

If you're travelling to the north country fair
Where the winds hit heavy on the borderline
Remember me to the one who lives there
For she once was a true love of mine.


31 agosto, 2012

Republicanos

Gotta love them: http://www.guardian.co.uk/film/2012/aug/31/clint-eastwood-chair-speech-romney

É sexta-feira, f0*@-$€

A competição entre supermercados está renhida, mas quem acha que muita concorrência só beneficia o consumidor não deve ver televisão nacional.

Os participantes no concurso sobre quem tem o anúncio televisivo mais irritante são vários, mas penso que é unânime escolher, desde já, os candidatos mais fortes: Pingo Doce e Continente.

Há que reconhecer o mérito precoce em termos de mau gosto do supermercado da SONAE. Capazes de me fazer pedir clemência, a 9 de Novembro de 2009, a todos os santos da publicidade. A razão de tanta raiva dava pelo nome de Popota.
E mal sonhava eu que, dois anos depois, ia ter de gramar com a Popota a cantar a Lambada. Como se em 2011 Portugal já não tivesse problemas suficientes para enfrentar.

Consciente do seu crescimento no mercado, a Jerónimo Martins decidiu também estrear-se na corrida pelo anúncio mais irritante e entrou a matar tímpanos por este Portugal fora. VENHA AO PINDO DOCE DE JANEIRO A JANEIRO, TUDO AQUI É BEM MELHOR, TUDO AQUI É MAIS FRESQUINHO "#$%&/()?=(&.
Quando tive de promover um produto no Pingo Doce durante todo um fim-de-semana ia tendo um AVC.

Nunca percebi esta mania dos supermercados passarem repetidamente o seu próprio jingle a quem já está dentro do supermercado a fazer compras. Têm medo que o cliente se lembre no corredor dos enlatados que afinal quer ir ao Lidl? Lavagem cerebral? Eu digo-vos o que era boa publicidade, amigos Belmiro de Azevedo e Francisco Manuel dos Santos. Pagar os impostos todinhos no vosso país, como fazem os vossos consumidores.

Analisado o percurso passado destes dois candidatos, eu apostaria num empate técnico.

Até que...



Vitória para o Continente.
Morte cerebral lenta e dolorosa para quem tem o azar de se 'cruzar' com este aborto publicitário. E eu que costumava gostar de sextas-feiras...



30 agosto, 2012

Mas seria sempre legítimo

A UEFA não seleccionou Vera Pereira para a vaga de melhor da Europa.

Iniesta, hem?

28 agosto, 2012

Justiça divina

Carteirista rouba representante da troika

Coisas boas que vêm com a idade

Parece que afinal isto de envelhecer tem um bónus, para atenuar a lista de coisas más com que o avançar da idade nos brinda. Uma delas é o total desprezo que passei a dar a comentários que me tentam diminuir por causa de determinado gosto que eu tenha.

Até porque - convenhamos - seu eu gosto é porque é mesmo tremendamente fixe. É uma batalha perdida.

27 agosto, 2012

Is this real life?


+




Um Adónis mais novo do que eu que tem este timbre, canta folk e ainda toca guitarra. Ainda por cima mora na Austrália, o paraíso na terra. Se este não é o homem perfeito, não sei quem poderá ser (depois do Eddie Vedder algures em 92). Onde é que me inscrevo para o casório?

Sim, calculo que a fila seja grande, mas aquela almofada com a letra S não deixa dúvidas. Ele está à minha espera.

24 agosto, 2012

Drama das 02h01

Estou a ouvir Bon Iver, tenho de acordar daqui a 6 horas para ir trabalhar, mas há algo que me apoquenta mais do que estas duas coisas juntas (já de si altamente deprimentes):

Para o ano vou-me fartar de ouvir a magnífica expressão moura "dois mil e treuze". E não há nada a fazer. Vai ser um ano inteiro disto. Já estou a ver a minha passagem de ano estragadinha:

-Então feliz doismiletreuze!
-...

Não vejo aqui nada para celebrar. Até porque para o ano planeio continuar a viver em Lisboa e a visitar Cascais com frequência (área da mouraria onde a concentração de pessoas que dizem dois mil e treuze é ameaçadora), ou seja, vou ouvir muito disto. Não só na rua, mas também nos telejornais - esses locais sem sotaque, mas onde se diz "encarnado" e "dois mil e treuze" sem qualquer problema, embora trocar v's por b's seja motivo de chacota.

Mas há boas notícias. Depois de 2013 posso descansar 4 anos.
A ameaça regressa em 2018. Dois mil e dezÓito, como se diz por cá. Mas uma chatice de cada vez. Até porque em 2018 a minha geração está toda em Angola e Moçambique. Como é que se pronunciará 2018 por lá?
O melhor é ir reflectir sobre este tema para a cama.

22 agosto, 2012

22/08/1967

Terias dado um belo quarentão, tenho a certeza...





21 agosto, 2012

Portugal adora bancos

Entre o Dia Internacional do Trabalhador e o Pingo Doce, os portugueses escolhem o Pingo Doce. Mas entre o Pingo Doce e as instituições financeiras, o amor ao supermercado desvaloriza logo em bolsa.

Portugal revolta-se

Somos brandos, sim, mas não abusem da paciência do tuga. Quando o assunto é sério, o pessoal ergue-se da cadeira e vai até ao facebook / blogue mais próximo mostrar o seu mais profundo descontentamento.

O assunto que promete dividir um país nos próximos dias é forte, e parece poder mudar a vida de algumas pessoas para sempre: o Pingo Doce vai deixar de aceitar pagamentos com cartão em compras inferiores a 20 euros.

É o fim do mundo.

Uma tragédia sem igual.

Muito pior do que suprimir feriados, leis laborais, atropelar a Constituição.

O que será das nossas crianças? E se eu só quiser comprar 10 euros de leguminosas, como faço? DEUS DO CÉU, O QUE VAI SER DAS NOSSAS VIDAS?

Mas que audácia. O Pingo Doce quer pagar menos comissões aos bancos? Ninguém pensa nos bancos, nos seus sentimentos, nas suas necessidades? Mas então "o homem mais rico de Portugal" está preocupado com umas míseras comissões? "Mas é tão rico"!

E agora, como sobreviver? Levantar dinheiro numa das 2923739202023 máquinas multibanco existentes em Portugal? Ir a OUTRO SUPERMERCADO?!? Comprar pão na padaria?


Tudo isto são hipóteses demasiado utópicas, não consigo encontrar uma solução que nos ajude a todos a enfrentar este problema. Sorte, é o que vos desejo a todos.

02 agosto, 2012

Só o Eddie para me levar ao Sudoeste

Vou, pois vou. Que remédio. O que é que uma pessoa não faz por amor? Fazemos sacrifícios do tamanho do mundo, tais como ir à porcaria do Sudoeste e pagar 50€ por um bilhete para ver o Eddie Vedder, rodeada de putos idiotas que, muito provavelmente, não vão saber respeitar quem está lá para vê-lo.

O ano passado dizia que Paredes de Coura tinha sido o melhor festival onde já tinha estado, e pedia pelas alminhas para que o João Carvalho reunisse um cartaz decente. Tal não aconteceu. Eddie Vedder em Coura é que era. E numa Aula Magna? Que maravilha. E na sala aqui de casa? Ui, isso nem se fala, que acústica incrível tem a minha sala (não tenho sala, mas poderia arranjar se o Eddie quisesse tocar aqui em casa).

Então até já Eddie (e até já praias alentejanas).

01 agosto, 2012

Produtividade levada ao extremo

Já dizia aquele cromo de Braga que é preciso bater punho se queremos melhorar de vida. Temos todos de ser empreendedores. Só está na merda quem quer.

Ora, que nunca mais ninguém venha dizer que os gestores são demasiado bem remunerados, ao nível dos mais bem pagos da Europa, ao mesmo tempo que grande parte da população ganha uma miséria. Se a população está na miséria é porque não acumula 73 empregos, com fazem alguns gestores, revela a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

De acordo com o estudo, "Os administradores executivos das empresas cotadas na bolsa de Lisboa em 2010 acumulavam, em média, o cargo com funções executivas em oito empresas de dentro ou de fora do grupo".

Mas isto é uma média, e os super gestores acabam por ficar prejudicados na média por culpa de uns quantos gestores preguiçosos que só gerem 3 ou 4 empresas. Meus amigos, há "dezenas de responsáveis que acumulavam lugares de administração (com ou sem funções executivas) em 30 ou mais empresas". Provavelmente trabalham 30 horas por dia e a população ainda se queixa por causa da meia horita diária a mais que o governo quer instituir.

O nosso medalha de ouro é um administrador que pertence ao órgão de administração de 73 empresas. Como é que não hão-de existir 15% de desempregados neste país se um só homem carrega às costas o peso de ter de fazer lobbying e demais pressões em nome de 73 empresas?

As remunerações médias atribuídas aos executivos (449,3 mil euros, contra 513 mil em 2009). Vinte e um receberam mais de um milhão de euros, “tendo o valor máximo sido de 1,42 milhões de euros”.
É preciso reflectir sobre este flagelo. Imaginemos que o gestor que ganhou 1,42 milhões de euros é aquele que tem sob a sua alçada 73 empresas. Dividindo a remuneração por empresa, é fácil concluir que este super gestor anda a ser explorado: cada empresa paga-lhe 19500€ anuais. Dividindo por 14 meses, são 1400€ por mês. Mas onde é que vamos parar se um gestor só ganha 1400€ mensais? Mas que país de 5º mundo é este, onde um gestor quase passa fome?!?

E que nunca mais nenhuma mulher abuse do argumento de que os homens não têm capacidade de "multitasking". Dos 440 cargos existentes nas sociedades cotadas, 414 eram ocupados por homens. Apenas 6% são mulheres, e aposto que são as que gerem menos empresas, as malandronas.

Pudera, nem sequer sabem gerir o seu tempo, quanto mais gerir uma empresa, estas mulheres calonas que perdem tempo no Facebook em vez de irem fazer a sopa como lhes compete por natureza.