31 julho, 2011

Adeus tristeza, até depois

Qual é o melhor dia para mudar, sem sofrer nenhum desgosto?
É o 31 de Julho, porque a seguir mudo de posto
^^

Como o título indica, este é um post feliz. Aliás, não é à toa que recorro a uma música de Quim Barreiros. Estou feliz. Mesmo que esteja a transportar um quarto inteiro; mesmo que ainda não saiba bem para onde vou morar  seguir.

Estou feliz porque hoje digo um adeus definitivo a um pesadelo chamado Residência Universitária FMH1. Um pesadelo que durou 20 meses. Feito de barulho, de comida roubada, de desrespeito constante pelos outros, de baratas, de total falta de privacidade, de muitos nervos, de um sentimento diário de medo ao chegar a casa, por não saber qual o nível de barulho naquele dia, ou se iria haver alguma festa. Feito de impunidade para quem não deixa os outros estudar e descansar. Como se já não fosse desgastante o suficiente trabalhar 8 horas por dia e fazer um mestrado (entre outras coisas).

Apesar de ainda ser aluna da Universidade Técnica de Lisboa, ontem fui dizer aos Serviços de Acção Social que não aguentaria viver mais assim, e que por isso prescindia do meu lugar. Uma das poucas pessoas aqui que tem as contas em dia, que paga a tempo e horas, que respeita os outros e que deixa as coisas limpas, é aquela que tem de sair. E a vida é assim. Pelo menos a Universidade deixa que sejamos formados a pensar assim, ao não fazer nada por nós.

Qual é o melhor dia para sair daqui sem sofrer nenhum desgosto? É hoje. Finalmente hoje tenho condições para sair daqui. Espero que o próximo quarto que me calhar, sabe-se lá onde, entre "a gosto".

28 julho, 2011

Medidas para além das medidas que vão para além da Troika

Pedro Passos Coelho disse desde o início do seu mandato que achava que era necessário ir além das medidas impostas pela Troika, para acalmar os mercados.
Os mercados não se acalmaram, estão nervosos, os pobres mercados. A Moody's leu as medidas extra e atirou-nos para o lixo.

Pois eu digo: é preciso ir para além das medidas que já iam para além da Troika. Não podemos permitir que digam que é lixo um país onde os idosos ficam 10 horas numa maca no corredor da urgência; onde uma pessoa espera anos na Justiça por uma decisão; onde gente importante que comete crimes de corrupção sai impune; onde o ordenado mínimo é de 475€ e achar um t1 em Lisboa para arrendar por esse preço é fantástico; onde os recém-licenciados têm de emigrar para serem valorizados; onde promover estágios não remunerados é prática comum; onde se aumentam os encargos aos pobres e remediados para sustentar uma crise que não geraram, ao mesmo tempo que se vê que os lucros dos bancos e dos portugueses mais ricos aumentam à grande.

Enfim, já estava a divagar. Após um estudo exaustivo, proponho algumas medidas para tirar o país do buraco e acalmar mercados e demais merceeiros:

  • Esquecer a proposta de diminuir para 10 dias o tempo de direito a indemnização por despedimento, e substituí-lo por uma indemnização paga pelo trabalhador despedido ao seu patrão. Se foi despedido é porque mereceu. Logo, deve compensar o pobre patrão pelo transtorno.
  • Criar um imposto extra para quem circula por cima de alcatrão. É estúpido estarmos ainda a contestar o fim das SCUT, que penaliza sobretudo regiões deprimidas, e que ainda por cima é um negócio ruinoso para todos menos para as concessionárias. Não. É necessário taxar quem circula sobre alcatrão, seja de carro, de bicicleta ou a pé. Há caminhos alternativos, por isso quem quiser que dê a volta pelas ruas em pedra ou em terra. Isto pode ser importante para dinamizar o interior, onde os caminhos são maioritariamente em terra. Vai ser a debandada geral para o Alentejo. Com esta medida conseguiremos receitas extraordinárias e ainda povoamos o interior. Porra, sou genial. Nem sei como ainda ganho o que ganho a falsos recibos verdes.
  • Criar um imposto extra para os turistas. Quem quiser cá entrar, deveria ter de pagar uma taxa extra de 50% sobre o valor total da viagem + alojamento. E fazer contas é fácil, basta usar o método que o governo usou para calcular as receitas do fim das SCUT: partindo do princípio que 100 0000 turistas vêm a Portugal num ano e que cada um gasta aqui 1000 euros, vejam só quanto dinheiro vamos buscar a estes camafeus. Obviamente que eles continuarão a escolher Portugal como destino turístico depois desta taxa, tal como os automobilistas continuarão a usar as ex-SCUT à grande como usavam antes. Eu sei, eu sei, parece fácil, mas isto tem que se lhe diga. Foram horas de investigação.
  • Acabar com programas idiotas de incentivo ao arrendamento jovem, como o Porta 65 ou, pior ainda, bonificações de empréstimos. É verdade que isso contribuiria para que os jovens ficassem em casa dos pais, não até aos 30, mas mais uma década ou duas. Para ajudar os pais a livrarem-se destes mammoni mais cedo, proponho que criemos campos ao género dos refugiados, mas dando-lhes outro nome, tipo "Quinta do Aldeamento". Fica mais barato porque é só montar umas tendas e criar sanitários públicos, e permite poupar em rendas, pois o preço cobrado seria simbólico. Assim por alto, 150€ à cabeça, por exemplo. Quem quiser ter electricidade paga mais 50€. 
Com esta possibilidade, podemos ainda baixar o salário mínimo, pois alguém que só paga 200€ de alojamento não precisa de mais 275€ para viver. Um salário de 335€ dá para viver e sobra, estando previstos mais abaixamentos progressivos, de modo disputar a competitividade com os países de 3º mundo.
  • Acabar com o fim-de-semana. Mas que porra é essa dos "dias de descanso"? O descanso vem todos os dias após a jornada laboral. Esta deverá ainda ser aumentada, de 8h para 12horas máximas diárias. Com menos 4h por dia para laurear a pevide, o trabalhador tem menos tempo para gastar dinheiro em compras, e tem também menos tempo para comer, aumentando assim as suas poupanças. Não é por acaso que a China está onde está. Ponham os olhos naquele povo impressionante. É com ele que devemos competir, pela via do custo.
  • Diminuir os anos de escolaridade obrigatória e a idade mínima para trabalhar. Todos sabemos que um jovem aos 12 anos já diz orgulhosamente que não é uma criança. Então chega de catalogar os jovens que trabalham com essa idade como "trabalho infantil". Esta mão-de-obra é útil a um país cada vez mais envelhecido e com mais reformados para sustentar. Além disso, um jovem para trabalhar num call-center ou numa caixa de supermercado não necessita de 12 anos de escolaridade, muito menos de licenciaturas. Com esta medida, acabaremos também com o problema da falta de empregos qualificados para licenciados. Se não houver licenciados, deixa de haver tanta reivindicação e manifestação, havendo mais tempo para trabalhar e produzir. E isso é que é importante, basta olhar para a China.
    •  Acabar com a publicidade. A publicidade apela ao consumismo, e é o consumismo que nos leva a não ter poupanças para pôr nos bancos, ajudando-os neste momento difícil que atravessam. Para além de ajudarmos os bancos e aumentarmos as exportações, pois se não consumimos temos mais coisas para exportar, ainda acabávamos com essa classe de inúteis que são os jornalistas. Sem dinheirinho da publicidade a sustentar-vos, acabava-se a boa vida. 
    O fim da classe jornalística daria mais à-vontade aos governos para implementarem as suas ideias sem temerem essa treta do escrutínio. Além disso, essa classe que nada produz pode ser aproveitada para fábricas de sapatos e de cortiça. Aumentaremos as exportações. Meu deus, esta é provavelmente a melhor medida alguma vez proposta neste país! Espero que alguém influente chegue a este blogue e me dê o reconhecimento que mereço pela minha genialidade.


    Sei que podemos implementar muitas mais medidas para além daquelas que proponho. Basta de brincar às austeridades. Como vêem, os mercados não caem nessas esparrelas de impostos sobre o subsídio de Natal, indemnizações de despedimentos de 10 dias e privatizações ao desbarato de sectores estratégicos que até dão lucro. É preciso mais, caros conterrâneos. Se querem que este país vá para a frente, há que fazer pequenos sacrifícios! Além de que faríamos de Angela Merkel uma mulher feliz. Já era tempo.

    24 julho, 2011

    Amy Winehouse

    Ou mais uma vida que se perde aos 27 anos. Porque o talento, esse, foi-se perdendo um pouco antes...

    16 julho, 2011

    Ode ao regresso à adolescência

    Estou com uma paixoneta musical pelos Fleet Foxes no geral e por Robin Pecknold em particular. O homem que escreve as letras dos Fleet Foxes e o dono daquela voz [inserir adjectivos bonitos]. Já não passava por estas infantilidades desde que era, lá está, infantil. Desde que tinha 12 anos e descobri que existia no mundo uma banda chamada Pearl Jam (mas que raio se passa comigo e com bandas de Seattle?).

    Nessa altura andava com a voz do Eddie Vedder constantemente na minha cabeça. As músicas que conhecia eram repetidas até à exaustão. Quando tive acesso à net comecei a ir ao WinMX sacar comprar tudo o que contivesse as palavrinhas "Pearl Jam" e "Eddie Vedder". Agora basta-me ir ao google, e sim, também já o fiz (e descobri um EP muito fofo do Pecknold).

    Se já andava viciada antes do concerto do dia 6 de Julho no Optimus Alive, agora estou mesmo vidrada. O que ouvimos num álbum de estúdio pode facilmente ser fantástico com recurso a computadores e coisas várias. Claro que também já tinha ido ao youtube ver se aquelas harmonias vocais à capella tinham truque ou se eram mesmo fruto de talento. As notícias foram boas. Mas ver aquilo ao vivo arrebatou-me por completo. É tão bom ter ídolos que não se sentem como tal. 6 gajos que parecem uns hippies alienados no mundo citadino, que cantam sobre maçãs, oceanos e montanhas, com uma simplicidade que me faz querer largar tudo e ser como o protagonista do Into The Wild (sem a parte final, e já agora acompanhada pelo Robin).

    Voltei a ter aquele sabor agridoce: ouvir repetidamente músicas que me dão tanto prazer, sempre com o medo de me poder cansar delas. Faço diariamente um esforço para ouvir outras coisas - e o último de Deerhunter, que está tão giro? - mas sempre com aquela vontade de ir ouvir mais uma vez a The Shrines. Ou de ser eu a menina com Sim Sala Bim.

    Só peço um favor à restante comunidade: que não haja muitas mais como eu. Porque demasiada histeria pode toldar a criatividade daqueles 6 gajos tão simples. Gostava que eles não se deixassem afectar por este ambiente. Porque eles vão ser (são?) grandes, com tudo o que isso acarreta.


    (artigo de Tiago Pereira no Jornal i: http://www.ionline.pt/mobile/135299-fleet-foxes-todos-os-querem )


    Já não vou escrever Fleet Foxes nas mesas da escola, nem vou fazer uma tatuagem com símbolos bucólicos. O amor a uma banda é diferente com o passar da idade. É importante, sim, que ele ainda exista. Duvidei.
    É também por causa dessa descoberta que me sinto mais encantada.

    14 julho, 2011

    Pedro Passos Cobarde


    Pedro Passos Coelho assumiu por inteiro a responsabilidade de isentar todos os rendimentos de capital do novo imposto extraordinário - notícia avançada esta manhã pelo DN.

    Face aos estudos que lhe foram apresentados pelas Finanças não hesitou em tomar assim a decisão, em consonância com o ministro das Finanças, garantiram esta manhã duas fontes do governo ao DN, contrariando uma informação adiantada ontem por outras fontes que davam como certo que o chefe de Governo tinha tentado que as mais-valias e juros de aplicações financeiras fossem englobados na medida.

    Entre os mais próximos do chefe de Governo, garante-se que a decisão teve como base "apenas" a "estabilidade do sector financeiro e a sua capacidade de cedência de crédito à economia", que Passos sabe estar já em situação difícil e que não quer arriscar fragilizar mais. A questão da inconstitucionalidade, embora tenha sido levantada, não terá pesado na decisão.

    Há mesmo no Governo quem mostre preocupação com uma mensagem: não só há total consenso entre Passos e Vitor Gaspar nesta polémica decisão, como Passos não hesitará em dar a cara por ela.


    Traduzindo: o nosso novo primeiro-ministro de merda não tem tomates para tributar quem tem mais dinheiro e quem daria mais dinheiro. Nunca ninguém tem. Foi assim que chegamos até aqui.

    Vale tudo pela “estabilidade financeira”. Que se lixe a instabilidade das famílias. Façamos sacrifícios para não “fragilizar ainda mais a situação bancária”. Estabilidade? Vivemos os dois no mesmo mundo? Que estabilidade?!

    Continuemos a não fazer nada que esta situação de vassalagem ao sistema financeiro se perpetue. Continuemos porque este é o caminho. O caminho para que crises do género da que vivemos continuem a acontecer ciclicamente. Até ao dia em que já não vamos ter mesmo dinheiro para continuar a sustentar pançudos.

    09 julho, 2011

    In that dream

    Aos primeiros acordes, e sem eu estar minimamente à espera, um arrepio percorre-me o corpo e os meus olhos ficam ligeiramente molhados.

    É assim que sabemos que estamos a viver um momento especial. Vivi-o ontem, ao ver Fleet Foxes a 5 metros de mim. Ao ouvir as harmonias das vozes, ao ver a simplicidade daqueles 6 gajos de Seattle que fazem o seu próprio soundcheck e que ficam admirados com tanta ovação do público.

    Momentos destes podem ser irrepetíveis. Também é isso que os torna inesquecíveis.
    As únicas bandas que me levaram à choraminguice foram (são) os Pearl Jam, e o primeiro concerto de Alice in Chains em 2006. Estas são as duas minhas bandas preferidas.
    As lágrimas de ontem hão-de querer dizer alguma coisa.

    08 julho, 2011

    Afonso's and Poor's

    Podemos ser uns pelintras, mas temos sentido de humor. Nisso ninguém nos pode classificar como lixo.