Com tantos swaps, com tantas remodelações, com tantos dados de recuperação, desemprego e taxas de juros, Agosto está parco em silly season. Os tempos que se vivem não deixam descansar a cabeça com as habituais peças jornalísticas sobre o calor, a praia, e o calor, a praia, ou animais que falam.
Até que hoje o Correio da Manhã perdeu a cabeça e desceu tão baixo que, certamente, irá manter a sua posição de jornal mais lido deste país.
Era uma vez um grupo de Facebook "reservado" a jornalistas. Debatem-se casos de bom e mau jornalismo, comenta-se, sobretudo, quem é o culpado da crise dos media e de como os jornalistas sem carteira profissional são como uma praga que rouba o lugar a jornalistas com carteira que estão no desemprego. Ou seja, é um grupo com mais de 5000 membros que tinha tudo para dar certo, mas perde-se em "picuinhices".
Na segunda-feira, Fernanda Câncio colocou uma foto de Judite de Sousa em biquini para criticar uma tabuleta de uma concessionária que se via ao fundo. 640 comentários depois, já tudo tinha sido debatido, desde as peles de Judite, à sua fraca noção de separação entre jornalismo, protagonismo e publicidade.
Hoje, quem passar por uma banca de jornais e olhar para a capa (a capa!) do Correio da Manhã pode ver a chamada: "'Ex' de José Sócrates contra Judite de Sousa". Mais: diz o jornal que este é um "Exclusivo" do Correio da Manhã. Um post num grupo com 5000 jornalistas chegou a capa de jornal e ainda se declara um exclusivo, coisa que, no termo jornalístico da coisa, é ridículo. Resta ao Correio da Manhã a garantia de que é um exclusivo porque nenhum jornalista com cérebro iria sequer considerar pegar nisto.
A "jornalista" Sofia Martins Santos pegou. Houve um editor no Correio da Manhã que achou que sim senhora, que aquilo era matéria para capa. Sobretudo se reduzir o nome da jornalista Fernanda Câncio a 'Ex' de Sócrates.
Sofia Martins Santos, o Google não é amigo de jornalistas que fazem merda. E os males do voyeurismo chegam a todos.
Podia terminar o post a dizer "que te sirva de lição". Mas, do que conheço do Correio da Manhã, a continuar com esta baixeza é muito provável que a Sofia Martins Santos chegue a editora. Tudo depende do quão baixo estiver disposta a descer.
Um deserto de ideias, mantido por um cérebro composto apenas por alguns grãos de areia.
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14 agosto, 2013
01 março, 2013
Causas de um Portugal em crise
Dois homens conhecidos pelas análises que fazem à crise, duas visões antagónicas, duas cabeças com capacidades cognitivas muito diferentes.
Camilo Lourenço, o comentador omnipresente, defende, entre outras pérolas, que os licenciados em história e os professores não servem para nada se não podem ser aproveitados para a economia. "Que avisa que "se houver eleições, emigro", Que defende que a Troika devia continuar em Portugal e incentiva Merkel: "Dá-lhes Angela, dá-lhes. Com força!!!". Que defende que os zés ninguéns desta vida, como eu, andaram a "viver acima das suas possibilidades" e que naturalmente merecem tudo o que está a acontecer.
Do outro lado temos Pedro Santos Guerreiro, director do Jornal de Negócios, capaz de análises aprofundadas e que acaba de partilhar a visão de um professor de História da Universidade de Columbia, mostrando que a história é do mais importante que podemos ter na sociedade.
"Those preaching austerity probably do not see themselves as contributing to a crisis of democracy, but they are. The Italian elections should remind Eurozone leaders to pay attention to their voters. Economic fixes have failed to staunch a political crisis that has the capacity to harm not only EU integration, but the legitimacy of the continent’s democratic order itself."
Mark Mazower, in Financial Times,1 de Março de 2013.
Ora... Pedro Santos Guerreiro tem 4727 seguidores no Facebook. Camilo Lourenço tem 58 886 e um livro no top dos mais vendidos em Portugal.
Sinceramente: não havemos de estar na merda enquanto país?!
Camilo Lourenço, o comentador omnipresente, defende, entre outras pérolas, que os licenciados em história e os professores não servem para nada se não podem ser aproveitados para a economia. "Que avisa que "se houver eleições, emigro", Que defende que a Troika devia continuar em Portugal e incentiva Merkel: "Dá-lhes Angela, dá-lhes. Com força!!!". Que defende que os zés ninguéns desta vida, como eu, andaram a "viver acima das suas possibilidades" e que naturalmente merecem tudo o que está a acontecer.
Do outro lado temos Pedro Santos Guerreiro, director do Jornal de Negócios, capaz de análises aprofundadas e que acaba de partilhar a visão de um professor de História da Universidade de Columbia, mostrando que a história é do mais importante que podemos ter na sociedade.
"Those preaching austerity probably do not see themselves as contributing to a crisis of democracy, but they are. The Italian elections should remind Eurozone leaders to pay attention to their voters. Economic fixes have failed to staunch a political crisis that has the capacity to harm not only EU integration, but the legitimacy of the continent’s democratic order itself."
Mark Mazower, in Financial Times,1 de Março de 2013.
Ora... Pedro Santos Guerreiro tem 4727 seguidores no Facebook. Camilo Lourenço tem 58 886 e um livro no top dos mais vendidos em Portugal.
Sinceramente: não havemos de estar na merda enquanto país?!
27 dezembro, 2012
Caros responsáveis pela divulgação de eventos junto dos jornalistas:
Nós, jornalistas, vemos bem. O facto de o nome do vosso cliente estar a LETRAS MAIÚSCULAS por todo o comunicado de imprensa não ajuda em nada. Chega até a irritar-me um bocadinho.
Nós recebemos carradas
de comunicados por dia e, infelizmente, não temos tempo para abrir todos. Mas,
por favor, não nos liguem de cada vez que enviam um comunicado, a perguntar se
recebemos o comunicado. Sob pena de passarmos a evitar o vosso número de
telefone, ou de pedirmos à colega que atendeu para dizer que não estamos na
redacção. Nunca vamos estar para vocês. Façam-no apenas quando é mesmo
importante e, de preferência, só a partir do dia seguinte. Dêem-nos tempo, que
somos filhos da crise e temos de fazer o trabalho dos 2 ou 3 colegas que foram
despedidos ou alocados a outros projectos.
O tempo é escasso. Por isso, os comunicados que nos enviam não
devem ser enormes. Como reduzir palavras? Por exemplo, cortando nos inúmeros adjectivos com
que adoram adornar o vosso representado. Já sabemos que a cantora é única, e
que o espectáculo será inesquecível, inovador, e que nos fará viajar por um
turbilhão de emoções com a sua voz cristalina, ímpar, que já encantou milhares
de espectadores por todo o Portugal. A sério, já viram esta lengalenga ser
publicada em algum meio de comunicação? What’s the point, carago?
Cara RFM: não gosto que me mandes comunicados com eventos
que tu patrocinas e cujo título diz – em maiúsculas, claro! – “DIVULGAÇÃO IMEDIATA”.
Isto é suposto ser o quê? Uma dica para que pare tudo o que estou a fazer e
divulgue imediatamente o vosso evento, que promete “festas imperdíveis”, “a
maior e mais exclusiva passagem de ano na invicta”, “deslumbrante palco” (…) ?!
E assim se passa uma manhã de trabalho.
29 novembro, 2012
Se eu ganhasse um euro de cada vez que o jornalista da Time Out Luís Filipe Rodrigues desse 5 estrelas a um álbum da Cafetra, destacasse como evento da semana um concerto da Cafetra e escrevesse que as Pega Monstro são "incríveis", já podia andar aí a viver acima das minhas possibilidades como se não houvesse amanhã.
12 novembro, 2012
02 novembro, 2012
Crónicas de uma morte jornalística anunciada
O jornalismo está em crise por muitas razões, e é essa mesma crise que explica a existência de lixo como aquele que me preparo para mostrar. Explica, mas não justifica. E, na minha opinião, se a curto prazo permite umas quantas pageviews - boas para anunciante ver - a médio prazo só nos leva a nós todos, jornalistas, ainda mais ao fundo.
Andou a circular hoje nas redes sociais um jogo chamado "Gaspaf", que permitia dar umas estaladas no nosso ministro das Finanças. Como não ficar fã de um joguinho que permite esbofetear Vítor Gaspar, ainda que ciberneticamente? Tive a sorte de saber quem o tinha criado e acedi ao jogo ainda de manhã.
No entanto, a esta hora, o jogo foi mandado abaixo (lamento por vocês que nunca puderam dar uma bofetada ao Gaspar, mas posso dizer que dei as suficientes por várias pessoas). E foi mandado abaixo porque o Jornal i achou que um joguinho era motivo de notícia, gerando uma mediatização que o seu criador não desejava.
Este tipo de inutilidades virais são motivo de notícia? Em que escola andou o estagiário que provavelmente a fez? O que entende por jornalismo o editor que permitiu que isto fosse publicado? O que dá a entender é que, no jornalismo online, a ditadura do tempo e da pageview não quer saber do jornalismo para nada. As notícias são colocadas à pressa, o contraditório tenta-se buscar mais tarde, a verificação da história fica para uma futura notícia se for preciso. E um dia acordamos, o jornalismo está na sarjeta e continuamos a empurrá-lo para baixo.
Pelo menos o Público, quando precisa de corrigir uma notícia, coloca em baixo uma nota: "notícia corrigida às x horas com x actualização / correcção". Dentro do inevitável, haja alguma decência.
Mas o Jornal i, em vez de se preocupar tanto em ganhar prémios pelo embrulho, podia esforçar-se mais pelo conteúdo. Percebendo que a primeira notícia não o era, achou que se inventasse um título mais dramático conseguia salvar o dia. "Jogo incita a violência conta Vítor Gaspar", escreveu o parvo de serviço, que nem na ortografia acertou. Na notícia actual não está, obviamente, nenhuma referência a qualquer edição, apenas na data se pode ver que foi actualizada, mas isso é um autêntico nada.
Claro que para dizer que o autor "incita a violência", o jornal teve de apagar os dois últimos parágrafos da notícia original, um dos quais, e cito, "Para dar estalos ao ministro das Finanças clique aqui", com direito a link para a aplicação e tudo. Bonita, a auto-referência ao incitamento à violência.
O criador do jogo apanhou a edição, colocou a foto na página de facebook do jornal e, em vez de uma resposta à sua pergunta, só teve direito a ver o seu comentário censurado.
Um jornal que se comporta desta forma faz-me duvidar de todo o conteúdo do site. Faz-me desconfiar de toda a sua conduta. Sei que o i atravessa dificuldades, como todos os outros, e já se viu forçado a reformular o negócio e a fazer despedimentos.
A minha única dúvida é se acham que é assim que vão conquistar alguma coisa que não seja, um dia, um jogo igual ao do Gaspar, mas onde podemos todos esbofetear o i com um clique no rato.
Andou a circular hoje nas redes sociais um jogo chamado "Gaspaf", que permitia dar umas estaladas no nosso ministro das Finanças. Como não ficar fã de um joguinho que permite esbofetear Vítor Gaspar, ainda que ciberneticamente? Tive a sorte de saber quem o tinha criado e acedi ao jogo ainda de manhã.
No entanto, a esta hora, o jogo foi mandado abaixo (lamento por vocês que nunca puderam dar uma bofetada ao Gaspar, mas posso dizer que dei as suficientes por várias pessoas). E foi mandado abaixo porque o Jornal i achou que um joguinho era motivo de notícia, gerando uma mediatização que o seu criador não desejava.
Este tipo de inutilidades virais são motivo de notícia? Em que escola andou o estagiário que provavelmente a fez? O que entende por jornalismo o editor que permitiu que isto fosse publicado? O que dá a entender é que, no jornalismo online, a ditadura do tempo e da pageview não quer saber do jornalismo para nada. As notícias são colocadas à pressa, o contraditório tenta-se buscar mais tarde, a verificação da história fica para uma futura notícia se for preciso. E um dia acordamos, o jornalismo está na sarjeta e continuamos a empurrá-lo para baixo.
Pelo menos o Público, quando precisa de corrigir uma notícia, coloca em baixo uma nota: "notícia corrigida às x horas com x actualização / correcção". Dentro do inevitável, haja alguma decência.
Mas o Jornal i, em vez de se preocupar tanto em ganhar prémios pelo embrulho, podia esforçar-se mais pelo conteúdo. Percebendo que a primeira notícia não o era, achou que se inventasse um título mais dramático conseguia salvar o dia. "Jogo incita a violência conta Vítor Gaspar", escreveu o parvo de serviço, que nem na ortografia acertou. Na notícia actual não está, obviamente, nenhuma referência a qualquer edição, apenas na data se pode ver que foi actualizada, mas isso é um autêntico nada.
Claro que para dizer que o autor "incita a violência", o jornal teve de apagar os dois últimos parágrafos da notícia original, um dos quais, e cito, "Para dar estalos ao ministro das Finanças clique aqui", com direito a link para a aplicação e tudo. Bonita, a auto-referência ao incitamento à violência.
O criador do jogo apanhou a edição, colocou a foto na página de facebook do jornal e, em vez de uma resposta à sua pergunta, só teve direito a ver o seu comentário censurado.
Um jornal que se comporta desta forma faz-me duvidar de todo o conteúdo do site. Faz-me desconfiar de toda a sua conduta. Sei que o i atravessa dificuldades, como todos os outros, e já se viu forçado a reformular o negócio e a fazer despedimentos.
A minha única dúvida é se acham que é assim que vão conquistar alguma coisa que não seja, um dia, um jogo igual ao do Gaspar, mas onde podemos todos esbofetear o i com um clique no rato.
20 setembro, 2012
Mário (en)cres(pad)o
Há algumas semanas que Mário Crespo, o jornalista mais parcial da SIC Notícias, termina o Jornal das 9 com a frase "Passou mais um dia e a RTP custou mais um milhão de euros".
Na verdade, o que o apoquenta não é o gasto per se, mas sim o facto de parte desse dinheiro não ser gasto a sustentar a sua permanência nos Estados Unidos, no cargo de correspondente com o qual tem sonhos molhados todas as noites.
Ainda bem que a RTP não escolhe para correspondente um jornalista que se serve de outro canal - onde trabalha contrariado, pelos vistos - para fazer guerrinhas.
Tenta a Fox News, Mário. Não aguentamos mais ver-te nesse estado de 'crespação'.
Na verdade, o que o apoquenta não é o gasto per se, mas sim o facto de parte desse dinheiro não ser gasto a sustentar a sua permanência nos Estados Unidos, no cargo de correspondente com o qual tem sonhos molhados todas as noites.
Ainda bem que a RTP não escolhe para correspondente um jornalista que se serve de outro canal - onde trabalha contrariado, pelos vistos - para fazer guerrinhas.
Tenta a Fox News, Mário. Não aguentamos mais ver-te nesse estado de 'crespação'.
18 junho, 2012
O admirável mundo da estupidez
Depois do sucesso do Polvo Paul, que se fartou de adivinhar resultados do Mundial de Futebol de 2010, no Euro 2012 temos um verdadeiro jardim zoológico de profetas. O professor Karamba já abriu falência e o Fofana está perto de um esgotamento. É que a concorrência pela estupidez está fortíssima, e a imprensa até agora vai em primeiro.
Depois dos mais variados bichos terem sido notícia pelas suas "previsões" (até no Porto tivemos um Polvo Paulo, "primo do Polvo Paul", que previu a derrota de Portugal frente à Dinamarca e, portanto, teve de se retirar do negócio), este fim-de-semana a RTP fez uma reportagem em Moçambique. Estamos a falar de um país que fica a mais de 10 mil quilómetros da Europa, e que portanto deve estar a viver com muita emoção o Euro 2012. Mas a RTP achou pertinente adicionar mais um animal ao circo, e brindou-nos com serviço público de qualidade. Parece que há por lá um crocodilo que prevê resultados.
Então, diz-nos o jornalista que o Quinas, de 70 anos de idade, se virou agora para as adivinhações. É mais um exemplo de que a idade da reforma deve ser adiada para, sei lá, os 100 anos. Meus amigos, há quem aos 70 anos descubra vocações e mereça uma reportagem no canal público. Mesmo que se trate de um animal irracional que vive no lodo, não faz ideia do que é Portugal, e o único interesse que poderia ter nos jogadores da selecção seria na forma de refeição.
Também eu queria publicidade grátis e ontem, antes do jogo com a Holanda, tentei fazer o mesmo, mas com um bebé. É que estamos a ficar quase sem animais disponíveis e com um bebé ainda não saíram notícias. Pus 3 taças de salgados em frente à criança de 18 meses e, entre os amendoins e os pistácios, a miúda lixou-me o esquema e escolheu a taça das cascas, que era o empate. O estúpido do Ronaldo decidiu fazer finalmente um bom jogo e marcou 2 golos à Holanda. Estava a pensar lançar a minha carreira jornalística naquele momento, e o CR7 estragou tudo. Aposto que o Messi não me fazia uma destas.
Depois dos mais variados bichos terem sido notícia pelas suas "previsões" (até no Porto tivemos um Polvo Paulo, "primo do Polvo Paul", que previu a derrota de Portugal frente à Dinamarca e, portanto, teve de se retirar do negócio), este fim-de-semana a RTP fez uma reportagem em Moçambique. Estamos a falar de um país que fica a mais de 10 mil quilómetros da Europa, e que portanto deve estar a viver com muita emoção o Euro 2012. Mas a RTP achou pertinente adicionar mais um animal ao circo, e brindou-nos com serviço público de qualidade. Parece que há por lá um crocodilo que prevê resultados.
Então, diz-nos o jornalista que o Quinas, de 70 anos de idade, se virou agora para as adivinhações. É mais um exemplo de que a idade da reforma deve ser adiada para, sei lá, os 100 anos. Meus amigos, há quem aos 70 anos descubra vocações e mereça uma reportagem no canal público. Mesmo que se trate de um animal irracional que vive no lodo, não faz ideia do que é Portugal, e o único interesse que poderia ter nos jogadores da selecção seria na forma de refeição.
Também eu queria publicidade grátis e ontem, antes do jogo com a Holanda, tentei fazer o mesmo, mas com um bebé. É que estamos a ficar quase sem animais disponíveis e com um bebé ainda não saíram notícias. Pus 3 taças de salgados em frente à criança de 18 meses e, entre os amendoins e os pistácios, a miúda lixou-me o esquema e escolheu a taça das cascas, que era o empate. O estúpido do Ronaldo decidiu fazer finalmente um bom jogo e marcou 2 golos à Holanda. Estava a pensar lançar a minha carreira jornalística naquele momento, e o CR7 estragou tudo. Aposto que o Messi não me fazia uma destas.
13 junho, 2012
Herói nacional do jornalismo
Parece que a selecção campeã nos gastos com hotel e afins ganhou hoje o seu primeiro jogo no Euro 2012, torneio que se divide entre um país onde os animais foram assassinados para as ruas ficarem mais bonitas, e outro onde os jogos de futebol são pautados pelo racismo.
No final do jogo, a SIC correu para entrevistar Varela, o homem que marcou o golo da vitória. Para começar a abordagem a um jogador que mal soube articular uma frase, o jornalista da SIC achou por bem fazer uma introdução em meu nome. Disse ao jogador que ele era um herói nacional, e agradeceu-lhe "em nome de todos os portugueses".
Quando uma pessoa pensa que o jornalismo desportivo não pode descer mais baixo, eis que ele nos surpreende.
No final do jogo, a SIC correu para entrevistar Varela, o homem que marcou o golo da vitória. Para começar a abordagem a um jogador que mal soube articular uma frase, o jornalista da SIC achou por bem fazer uma introdução em meu nome. Disse ao jogador que ele era um herói nacional, e agradeceu-lhe "em nome de todos os portugueses".
Quando uma pessoa pensa que o jornalismo desportivo não pode descer mais baixo, eis que ele nos surpreende.
21 maio, 2012
Ironia é...
...um ministro envolvido num escândalo de informação das Secretas ameaçar uma jornalista com a revelação na praça pública de dados da sua vida privada. Como é que conseguiu essas informações? Através das Secretas?!...
A pièce de résistance: este ministro - Miguel Relvas - é o responsável por zelar pela liberdade de imprensa.
Não me consigo decidir pela parte mais ridícula da história.
Ah! Já sei qual é: ele ainda continuar a ser ministro depois disto tudo.
A pièce de résistance: este ministro - Miguel Relvas - é o responsável por zelar pela liberdade de imprensa.
Não me consigo decidir pela parte mais ridícula da história.
Ah! Já sei qual é: ele ainda continuar a ser ministro depois disto tudo.
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parvónia,
politiquices
20 maio, 2012
Onde está um cortador de relva quando precisamos dele?
Num país a sério, um ministro que tutela a comunicação social e faz pressões a jornalistas demitia-se ou, no limite, era demitido. Mas estamos em Portugal. E estamos a falar do Miguel Relvas. Há regras que não se aplicam. Nomeadamente as relacionadas com a honestidade, carácter e assim. Pormenores que não geram riqueza, logo inúteis.
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17 abril, 2012
Mas já ganhei uma viagem a Paris por ser a melhor a francês, ok?
Esta manhã, no trabalho, a minha chefe conta-me que uma jovem norte-americana de 24 anos ganhou um Pulitzer. Tem piada porque, um pouco antes, esta jovem ermesindense estava no banho a magicar em como há-de arranjar a carteira de jornalista se ninguém no seu trabalho a tem (se não tiver um orientador no meu local de trabalho com carteira, o meu tempo de trabalho como jornalista não conta para obtê-la).
A notícia provocou-me logo aquele sentimento de inferioridade. Então essa lambisgóia não tem consideração pelo mal estar que provoca às outras jornalistas de 24 anos que nunca ganharam nada? Enfim!
E lá fui eu ao Google pesquisar por “24 year-old-girl wins pulitzer”.
E lá fui eu ao Google pesquisar por “24 year-old-girl wins pulitzer”.
Abro a página e vejo que, para além de ter a minha idade, se chama Sara.
E que também acabou o curso em 2008.
(…)
É de deixar uma gaja que passa 8h por dia sentada em frente a um computador ligeiramente frustrada. Mas muito dificilmente eu seria uma Sara Ganim. Vejamos duas contrariedades inultrapassáveis:
1 – “she wakes up at 3 a.m. or 4 a.m. most mornings and starts working”. Eu deito-me à 01h e acordo as 08h, mas só saio da cama depois de meia-hora de luta comigo mesma. Se houvesse um Pulitzer para quem dorme melhor, aí sim eu seria uma séria candidata.
2- Ela trabalha na secção de polícia. Quando fui para o JN, dei graças a São Francisco de Sales de não me terem colocado nessa secção específica. O drama, o horror, as rondas pelas esquadras, as incursões pelo Aleixo. Nããããããão!
Olha, Sara Ganim, congratulations, sim senhor. No fundo fico muito contente por ti. Mas mantém-te no anonimato, se faz favor. Não quero que os meus pais percebam o desgosto de filha que eu sou :(
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03 abril, 2012
Estou pronta para a guerra
Acordei cedo para ir para a guerra, mas quando saí de casa vi que a guerra já devia ter fechado. Provavelmente tudo se resolveu porque a comunidade internacional rezou muito por nós, não é? Aleluia!
Para quem passou ao lado deste fenómeno, saibam que esta madrugada houve uma guerra civil em Lisboa, com direito a tanques e tudo.
http://www.publico.pt/Tecnologia/houve-um-golpe-de-estado-em-portugal-mas-so-no-twitter-1540542
Para quem passou ao lado deste fenómeno, saibam que esta madrugada houve uma guerra civil em Lisboa, com direito a tanques e tudo.
http://www.publico.pt/Tecnologia/houve-um-golpe-de-estado-em-portugal-mas-so-no-twitter-1540542
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nuestros hermanos son fodidios,
Twit
03 fevereiro, 2012
Os cérebros também congelam?
Brrrrrrrrrrr
Está oficialmente aberta a época da caça às sempre hilariantes reportagens sobre o frio.
E, tal como as reportagens sobre o frio, qualquer post que eu pudesse escrever seria igual ao mesmo que escrevi há dois anos.
Cuidado. Eles andem aí na rua. Se virem um repórter à vossa frente por estes dias, fujam. Ele vai perguntar-vos se têm frio em pleno Inverno e com 5 graus de temperatura.
Está oficialmente aberta a época da caça às sempre hilariantes reportagens sobre o frio.
E, tal como as reportagens sobre o frio, qualquer post que eu pudesse escrever seria igual ao mesmo que escrevi há dois anos.
Cuidado. Eles andem aí na rua. Se virem um repórter à vossa frente por estes dias, fujam. Ele vai perguntar-vos se têm frio em pleno Inverno e com 5 graus de temperatura.
11 janeiro, 2012
Oremos pela minha alma suja
Esta manhã, em vez de escrever notícias, estive a escrever um comunicado de imprensa sobre uma campanha publicitária da minha empresa.
Sou oficialmente uma vendida.
O desgosto de qualquer professor de jornalismo.
Vendi a alma ao diabo corporativo.
Um minuto de silêncio pela minha morte ética.
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Coisas do mundo laboral,
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05 janeiro, 2012
Correio da Manha
Não, não falta um "~" no título. Estou farta de meios de comunicação manhosos. Estou farta de ver, diariamente, incompetência, notícias escritas à pressa, textos copiados entre órgãos de comunicação, fontes não atribuídas, mas estou ainda mais farta desta falta de solidariedade para com colegas de profissão, numa altura em que os jornalistas sofrem com precariedade, imediatismo extremo, despedimentos colectivos e uma preocupante falha no modelo de negócio.
O Correio da Manhã publicou hoje isto. Uma notícia na secção "Lazer" cujo conteúdo consiste exclusivamente em apontar um erro ortográfico a um órgão de comunicação concorrente.
Alguém que me justifique isto, por favor. Que jornalista se sente bem a fazer uma coisa destas? Um estagiário que tem de fazer o que lhe mandam, ou que quer agradar na esperança de ser contratado? Mau princípio. Que idiota de editor permite (sugere?) a publicação de uma notícia que - creio - só o é por se tratar da RTP? Isto não é jornalismo, é lixo. Lixo!
A notícia está assinada com D. F.. Devem-se ter esquecido de um "E" no meio. Mas não faz mal. Todos cometemos gralhas de vez em quando...
O Correio da Manhã publicou hoje isto. Uma notícia na secção "Lazer" cujo conteúdo consiste exclusivamente em apontar um erro ortográfico a um órgão de comunicação concorrente.
Alguém que me justifique isto, por favor. Que jornalista se sente bem a fazer uma coisa destas? Um estagiário que tem de fazer o que lhe mandam, ou que quer agradar na esperança de ser contratado? Mau princípio. Que idiota de editor permite (sugere?) a publicação de uma notícia que - creio - só o é por se tratar da RTP? Isto não é jornalismo, é lixo. Lixo!
A notícia está assinada com D. F.. Devem-se ter esquecido de um "E" no meio. Mas não faz mal. Todos cometemos gralhas de vez em quando...
23 novembro, 2011
O milagre da privatização
"
A partir do momento em que for privatizado um dos canais, e este entrar em funcionamento, a RTP deixará de ter publicidade comercial» anunciou o Ministro Miguel Relvas. Questionado pelos jornalistas como será financiada, perdendo direito à publicidade comercial, disse que " se vai manterá o mesmo valor de indemnização compensatória".
Aqui está um caso exemplar de como se cria uma necessidade com o discurso e depois dizer estar a resolver o problema mas deixando a razão da necessidade inalterável.
O problema da RTP, segundo os governantes, é o elevado custo que tem, mesmo com publicidade paga, para o governo em indemnizações compensatórias pelo serviço público prestado. A solução ra a privatização de um dos canais, mas logo os tubarões da SIC e TVI vieram dizer que mais concorrência na publicidade era inaceitável. A solução é boa, para eles, o novo canal terá publicidade como tinha a RTP, a SIC e a TVI não vêm a sua fatia do bolo publicitário ser repartida por mais uma canal e nós todos pagamos o funcionamento da RTP. Servem-se os interesses dos poderosos da comunicação social e vamos ficar a pagar o mesmo por um serviço bem pior. São os milagres que esta gente consegue fazer.
"
Retirado daqui
A partir do momento em que for privatizado um dos canais, e este entrar em funcionamento, a RTP deixará de ter publicidade comercial» anunciou o Ministro Miguel Relvas. Questionado pelos jornalistas como será financiada, perdendo direito à publicidade comercial, disse que " se vai manterá o mesmo valor de indemnização compensatória".
Aqui está um caso exemplar de como se cria uma necessidade com o discurso e depois dizer estar a resolver o problema mas deixando a razão da necessidade inalterável.
O problema da RTP, segundo os governantes, é o elevado custo que tem, mesmo com publicidade paga, para o governo em indemnizações compensatórias pelo serviço público prestado. A solução ra a privatização de um dos canais, mas logo os tubarões da SIC e TVI vieram dizer que mais concorrência na publicidade era inaceitável. A solução é boa, para eles, o novo canal terá publicidade como tinha a RTP, a SIC e a TVI não vêm a sua fatia do bolo publicitário ser repartida por mais uma canal e nós todos pagamos o funcionamento da RTP. Servem-se os interesses dos poderosos da comunicação social e vamos ficar a pagar o mesmo por um serviço bem pior. São os milagres que esta gente consegue fazer.
"
Retirado daqui
21 novembro, 2011
À atenção do Daffy Duque*
Oh meu deus, oh meu deus, que desgraça tão grande se abateu sobre o nosso país! Que João Duque nos salve desta má publicidade! Se isto chega aos mercados, se um turista inglês vê isto enquanto cozinha "fish and chips" no seu T1 em Oxford!
Então não é que o New York Times tem o desplante, a desfaçatez, de publicar este artigo?
(...)the Angola-Portugal moment has had no equal in its upfront plaintiveness.
“Angolan capital is very welcome,” Mr. Passos Coelho said in Luanda, the capital city. That may be an understatement: the former colony’s cash could be essential as Portugal is forced to sell off state-owned companies and shutter embassies after a $105 billion International Monetary Fund bailout this year.
(...)In Portugal, it is not uncommon to hear citizens grumble that the only people who can now afford the luxury shops in Lisbon are Angolans, or to be seated next to businesspeople who are seeking their fortunes in Angola.
(...) But government critics in Angola saw irony in Portugal’s quest. “The capital barely has any electricity,” said Rafael Marques de Morais, an anticorruption campaigner. “The basic infrastructures are not being done. And yet the president can say we are ready to bail out Portugal. It’s very offensive.”
“There is still the colonial mentality in Portugal,” he added. “They just want to extract resources and plunder the country. The only difference is this time they didn’t take them by force.”.
É anotar o nome desse Adam Nossiter e enviá-lo para jduque@iseg.utl.pt . Não podemos permitir que toda uma estratégia de embelezamento acerca do nosso paradisíaco Portugal caia por terra por causa dessa treta chamada jornalismo!
* Gostava muito de ter sido eu a inventar este genial nome, mas não. Circula pelas internets e não poderia ser mais adequado a este pupilo de Salazar.
Então não é que o New York Times tem o desplante, a desfaçatez, de publicar este artigo?
(...)the Angola-Portugal moment has had no equal in its upfront plaintiveness.
“Angolan capital is very welcome,” Mr. Passos Coelho said in Luanda, the capital city. That may be an understatement: the former colony’s cash could be essential as Portugal is forced to sell off state-owned companies and shutter embassies after a $105 billion International Monetary Fund bailout this year.
(...)In Portugal, it is not uncommon to hear citizens grumble that the only people who can now afford the luxury shops in Lisbon are Angolans, or to be seated next to businesspeople who are seeking their fortunes in Angola.
(...) But government critics in Angola saw irony in Portugal’s quest. “The capital barely has any electricity,” said Rafael Marques de Morais, an anticorruption campaigner. “The basic infrastructures are not being done. And yet the president can say we are ready to bail out Portugal. It’s very offensive.”
“There is still the colonial mentality in Portugal,” he added. “They just want to extract resources and plunder the country. The only difference is this time they didn’t take them by force.”.
É anotar o nome desse Adam Nossiter e enviá-lo para jduque@iseg.utl.pt . Não podemos permitir que toda uma estratégia de embelezamento acerca do nosso paradisíaco Portugal caia por terra por causa dessa treta chamada jornalismo!
* Gostava muito de ter sido eu a inventar este genial nome, mas não. Circula pelas internets e não poderia ser mais adequado a este pupilo de Salazar.
17 novembro, 2011
O Vídeo que (me) interessa
Vou ignorar alegremente o vídeo feito pela Sábado e postar um vídeo bem mais giro. Pelo menos para mim.
É que pelo menos este vídeo é fácil de interpretar (porque não tem nada que saber). Bom, o da Sábado também, mas há quem não saiba interpretar vídeos. São mais graves respostas de falta de cultura geral ou total ausência de capacidade para interpretar um vídeo que nos colocam diante dos olhos?
Tudo isto para dizer que este fim-de-semana vou comprar bilhete para ir ver Mark Lanegan em Março (sim sim, nós geração das perguntas erradas, do Miguel Arcanjo, da geração à rasca, só nos sabemos queixar mas os cafés e os festivais estão cheios e blá blá blá geração perdida).
Haja alguma alegria na vida. E a música é das maiores preciosidades que tenho na minha.
P.S.: Porquê comprar já um bilhete para um concerto marcado para Março? Porque em Março o IVA para a cultura sobe. Cultura, essa coisa supérflua, esse desperdício de tempo. Ir a um concerto quando podíamos estar a trabalhar! O desplante.
É que pelo menos este vídeo é fácil de interpretar (porque não tem nada que saber). Bom, o da Sábado também, mas há quem não saiba interpretar vídeos. São mais graves respostas de falta de cultura geral ou total ausência de capacidade para interpretar um vídeo que nos colocam diante dos olhos?
Tudo isto para dizer que este fim-de-semana vou comprar bilhete para ir ver Mark Lanegan em Março (sim sim, nós geração das perguntas erradas, do Miguel Arcanjo, da geração à rasca, só nos sabemos queixar mas os cafés e os festivais estão cheios e blá blá blá geração perdida).
Haja alguma alegria na vida. E a música é das maiores preciosidades que tenho na minha.
P.S.: Porquê comprar já um bilhete para um concerto marcado para Março? Porque em Março o IVA para a cultura sobe. Cultura, essa coisa supérflua, esse desperdício de tempo. Ir a um concerto quando podíamos estar a trabalhar! O desplante.
15 novembro, 2011
O cão mordeu o homem
Continuando no tema automóvel, o Jornal de Negócios tinha ontem uma notícia impressionante, cujo título reza assim:
"Devia haver um incentivo ao consumo" automóvel
Oh meu deus, oh meu deus! Quem será o autor desta frase? O ministro da Economia? O secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações?
Não, meus caros. A frase é do director da Audi. Estou chocada com este desejo estranho de um presidente de uma marca de automóveis. Onde já se viu, querer um incentivo ao uso do automóvel!
Ainda bem que o jornalista não deixou passar esta. Espalhem a notícia, que isto contado ninguém acredita.
"Devia haver um incentivo ao consumo" automóvel
Oh meu deus, oh meu deus! Quem será o autor desta frase? O ministro da Economia? O secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações?
Não, meus caros. A frase é do director da Audi. Estou chocada com este desejo estranho de um presidente de uma marca de automóveis. Onde já se viu, querer um incentivo ao uso do automóvel!
Ainda bem que o jornalista não deixou passar esta. Espalhem a notícia, que isto contado ninguém acredita.
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