29 março, 2012

Off she goes, parte 1029382910

Então parece que é desta.

Ainda há dois meses tomei a grande decisão de ficar pobre mas ter um quarto só pra mim em pleno centro de Lisboa, e já me vou mudar outra vez. Depois de ter partilhado casa com duas na Ajuda, de me ter mudado para uma residência universitária de 80 na Cruz Quebrada, ter mudado para outra residência de 13 em Picoas e ter dividido casa com outra Sara no Campo Pequeno, agora vou sozinha para a Estefânia.

Ando há dois anos e meio de tralhas às costas contrariada, e a sonhar com isto. Chegou o momento.
Na mesma altura em que o meu namorado se vai mudar sozinho para um T2, eu preferi arranjar o meu canto e vou morar, pela primeira vez, sozinha. Vou chegar a casa, largar tudo onde me apetece, ligar a música, cantar como uma croma do Ídolos, pôr uma aparelhagem na casa-de-banho, pensar alto, jantar nestum e deixar a loiça por lavar até ao dia seguinte. Vou poder receber quem eu quiser à hora que eu quiser. Vou poder usar tudo, não vou ter nada dividido, como até agora. Não me vou poder queixar que a outra não limpa. Não sou contra a sujidade, atenção, sou apenas contra a sujidade dos outros. Sou tão filha única...

Agora as coisas más: não vou entregar a dissertação de mestrado no prazo estipulado. Vou 'comprar' mais um ano de sofrimento, mais um ano de nuvem na cabeça. Se não entregar este ano, assumo finalmente que isto das teses não é comigo. Eu sempre soube que não era, mas parece que é a condição para terminar um mestrado. Que gente picuinhas... Mas vale a pena o sacrifício, porque quando tiver o diploma vou passar a receber mais e a arranjar trabalho facilmente em Portugal! Oh, wait.....

Então parece que é desta. A miss aversa à mudança vai-se mudar outra vez. Espero não chegar ao prédio e descobrir que o vizinho de cima faz cultos satânicos ou que há um infantário no apartamento ao lado. O preço da minha independência foi demasiado barato para os padrões chulos de Lisboa... Vou descobrir já este domingo.

Acho que estou a ficar velha e aborrecida. Mas, caramba, vou ser uma velha aborrecida bué independente. :)

23 março, 2012

não, não sou a única (mas gostava)


Terça-feira, no final do jogo do Benfica (Benficaaaa!!!!!!), recebi uma mensagem de um amigo lagarto a perguntar-me se eu estava no estádio, porque lhe pareceu ter-me visto na televisão. Hoje, uma rapariga com quem não falo há dois anos mandou-me uma mensagem a perguntar-me se eu tinha dado uma entrevista à TVI durante as manifestações. Não fui ao estádio nem à greve (infelizmente para as duas).

Há montes de gente que, quando me conhece pela primeira vez, me diz que a minha cara não lhe é estranha. Quando tinha 16 anos, as minhas colegas do basket diziam que tinham uma professora igual a mim, e até lhe perguntaram se ela não tinha uma prima chamada Sara, mesmo depois de eu ter dito que a senhora não era minha parente.

Das duas uma: ou a minha mãe teve duas filhas e nunca me disse a verdade, ou eu tenho a cara mais comum de sempre. Nenhuma delas é fixe.

22 março, 2012

indignados, mas só moderadamente

Temos de viver em piores condições de vida. Temos de saber viver diariamente sob mentiras. Devemos compreender que os sacrifícios pedidos sejam só para alguns. Devemos compreender as excepções. Temos de deixar o nosso país e a nossa família para trás porque o desemprego cada vez é maior. Os que ficam têm de se sujeitar à precariedade e em alguns casos à exploração. Temos de trabalhar, trabalhar, trabalhar, para produzir, produzir, produzir, ao mesmo tempo que ganhamos menos. Temos de pagar mais transportes e ser transportados como gado. Temos de partilhar a liberdade com quem nos rouba mas tem bons cargos e bons amigos (gosto de redundâncias).

E ainda temos de manter as manifestações ordeiras e ter poder de encaixe quando somos agredidos por quem é pago para nos defender?

Fiem-se naquela coisa do "povo de brandos costumes". Vou adorar ver o país explodir.

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=538306&tm=8&layout=123&visual=61
http://sicnoticias.sapo.pt/economia/article1428501.ece

21 março, 2012

I thought it was the 4th of... June.

No dia 2 de Janeiro de 2010, os Soundgarden quebravam um silêncio que durava há anos, e eu pedinchava neste blog que eles viessem mostrar a Portugal do que ainda eram capazes.

Em 2012, anunciam que finalmente vão dar concertos na Europa, mas Portugal ficou de fora.

E se deus Cornell não vem à montanha...

eu vou a Milão ter "a lot of enjoyment".

Meu deus, eu vou ver Soundgarden ao vivo. Se o mundo acabar em 2012, morro feliz.

19 março, 2012

'sudo'mia musical

O meu segundo amor platónico, de seu nome Eddie Vedder, decidiu fazer a sua estreia a solo na Europa este Verão. Em Inglaterra e na Holanda escolheu teatros bonitos, que permitam aproveitar a sua música a solo – mais calma, com um ukulele– em pleno. Em Portugal, escolheu esse grande poio chamado festival Sudoeste TMN, onde o cabeça de cartaz vitalício é a praia e o segundo nome que mais atrai festivaleiros é o campismo.

Então, já que vou ter de fazer a minha estreia no Sudoeste, fui ver quem eram os outros projectos agendados para o mesmo dia em que actua o Mr. Pearl Jam. E deparei-me com isto:


(a música chama-se "Hate on me now"… estou só a fazer-lhe a vontade)

Isto é Richie Campbell, cujo verdadeiro nome é Ricardo Ventura da Costa. Um puto beto de Cascais que canta música má em inglês com sotaque jamaicano. Podia ser pior? Tenho sérias dúvidas.

Para além de Nicolas Jaar, há até ao momento mais um confirmado para o dia de Eddie Vedder. Atentem neste portento musical:

("If we don’t kill ourselves we’ll be the leaders of a messed-up generation", diz Example no início da música. Agora percebo. Ele quer-nos matar com isto. Não garanto que consiga sobreviver a ter de ver esta bosta ao vivo, no dia 3 de Agosto)

Posto isto, é claro que estou muito chateada com o senhor Vedder. Vou ter de pagar 50 euros para vê-lo no meio do pó e fazer não sei quantos kilómetros para ir a um dos piores festivais portugueses, cheios de putos em férias e onde a música desempenha só um papel secundário.

Can't find a better place? Arre, porra.

15 março, 2012

Shoe the shoeless

Numa altura em que um secretário de Estado se demite sob circunstâncias muito duvidosas, em que o rating da Grécia sobe sabe-se lá porquê, a Espanha se recusa a cumprir a meta do défice e Portugal é obrigado a cumprir tudo à risca, hoje venho aqui falar de um assunto muito importante: sapatilhas.

O tema é sensível logo desde o nome que escolhi para denominar aquela coisa que trazemos nos pés. Há quem lhes chame "ténis", confundindo calçado com desporto. Enfim, percalços da vida. Mas o que eu realmente vim cá hoje fazer foi perder tempo recordar as minhas Converse mais queridas (2006-2008. RIP).

As minhas primeiras all star dos tempos modernos (tive umas em criança, como qualquer petiz de final dos anos 80 /início dos anos 90) acompanharam-me durante ano e meio... Estiveram comigo em duas Queimas das Fitas do Porto e uma de Aveiro (e sabe deus a provação que isso não é!), partilharam comigo a euforia de 3 concertos de Pearl Jam, acompanharam-me tantas vezes a Lisboa para belos festivais e concertos, foram comigo a Londres, a Dusseldorf e a Barcelona, moraram comigo 6 meses em Roma e partiram comigo à descoberta de Itália... Foi com elas que andei de Gôndola em Veneza, caramba, quão romântico pode isto ser?? Ainda choraram comigo o regresso a Portugal e, apesar do cansaço e da velhice, ainda conseguiram resistir ao frio de Estocolmo...

Só que a minha Queima das fitas de finalista, em 2008, foi uma provação demasiado grande para as minhas idosas Converse... e tiveram uma overdose no que ao calçado diz respeito.
Mas eu não ía conseguir livrar-me delas.. o meu amor por elas superava qualquer cheiro insuportável que elas pudessem libertar... Até que, na manhã (duas da tarde) pós noitada de Queima das Fitas, descubro que a minha mãe, a minha própria mãe, lhes tinha dado o golpe de misericórdia enquanto eu dormia...




Fui dar com elas no lixo. No lixo! As minhas companheiras, abandonadas assim numa lata de lixo. Oh, final inglório. A velhice é uma coisa muito triste, não haja dúvidas... Oh, a ingratidão... Ainda fui lá pegar nelas para lhes tirar este retrato e imortalizá-las. Ok, confesso que fui lá para ver se eram recuperáveis, se ainda haveria alguma coisa a fazer pelas minhas pequeninas, mas a minha mãe conseguiu colocar-me algum juízo na cabeça e eu compreendi que era o fim.

O facto de já ter umas novas no armário também ajudou a que essa compreensão acontecesse sem grandes birras. E para superar a dor imensa que estava a sentir, logo de seguida fui com as minhas novas all star para Braga ver Linda Martini...

É preciso começar a educar as all star logo desde pequeninas, não é?

11 março, 2012

He's a Sonic, he's a legal Sonic, he's a Sonic Youth in Trindade

O Mr. Sonic Youth vem a Lisboa amanhã e eu vou para a primeira fila babar perante a sua faceta acústica.

A minha Primavera musical de Março tem Thurston Moore e Mark Lanegan. Oh, a vida é bela...

08 março, 2012

O drama. O horror. O choque de realidade

Jerónimo de Sousa acusou, ontem, o Primeiro-Ministro de negligência para com os idosos. Porquê? Porque o estado da saúde pública está doente e só o governo é que parece não saber disso. Disse o líder do PCP:

Aquilo que se está a fazer no plano da saúde, particularmente aos mais idosos, negando-lhes a possibilidade de transporte, negando-lhes a possibilidade de uma consulta atempada, de um exame atempado, responsabiliza este Governo pela morte antecipada de muitos portugueses, particularmente de idosos".

Confrontado com esta intervenção, Passos Coelho repudiou tais acusações, classificando-as de mero "jogo político".

Eu não queria chocar Passos Coelho com a realidade, mas aquela coisa chamada governar funciona assim: os políticos tomam decisões (ou fogem delas), colocam-nas em prática e elas reflectem-se directamente na vida das pessoas.

Parece mentira, mas é verdade

... (pausa para se recomporem do choque)

Eu sei, é um choque chocante (é preciso dar ênfase à situação). O político em campanha conhece perfeitamente o estado desgraçado em que vivem os portugueses. Já o político governante diverte-se a brincar às politiquices no Parlamento, nas reuniões, nas inaugurações, nos aviões e na União Europeia. E vê os resultados das suas decisões através de estatísticas que os seus assessores, chefe de gabinete, adjuntos e técnicos especialistas candidamente lhe mostram. E o que serão aquelas estatísticas? Números. Apenas números. No caso dos mortos, são menos eleitores. Uma chatice. Mas a vida é assim, não é? Não podemos fazer nada para evitar isso, pensarão (?) os nossos governantes.

Mas pensam (?) mal. Se o governo não faz nada para melhorar as condições dos nossos hospitais, se a minha avó com 85 anos vai às urgências e espera 6 horas num corredor, se a segurança social está na miséria, se os lares de idosos são caros como a merda e se as reformas são simplesmente uma merda baixinha e as pessoas vivem em dificuldades (com frio para não gastar energia, por exemplo) e não têm dinheiro para ir ao médico privado que o sr. Passos Coelho frequenta nem para ter a assistência que o sr. Passos Coelho vai ter quando for velho e muitos acabam por morrer mais cedo por falta de assistência devida e falta de condições no geral, então senhor Coelho, lamento dizer-lhe que sim, que o governo é o responsável pela morte antecipada de idosos.

É duro de ouvir, mas só uma besta quadrada que não vive neste mundo chama à afirmação de Jerónimo de Sousa "jogo político". Há mais coisas na vida para além da política. Desculpe confrontá-lo mais uma vez com a realidade e chocá-lo duas vezes num só texto que nunca vai ler.

06 março, 2012

C.S.I.ogurtes

Queixava-me eu, há coisa de 3 semanas, do cobarde roubo de iogurtes de que fui vítima, na própria empresa onde trabalho.
Um ultraje! Uma pessoa pensa que no mundo do trabalho são todos crescidos e, vai-se a ver, roubaram-me mais iogurtes numa semana de trabalho do que em dois anos de residências universitárias. O mundo está perdido, é o que vos digo.

Revoltada com a situação, ao terceiro iogurte roubado achei que era altura de enviar um e-mail furioso a toda a empresa.
O larápio guloso não se acusou, e eu agora tenho de aturar todos os dias (a sério, todos os dias, mais do que uma vez por dia) piadas de vários colegas sobre iogurtes. "então, já compraste mais iogurtes para mim?", "ai, que bom estava o teu iogurte de maracujá" (estou farta de dizer que os meus iogurtes eram de morango L. Casei Imunitass... só um desesperado rouba iogurtes de marca branca L. Casei Imunitass, aquilo nem sequer era bom).

Mas hoje senti que o meu problema estava a ter a merecida atenção, quando entrei numa das salas e vi no quadro a seguinte investigação:



"3- Sara mentiu e quer que lhe paguem os iogurtes". Bem esgalhada... Mas consegui rebater e eliminar da investigação essa hipótese manhosa.

Espero que o facínora de iogurtes alheios se acagasse e confesse tudo! As investigações continuarão. Até lá, olharei para todos lá na empresa como potenciais inimigos e levarei um iogurte por dia na mala, só para não correr riscos desnecessários.

04 março, 2012

Exército de reserva

Eu já evito comprar seja o que for nas lojas chinesas, porque acho que todos conhecemos o conceito de trabalho escravo e trabalho infantil e o porquê de os produtos chineses terem conquistado o mundo por serem tão estupidamente baratos. E não tendo poder de compra para ser cliente habitual de uma loja de Comércio Justo, fui voluntária numa loja. Mas nunca tinha feito a mesma associação de exploração para com os preços competitivos que as Amazons desta vida praticam.

Até que li este artigo. São 4 páginas, mas vale a pena perceber como são tratados os trabalhadores dos armazéns que recebem e embalam os produtos que compramos com um 'clic'. As pessoas são números que têm de ser maximizados a qualquer custo. Em troca, têm um emprego. E se um dos empregados acaba de ser pai e quer tirar o dia para ver mãe e bebé? Rua. E se quiser ir votar? Pois que sim, que deve votar, mas se for votar vai para a rua porque faltou ao trabalho. turnos de 10,5 horas (12h no Natal), supervisores que vos relembrar a toda a hora o quão maus vocês são porque estão abaixo dos objectivos. Não, não estou a falar da China: estes armazéns gigantes de trabalhadores temporários, escravizados e dispensáveis situam-se nos Estados Unidos.

Eu, que já fiz uma montanha de biscates para ganhar uns trocos, também sei o que é fazer trabalho mecânico e ser pressionada para o fazer o mais depressa possível. Sei o que é ter um contador no computador que conta os 25min de pausa do dia, sem desculpas. E sei o que é ter de estar de pé 8h por dia, ser revistada a cada saída do trabalho (mesmo para a pausa do almoço) e ter de receber ordens de gente bruta (dentro dos supermercados, a SONAE era de longe a pior a tratar o pessoal). Mas isto não é nada.

Se querem continuar a fazer bons negócios na Amazon e Companhia, de consciência tranquila, não leiam o artigo. A não ser que concordem com a máxima cada vez mais dominante que diz que "as pessoas têm é sorte por terem um trabalho", não devendo por isso queixar-se ou exigir melhores condições. Até porque para cada posto de trabalho, há um exército de reserva pronto para nos substituir.

http://motherjones.com/politics/2012/02/mac-mcclelland-free-online-shipping-warehouses-labor?page=1

03 março, 2012

Rats. They don't compare

Somos todos gregos e devíamos também ser todos sírios, já que não fomos ruandeses.

Somos sequer humanos? Sim, sem que isso seja um elogio.