
Imaginem que estavam na faculdade e que de repente vos era dada a oportunidade de, durante seis meses, continuar o vosso curso numa cidade europeia à escolha, de entre um vasto leque de opções. Para que os custos extra não pusessem ninguém de fora, era-vos oferecida uma bolsa para poderem suportar as despesas de uma cidade mais cara e da renda de uma casa.
É claro que uma oferta destas tem de ter contrapartidas... E o que este gesto de inquantificável generosidade vos pede em troca é que estudem como se estivessem cá (mas menos, só que eles não dizem isso porque parece mal :P), e que se divirtam muito. Que conheçam uma nova cultura de perto, que aprendam uma nova língua, que durante seis meses sejam cidadãos de um outro país, que viagem, que se cultivem, que façam amizades internacionais, enfim, aquilo que não está previsto no programa do curso da faculdade para o qual entraram. Parece-me uma contrapartida justa.
E eu aceitei aquilo que, à primeira vista, é impossível recusar! Surpreendentemente, num universo de bem mais do que uma centena de alunos, só 6 ou 7 pessoas é que também embarcaram na aventura....
Fui para Roma. Fui conferir se aquilo tudo que falam sobre Erasmus é verdade. Às vezes as pessoas gostam de exagerar e eu não gosto cá de ser comida por lorpa. E constatei que, de facto, as coisas não são bem assim...
São infinitamente melhores.
São uma fuga do dia a dia, são o viver de uma nova vida com um timeline delimitado à partida e que nos permite viver ao máximo e aproveitar cada dia. É bom sabermos que estamos a ter uma oportunidade única na vida e saber aproveitá-la... é tão bom! Responsabilidades a roçar o zero, viagens e visitas a e de amigos/conhecidos/amigos de conhecidos que também estão "poisados" um pouco por toda a Europa, a inevitabilidade de me apaixonar por Itália e por toda a sua riqueza cultural, arquitectónica, paisagística e gastronómica :P (e com isso ganhar imensos kg e mesmo assim pensar "logo penso nisso").
São seis meses que valem por um curso inteiro feito ali ao lado de casa...
Só há uma pequena coisinha, que dura um dia, mas que é o suficiente para nos atormentar com saudades e nostalgia, e que nos faz desejar voltar atrás no tempo: o regresso a casa. É uma viagem que de certa forma atormenta...
Quando vimos a casa no Natal, sabe bem! Matar as saudades da família e dos amigos, contar as novidades, voltar a dormir na nossa cama, não ir às compras e carregar os sacos todos a pé :P andar de carro!! Comida da mamã e mimos da mamã!
Mas quando regressamos definitivamente, dói. Aquela realidade, ao contrário daquela que vivemos toda a nossa vida, não vai ficar à espera que a retomemos... e eu não me importava de trocar um bocadinho. Trocar a rotina de sempre, os lugares de sempre, as obrigações de sempre por mais uns valentes meses romanos...
Podemos sempre voltar à cidade que nos acolheu enquanto erasmus, mas nunca será a mesma coisa. Os amigos que fizemos não estão lá, já não temos a nossa casa. Deixa de ser um bocadinho a nossa cidade para ser a cidade dos novos estudantes que desfazem as malas para viver tudo aquilo que eu vivi... E a minha Roma esquece-me, para se entregar a novas caras.
Faz hoje um ano.

