28 janeiro, 2009

Post Anger


À semelhança do Post Secret achei que era saudável deitar cá pra fora algo que não é nenhum segredo:

EU ODEIO A PALAVRA CRISE!

Pronto. Está lançado o mote. Em tempos difíceis não dá vontade de reclamar e deitar cá pra fora? A mim dá :P e convido a quem se sentir como eu, seja por causa de que assunto for, a fazer o mesmo.

POST-ANGER!

Começo eu:

Em Portugal já se fala de crise provavelmente desde 1143. Mas este ano só se fala na p* da crise em todo o lado! De repente descobre-se que uns quantos ricaços andaram a enganar meio mundo, a desviar mundos e fundos, a gastar balúrdios em carrões, férias e almoçaradas e PUFF, dezenas de miilhares de pessoas ficam sem trabalho e os governos vêem-se obrigados a meter a mão no inquebrável e autónomo capitalismo. Extra-órdinário!

Mas... e o que é que pessoas insignificantes como eu têm a ver com isso? Eu sou uma anónima, que habita num lugarejo chamado Ermesinde... Eu nunca vi ponta de lucro dos senhores ricaços :( e querem-me convencer que eu é que me tenho de sacrificar? "apertar o cinto"? TRABALHAR À BORLA?

F****-SE!

Há empresas e bancos a falir de um dia para o outro? De repente já não há dinheiro nem para pagar aos empregados? Mas querem enganar quem? O engraçado é que enganam mesmo... Alguém pede responsabilidades aos maus gestores e ladrões de milhões? Não!! Pede-se a 0,005% deles que é para dar o exemplo e calar o povinho. A seguir os governos já podem baixar as calcinhas e ir ajudar os meninos, que sem indústria e bancos nenhum país sobrevive. Mas pelos vistos com gestores assim também não. Mas quem paga são os parolos dos anónimos como eu!!!

Eu fico aqui a assistir a isto. Como eu, ninguém faz nada... Fazem de nós o que querem e farão sempre. Os portugueses em particular têm esta inépcia no sangue. Resta-nos procurar algum emprego e rezar para ter um saláriozinho inho ao fim do mês e não ser despedidos à conta da "crise"...




Ahhhhhhhhhhh sinto-me bem mais leve! (na verdade não sinto, era só para incentivar quem quiser deitar cá para fora as suas reclamações também).

Sirvam-se deste espaço, vomitem as vossas inquietações e revoltas!!! A internet também serve para isso! Para além de que eu estou extremamente desocupada e preciso de me distrair.

27 janeiro, 2009

Dear Rome
(acredita que em português não fica tão bonito)

Como estás? há exactamente 11 meses que não te vejo! Deves estar mudada! Pronto, as ruínas e tal não mudam há uns quantos séculos, mas tens sempre tanto para mostrar, tanto para contar!
Por aqui, o mesmo de sempre. Acabei aquilo que me levou a abandonar-te 6 meses mais cedo. Acho que não compensou (a nível profissional porque a outro nível tive a sorte de uma vida), visto que perdi o ano na mesma e agora não tenho perspectivas de trabalho, mas se tivesse simplesmente desistido não te ía aproveitar de consciência tranquila. Além disso o nosso grupinho não seria o mesmo nesses 6 meses de bónus, mas estavas lá tu. E tu és única! Tu serás sempre tu.
Ah como tenho saudades tuas... esse sentimento tão português e tão particularmente meu... Quando me dá, fico assim, gratuitamente lamechas e deprimida, a pensar no quanto dava para estar contigo agora... Tenho saudades do ambiente em casa, de sair com a Ana, das visitas estúpidas do Francisco, das noites de "estudo" com a Ana e a Rita mais o leite-creme da praxe, das sessões de cinema e de poker com o Hugo, das cantorias do Luís, da festa diária no 87, de tropeçar a cada esquina num pedaço de História, de conhecer algum lugar ou alguma pessoa todos os dias, até da porcaria das discotecas da moda eu tenho saudades, caramba!
Tenho saudades da liberdade total e da quase ausência de rotina. Quando a rotina é tão maravilhosa e tem um tempo de vida delimitado, até custa chamar-lhe rotina. Rotina é o que eu tenho aqui... triste e aborrecida... só é quebrada quando saio à noite ou me mando pra Lisboa, o resto é um pesaroso sobreviver diário.
Ah, minha eterna amiga, companheira e amante... sei que já me esqueceste. Fui apenas mais uma e não deixei marcas. Como eu, chegam aí aos milhares e, invariavelmente, apaixonam-se por ti. Ma come no? E apesar de eu não ser ninguém para ti, tu serás para sempre o meu eterno amor e eu vou recordar para toda a vida cada momento que passei contigo.
Um dia eu volto.

Sempre tua,

S.

22 janeiro, 2009

Heart off

Para quem ainda rejeita conhecer os Eagles of Death Metal por não gostar de death metal, aconselhamos uma escuta e a surpresa é garantida. Josh Homme (Queens of the Stone Age) e Jesse Hughes lançam “Heart On”, o terceiro álbum de uma banda alegre, despreocupada e com um rock agradável ao ouvido (lembrando, por vezes, a principal banda de Josh Homme). Letras simples e com alguma piada, como em “High Voltage”, melancolia em “Now I’m a Fool”, enfim, tudo junto faz quem ouve “Heart On” concluir que misturar trabalho com prazer só faz bem.




E pronto, acabou-se definitivamente o "brincar aos jornalistas". As saudades não vão ser muitas, confesso, apesar de ter convivido com algumas pessoas muito interessantes e sempre atenciosas e humoradas comigo. Obrigada a quem me disse um "vai aparecendo" sentido (em todas as despedidas a maioria que o diz fá-lo por educação, e eu como pessoa politicamente incorrecta que sou, não corroboro na fachada e digo mesmo que não apareço nada lol). Mas houve mesmo pessoas com as quais me deu prazer estar todos os dias e com essas espero cruzar-me mais umas vezes.

E agora, é oficial: sou uma pessoa desocupada! Ainda que com vários projectos caseiros, agradeço a quem souber de alguma vaga para jornalista, que me diga :P

20 janeiro, 2009

Gobama, Gobama!

Foto: Damon Winter/NYT

É hoje! É hoje! Eu estou entusiasmada porque é hoje que um presidente inicia o seu mandato. O presidente não é o meu, nem tão pouco o país. E é por isso que é tão incrível! Como é que um homem que está a milhares de quilómetros de distância consegue dar-nos The Audacity of Hope?

São pessoas assim que ficam na História e que valem a pena ser citadas e seguidas, mesmo quando não fazem parte da nossa realidade. Apesar das vozes que se erguem sempre que alguém reune um consenso tão forte, (é, há sempre quem seja do contra só porque remar contra a corrente é cool), mesmo que isto seja só um hype, que mal tem? Este homem faz-me acreditar. Não sei bem em quê, mas sempre que o ouço falar fico com arrepios.

O mundo precisa de mais esperança, mais vontade, mais humildade.
O mundo precisa urgentemente de um Obama!

Acho que depois de tê-lo conhecido vou passar a defender a clonagem em casos muito especiais :p

16 janeiro, 2009

controlinveste ou o desinvestir da liberdade

Hoje vivi uma situação que não esperamos presenciar tão cedo: um despedimento colectivo.
Para mim, que a crise sempre foi algo de muito abstracto ou distante, foi um pequeno choque deparar-me de manhã com a redacção do jornal 24 Horas fechado (desprezos jornalísticos à parte, são jornalistas mandados para a rua de um dia para o outro), e um ambiente de cortar à faca da redacção do Jornal de Notícias.
Um pequeno choque que só é pequeno porque, para um estagiário que está a uma semana de acabar o estágio, são efemérides... mas que, por outro lado, traduz como se vive o jornalismo nos dias de hoje - ou melhor, como não se vive...

Basicamente o grupo que detém, entre outras coisas, jornais como o Jornal de Notícias, Diário de Notícias, o Jogo e 24 Horas, despediu 122 trabalhadores. Puff! De repente, 122 pessoas já não são precisas! Com certeza que a qualidade não sairá danificada... sobretudo porque, e falando do caso mais próximo de mim, se andaram a contratar CHEFIAS nos últimos tempos! Parece-me bem.

Ora, pensando mais à frente: como é que uma redacção que de repente perde cerca de 25 pessoas é suposto sobreviver? Parece que já estou a adivinhar: admitindo mais estagiários aka mão-de-obra grátis e contratando apenas colaboradores a recibos verdes e a ganharem um salário ridículo! Boa!
Lamento, mas a qualidade sai ferida na mesma. Eu não queria dar o terrível exemplo d'0 Primeiro de Janeiro, que de um dia para o outro pôs toda a gente na rua e passou a fazer-se pela mão de jornalistas desportivos. Sem desprimor para os jornalistas do Norte Desportivo, mas o resultado está à vista e não é bonito.

Mais: o Jornal de Notícias dá lucro, subiu as vendas e sustenta, por exemplo, os desastres do Diário de Notícias. No entanto, as dispensas do JN foram bem gordas...
Mais ainda: o Jornal de Notícias é o jornal sobrevivente da cidade do Porto, mas as dispensas no Porto foram bem gordas...

Há coisas que são relativamente previsíveis.

Começando pela mais corriqueira, grandes grupos económicos que gerem jornais como se fossem supermercados resultam em coisas destas. Sobretudo se quem gere a grande empresa é um senhor ricaço lisboeta sem qualquer vínculo às raízes e à tradição do jornalismo.

A outra é, obviamente, o novo estatuto do jornalista, aprovado recentemente e que define a "possibilidade, praticamente irrestrita, de utilização de trabalhos de jornalistas em todos os órgãos de informação detidos pelas empresas e grupos". Boa! Vamos partilhar textos e tornar os jornais iguais. Viva a pluralidade. Porque não se cria já um único jornal e passamos todos a ter só uma fonte de informação? ^^

...

O engraçado é que isto só se resolve com união. Mas já não existe tal coisa...
Porque se os colegas dos integrados neste despedimento colectivo suspendessem os trabalhos, eu gostava de saber se o senhor Oliveira não voltava atrás.
Porque se mais nenhum estagiário aceitasse trabalhar à borla (ok, estágios curriculares fora, embora o mínimo seja um subsídio de alimentação e transporte... a sério), eu queria ver se havia tantos dispensados ou se, pelo contrário, não havia era mais jornalistas contratados.
Porque isto é uma selva e, se vassilamos, vem um atrás pronto para se sujeitar ao que quer que seja para ganhar um emprego.

É a vida.

Raio de vida que fui escolher para mim...

Um grande abraço a quem foi despedido hoje, sobretudo a dois fotógrafos do JN que sempre foram simpáticos para mim e que me faziam sentir um bocadinho "em casa".


P.S.: Escrita em courier, em homenagem...

14 janeiro, 2009


"o muro que separa os vivos uns dos outros não é menos opaco que o que separa os vivos dos mortos (...)"


José Saramago
O Ano da Morte de Ricardo Reis


Fizeste-me pensar numa morte que vivi em 2008. Uma morte, entenda-se, que por aí anda ainda, do lado do muro dos vivos. Eu é que fui expulsa para o outro lado. Porquê? Não sei bem. Acho que sei mas ninguém gosta de reconhecer a indiferença ou o desprezo.
Adiante.
Quando uma pessoa de quem gostamos muito morre, fisicamente falando, é muito triste e o luto traz uma dor inquantificável. Nunca mais vamos ver essa pessoa, ouvi-la, te-la, sabe-la... Acabou.
Mas quando nos morre uma pessoa só a nós, e só nós sentimos a perda porque o "morto" ainda anda do lado do muro da vida, apenas nos deixou a nós, temos de engolir em seco um luto que nos atormenta pela dúvida, e a dúvida custa.
Há a fase em que não aceitamos a perda. Tentamos trepar pelo muro porque gostamos da pessoa, ela tinha-se tornado tão importante para nós! Não aceitamos bem, andamos atrás, justificamos atitudes...

Acho que hoje te estou oficialmente a fazer o funeral.
Por muito que tenha dito até agora que não queria mais saber, que não voltaria a dar o braço a torcer para tentar saber de ti (porque, de facto, não o mereces, mas estás-te a cagar), é o que estou a fazer, mas pela última vez.
Tinhas-te tornado num dos meus melhores amigos, partilhávamos gostos, gozos, risadas, música, viagens, vivências. E em nome disso eu tentei.

Mas chega a altura em que abrimos, ou que alguém nos abre, os olhos para a realidade: quem ergue um muro de separação pela sua própria vontade não merece luto algum.

11 janeiro, 2009

Empresa procura estagiário para regime de full-escravatura

A A Global Key procura:

Jornalista estagiário (não remunerado)

Os candidatos deverão:
- Ter disponibilidade para trabalhar ao fim-de-semana e durante a semana;
- Ser licenciados ou frequentar um curso na área do Jornalismo, Comunicação Social;
- Conhecimento e gosto pelo desporto;
- Disponibilidade imediata e total.
Horário: 9 horas às 18 horas
Local de trabalho: Lisboa

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Jornalistas Estagiários.
Local: Lisboa
Área: Saúde
Regime: Full-time

Publicação semanal procura jornalistas estagiários para produção de notícias e cobertura de eventos na área médica e da saúde.

Requisitos:Licenciatura em comunicação/jornalismo (ou finalista do curso)
Disponibilidade para eventuais trabalhos em horário pós-laboral
Capacidade de trabalhar sob stress e de cumprir prazos curtos
Experiência na área da saúde (preferencial)

Oferece-se:Subsídios de almoço e deslocação.

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Isto são apenas dois exemplos retirados do meio de uma imensidão de anúncios do Carga de Trabalhos, mas podia ser de outro lado qualquer. Não percebo. E ainda dizem que há falta de trabalho! Quem diz isso com certeza não quer trabalhar, ahaha.. .... .. .

O meu estágio curricular realizado no segundo jornal mais vendido do país acaba dia 21 de Janeiro. Foram três meses de aprendizagem e de muito trabalho numa empresa que dá lucro todos os anos, mas que não está a contratar jornalistas. Por isso o facto de não ter sido convidada para ficar não me desiludiu minimamente. Desilude-me, sim, o facto de nem se dignarem a dar um subsídio de alimentação e transporte a quem vai todos os dias fazer um trabalho igual ao de todos os outros a troco de nada, e a frieza com que os estagiários são descartados. Com as perguntas frequentes do: "Quando é que acaba mesmo o teu estágio?" "Vê lá se adiantas a reportagem porque dia 21 vais embora" ou "Quando é que acaba mesmo o teu estágio? Estagiário x começa dia 19 então, e passados alguns dias vem outro".

E quando a duas semanas de irmos embora alguém vem falar baixinho connosco e pergunta: "não há possibilidade de prolongares o teu estágio?" o coração bate mais depressa porque nasce uma esperança, por mais ínfima que seja, para depois ouvir que o nosso nome foi recomendado a uma bela instituição, cujo primeiro nome começa por casa e o último é música, porque estão cheios de trabalho, mas... não querem pagar.
Não querem pagar.
Estão cheios de trabalho, mas não querem pagar.
Querem um estagiário em estágio curricular porque se for profissional já têm de pagar.
-"Ah, mas eu já acabei o curso, não posso fazer mais estágios curriculares..."
-"Hum... não podes ver se há maneira?"
-"Err.. duvido... além disso só iria se soubesse que havia hipóteses de ficar, senão são apenas mais 3 meses sem perspectivas". Custou-me dizer exploração a quem me recomendou, embora ambos soubéssemos o que 'perspectivas' queria realmente dizer.
-"Pois.. isso já terias de falar directamente com eles, não estou por dentro do assunto".
Calhou de, no dia seguinte, num jantar, ter conhecido alguém da área financeira dessa tal Casa, que me disse que lá nãoe stão a contratar ninguém.

Eles têm muito trabalho, mas não querem pagar.
Eles dizem que precisam de um estagiário.
No meu código de linguagem o que eu entendo é que eles precisam de um escravo, e acho que devia dizer-lhes que a escravatura já foi abolida, não vão eles continuar equivocados...

E o chato nisto tudo é que não adianta eu dizer que não a quem quer um trabalhador mas não lhe quer pagar.
Não adianta chamar as coisas pelos nomes a quem põe diariamente anúncios como aqueles por aí.
Porque, se eu não aceitar, se eu não responder, alguém vai fazê-lo e nada vai mudar.
Esta política egoísta de regime de escravatura encoberta por outra designação mantem-se e vai perdurar...

Não há propriamente falta de trabalho, mas sim falta de respeito pelos outros...
Há tantos locais que precisam de mais gente a trabalhar, mas que não querem contratar porque "não há dinheiro", quando a seguir vão almoçar à pala da empresa, fazem telefonemas pessoais à custa da empresa, desviam umas quantas coisas...

Esta merda revolta-me sempre que vejo um daqueles anúncios dirigidos à minha área e faz-me questionar porque é que andei a estudar 15 anos (mais de dois terço da minha vida!), precisei de média de 16 para entrar na faculdade pública e acabei com uma boa média tudo isto...

Já chega de desabafos inúteis que não servem para nada nem para ninguém. Nada muda. Vou continuar a fazer o meu biscate de Domingo que, esse sim, me vai dar uns trocos.

Welcome to the Jungle!